Preço de plano de saúde pode variar até 162%

Fonte: Gisele Tamamar – Jornal da Tarde

Com o encerramento da empresa, Eduardo Rosinholi ficou sem o plano de saúde contratado pela companhia e precisou encontrar uma solução. “Não dá para arriscar ficar sem plano de saúde e depender do sistema público”, afirma. Antes de assinar o novo contrato, o empresário analisou várias opções e levou em consideração fatores como cobertura, rede credenciada, tradição da empresa e claro, o preço.

Com 61 anos, Rosinholi se enquadra na faixa mais cara dos planos de saúde, que estão na casa dos R$ 700, mas podem custar até mais de acordo com benefícios e rede credenciada incluídos. Pesquisa feita pelo JT mostra que a diferença de preços dos convênios para pessoas com mais de 59 anos chega a 119,45%. No entanto, a faixa etária que registrou a maior diferença foi a de 19 a 23 anos, com 162%.

De acordo com a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Juliana Ferreira, os preços cobrados pelas operadoras levam em conta o serviço que elas oferecem ao consumidor, como a abrangência, seja ela municipal, estadual ou nacional.

Outro fator que influencia é a segmentação: atendimento hospitalar, ambulatorial e obstetrícia. O terceiro é a rede credenciada, como médicos, hospitais, clínicas e laboratórios. Rosinholi optou por uma operadora de que já foi cliente há 20 anos, a Unimed. “Uma das preocupações foi com a rede credenciada, que inclui bons hospitais como Oswaldo Cruz e Samaritano.”

A advogada do Idec lembra que os preços dos planos de entrada, para o primeiro contrato, não são tão engessados. As operadoras definem os valores e a partir do contrato assinado, os reajustes anuais são limitados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em junho de 2010, a ANS fixou em 6,73% o índice máximo de reajuste.

Segundo a corretora de plano de saúde, Sandra Lopes, os clientes geralmente escolhem um plano pelo preço, depois avaliam a operadora e a rede credenciada. Ela aponta três perfis de clientes. O primeiro é aquele que não tem dinheiro sobrando para pagar um plano, mas abre mão de alguma despesa, como o lazer, e escolhe uma alternativa mais barata, sem muitos benefícios.

O segundo é mediano: pode pagar um pouco a mais e quer hospitais mais conhecidos. Já o terceiro perfil envolve um poder aquisitivo maior e tem preferência por hospitais de ponta. “Independentemente do poder aquisitivo, o consumidor não deve avaliar apenas o preço. É preciso examinar todos os fatores com cuidado antes de assinar um contrato de um plano que se encaixe no orçamento”, recomenda Sandra.

“Escolher um plano de saúde exige atenção do consumidor”, alerta Ferreira. Só no primeiro semestre de 2010, o Procon-SP registrou 6.085 atendimentos relacionados a planos de saúde, um aumento de 11,8% em comparação com o semestre anterior, quando foram contabilizados 5.440 atendimentos. Problemas com contrato, como não abrangência e não cobertura, representam 35,6% das queixas. Em seguida aparecem a negativa de cobertura com 13,7%.

Cuidados

Para evitar problemas, Juliana, do Idec, dá algumas dicas para quem está a procura de um plano. A primeira é comparar convênios semelhantes e ficar atento à abrangência, cobertura e rede credenciada. Ter hospitais e consultórios perto de casa ou do trabalho é um ponto a favor do cliente.

Não é uma prática comum, mas é preciso ler o contrato com calma e se possível, até levar o documento para casa para avaliar melhor todos os detalhes. Caso o corretor ou o funcionário da operadora faça alguma proposta diferente, as informações também devem estar previstas no contrato.

A assistente técnica do Procon-SP, Selma do Amaral, aconselha o consumidor a conversar com pessoas beneficiárias do plano para conhecer a burocracia imposta para marcar exames e cirurgias, por exemplo. “Esse é um problema constante e conversar com outras pessoas é uma forma de saber como a operadora age nesses casos.”

O consumidor também pode entrar em contato com o Procon (verifique as formas de atendimento no site www.procon.sp.gov.br) para verificar o número de reclamações contra a operadora. Outra forma de se precaver é consultar o site da ANS, www.ans.gov.br, para consultar os índices de reclamações e de satisfação.

Médicos credenciados elegem piores planos de saúde

Mais de 90% dos 2.184 entrevistados em todo o País disseram sofrer interferência das operadoras em sua autonomia profissional.

Fonte:  – Revista Exame

Divulgação/EXAME.com

Amil é uma das operadoras que mais interfere na autonomia do médico

São Paulo – Pesquisa divulgada ontem revela quais são os piores planos de saúde na opinião dos médicos credenciados. Mais de 90% dos 2.184 entrevistados em todo o País disseram sofrer interferência das operadoras em sua autonomia profissional.

Para esses médicos, os principais problemas são a recusa de pagamento de consultas e procedimentos realizados (78%), pressão para reduzir o número de exames (75%) e restrições a doenças pré-existentes (70%).

Citada em todas as sete categorias, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) se destacou como a operadora que mais interfere na autonomia do médico.

A Amil, mencionada em cinco aspectos, é a segunda marca com maior presença. Bradesco Saúde é lembrado entre os planos que mais interferem em período de internação pré-operatório, restrições para doenças pré-existentes e atos diagnósticos e terapêuticos mediante a designação de auditores. Já a Sul América está na primeira posição em recusa de pagamento de procedimentos, ao lado de Cassi e Amil.

Tendo como referência uma escala de 0 a 10, os médicos atribuíram, em média, nota 5 para as operadoras. O levantamento foi feito pelo Datafolha a pedido da Associação Paulista de Medicina (APM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). Foram entrevistados médicos que tenham trabalhado com, no mínimo, três planos ou seguros saúde nos últimos cinco anos. A margem de erro é de cinco pontos porcentuais para mais ou para menos.

Os resultados são similares aos de uma pesquisa feita no Estado de São Paulo e divulgada pela APM em setembro. “Até as operadoras citadas são as mesmas. Parece haver uma conduta generalizada de algumas empresas”, afirma Jorge Curi, presidente da entidade.

Para ele, os dados revelados na pesquisa e a mobilização de diversas especialidades médicas para reivindicar reajustes na remuneração paga aos médicos são sinais de que o sistema de saúde suplementar está entrando em colapso.

Respostas

A Sul America diz que participa dos debates liderados pela Agência Nacional de Saúde (ANS) sobre os modelos de remuneração dos prestadores de serviços. A Cassi diz estar surpresa com os resultados, pois, segundo relatório da ANS, os valores pagos por ela aos médicos estão alinhados com a média de mercado.

Ressalta ainda que pesquisa realizada com usuários apontou 88% de satisfação. A Amil diz oferecer os melhores recursos na gestão da saúde de seus beneficiários e cumprir as determinações da ANS. Procurado, Bradesco Saúde não se manifestou.