Bancos aguardam pacote de estímulo para crédito de longo prazo

Para Febraban, medidas anunciadas para incentivar a emissão de letras financeiras podem não ser suficientes para estimular o mercado.

Fonte: Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado

SÃO PAULO – Após anunciar medidas para conter a expansão do crédito à pessoa física, os bancos esperam que o governo anuncie nos próximos dias um pacote de medidas para estimular o crédito de longo prazo na economia, afirma o presidente do Santander e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fábio Barbosa.

As medidas anunciadas na última sexta-feira para incentivar a emissão de letras financeiras pelos bancos podem não ser suficientes para estimular esse mercado, avalia o executivo. “É preciso desenvolver um mercado secundário para essas letras”, disse em rápida entrevista à Agência Estado após participar de evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

As letras financeiras são uma espécie de debêntures criadas pelo governo no final de 2009 para os bancos captarem recursos de longo prazo. Na sexta-feira, o Banco Central isentou as letras do recolhimento do depósito compulsório. A taxa sobre esses títulos era a mesma dos depósitos a prazo.

Segundo Barbosa, os bancos, por meio da Febraban, vêm conversando com o governo há alguns meses para discutir formas de alongar o prazo dos empréstimos. Com o crescimento da economia e os novos projetos de investimento, ele avalia que os bancos serão atores importantes no financiamento da expansão do País. Mas com o modelo atual de captação, destaca o executivo, não é possível os bancos darem um empréstimo de prazo longo para uma empresa investir quando a maioria dos recursos aplicados nas instituições financeiras tem liquidez diária.

Por isso, avalia Barbosa, é essencial criar mecanismos de captação também de prazo maior e incentivar um mercado secundário para esses papéis.

Sobre as medidas anunciadas na última sexta-feira pelo Banco Central para conter a expansão do crédito na pessoa física, Barbosa espera impacto maior nas linhas de empréstimo de maior prazo, como financiamento a compra de veículos.

Governo prorroga desconto de IPI para materiais de construção por um ano

Fonte: GABRIEL BALDOCCHI – Folha.com

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta segunda-feira a prorrogação das desonerações a materiais de construção civil por mais um ano, a contar a partir de 1º de janeiro. Entre os benefício está a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

A declaração foi feita em um almoço fechado com empresários do setor. De acordo com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), os empresários presentes negociavam a prorrogação por mais seis meses.

A extensão do benefício entra em vigor a partir de janeiro e valerá até o fim do ano que vem. No discurso, o ministro afirmou que o governo ainda estudará propostas de mudanças no PIS e Cofins, além da inclusão de mais setores na medida.

Para justificar a prorrogação, Mantega explicou que a construção civil é um dos setores com maior capacidade de gerar empregos no país e um dos principais contribuintes para o crescimento de 7% do PIB (Produto Interno Bruto) previsto para este ano. A estimativa é que o setor registre avanço de 13% em 2010.

O ministro lembra da necessidade de abastecer as obras do programa Minha Casa, Minha Vida, que deve fechar o ano com 1 milhão de financiamentos, segundo a previsão do governo.

Aos empresários, o ministro afirmou que, “agora que está confirmado no ministério”, pode falar sobre os planos de desoneração do governo.

“O governo vai continuar promovendo políticas de estímulo ao setor de construção. Queria aproveitar a oportunidade para dizer que nós vamos prorrogar a desoneração de IPI”, disse Mantega.

Mantega disse que este foi o melhor ano das últimas décadas para a construção. “O PIB do setor teve um crescimento de 13%. É um setor que vem gerando empregos formais, que atende às necessidades da população brasileira e contribui para o investimento”, afirmou.

HISTÓRICO

Em abril do ano passado o governo decretou a redução do IPI, com duração até o final deste ano, dentro das medidas adotadas para combater os efeitos da crise de 2008, que afetou a economia mundial.

No primeiro semestre deste ano, as vendas de material de construção cresceram 19,78% ante o mesmo período de 2009, segundo a Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), que justificou os números pela desoneração do IPI e pelo crescimento da oferta de crédito imobiliário.

AJUSTES

Na apresentação aos empresários, Mantega reforçou o discurso de ajustes nas contas com redução dos gastos públicos. Justificou os desembolsos de 2009 como um esforço para se sobrepor à crise e cobrou mais investimentos do setor privado.

O ministro considerou também a adoção de medidas adicionais para enfrentar a chamada guerra cambial. Segundo ele, seria uma forma de impedir uma concorrência desleal com os importados e combater os países que se aproveitam de manipulações cambiais para ocupar o mercado brasileiro.