BNDES cria programa de até R$655 mi para recuperar cidades do RJ

O programa inclui financiamento para a retomada da economia local, fornecimento de capital de giro às empresas e refinanciamento de dívidas.

Fonte: Exame.com –  

Rio de Janeiro – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou nesta sexta-feira um programa que pode chegar a até 655 milhões de reais em apoio a empreendedores das cidades da região serrana do Rio de Janeiro castigadas pelo temporal da semana passada.

O programa inclui financiamento para a retomada da economia local, fornecimento de capital de giro às empresas e refinanciamento de dívidas de empreendedores, segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

“É um programa emergencial de recuperação da região serrana e terá condições semelhantes às do PSI (Programa de Investimento Sustentável, lançado no ano passado por conta da crise financeira mundial)”, disse Coutinho, acrescentando que o os empréstimos terão juro de 5,5 por cento ao ano, o menor das linhas de crédito do banco de fomento.

O foco, segundo o presidente do BNDES, serão micro e pequenos empreendedores das cidades, onde ao menos 767 pessoas morreram e cerca de 14 mil ficaram desalojadas ou desabrigadas devido às fortes chuvas.

O limite de crédito de cada operação será de 1 milhão de reais, de acordo com Coutinho. O prazo de quitação será de 10 anos, com 2 anos de carência.

Simultaneamente, o banco vai fornecer aos micro e pequenos empreendedores uma linha de capital de giro de 50 mil reais. “Essa linha simplificada é rápida e já foi testada no Nordeste em 2010 quando das chuvas e se mostrou bem-sucedida”, declarou o presidente do BNDES.

O BNDES vai também refinanciar as dívidas com os bancos das empresas dos municípios prejudicados pelo temporal. As dívidas, que somam cerca de 255 milhões de reais, serão “congeladas” por 12 meses e poderão ser pagas ao longo dos 24 meses seguintes.

“São 400 milhões de um programa e um potencial de 255 milhões de reais, perfazendo 655 milhões”, explicou Coutinho. Ele disse que o banco tem cerca de 3 mil operações com empresas da região serrana do Estado.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, destacou a importância da região serrana na economia do Estado. Lá estão concentrados segmentos de moda íntima, confecções, um pólo metal-mecânico e uma forte atividade agrícola.

“Só a agricultura da região tem 270 milhões de reais de prejuízo entre perda física, lavoura e infraestrutura. São mais de 17 mil produtores na região, sendo que mais de 3 mil tiveram um impacto grande”, afirmou Cabral.

O forte temporal da semana passada deixou locais destruídos e muitos ainda estão inacessíveis. Equipes de resgate trabalham em busca de pessoas soterradas, enquanto os municípios tentam contar os prejuízos financeiros da tragédia.

Chuva causa prejuízo de R $3,4bi às indústrias de SP

Pesquisa da FIESP mostra que, a cada mês de chuvas em excesso, as empresas perdem cerca de 1,3 bilhão de reais.

Eduardo Tavares, de EXAME.com 

Nellie Solitrenick/VEJA

 Quando há enchentes, o prejuízo aumenta em até R$ 2,1 bi, segundo a Fiesp

São Paulo – Um estudo realizado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) mostra que, quando a temporada de chuvas terminar, as empresas do setor terão de arcar com um prejuízo próximo de 3,4 bilhões de reais.

Os números são resultado de uma pesquisa feita pela Fiesp com 478 indústrias da grande São Paulo após o fim do verão de 2010. Segundo as informações, em média, a cada mês de chuvas em excesso há uma perda de 1,3 bilhão de reais. Este valor é resultado apenas de perdas operacionais, como o atraso na entrega de produtos.

O prejuízo aumenta quando há enchentes. Por mês, os estragos causados por alagamentos chegam a custar 2,1 bilhões de reais às empresas. As companhias mais afetadas apontam danos nos estoques e nos equipamentos, além dos gastos com a limpeza das áreas afetadas. Nestes casos, o valor médio das perdas chega a 6,5% do faturamento mensal.

A análise por porte mostra que as empresas menores tendem a ser mais afetadas. Cerca de18% das pequenas companhias têm danos de, em média, 7,1% de seu faturamento. Para 22% das médias empresas as perdas ficaram em 5,5%. Para 8% das grandes, o lucro ficou em média 4,5% mais baixo.