Credicard e Elavon criam nova credenciadora de cartões

Parceria formada pelas empresas pretende ter 15% do mercado de cartões em cinco anos.

Fonte: Tatiana Vaz, de EXAME.com

São Paulo – As duas credenciadoras de cartões do país, Cielo e Redecard, ganharam na manhã de hoje um concorrente que promete abocanhar uma boa fatia do setor: 15% em cinco anos. Trata-se da empresa resultado da joint venture entre a Credicard, do grupo Citibank, e da Elavon, uma das maiores empresas globais do segmento.

A nova empresa entra em operação no início do segundo semestre de 2011 com a missão de fisgar como clientes as maiores empresas do país, tanto de varejo quanto das áreas de turismo e entretenimento, petróleo e aéreas, quanto de grandes companhias desses setores que querem trazer seus negócios para o país nos próximos anos.

“Nossas concorrentes no Brasil têm operações baseadas em escala, sem nenhuma especialização em segmentos”, afirma Leonel Andrade, presidente da Credicard no Brasil. “O que ofereceremos, a custos muito competitivos, são serviços adaptados às necessidades de cada setor, inclusive em relação a fraudes e cobrança.”

No mundo, a Elavon processa dois bilhões de transações, que somam cerca de 200 bilhões de dólares. “O equivalente ao que mercado brasileiro transaciona atualmente por ano também”, afirma Andrade. A nova empresa será ainda, segundo o executivo, uma porta de entrada para o mercado latino no futuro

Reavaliação do mercado

Há dois anos, o Citibank havia declarado que ficaria fora do mercado de credenciadores de cartões no Brasil. Mas o fim da exclusividade de bandeiras e o crescimento do setor fizeram com que a companhia mudasse de idéia.

“Quando dissemos que não havia interesse, para nós esse mercado no Brasil tinha outro valor”, diz Gustavo Marin, presidente do Citi no Brasil. “Reavaliamos nossa decisão porque vimos que há no setor uma boa oportunidade de negócios.”

O plano da nova empresa está sendo traçado pelo Citi há um ano, e a expectativa é de que a credenciadora conte com centenas de funcionários nos próximos dois anos. O investimento aplicado na joint-venture não pode ser divulgado. “Mas podemos falar que foi um valor bem agressivo, em torno de dois dígitos de milhões de dólares”, diz Mike Passivalla, presidente e CEO da Elavon, empresa que pertence ao banco U.S. Bancorp.

As parceiras possuem cada uma 50% de participação na nova companhia e, por isso, a gestão será compartilhada. As bandeiras Visa, Credicard e Dinners, também do Citi, já contam com licença para uso da empresa.

Mastercard lança serviço em que chip do celular vira cartão

Aposta da bandeira para pagamentos por telefone móvel concorre com o Oi Paggo, serviço da Oi, Cielo e Banco do Brasil.

Fonte: Fernando Scheller – O Estado de S.Paulo

 Divulgação

Para usar o sistema, cliente terá de substituir o chip do celular

SÃO PAULO – Já pensou pedir uma pizza e não ter de juntar moedinhas em casa para completar o valor ou pedir para o entregador trazer a máquina do seu cartão? Ou então entrar em um táxi e não se preocupar se o motorista tem troco para R$ 50? Um novo serviço da Mastercard permitirá que esses problemas sejam resolvidos pelo celular: trata-se de uma plataforma de pagamento por telefonia móvel pela qual o cliente tem no chip de seu aparelho as informações dos cartões de crédito e débito, acessíveis por meio de um menu de navegação.

O serviço da Mastercard é fruto de uma parceria com o Itaú, a Redecard e a Vivo – o projeto será implantado aos poucos, a partir do início do ano que vem, e terá uma fase piloto em São José dos Campos, município paulista de pouco mais de 600 mil habitantes. O Itaú vai cadastrar clientes, enquanto a Redecard fará o credenciamento dos estabelecimentos que aceitarão o meio de pagamento. O sistema da Mastercard também permitirá que o cliente use cartões de crédito ou débito para recarregar os créditos do celular.

Com o lançamento da plataforma da Mastercard, o mercado brasileiro viverá uma competição de dois modelos diferentes de pagamento via telefone móvel. Apesar de anunciado há dois meses, o sistema desenvolvido em parceria entre Banco do Brasil, Cielo e Oi só ganhará escala a partir de meados de 2011. Além de permitir que o cliente deixe o cartão em casa, se assim preferir, os projetos têm o objetivo comum de popularizar o pagamento com cartão em operações de pequeno valor nas quais o plástico ainda é pouco usado, como feiras, vendas de porta em porta, pequenos serviços e delivery.

Como funciona

Para usar o sistema da Mastercard, o cliente terá de substituir o chip do celular, usando um modelo com a tecnologia de pagamento já embutida. O acesso se dará em um menu que funciona tanto em smartphones quanto em aparelhos comuns. Por segurança, o usuário terá de informar a senha do cartão e também um código específico para o serviço. Para fazer o pagamento, o cliente informa o número de um estabelecimento cadastrado no serviço e o valor da operação – as compras são confirmadas por SMS.

Inicialmente, tanto os usuários convidados pelo Itaú para a fase de testes quanto os comerciantes cadastrados pela Redecard receberão gratuitamente os chips para realizar pagamentos. À medida que o serviço for expandido, a ideia é cobrar tarifas pelo uso. Segundo as companhias envolvidas, os valores dependerão da aceitação do produto no mercado.

Por enquanto, porém, o escopo do serviço será limitado. Embora o presidente da Mastercard, Gilberto Caldart, diga que a plataforma está aberta a todos os bancos, credenciadoras e operadoras, inicialmente apenas clientes do Itaú, que usem a bandeira Mastercard e celulares da Vivo poderão fazer pagamentos usando a nova tecnologia. “Não existe nenhum contrato de exclusividade. O objetivo (das parcerias) foi colocar o ecossistema de pagamentos de pé”, explica o executivo.

Queda das taxas a lojistas pode atingir ações de Redecard e Cielo, diz Ágora

Para analistas, aperto nas taxas deve se intensificar em 2011.

Fonte: Mirela Portugal, de EXAME.com

São Paulo – Os efeitos do acirramento da concorrência no setor de cartões devem continuar afetando as ações de Redecard e Cielo. A conclusão é da corretora Ágora após a análise dos resultados trimestrais das maiores operadoras de cartão do Brasil. As ações de ambas tiveram seu preço-alvo rebaixado: de 22,60 reais para 19,20 (CIEL3) e de 36,10 reais para 30,80 reais (RDCD3).

A revisão de estimativas assume uma tendência já apontada nos resultados recentes: as taxas cobradas a lojistas para uso das máquinas deve cair ainda mais intensamente em 2011. “Nos parece claro que a maior parte das renegociações com clientes se dará no ano que vem“, explica o analista Aloísio Lemos.

Ambas as ações receberam recomendação de manutenção. O analista ressalta a queda maior nas taxas coletadas pela Redecard. “A Redecard deve ter um retorno maior em volume que em receita, uma vez que se concentra em lojistas de grande porte, que cobram taxas menores”. No entanto, “a tendência declinante deve atingir também a Cielo”.

Também na avaliação da Ágora, a competição no setor continuará polarizada entre as duas líderes. “A entrada de outros nomes ainda é incerta”. Num cenário conservador projetado para 2014, os concorrentes devem capturar 15% da fatia de mercado. Os resultados trimestrais apontam divisão de mercado em volume de negócios em 53% para a Cielo e 47% para a Redecard.