Campanha de Serra deve R$ 30 milhões

Fonte: Jornal da Tarde

Na tentativa de cobrir o rombo financeiro da campanha à Presidência, a cúpula do PSDB decidiu manter a arrecadação de recursos até o final de novembro. O presidente da sigla, senador Sérgio Guerra, e Márcio Fortes, responsável pelo fluxo de arrecadação e despesa da campanha de José Serra, se debruçaram sobre as planilhas para fazer o diagnóstico e traçar estratégia para evitar que fiquem dívidas para o diretório nacional do PSDB.

De acordo com o quadro analisado, o partido está com mais de R$ 30 milhões no vermelho – chegou a fechar o primeiro turno da eleição presidencial com R$ 22 milhões a menos do que precisava, diante de uma arrecadação de R$ 62 milhões.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos que disputaram o segundo turno devem apresentar as contas consolidadas até 30 de novembro. A Corte que haja arrecadação de recursos depois de terminada a disputa, mas em casos excepcionais, como “para quitação de despesas já contraídas e não pagas, as quais deverão estar quitadas até a data da entrega da prestação de contas à Justiça Eleitoral, sob pena de desaprovação das contas”.

Dívidas

Integrantes do comitê financeiro dizem que o PSDB não deixará dívidas para o diretório nacional porque há promessas da entrada de recursos para honrar compromissos assumidos com fornecedores.

A avaliação é que a campanha arrecade, no máximo, R$ 40 milhões no segundo turno. Algumas empresas dividiram a contribuição em parcelas e a expectativa dos tucanos é que os empresários honrem com o “compromisso”, mesmo com a derrota.

A perspectiva de vitória de Serra, com a ida ao segundo turno, chegou a animar empresários a doarem. Mas a queda nas pesquisas e suposta pressão de petistas junto ao empresariado, segundo tucanos, dificultaram a entrada de recursos no caixa de campanha.

Uma mulher no Planalto: Dilma é eleita presidente

Ex-ministra da Casa Civil vence a corrida ao Palácio do Planalto

Fonte:  Revista Veja – Mirella D’Elia

Pela primeira vez na história política do país, o Brasil será presidido por uma mulher. A mineira Dilma Vana Rousseff, 62, foi eleita presidente da República neste domingo. A vitória foi constatada por volta das 20h, quando, com 92,53% das urnas apuradas, a candidata ungida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 55,43% dos votos e o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra, estava com 44,57% dos votos ( 41,4 milhões).

Na primeira vez que disputou uma eleição, a ex-ministra da Casa Civil obteve a preferência de 51 milhões de eleitores, tornando-se a mulher mais votada em todas as eleições já realizadas no país. Apesar da façanha nas urnas, a petista não conseguiu bater o seu padrinho político. Em 2006, Lula foi reeleito com mais de 58 milhões de votos (60,8%) contra mais de 37 milhões de Geraldo Alckmin (39,1%).

Ao lado do governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), a ex-ministra votou em um colégio de Porto Alegre (RS) pela manhã. Depois seguiu para Brasília. Acompanha a apuração e a divulgação oficial do resultado ao lado de Lula no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente. 

Congresso e oposição – Ao assumir a presidência, em 1º de janeiro de 2011, Dilma terá o conforto de ter a seu favor um Congresso Nacional com ampla maioria. Na Câmara, obteve vantagem ainda maior do que a de Lula. Vai contar com mais de 350 dos 513 parlamentares. O PT tornou-se a maior bancada da Casa. O Senado, que tinha um equilíbrio maior de forças, também sucumbiu à onda vermelha. Um crescimento expressivo do PT e a maior bancada nas mãos do PMDB devem dar tranquilidade à nova presidente.

Os governistas somam ao menos 50 cadeiras (número ainda em aberto por causa da Lei da Ficha Limpa). Dilma terá o que Lula não teve: uma maioria qualificada, com mais de 3/5, não só na Câmara, mas também no Senado. Com essa sustentação, o governo tem uma base suficientemente grande até mesmo para aprovar mudanças na Constituição – que exigem o consentimento de 49 senadores e 308 deputados.

Por outro lado, a petista terá de lidar com uma oposição forte nos estados. O PSDB de Serra garantiu os governos de quatro estados já no primeiro turno – entre eles São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país. No segundo turno, os tucanos brigam por mais quatro estados – Alagoas, Goiás, Pará e Piauí. Até 20h, os tucanos já haviam conquistado o governo de Goiás. O DEM levou Santa Catarina e Rio Grande do Norte já no primeiro turno.

Pouco conhecida da população até o momento em que Lula entrou em campo para apadrinhar sua candidatura, nunca havia disputado uma eleição. Era uma figura dos bastidores: foi secretária de governo no Rio Grande do Sul, ministra de Minas e Energia e da Casa Civil antes de subir ao palanque em 2010. Agora, se depara com o desafio de suceder o presidente mais popular da história política brasileira. E sair da sombra dele para alçar voo próprio.