Segmento de albergues se expande no país

Fonte: MAÍRA TEIXEIRA – Folha.com

O setor de albergues da juventude, também conhecidos como “hostels”, tem crescido no Brasil. A estimativa de faturamento do setor no Brasil neste ano é de R$ 35 milhões, diz a FBAJ (Federação Brasileira de Albergues da Juventude).

A rede mundial HI (Hostelling International) faturou 500 milhões libras (R$ 1,33 bilhão) em 2009. Mikael Hansson, presidente da empresa, diz que o Brasil, que tem a maior rede nas Américas, é um dos mercados mais interessantes do mundo.

“Neste ano, temos visto um aumento de 20% no número de pernoites. Os albergues brasileiros oferecem um interessante conjunto de atividades, além de boa qualidade nas acomodações”, afirma Hansson.

Já o setor hoteleiro viu sua taxa de ocupação cair de 65% em 2008 para 63% em 2009, segundo dados do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil). No mesmo período, segundo a FBAJ, a ocupação dos albergues subiu 7,6%, passando de 329.721 para 354.791 pernoites.

O número de brasileiros que se hospedaram em albergues subiu 9,7% de 2008 para 2009 -de 84.020 para 92.346. Já o número de estrangeiros aumentou 4,09%, para 50.808.

“Os ‘hostels’ formam uma rede de intercâmbio social que auxilia os ‘jovens de espírito’ a viajar para conhecer pessoas, culturas e lugares”, diz Maria José Giaretta, vice-presidente da FBAJ.

Para Giaretta, o setor deve crescer de 20% a 25% em 2011. “A democratização da passagem aérea está captando as classes C, D e E para viagens e mudando a maneira de planejar do viajante”, argumenta.

“Essa popularização dá uma margem de gasto maior ao alberguista, que sempre teve o costume de planejar sozinho suas viagens”, afirma a especialista.

“No ano passado havia 90 hostels. Vamos fechar 2010 com cem unidades. A expectativa é que o número cresça 50% até 2014, chegando a 150 unidades”, diz Carlos Augusto Silveira Alves, presidente da FBAJ.

ECONOMIA LOCAL

Existem quatro tipologias de “hostels” hoje no Brasil: convencional, design, boutique e rural.

A tipologia das acomodações, assim como os locais onde estão instalados, mexe com o cotidiano da região, aponta Maria José, da FBAJ.

“O mochileiro cria hábitos no turismo. Cria a possibilidade de convivência e está ligado à cultura do lugar aonde ele vai, tudo isso interagindo e fortalecendo a economia local sempre a procura de shows, dança, artesanato, contato com as coisas locais.”

Para a especialista em turismo faltam albergues em cidades paulistas como: Atibaia, Águas de Lindoia, Serra Negra, Campinas e Piracicaba, Itanhaém e Mongaguá. “Outros locais que são muito interessantes são Maceió (AL) e a Chapada dos Guimarães (MT). Esses são locais de forte apelo cultural e turístico. Nas cidades com grandes universidades também têm grande procura.”

“Há uma proposta de albergue-barco em Presidente Figueiredo (AM). O Pantanal já tem uma nova unidade credenciada, assim como Ribeirão Preto, Paranapiacaba e Guaratinguetá”, relata Maria José.