Último Copom do ano marca despedida de Meirelles

 

Em 8 anos de Meirelles no comando do BC, Selic oscilou entre 8,75% e 26,50% ao ano.

Fonte: Cacau Araújo, de EXAME.com

Fabio Rodrigues Pozzebom/AGÊNCIA BRASIL

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deve dizer adeus ao BC nesta semana.

Brasília – A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deste ano também marca a despedida de Henrique Meirelles no comando da autoridade monetária. A expectativa para a 76ª reunião do Copom de Meirelles é que a taxa Selic seja mantida no patamar atual de 10,75% ao ano.

Na reunião de estreia de Meirelles como presidente do BC, em janeiro de 2003, o comitê optou por aumentar em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros de 25% ao ano herdada de Armínio Fraga – que presidiu o BC no segundo mandato de FHC. 

Em oito anos com Meirelles no comando do Banco Central, a Selic oscilou entre 8,75% e 26,50% ao ano. Foram 19 elevações e 32 diminuições da taxa básica de juros. Em outras 24 reuniões, a decisão do Copom foi pela manutenção do patamar da taxa. (Veja tabela completa abaixo)

Depois das medidas tomadas na última sexta-feira (3), que diminuem a facilidade do crédito para pessoa física e retira R$ 61 bilhões da economia, o esperado é que o comitê deixe a próxima alta de juros para o atual diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro, Alexandre Tombini, que assumirá a presidência do BC em substituição a Meirelles a partir de janeiro do ano que vem.

Copom não deve alterar juros nesta 4ª feira, prevê Tendências

Porém, o economista André Sacconato projeta alta da Selic em janeiro.

Fonte:Luís Artur Nogueira, de EXAME.com

São Paulo – A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que começa na terça (7) e termina na quarta (8), não deve alterar a taxa básica de juros, atualmente em 10,75% ao ano. Porém, uma alta da Selic é provável em janeiro.

A avaliação é do economista da Tendências Consultoria André Sacconato, que participou nesta segunda-feira (6) do programa “Momento da Economia”, na Rádio EXAME.

As medidas de restrição ao crédito anunciadas na sexta-feira passada (3) tiraram a pressão por um aperto de juros imediato, mas não eliminaram os riscos inflacionários. “Nós temos um estudo aqui na Tendências que mostra que esse tipo de política monetária (elevação de compulsório) não substitui a taxa de juros. Certamente o Banco Central elevará a Selic em janeiro, pois a inflação está pressionada principalmente em serviços”, diz Sacconato. 

O economista diz que o Banco Central tem se baseado em três argumentos para não elevar os juros: crescimento mundial menor, meta fiscal cheia e um salário mínimo com aumento real zero. “Até janeiro, só teremos a confirmação do valor do salário mínimo. Se o governo conseguir o valor de R$ 540 (aumento real zero), o Copom poderá até adiar novamente a alta dos juros. Porém, nós, aqui na Tendências, não acreditamos no cumprimento da meta cheia do superávit primário.”

Na entrevista, André Sacconato comenta o efeito que o IGP-M acima de 10% terá na inflação em 2011 e avalia o impacto na taxa de juros da decisão “precipitada” do Banco Central de interromper o aperto monetário.