G20 foi um conflito de interesses próprios, diz professor do IMD

Arturo Bris, da escola de negócios suíça, diz que o mundo pode esperar mais do mesmo após encontro dos poderosos.

Fonte: Eduardo Tavares, de EXAME.com

Bris afirma que EUA e China vão se ater a seus planos e não haverá mudanças

São Paulo – Apesar do relatório final do G20 falar em um possível acordo entre as maiores economias mundiais, o tal consenso entre elas é visto com ceticismo por especialistas. Um deles é o professor de finanças Arturo Bris, da escola de negócios IMD, na Suíça. Em entrevista a EXAME.com, ele afirmou que o encontro foi mais um conflito de interesses do que um fórum para buscar soluções.

“Os países participantes estão naturalmente interessados em seus próprios assuntos, e lá eles preservam estes interesses. Diante disso, não há possibilidade de que se entendam”, disse o professor.

Bris garante que conhecia o resultado da reunião do G20 antes dela começar. Para ele, as discussões foram genéricas, mesmo aquelas sobre as tensões que a questão cambial lança sobre o mercado. Depois de dois dias de caminhada, não se chegou a lugar algum.

“O único jeito de se chegar a um acordo com relação ao câmbio seria se os Estados Unidos ou a China desistissem de seus próprios interesses, e isso não vai acontecer”, diz. Segundo o professor, a questão cambial está apoiada em três pilares, que são os interesses dos Estados Unidos, da União Europeia e da China. E a menos que haja um evento dramático que os obrigue a uma conversa mais profunda, não haverá mudanças.

Na falta de impactos mais relevantes da reunião, o mundo deve contemplar ao menos um alívio na volatilidade dos mercados de câmbio. “É provável que eles se acomodem um pouco, com alguma valorização do dólar”, afirma Bris. Mas nem a durabilidade deste efeito é garantida.

Portanto, após o G20, o mundo pode esperar mais do mesmo, de acordo com o especialista. “Na Europa, não há possibilidade de reação. Na verdade, acho que a situação atual beneficia a União Europeia, principalmente as exportações alemãs. Os Estados Unidos vão se ater estritamente ao seu plano. A China poderia ameaçar os EUA, mas não vai. Não vejo nenhuma ação.”

Bris também comentou sobre o Brasil neste cenário. Ele disse que o país desempenha um papel de máxima importância na arena internacional. “Vocês não são mais vistos como um país exótico. Falamos do Brasil com a mesma freqüência com que falamos da China. Dos países do BRIC, Brasil e China são os mais poderosos, cujas opiniões se de levar em conta”,

 

Mundo irá a falência se não estimular consumo, diz Lula

Presidente pede que países tomem decisões pensando nas consequências para as economias mais fracas.

Fonte EFE – Agências Internacionais – Img 

  Seul .- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta quinta-feira uma clara advertência aos países desenvolvidos de que, se eles não aumentarem o consumo, a economia global “pode ir à falência”.

“Existe uma visível contradição: por um lado temos economias emergentes, inclusive o Brasil, tomando medidas para aumentar seu consumo (interno), e do outro lado, os países mais ricos, que não estão consumindo, não querem comprar, só querem vender”, destacou.

“Se todo mundo vende, quem vai comprar?”, questionou o governante brasileiro.

Lula reiterou sua acusação de que tanto China quanto Estados Unidos estão desvalorizando suas moedas para promover as exportações como forma de saída rápida à crise em lugar de aumentar o consumo interno e criar emprego.

O presidente ressaltou que com 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global, as economias emergentes não podem ser as responsáveis por aumentar a demanda no mundo, já que as economias mais ricas detêm os 80% restantes.

Ele reconheceu que a guerra cambial é um dos temas centrais do debate da cúpula que começa nesta quinta e termina na sexta-feira. Para ele, se não houver uma solução, os países adotarão o protecionismo.

Em um encontro com jornalistas em seu hotel de Seul, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que acompanhava Lula, afirmou que a China continua praticando esta política de desvalorização há anos, quando era um país em desenvolvimento, mas agora que o país asiático é uma potência econômica, essa política não tem justificativa.

“A China precisa aumentar seu consumo interno”, acrescentou Lula.

Os dois criticaram a injeção de US$ 600 bilhões na economia pelo Fed (banco central americano), pois desvalorizará o dólar.

“Não podemos tomar decisões pensando somente em nós, sem levar em consideração o impacto que elas podem ter em outros países menores e em economias mais fracas”, assinalou Lula antes do início formal da Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, bloco de países ricos e principais emergentes) em Seul.

“É necessário que haja acordos sobre as divisas, senão esta situação levará ao protecionismo”, e prejudicará muitas economias, disse Mantega.

No entanto, Lula mostrou-se compreensivo com Washington e descartou pressionar a Casa Branca: Não acho que devemos pressionar os EUA, estas coisas não funcionam assim. Os EUA adotaram essa medida com base em sua visão do problema. Vamos respeitá-los, mas pedimos que eles se responsabilizem, declarou Lula.