Chávez completa 12 anos no poder focado nas eleições de 2012

Eleito pela primeira vez em 1998, ratificado em 2000 e reeleito em 2006, Chávez aspirará a um novo mandato em 2012.

 Fonte   – Exame.com

Estudos do governo apontam que a popularidade de Chávez está em 54%.

Caracas – O presidente venezuelano, Hugo Chávez, completou nesta quarta-feira 12 anos no poder em meio a uma alta popularidade, apesar dos problemas econômicos e de uma oposição fortalecida, o que fará com que tenha de se radicalizar para manter o apoio nas presidenciais de 2012, estimam analistas.

Eleito pela primeira vez em 1998, ratificado em 2000 e reeleito em 2006, Chávez aspirará a um novo mandato em 2012, convencido de que sua presença ainda é necessária para a continuação da chamada Revolução Bolivariana.

Estudos do governo apontam que a popularidade de Chávez está em 54%. O pesquisador Alfredo Keller afirma, por outro lado, que está em 46%, enquanto Saúl Cabrera, da Encuestadores 21, afirma que o apoio é menor que 40%.

“É bastante. A verdade é que Chávez tem muito apoio”, comentou Keller, da empresa Keller e Associados, à AFP.

“Depois de 12 anos, sem dúvida alguma a primeira coisa que se evidencia é a extraordinária força que o governo ainda tem, o que não é muito normal em países como Venezuela, onde a manutenção do poder desgasta”, declarou à AFP Nicmer Evans, professor de Ciências Políticas da Universidade Central da Venezuela.

O diretor da empresa de pesquisa privada Datanálisis, Luis Vicente León, aponta, no entanto, que “uma coisa é o apoio à gestão de Chávez (em torno de 50%), e outra é o desejo de que ele se mantenha no poder depois de 2012 (23%¨)”.

Além da popularidade de seu presidente, a Venezuela chega a estes 12 anos de governo chavista com uma economia em recessão, com o índice de inflação mais alto da América Latina (27,2% em 2010) e cifras recorde de violência.

Adicione-se a isso a ausência de diálogo entre o chavismo e seus detratores, que partiu em dois a sociedade venezuelana.

“Tanto o governo de Chávez como a oposição tentando jogar suas estratégias continuarão com esse processo de polarização. Chávez não conhece outra forma de fazer política”, afirmou à AFP Saúl Cabrera.

“Para manter o apoio de seus partidários, Chávez precisa radicalizar-se”, afirmou.

Nos últimos anos, Chávez, defensor de um socialismo do século XXI, fortaleceu a presença do Estado em todos os âmbitos da vida do venezuelano.

Desde 2007, o presidente nacionalizou setores-chave da economia, como o petróleo, as telecomunicações, a eletricidade ou a siderurgia, tornou o Estado o principal ator do sistema financeiro e promoveu uma reforma agrária baseada na recuperação de milhares de hectares de terras.

Estas e outras decisões provocaram um grande receio no setor privado e nos investidores estrangeiros.

Dilma já trata Kassab como aliado e faz críticas indiretas a tucanos de SP

Sentados lado a lado durante cerimônia em São Paulo, prefeito e ex-presidente Lula conversaram bastante.

Fonte:Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

A iminente ida de Gilberto Kassab para o PMDB, partido da base governista, levou a presidente da República, Dilma Rousseff, a elogiar o prefeito paulistano e a destacar investimentos na capital, ao mesmo tempo em que criticou, de maneira indireta, o PSDB.

A presidente cumprimentou Kassab (DEM) “com muito carinho” e disse estar “honrada” com o convite feito por ele para participar nesta terça, 25, da cerimônia em comemoração ao 457.º aniversário de São Paulo, na sede da Prefeitura, na qual foi entregue a Medalha 25 de Janeiro ao ex-vice-presidente José Alencar, que luta contra um câncer há 13 anos.

Além de Dilma e Alencar, estavam com Kassab no palco montado na Prefeitura o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), e o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), com quem o prefeito mantém conversas sobre a troca de partido. Ontem, os dois conversaram rapidamente na presença de Alckmin.

Sentados lado a lado, Kassab e Lula falaram bastante durante a cerimônia. O prefeito concedera a mesma medalha ao ex-presidente em 2010 – à ocasião, também fez a homenagem ao ex-governador José Serra (PSDB).

Tanto Dilma como Lula são entusiastas da ida de Kassab, que está na oposição, para o PMDB. Ambos avaliam que a troca de partido enfraqueceria o PSDB em São Paulo, principal bastião oposicionista no maior colégio eleitoral do País. Nas últimas cinco eleições, o PT não quebrou a hegemonia tucana no Estado.

Kassab pediu aos peemedebistas discrição nas negociações. Quer tonar pública a decisão apenas depois de 15 de março, quando ocorrerá convenção nacional do DEM para a escolha da nova direção. Caso não consiga emplacar a troca de comando no partido, Kassab terá um argumento forte para abandonar a legenda.

O prefeito disse às lideranças tucanas que pretende mesmo mudar para o PMDB, legenda que lhe daria fôlego para projetos políticos maiores, como a disputa pelo governo paulista em 2014. Aos aliados afirmou que, mesmo no novo partido, pretende manter a aliança com o PSDB.

Na cerimônia, a presidente Dilma afirmou ainda que “junto” com Kassab vai “continuar esse processo de investimentos” feitos pelo governo federal na capital paulista. Sem citar os tucanos, que governam São Paulo há 16 anos, Dilma disse que o Estado ainda tem “desafios” a enfrentar com a população de mais baixa renda.

“Fico extremamente feliz de estar aqui em São Paulo e de que seja aqui que esta medalha esteja sendo entregue a José Alencar, porque justamente aqui temos um dos Estados mais desenvolvidos do nosso País. Mas, ao mesmo tempo, temos tantos desafios em relação à situação do nosso povo mais pobre”, disse.

A presidente ainda destacou que o País está no “rumo certo” e que essa trajetória teria sido “construída” por Lula e Alencar. Não mencionou o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que também foi um dos homenageados com a medalha ontem – o tucano não compareceu à cerimônia porque estava em viagem fora do País.

“Os dois presidentes (Lula e José Alencar) que não tinham diploma universitário mostraram um compromisso com a educação, como diz o nosso querido presidente Lula, ‘nunca dantes visto na história deste país’”, completou Dilma.

No final de seu discurso, a presidente dirigiu-se brevemente a Alckmin: “Queria dizer ao governador que estamos prontos para continuar a parceria entre o governo federal e o governo do Estado.” Pouco antes, o tucano disse receber com Dilma com “alegria” e desejar a ela um “ótimo mandato”. “Contem com São Paulo”, completou Alckmin.

Popularidade de Obama é reforçada após eleições de novembro

Presidente recuperou prestígio após perder derrota nas eleições legislativas; americanos elogiam capacidade de negociação com republicanos.

Fonte:   – Exame.com

Alex Wong/GETTY IMAGES

Segundo a pesquisa, 62% dos republicanos apoiaram as decisões de Obama.

Washington – A popularidade do presidente dos EUA, Barack Obama, ficou reforçada após as eleições de novembro, segundo uma pesquisa que nesta sexta-feira revela que 77% dos americanos aprovam as medidas impulsionadas no Congresso nesse período.

A pesquisa, elaborada pela rede “ABC” e pelo “Yahoo! News”, conclui que, segundo essa parcela da população, Obama atuou corretamente em suas negociações com uma composição do Congresso que ainda contava com maioria democrata, antes de ser renovado no dia 5 de janeiro de acordo com as eleições legislativas.

As extensas negociações e o posterior acordo com os republicanos sobre a extensão dos cortes de impostos aos mais ricos, além da ratificação do novo tratado Start de desarmamento nuclear com a Rússia, entre outras medidas encaixadas em uma ajustada agenda, foram aprovadas pela maioria dos americanos.

Concretamente, 91 % dos democratas, 79% dos independentes e 62% dos republicanos aprovam as decisões tomadas sobre esses temas e outros mais polêmicos, como a derrogação da lei que impedia os soldados abertamente homossexuais de servirem nas Forças Armadas.

O número se soma aos de outras pesquisas que calculam que sua popularidade subiu vários pontos nos últimos meses, como a publicada na quinta-feira pela Universidade Quinnipiac, que indicou uma aprovação de 48% dos cidadãos, contra 44% de novembro.

Dilma nomeia mais mulheres mas inova pouco em relação a Lula

Novo governo terá 17 nomes que trabalhavam no primeiro ou segundo escalão de Lula; PT é o partido com maior número de ministros.

Fonte: Jeferson Ribeiro, da  – Exame.com

Roberto Stuckert Filho/Divulgação

A presidente eleita confirmou nesta quarta os últimos nomes de seu ministério.

Brasília – A presidente eleita, Dilma Rousseff, concluiu nesta quarta-feira, 52 dias após a vitória nas eleições, a escolha dos 37 ministros do governo que tem início em 1o de janeiro. Foram anúncios a conta-gotas, por meio de oito notas oficiais, e que apontam para um ministério pouco renovado nos principais postos.

Mesmo isolada na residência da Granja do Torto, em Brasília, Dilma não escapou da pressão de aliados, mas na maior parte das vezes fez prevalecer a sua vontade nas negociações que manteve com PT, PMDB e PSB, os principais partidos da aliança que lhe deu a vitória nas urnas.

Dos 37 auxiliares, 16 são filiados ao PT, seis ao PMDB, dois ao PSB. O PP, o PDT, o PR e o PCdoB ficaram com uma pasta cada um. Outros nove ministros não têm filiação partidária.

Os principais espaços da Esplanada dos Ministérios foram ocupados por ministros que já trabalham no governo Lula ou ocupavam espaços no segundo escalão da atual gestão.

Na equipe econômica, por exemplo, Dilma, ela própria ex-ministra de Lula, não apresentou novidades. Manteve o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nomeou a gestora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sua auxiliar nos tempos da Casa Civil, Miriam Belchior, para o Planejamento, e no Banco Central optou por um diretor com tempo de casa para suceder Henrique Meirelles.

Alguns ministros importantes do governo Lula se mantiveram em outras pastas, caso de Alexandre Padilha, que saiu da Secretaria de Relações Institucionais e foi para a Saúde. E Paulo Bernardo, que deixou o Planejamento para comandar as Comunicações.

Mesmo no caso de outros partidos houve manutenção de nomes em relação ao governo Lula. O Partido da República (PR) continuou à frente dos Transportes e Alfredo Nascimento retorna ao posto. O PMDB também defendeu a manutenção de Nelson Jobim na Defesa, Wagner Rossi na Agricultura e Edison Lobão em Minas e Energia.

O saldo é que dos 37 ministros de Dilma, 17 trabalharam com Lula no primeiro e no segundo escalão.

Ou seja, aqueles que esperavam um ministério renovado nas mãos de Dilma Rousseff se enganaram e viram o anúncio de uma sucessão de nomes conhecidos do governo Lula. Para aliados da petista, isso não foi uma surpresa, já que uma das marcas do discurso dela na campanha foi a continuidade administrativa de seu mentor político.

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), a quem Dilma trata carinhosamente de “Dedinha”, usa a propaganda eleitoral como referência para argumentar que não esperava surpresas no primeiro escalão da primeira mulher a presidir o Brasil.

“Para compreender o perfil (do ministério) precisa ver os últimos programas (da propaganda eleitoral). Ela dizia que representava a continuidade do governo Lula. Ninguém mais que a Dilma conhece a equipe do governo Lula. É um governo que ela defendeu e é natural que ela mantenha pessoas na nova equipe”, afirmou à Reuters.

Mulheres e aliados

No governo da primeira mulher a presidir o Brasil, elas comandarão áreas importantes como Planejamento, Meio Ambiente, Desenvolvimento Social, Cultura e Comunicação Social. As “companheiras” também ficaram com áreas mais periféricas com pesca, direitos humanos, igualdade racial e a políticas de gênero, num total de nove pastas.

A principal barreira enfrentada por Dilma para nomear mais mulheres foi a falta de quadros entre os partidos aliados. Apenas mulheres filiadas ao PT ou da cota pessoal da presidente foram escolhidas.

“É dificílimo, porque elas não pertencem às cúpulas partidárias. Eu tive experiência própria com os partidos. Você pede mulher e eles indicam homem. E eu vi que com a Dilma acontece a mesma coisa”, disse a senadora eleita Marta Suplicy (PT-SP), ex-prefeita de São Paulo.

Desde que venceu as eleições, Dilma adotou uma postura discreta e praticamente se isolou na Granja do Torto. Ela apareceu poucas vezes em público e decidiu anunciar seus ministros por meio de notas à imprensa, sem dar chance para questionamentos às escolhas.

Na avaliação de assessores próximos, essa estratégia foi adotada para criar um clima de tranquilidade e impedir que reivindicações de aliados por espaço no novo governo tivessem potencial para se transformar em crise política.

Nesse sentido, a Granja do Torto se tornou o refúgio perfeito para Dilma, que só recebeu pessoas previamente convidadas e que podiam driblar facilmente a imprensa, já que a residência tem duas portarias e apenas uma delas é permanentemente vigiada pelos repórteres.

Se tivesse optado por despachos diários no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede oficial do governo de transição, as reuniões da presidente com aliados ficariam expostas e ela ficaria mais vulnerável à pressões dos aliados, já que o acesso ao prédio é praticamente livre.

Mas os aliados exigiram dedicação da presidente eleita. Nas primeiras semanas, logo após anunciar os ministros da área econômica e aqueles que terão gabinetes no Palácio do Planalto, o PMDB deu o primeiro recado a Dilma e tentou se aliar ao PP e ao PR para formar um bloco partidário na Câmara e, com isso, formar uma bancada maior que a do PT.

O ambiente estava contaminado pela disputa entre PT e PMDB para presidir a Câmara e pela expectativa dos peemedebistas em relação ao seu espaço no ministério. O bloco não prosperou e apesar de um aparente descontentamento inicial, o PMDB se contentou em manter o número de pastas que já tinha no governo Lula –seis.

Contornado esse incêndio, Dilma teve mais trabalho para contentar o PSB e o próprio PT. Os socialistas tentaram até o último dia de negociação indicar nomes para três pastas, mas não conseguiram.

E os petistas chegaram a fazer a presidente mudar uma de suas indicações para atender as correntes internas da legenda. Dilma tendia a nomear Maria Lúcia Falcón para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas depois da insistência dos petistas ligados à corrente Democracia Socialista (DS), escolheu o deputado Afonso Florence (PT-BA) para a pasta, que vem sendo ocupada pela ala de esquerda do partido durante todo o governo Lula.

Dilma também deixou de criar ao menos uma nova pasta que havia prometido durante a campanha eleitoral, o ministério da Micro e Pequena Empresa. Ela ainda deve criar a estrutura, mais adiante. A presidente também desistiu, momentaneamente, de separar a Secretaria de Aviação Civil do Ministério da Defesa.

A ameaça de greve dos trabalhadores do setor aeronáutico e a preocupação com o setor no período de férias adiou, por ora, essa mudança.

Palocci é confirmado na Casa Civil

O coordenador da equipe de transição de governo aceitou o convite de Dilma Rousseff após longa conversa com o presidente Lula.

Fonte: Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci será o chefe da Casa Civil do governo de Dilma Rousseff. Coordenador da equipe de transição, Palocci foi convidado pela presidente eleita, na quarta-feira, a assumir a pasta que já foi comandada por ela. Resistiu um pouco, pois preferia um ministério de menor visibilidade, mas aceitou a tarefa após longa conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao assumir a Casa Civil, ministério responsável pela coordenação do governo, Palocci será definitivamente reabilitado na cena política. Fiador do rumo econômico no primeiro mandato de Lula, o então comandante da Fazenda foi abatido em março de 2006, no rastro do escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, revelado pelo Estado. No ano passado, porém, Palocci foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Dilma havia planejado desidratar totalmente a Casa Civil – alvo de sucessivas crises nos últimos anos – mas mudou de ideia. Embora mais enxuta e sem projetos vistosos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que serão transferidos para o Ministério do Planejamento, a Casa Civil continuará forte e seu titular, o capitão do time.

Entre suas várias atribuições, Palocci fará dobradinha com a Secretaria das Relações Institucionais na articulação política e cuidará da interlocução com governadores e prefeitos, além da reforma tributária.

Em conversas reservadas, Dilma já avisou que não quer saber de primeiro-ministro à sua volta. No primeiro mandato de Lula, esse carimbo pertencia a José Dirceu, que caiu na esteira da crise do mensalão, em 2005, e não queria que Palocci sentasse em sua antiga cadeira.

Secretaria geral

O novo núcleo duro do Palácio do Planalto, de perfil “lulista”, também abrigará Gilberto Carvalho, atual chefe de gabinete do presidente Lula, na Secretaria-Geral da Presidência. Carvalho e Luiz Dulci, que hoje ocupa a pasta, são os únicos sobreviventes do antigo grupo de conselheiros do atual governo.

Ao menos por enquanto, a Secretaria-Geral não mudará totalmente de perfil e continuará cuidando da relação com os movimentos sociais.

Convites

Alexandre Padilha, titular da Secretaria de Relações Institucionais, deverá continuar no mesmo posto, mas Dilma ainda não bateu o martelo sobre o destino de Paulo Bernardo, hoje ministro do Planejamento.

A presidente eleita convidou Bernardo, na quarta-feira, para comandar o Ministério da Previdência Social. Disse a ele, no entanto, que pode levá-lo para o Planalto, se tiver de fazer algum arranjo de última hora no xadrez ministerial.

Já o novo chefe de gabinete de da presidente eleita será Giles Carraconde Azevedo, que cuida de sua agenda desde a época em que Dilma era secretária de Energia, Minas e Comunicação do Rio Grande do Sul.

Tombini no BC e Miriam Belchior no Planejamento fecham equipe econômica

A presidente eleita, Dilma Rousseff, vai anunciar oficialmente amanhã os primeiros nomes de seu ministério; convites para a área econômica foram deflagrados a partir da permanência do petista Guido Mantega no Ministério da Fazenda.

Fonte: Vera Rosa e Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – Sem ter falado com o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a presidente eleita, Dilma Rousseff, escolheu nesta terça-feira, 23, para o comando do Banco Central (BC) o economista Alexandre Tombini, atual diretor de Normas da instituição. Também foi definido que Miriam Belchior, assessora especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), assumirá o Ministério do Planejamento.

Depois das duas definições desta terça, Dilma decidiu anunciar na quarta-feira os três primeiros nomes da equipe econômica: além de Tombini e Miriam Belchior, que substituirá Paulo Bernardo, fará a confirmação oficial da escolha de Guido Mantega para a pasta da Fazenda. A presidente quis fazer o anúncio antes de participar ao lado de Lula, amanhã, em Georgetown (Guiana), da cúpula da Unasul (União de Nações Sul-americanas).

Histórico

Antes de se tornar funcionário de carreira do Banco Central, Tombini foi coordenador de análise internacional do Ministério da Fazenda e assessor especial da Casa Civil no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Ele já havia sido cotado para a presidência do BC em março deste ano, quando Meirelles cogitou sair do banco para disputar as eleições de outubro passado.

Tombini serviu no governo FHC e Meirelles chegou ao BC no primeiro mandato do governo Lula, em 2003, depois de ser eleito o deputado federal mais votado pelo PSDB de Goiás.

O Estado antecipou em sua edição do dia 6 de novembro que Meirelles não ficaria no BC. No dia 12, Mantega também foi apresentado como o novo ministro da Fazenda.

Fator Mantega

A escolha de Tombini foi dada como certa no início da tarde de terça, depois de uma longa reunião da presidente Dilma com o ministro Mantega na Granja do Torto. Além da presença de Mantega reforçar a condição do ministro como chefe da equipe econômica da presidente eleita, Dilma fez a escolha do novo presidente do Banco Central sem ter feito a prometida reunião com Meirelles.

Dilma havia dito que anunciaria o ministério em blocos e que a equipe econômica seria a primeira a ser escolhida. Ao escolher Mantega, sem definir o futuro de Meirelles, o presidente do BC fez questão de, em conversas reservadas, avaliar que não aceitaria permanecer no cargo se a instituição perdesse a autonomia funcional que ele teve ao longo dos dois mandatos do presidente Lula (2003-2010).

Apesar de ter ficado irritada com as avaliações de Meirelles, Dilma mandou seus assessores da equipe de transição dizer que queria uma conversa, para esta semana, com o presidente do BC. Ficou claro, porém, que Meirelles não ficaria no comando do banco. Alguns assessores admitiam, porém, que ele poderia ser escolhido para um ministério que lhe desse projeção política e eleitoral. Nos bastidores, o próprio Meirelles disse a interlocutores na terça que aguardaria sua conversa com Dilma para avaliar a permanência no futuro governo em uma outra pasta.

Amigos próximos ouviram do presidente do Banco Central que ele deixa o cargo com o sentimento de ter feito um trabalho sólido durante os oito anos do governo Lula, comparando-se a “um bom jogador que deixa o campo em forma”.

Cautela

A presidente eleita chegou a ser aconselhada a não criar nenhum padrão de confronto com Meirelles, evitando assim que houvesse uma rejeição política ao convite. Caso ela aprofundasse a polêmica em torno da autonomia do BC, isso poderia reforçar a ideia de que o substituto de Meirelles aceitaria o cargo e também uma tutela maior de Dilma e Mantega sobre a instituição.