Copom aumenta juros para 11,25% na primeira reunião no governo Dilma

Fonte:EDUARDO CUCOLO – DE BRASÍLIA  Folha.com

Na primeira reunião sob o comando do presidente Alexandre Tombini, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) aumentou a taxa básica de juros de 10,75% para 11,25% ao ano.

A decisão foi unânime e já era esperada pela maior parte do mercado financeiro. Com o aumento de 0,5 ponto percentual nos juros, o BC dá continuidade ao trabalho para desacelerar o consumo e segurar a inflação.

“O Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,25% a.a., sem viés, dando início a um processo de ajuste da taxa básica de juros, cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas”, afirmou o comitê, em nota.

Em dezembro, já foram anunciadas medidas para restringir os financiamentos com prazos superiores a 24 meses e para tirar a última parte do dinheiro injetado na economia durante a crise de 2008.

Hoje, a inflação está próxima de 6%, acima do objetivo de 4,5% fixado pelo governo.

Editoria de Arte/Folhapress

TRAJETÓRIA

A aposta do mercado financeiro é que o juro voltará a subir nas duas próximas reuniões do Copom, nos dias 2 de março e 20 de abril, para encerrar o ano em 12,25%. A taxa só voltaria a cair no ano seguinte.

Além disso, o governo promete anunciar em fevereiro um corte no Orçamento que pode chegar a R$ 50 bilhões, outra medida para ajudar a segurar a demanda e a inflação no país.

Os juros retornaram ao patamar em que estavam em março de 2009. Ainda naquele ano, por causa da crise, chegariam ao menor nível da história (8,75% ao ano), mas voltaria a subir em 2010.

A taxa básica determina o custo do dinheiro para os bancos e, por isso, serve de base para os juros dos empréstimos a empresas e consumidores, cuja taxa média está hoje próxima de 35% ao ano.

A Selic é também um dos principais instrumentos que o BC tem para tentar controlar o ritmo de crescimento da economia e a inflação.

Essa foi a primeira reunião do Copom sob o comando do presidente Alexandre Tombini, que substituiu no início do ano Henrique Meirelles na presidência do BC. Tombini já era diretor de Normas do BC no governo anterior. Não houve mudanças, no entanto, no resto da diretoria do BC.

PROJEÇÃO

O mercado espera inflação oficial de 5,42% neste ano, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Para 2012, a projeção é de 4,50%, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central.

Para 2011, a expectativa do mercado para a taxa básica de juros (Selic) é de 12,25% ao ano. Já para 2012 é de 11%.

Já a projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) é de 4,50% para este ano.

SEU BOLSO

A esperada elevação da taxa básica de juros, a Selic, nesta quarta-feira terá pouco impacto nos juros das operações de crédito para consumidores e empresas, segundo já havzia alertado a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

De acordo com as simulações feitas pela Anefac, a taxa média das operações para os consumidores, atualmente em 6,79% ao mês, deve subir 0,04 ponto percentual (para 6,83%), após a alta de 0,50 pp.

Entre as taxas para as pessoas físicas, os juros do cartão de crédito deve subir de 10,69% ao mês para 10,73%.

//

Juro futuro cai com dúvida sobre ajuste da taxa Selic

Fonte: SUELI CAMPO – Agencia Estado.

SÃO PAULO – A dúvida em relação ao comprometimento do Banco Central em subir a taxa básica de juros para frear o aquecimento da economia, que se instalou no mercado após o comunicado divulgado ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), derrubou as projeções dos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento de curto prazo negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) nesta quinta-feira. Agora, para a próxima reunião do Copom, em janeiro de 2011, a curva de juros mostra um mercado dividido em relação ao ajuste da taxa Selic, o juro básico da economia brasileira: 63% apostam em alta de 0,25 ponto porcentual, para 11% ao ano, e 37% creem na elevação de 0,50 ponto porcentual, para 11,25% ao ano.

Ao término dos negócios, entre os contratos com vencimentos mais curtos, a taxa projetada pelo DI de janeiro de 2011 caiu para 10,64% ao ano, ante 10,72% no ajuste de ontem, com 2.928.390 contratos negociados hoje; a projeção do DI de abril de 2011 cedeu para 11,01% ao ano, de 11,15% ontem, com 318.455 contratos; o DI de julho de 2011 recuou para 11,50% ao ano, de 11,63% ontem, com 310.740 contratos negociados; e o DI de janeiro de 2012 fechou em baixa, a 11,98% ao ano, de 12,07% na véspera, com 460.070 contratos negociados.

Segundo operadores, a decisão unânime do Copom de manter a taxa Selic em 10,75% ao ano e o comunicado dizendo que será necessário um tempo adicional para aferir os resultados das medidas “macroprudenciais” deixaram a dúvida entre os investidores em relação ao prazo da elevação da taxa Selic e a intensidade do ajuste.

“O que esse comunicado do Copom dá a entender é que o último instrumento que o BC quer lançar mão é a elevação da taxa básica de juros. Diante disso, é arriscado ficar tomado no DI esperando uma alta de 0,50 ponto porcentual na Selic em janeiro”, comentou um operador. Nas mesas de negócios, o sentimento que ficou, após o comunicado, é que o Banco Central está adiando uma alta da Selic.

“O mercado entendeu que de agora até o dia 18 e 19 de janeiro, quando ocorre a primeira reunião do Copom de 2011, pode ser um período curto para o BC ver os resultados das medidas de enxugamento de liquidez, o que esvaziou as apostas de alta de 0,50 ponto porcentual no mês que vem”, diz Paulo Rebuzzi, da Ativa Corretora.

Nos contratos futuros de DI com vencimento mais longo, a curva de juros foi ascendente, refletindo a percepção de que se a autoridade monetária pode postergar a decisão de conter o crescimento da economia, o tamanho do ajuste do juro básico lá na frente terá de ser maior.

Nos contratos de vencimento intermediário, a taxa projetada pelo DI de janeiro de 2013 subiu para 12,42% ao ano, de 12,38% no ajuste de ontem (173.160 contratos negociados) e a projeção do DI de janeiro de 2014 avançou para 12,32% ao ano, de 12,25% ontem (24.820 contratos). Nos prazos longos, o DI de janeiro de 2017 subiu para 12,14% ao ano, de 12,07% na véspera (30.735 contratos) e o DI de janeiro de 2021 avançou para 12,20% ao ano, de 12,10% ontem (760 contratos).

A alta da inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em novembro, de 1,58%, ante 1,03% em outubro (a maior taxa para o mês desde de novembro de 2008), confirma os temores do mercado sobre o aquecimento da atividade econômica. O PIB do terceiro trimestre, divulgado hoje pelo IBGE, não chegou a fazer preço no mercado futuro de juros. A economia brasileira cresceu 0,50% em relação ao segundo trimestre. Em relação ao terceiro trimestre de 2009, o PIB teve expansão de 6,7%.

Último Copom do ano marca despedida de Meirelles

 

Em 8 anos de Meirelles no comando do BC, Selic oscilou entre 8,75% e 26,50% ao ano.

Fonte: Cacau Araújo, de EXAME.com

Fabio Rodrigues Pozzebom/AGÊNCIA BRASIL

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve dizer adeus ao BC nesta semana.

Brasília – A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deste ano também marca a despedida de Henrique Meirelles no comando da autoridade monetária. A expectativa para a 76ª reunião do Copom de Meirelles é que a taxa Selic seja mantida no patamar atual de 10,75% ao ano.

Na reunião de estreia de Meirelles como presidente do BC, em janeiro de 2003, o comitê optou por aumentar em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros de 25% ao ano herdada de Armínio Fraga – que presidiu o BC no segundo mandato de FHC. 

Em oito anos com Meirelles no comando do Banco Central, a Selic oscilou entre 8,75% e 26,50% ao ano. Foram 19 elevações e 32 diminuições da taxa básica de juros. Em outras 24 reuniões, a decisão do Copom foi pela manutenção do patamar da taxa. (Veja tabela completa abaixo)

Depois das medidas tomadas na última sexta-feira (3), que diminuem a facilidade do crédito para pessoa física e retira R$ 61 bilhões da economia, o esperado é que o comitê deixe a próxima alta de juros para o atual diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro, Alexandre Tombini, que assumirá a presidência do BC em substituição a Meirelles a partir de janeiro do ano que vem.

Copom não deve alterar juros nesta 4ª feira, prevê Tendências

Porém, o economista André Sacconato projeta alta da Selic em janeiro.

Fonte:Luís Artur Nogueira, de EXAME.com

São Paulo – A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que começa na terça (7) e termina na quarta (8), não deve alterar a taxa básica de juros, atualmente em 10,75% ao ano. Porém, uma alta da Selic é provável em janeiro.

A avaliação é do economista da Tendências Consultoria André Sacconato, que participou nesta segunda-feira (6) do programa “Momento da Economia”, na Rádio EXAME.

As medidas de restrição ao crédito anunciadas na sexta-feira passada (3) tiraram a pressão por um aperto de juros imediato, mas não eliminaram os riscos inflacionários. “Nós temos um estudo aqui na Tendências que mostra que esse tipo de política monetária (elevação de compulsório) não substitui a taxa de juros. Certamente o Banco Central elevará a Selic em janeiro, pois a inflação está pressionada principalmente em serviços”, diz Sacconato. 

O economista diz que o Banco Central tem se baseado em três argumentos para não elevar os juros: crescimento mundial menor, meta fiscal cheia e um salário mínimo com aumento real zero. “Até janeiro, só teremos a confirmação do valor do salário mínimo. Se o governo conseguir o valor de R$ 540 (aumento real zero), o Copom poderá até adiar novamente a alta dos juros. Porém, nós, aqui na Tendências, não acreditamos no cumprimento da meta cheia do superávit primário.”

Na entrevista, André Sacconato comenta o efeito que o IGP-M acima de 10% terá na inflação em 2011 e avalia o impacto na taxa de juros da decisão “precipitada” do Banco Central de interromper o aperto monetário.