Esfriamento do comércio em 2011 é inevitável

Medidas dos Banco Central vão contribuir para o freio do consumo.

Luís Artur Nogueira, de EXAME.com 

São Paulo – O comércio brasileiro não vai repetir em 2011 o desempenho chinês do ano passado. Além da base de comparação ser bem alta, o que dificulta um expressivo crescimento, há várias medidas econômicas que tendem a esfriar a economia.

A primeira delas é o aperto monetário comandado pelo Banco Central. Além de aumentar o compulsório, deve elevar os juros nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). O caminho natural será de encarecimento do crédito e prazos menores.

Outro ponto importante é uma expansão mais modesta da renda. Em 2010, a imensa maioria dos trabalhadores com carteira assinada teve reajustes acima da inflação, ou seja, ganho real. Nesse ano, as negociações devem ser mais duras, a começar pelo salário mínimo, que, em principio, teria apenas a reposição da inflação (passando de R$ 510,00 para R$ 540,00).

Sabe-se, porém, que parlamentares da oposição e da base governista trabalham para dar uma turbinada nesse valor, mas, de qualquer forma, o baixo reajuste do mínimo deve impactar principalmente as famílias de baixa renda e os aposentados.

Finalmente, não se pode descartar uma ajuda do governo federal no combate à inflação. O ajuste fiscal, se realmente vier, também vai esfriar a atividade econômica. Aliás, a própria alta da inflação reduz o poder de compra da população.

São ingredientes para um inevitável crescimento menor do comércio em 2011, na casa de 5% – ainda assim, longe de ser ruim.

Natal será decisivo para varejistas tradicionais se firmarem no e-commerce

Pão de Açúcar, Walmart e outras redes desafiam a liderança da B2W nestas Festas.

Marcio Orsolini, de EXAME.com

Arquivo EXAME

A um clique: o comércio eletrônico se tornou um dos principais investimentos das varejistas tradicionais.

São Paulo – Após um período de intensa consolidação, o varejo tradicional volta suas forças para a conquista de um novo mercado – o comércio eletrônico. E, nessa guerra, o Natal deste ano será decisivo para demonstrar a capacidade de marcas tradicionais das gôndolas, como o Grupo Pão de Açúcar, Walmart e Carrefour, de baterem empresas que já nasceram focadas na internet, como a líder B2W.

De acordo com a consultoria e-bit, as vendas online crescerão 40% em relação ao mesmo período do ano passado e movimentarão 2,2 bilhões de reais apenas no período de festas. Em parte, o salto se deve ao maior investimento dessas grandes varejistas no segmento. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, estreou na internet em 1995, com o Pão de Açúcar Delivery.

O ímpeto para ampliar sua atuação no mundo virtual, porém, cresceu desde que comprou o Ponto Frio e se associou a Casas Bahia. Com isso, passou a controlar sites valiosos, como o Pontofrio.com.br, extra.com.br, paodeacucar.com.br e casasbahia.com.br. A integração das plataformas desses sites está para ser concluída, com o objetivo de disputar as vendas natalinas.

O Walmart ingressou no segmento em 2008 e hoje tem 50.000 itens divididos em 21 categorias. A rede espera um aumento de 50% nas vendas através de seu site. Já o Carrefour lançou sua plataforma online em março deste ano e oferece, atualmente, 17 categorias de produtos.

Desafios

De acordo com Alexandre Umberti, diretor de marketing e produtos da e-bit, antecipar as compras em um período aquecido do mercado é mais do que necessário. “Os consumidores devem planejar suas compras para evitar o risco de enfrentar uma surpresa desagradável”, diz.

Com a previsão de alta demanda, as empresas afirmam que já prepararam seus estoques para atender ao grande número de pedidos. Procuradas, elas não comentam detalhes de suas operações online.

“As empresas ainda não estão preparadas para atender com tranquilidade a alta quantidade de pedidos nessa época.” Por isso, esse primeiro Natal com as marcas mais tradicionais do varejo no comércio eletrônico vai mostrar quem pode ganhar mais fatia do mercado.

A consultoria americana comScore realizou um estudo neste mês sobre a situação do e-commerce na América Latina com uma amostragem de 800 participantes. O estudo mostra que as principais preocupações dos consumidores são sobre a segurança das transações, disponibilidade de opções de pagamento e a seleção de produtos online.

Adesão

A boa notícia é que os brasileiros estão aderindo ao e-commerce. Entre os mercados pesquisados, o Brasil apresentou a maior porcentagem de conversão de visitantes de sites de comércio virtual a compradores, com 94% dos consumidores no Brasil tendo realizado uma compra online. A Argentina veio logo depois com 89%, seguida da Colômbia, com 84%. O potencial de crescimento do país no varejo online é tão expressivo que chega a superar o mercado americano, o maior do mundo, que terá crescimento de apenas 12,7%.

Com as lojas e os shopping centers cada vez mais lotados e o avanço do número de internautas brasileiros, o comércio eletrônico passará por um verdadeiro teste neste Natal. Se os grandes varejistas tradicionais forem hábeis o bastante para impressionar os clientes com bons produtos, preço e entrega no prazo, terão tudo para fazê-los voltar em 2011 – e arrancar um naco de mercado da B2W.

Fonte: comScore

Consumo de importados deve crescer mais de 10% neste Natal

Com desvalorização do dólar, tendência é de brasileiros consumirem mais produtos estrangeiros e a preços menores

Fonte:Tatiana Vaz, de EXAME.com

São Paulo – Como todos os anos, panetones, vinhos, castanhas, além de outras muitas guloseimas, são itens com lugar garantido nas gôndolas de supermercados – e carrinhos dos consumidores – na época de Natal. Neste ano, a diferença é que boa parte desses produtos será trazida de fora do país pelas empresas.

A explicação é simples: além do real estar valorizado frente ao dólar, o brasileiro também está com mais dinheiro no bolso para gastar com a família na data. Em vez de frango com uma cervejinha, a aposta na ceia natalina será bacalhau e uísque ou vinho, segundo as expectativas do setor.

“Neste ano, há um otimismo adicional por conta do bom desempenho da economia e também devido à ascensão das classes D e E ao mercado de consumo”, afirma Tiaraju Pires, presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados). “Nada mais natural que a mesa seja mais farta em 2010.”

Para se preparar para o aumento da demanda por importados, os supermercadistas brasileiros encomendaram 12,1% a mais de importados em geral (azeites, azeitonas, queijos, embutidos, entre outros), 11,1% a mais de frutas especiais importadas e 7,5% a mais de vinhos importados, de acordo com a Abras.

Natal dos importados

Representante de 20 marcas, entre elas a de chocolates Lindt, pimenta Tabasco e tequila José Cuervo, a importadora Aurora aumentou os pedidos de produtos sazonais em 10% e, o grupo como um todo, espera obter vendas 20% maiores este ano. As vendas da importadora são, em grande parte, focadas nas grandes redes de varejo do país, como Pão de Açúcar e Carrefour.

“No atual cenário, fica mais barato e mais promissor importarmos mais, já que os consumidores estão dispostos a pagar mais por itens de melhor qualidade”, afirma Débora Navarro, gerente de marketing da divisão de alimentos da Aurora.

No Walmart, o volume de bacalhau importado será 80% maior, graças a um acordo da rede com o Conselho Norueguês de Pesca. O produto – 1 milhão de quilos no total – será trazido por um preço 15% menor em relação ao ano passado, e parte do volume será ofertado pela companhia também sob sua marca própria.

Pré-sal, Copa e Olimpíadas “blindam” economia do Rio

Violência prejudica comércio e turismo da região, mas não impedirá avanço econômico.

Fonte:Luís Artur Nogueira, de EXAME.com 

ARQUIVO/WIKIMEDIA COMMONS

Rio de Janeiro: o contraste entre a beleza do anoitecer e a favela do Vidigal

São Paulo – A onde de violência no Rio de Janeiro tem repercussão internacional e impacto direto na economia da região. Não é fácil mensurar o tamanho do estrago, mas é possível afirmar que o comércio e o turismo são os primeiros setores atingidos.

Uma estimativa da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) aponta perdas de R$ 39 milhões por dia com lojas fechadas em 15 regiões castigadas pelos confrontos. O montante representa 11% do faturamento diário do varejo da cidade.

Cálculos para o turismo não são tão simples e objetivos assim. Se houver cancelamentos de quartos em hotéis, o prejuízo poderá ser calculado. Porém, o difícil é mensurar eventuais viagens que deixarão de ser feitas por turistas brasileiros e estrangeiros. O arranhão na imagem do Rio de Janeiro é inequívoco.

Entretanto, a atual escalada da violência urbana em nada altera as projeções econômicas favoráveis para a região. A próxima década será marcada por investimentos em infraestrutura para a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016. Não faltará dinheiro público e privado – com papel decisivo do BNDES.

Sem falar, é claro, no peso que a indústria do petróleo tem no PIB da região e as perspectivas promissoras que o Pré-sal proporciona. Para muitos, é a grande oportunidade de o Rio de Janeiro resolver problemas sociais que se arrastam há décadas, cujo reflexo é observado nos morros.

É provável que boa parte dos ganhos de receita do governo estadual e municipal seja destinada à segurança pública – um desperdício de dinheiro na categoria do mal necessário. A violência urbana atrapalha e atrasa o desenvolvimento do Rio de Janeiro, mas não o inviabiliza. Na próxima década, pelo menos, a economia da região estará “blindada” pela Copa, pelos Jogos Olímpicos e pelo Pré-sal.