Eike vai procurar Dilma para apresentar planos da sua montadora

Empresário, dono do grupo EBX, planeja investir US$ 1 bilhão para atuar no segmento automotivo.
Fonte: Daniela Barbosa, de
 
Fernando Cavalcanti/EXAME.com – Eike Batista: montadora vai produzir 400.000 mil carros por ano
 
 
São Paulo – Eike Batista, dono do Grupo EBX, está mesmo interessado em instalar uma montadora de automóveis próximo ao Porto de Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro. Segundo o empresário, até o fim deste semestre, o nome da montadora que será sua parceira na empreitada deve ser anunciado. Neste mesmo prazo, uma proposta será apresentada à presidente Dilma Rousseff sobre o projeto de construção da fábrica. “Gostei muito do modelo de negócio e enxergo um aumento no consumo de veículos nos próximos anos”, afirmou Eike, em conferência ao mercado, nesta quarta-feira (9/2).

Os investimentos para a construção da fábrica vão girar em torno de 1 bilhão de dólares. Nomes de duas possíveis montadoras foram citados durante a teleconferência: o da japonesa Nissan e da indiana Tata. Eike, no entanto, não confirmou nenhum dos nomes. Segundo informações publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo recentemente, o presidente da Nissan do Brasil, Christian Meunier, afirmou que a montadora mantém negociações com a EBX, mas ainda não há nenhuma decisão tomada.

A montadora do grupo EBX terá capacidade de produzir cerca de 400.000 carros por ano, com até dez modelos diferentes. Em 2010, a indústria brasileira de veículos produziu mais de 3,6 milhões de carros, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O objetivo do grupo EBX é fabricar carros pequenos, como o modelo Smart, da Mercedes, e também carros elétricos. As condições favoráveis de logísticas devem baratear em até 200 dólares os custos da produção por automóvel, tornando o mercado automotivo brasileiro mais competitivo.

Dilma já trata Kassab como aliado e faz críticas indiretas a tucanos de SP

Sentados lado a lado durante cerimônia em São Paulo, prefeito e ex-presidente Lula conversaram bastante.

Fonte:Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

A iminente ida de Gilberto Kassab para o PMDB, partido da base governista, levou a presidente da República, Dilma Rousseff, a elogiar o prefeito paulistano e a destacar investimentos na capital, ao mesmo tempo em que criticou, de maneira indireta, o PSDB.

A presidente cumprimentou Kassab (DEM) “com muito carinho” e disse estar “honrada” com o convite feito por ele para participar nesta terça, 25, da cerimônia em comemoração ao 457.º aniversário de São Paulo, na sede da Prefeitura, na qual foi entregue a Medalha 25 de Janeiro ao ex-vice-presidente José Alencar, que luta contra um câncer há 13 anos.

Além de Dilma e Alencar, estavam com Kassab no palco montado na Prefeitura o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), e o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), com quem o prefeito mantém conversas sobre a troca de partido. Ontem, os dois conversaram rapidamente na presença de Alckmin.

Sentados lado a lado, Kassab e Lula falaram bastante durante a cerimônia. O prefeito concedera a mesma medalha ao ex-presidente em 2010 – à ocasião, também fez a homenagem ao ex-governador José Serra (PSDB).

Tanto Dilma como Lula são entusiastas da ida de Kassab, que está na oposição, para o PMDB. Ambos avaliam que a troca de partido enfraqueceria o PSDB em São Paulo, principal bastião oposicionista no maior colégio eleitoral do País. Nas últimas cinco eleições, o PT não quebrou a hegemonia tucana no Estado.

Kassab pediu aos peemedebistas discrição nas negociações. Quer tonar pública a decisão apenas depois de 15 de março, quando ocorrerá convenção nacional do DEM para a escolha da nova direção. Caso não consiga emplacar a troca de comando no partido, Kassab terá um argumento forte para abandonar a legenda.

O prefeito disse às lideranças tucanas que pretende mesmo mudar para o PMDB, legenda que lhe daria fôlego para projetos políticos maiores, como a disputa pelo governo paulista em 2014. Aos aliados afirmou que, mesmo no novo partido, pretende manter a aliança com o PSDB.

Na cerimônia, a presidente Dilma afirmou ainda que “junto” com Kassab vai “continuar esse processo de investimentos” feitos pelo governo federal na capital paulista. Sem citar os tucanos, que governam São Paulo há 16 anos, Dilma disse que o Estado ainda tem “desafios” a enfrentar com a população de mais baixa renda.

“Fico extremamente feliz de estar aqui em São Paulo e de que seja aqui que esta medalha esteja sendo entregue a José Alencar, porque justamente aqui temos um dos Estados mais desenvolvidos do nosso País. Mas, ao mesmo tempo, temos tantos desafios em relação à situação do nosso povo mais pobre”, disse.

A presidente ainda destacou que o País está no “rumo certo” e que essa trajetória teria sido “construída” por Lula e Alencar. Não mencionou o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que também foi um dos homenageados com a medalha ontem – o tucano não compareceu à cerimônia porque estava em viagem fora do País.

“Os dois presidentes (Lula e José Alencar) que não tinham diploma universitário mostraram um compromisso com a educação, como diz o nosso querido presidente Lula, ‘nunca dantes visto na história deste país’”, completou Dilma.

No final de seu discurso, a presidente dirigiu-se brevemente a Alckmin: “Queria dizer ao governador que estamos prontos para continuar a parceria entre o governo federal e o governo do Estado.” Pouco antes, o tucano disse receber com Dilma com “alegria” e desejar a ela um “ótimo mandato”. “Contem com São Paulo”, completou Alckmin.

Copom aumenta juros para 11,25% na primeira reunião no governo Dilma

Fonte:EDUARDO CUCOLO – DE BRASÍLIA  Folha.com

Na primeira reunião sob o comando do presidente Alexandre Tombini, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) aumentou a taxa básica de juros de 10,75% para 11,25% ao ano.

A decisão foi unânime e já era esperada pela maior parte do mercado financeiro. Com o aumento de 0,5 ponto percentual nos juros, o BC dá continuidade ao trabalho para desacelerar o consumo e segurar a inflação.

“O Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,25% a.a., sem viés, dando início a um processo de ajuste da taxa básica de juros, cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas”, afirmou o comitê, em nota.

Em dezembro, já foram anunciadas medidas para restringir os financiamentos com prazos superiores a 24 meses e para tirar a última parte do dinheiro injetado na economia durante a crise de 2008.

Hoje, a inflação está próxima de 6%, acima do objetivo de 4,5% fixado pelo governo.

Editoria de Arte/Folhapress

TRAJETÓRIA

A aposta do mercado financeiro é que o juro voltará a subir nas duas próximas reuniões do Copom, nos dias 2 de março e 20 de abril, para encerrar o ano em 12,25%. A taxa só voltaria a cair no ano seguinte.

Além disso, o governo promete anunciar em fevereiro um corte no Orçamento que pode chegar a R$ 50 bilhões, outra medida para ajudar a segurar a demanda e a inflação no país.

Os juros retornaram ao patamar em que estavam em março de 2009. Ainda naquele ano, por causa da crise, chegariam ao menor nível da história (8,75% ao ano), mas voltaria a subir em 2010.

A taxa básica determina o custo do dinheiro para os bancos e, por isso, serve de base para os juros dos empréstimos a empresas e consumidores, cuja taxa média está hoje próxima de 35% ao ano.

A Selic é também um dos principais instrumentos que o BC tem para tentar controlar o ritmo de crescimento da economia e a inflação.

Essa foi a primeira reunião do Copom sob o comando do presidente Alexandre Tombini, que substituiu no início do ano Henrique Meirelles na presidência do BC. Tombini já era diretor de Normas do BC no governo anterior. Não houve mudanças, no entanto, no resto da diretoria do BC.

PROJEÇÃO

O mercado espera inflação oficial de 5,42% neste ano, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Para 2012, a projeção é de 4,50%, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central.

Para 2011, a expectativa do mercado para a taxa básica de juros (Selic) é de 12,25% ao ano. Já para 2012 é de 11%.

Já a projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) é de 4,50% para este ano.

SEU BOLSO

A esperada elevação da taxa básica de juros, a Selic, nesta quarta-feira terá pouco impacto nos juros das operações de crédito para consumidores e empresas, segundo já havzia alertado a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

De acordo com as simulações feitas pela Anefac, a taxa média das operações para os consumidores, atualmente em 6,79% ao mês, deve subir 0,04 ponto percentual (para 6,83%), após a alta de 0,50 pp.

Entre as taxas para as pessoas físicas, os juros do cartão de crédito deve subir de 10,69% ao mês para 10,73%.

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Lucrando em cima da desgraça alheia

PM do Rio diz que comerciantes que cobrarem preços abusivos serão presos.

Fonte:LUIZA SOUTO – COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO -DOS ENVIADOS ESPECIAIS A NOVA FRIBURGO

 O Comando Geral da PM do Rio determinou na manhã deste domingo a prisão de comerciantes que estiverem cobrando preços abusivos na região serrana do Rio. A medida é válida para as cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis e tenta coibir a prática de crimes contra o consumidor.

Segundo o porta-voz da Polícia Militar, coronel Lima Castro, 400 homens da corporação ajudam nos trabalhos de socorro e segurança das vítimas das enchentes que deixaram mais de 600 mortos.

Depois da tragédia, a população de Nova Friburgo começou a sofrer com o racionamento de comida. Assustados com a dimensão dos estragos causados pelas chuvas, os moradores passaram a tentar estocar comida, apesar da grande quantidade de donativos enviada para a região. Isso provocou uma disparada nos preços. A reportagem presenciou ontem (15) a imposição de cotas de comida para os compradores em supermercados do centro de Nova Friburgo.

Um dos poucos locais abertos restringiu as compras a três itens por pessoas. O racionamento levou, em alguns casos, a uma disparada nos preços. Em Campo do Coelho, localidade de Nova Friburgo, uma vela custa R$ 9 e o litro do leite já sai por R$ 6. As autoridades já alertaram a população de que não há razão para se fazer estoque de comida.

A prefeitura de Nova Friburgo chegou a fazer um apelo ontem para que as pessoas enviem velas para a cidade

“O [comandante-geral da PM] coronel Mário Sérgio está em Teresópolis participando de uma reunião com o general Elito, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, e com o prefeito da cidade, Mauro Jorge, discutindo as ações de cunho humanitário e também o número do efetivo nos batalhões. Nós mandamos 400 homens para reforçar o policiamento”, explicou Lima Castro à Folha.

De acordo com ele, esses agentes vão trabalhar em conjunto com policiais do 30º BPM (Teresópolis), 26º BPM (Petrópolis) e com o 11º BPM (Nova Friburgo).
“Parte deles vai ajudar também a defesa civil e os bombeiros”.

A região serrana é responsável pela produção de cerca de 70% das hortaliças no Estado do Rio. A tragédia provocada pelas chuvas já afetou os preços na região e na capital.

TRAGÉDIA

O número de mortos em consequência das chuvas em cinco municípios da região serrana do Rio chegou a 613 na noite de sábado (14), segundo balanço divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil. Equipes ainda buscam vítimas.

As mortes ocorreram em Nova Friburgo (274), Teresópolis (263), Petrópolis (55), Sumidouro (19) e São José do Vale do Rio Preto (2). Inicialmente, a Prefeitura de São José do Vale do Rio Preto havia informado que quatro pessoas haviam morrido na cidade, mas a informação foi corrigida na tarde deste sábado.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), decretou neste domingo estado de calamidade pública nos municípios de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Bom Jardim, São José do Vale do Rio Preto, Sumidouro e Areal.

No sábado (15), o governador já havia decretado luto oficial de sete dias no Estado e de três dias no Brasil

GOVERNO FEDERAL

A presidente Dilma Rousseff anunciou na sexta-feira (14) o envio de R$ 100 milhões para ajudar as cidades atingidas pelas chuvas no Estado do Rio de Janeiro.

O dinheiro faz parte de um total de R$ 780 milhões liberados por Dilma, por meio de medida provisória editada na quarta-feira (12), para as cidades e Estados prejudicados pelas chuvas.

A ordem de acelerar o repasse das verbas foi determinado pela presidente, em reunião com seus 37 ministros, hoje à tarde, no Palácio do Planalto. De acordo com o governo, R$ 50 milhões estarão depositados na conta do governo do Rio de Janeiro e dos municípios afetados pela chuva na região serrana do Rio até segunda-feira (17).

O ministro da Integração Nacional também anunciou a criação de um comando unificado coordenado pelo Ministério da Defesa para atuar no resgate de corpos e no atendimento a desabrigados e feridos por conta das chuvas na região serrana do Rio.

O governo também decidiu repactuar e liberar novas linhas de financiamento para recuperar o setor de hortifruti, uma das principais atividades produtivas nas cidades atingidas no Rio de Janeiro. A indústria de lingerie, símbolo de Nova Friburgo, também será beneficiada por esses financiamentos.

Na quinta-feira (13), o governo federal já tinha anunciado a liberação do saque do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para os trabalhadores das áreas afetadas e ampliou o limite do valor a ser resgatado de 4.650 reais para 5.400 reais.

SUSTO

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), sentiu ontem (15) na pele o efeito das chuvas na região serrana. Com visita programada a Nova Friburgo para as 11h, ele não conseguiu pousar na cidade de helicóptero e teve que descer em Cachoeiras de Macacu, a 40 km.

No meio do caminho, na rodovia estadual RJ-116, caiu uma chuva forte e houve um deslizamento abaixo do nível do asfalto, que começou a se desfazer. “É assustador. De repente a água vem e a estrada que estava semibloqueada começa a ruir”, disse Cabral.

Anteontem (14), Cabral afirmou hoje que haverá o momento de se fazer “autocrítica” e “avaliação” sobre a tragédia na região serrana, mas ainda não é hora.

RISCO

Reportagem publicada na edição de sábado (15) da Folha mostra que um estudo encomendado pelo próprio Estado do Rio de Janeiro já alertava, desde novembro de 2008, sobre o risco de uma tragédia na região serrana fluminense.

A situação mais grave, segundo o relatório, era exatamente em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, os municípios mais devastados pelas chuvas e que registram o maior número de mortes. Essas cidades tiveram, historicamente, o maior número de deslizamentos de terra.

O estudo apontou a necessidade do mapeamento de áreas de risco e sugeriu medidas como a recuperação da vegetação, principalmente em Nova Friburgo, que tem maior extensão de florestas. O secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, disse que o mapeamento de áreas de risco foi feito, faltando “apenas” a retirada dos moradores, e que os parques florestais da região também foram ampliados.

O coordenador de Defesa Civil de Petrópolis afirmou que o aviso passado pelos institutos de meteorologia não foi suficiente para disparar o sistema de alerta da cidade.

Segundo o coronel Carlos Francisco De Paula, a previsão repassada pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), com possibilidade de ocorrência de chuvas moderadas a fortes, não dava a dimensão da chuva que acabou devastando boa parte das cidades serranas.

Dilma tem 60 obras do PAC para inaugurar no primeiro ano de governo

Em média, presidente poderia inaugurar cinco obras por mês ou mais de uma por semana; obras deveriam ter ficado prontas em dezembro.

Fonte: Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A presidente Dilma Rousseff inicia o seu governo com boas oportunidades para reforçar o título de mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Só em 2011, cerca de 60 obras do programa serão inauguradas em setores como transportes, saneamento, energia elétrica e óleo e gás. Em média, Dilma poderá inaugurar cinco obras por mês, ou mais de uma por semana.

A maioria deveria ter sido concluída até dezembro de 2010, mas o cronograma não foi cumprido por uma série de fatores, como demora na concessão de licenças ambientais, falta de projetos básicos de qualidade, interferência do Tribunal de Contas da União (TCU) e problemas de gestão. Se não houver mais nenhum entrave, pelo menos, um terço dos projetos estará concluído até o fim do primeiro semestre, conforme levantamento feito pelo Estado, com base no último balanço do PAC nacional.

Uma das obras de maior peso é o Campo de Mexilhão, cujo início de operação já foi remarcado três vezes. De acordo com o relatório do PAC, o início da exploração da plataforma, que terá capacidade para produção diária de 15 milhões de metros cúbicos de gás, está marcado para 16 de março, junto com o gasoduto Caraguatatuba-Taubaté.

O empreendimento da Petrobrás, de R$ 4,6 bilhões, deverá contar com a presença da presidente, já que se trata de um projeto de extrema importância energética para o País. Dois meses antes, Dilma poderá ligar as turbinas da Hidrelétrica de Dardanelos, de 261 megawatts (MW), que está sendo construída no Rio Aripuanã, em Mato Grosso.

O projeto, tocado pela empresa privada Neoenergia e as estatais Chesf e Eletronorte, deveria ser inaugurado em dezembro de 2009. Mas, no meio do caminho, sofreu uma série de interrupções por determinação da Justiça e por invasões de índios. O último entrave pode ser o atraso na construção da linha de transmissão que vai escoar a energia da usina. Por enquanto, porém, a data de 30 de janeiro está mantida nos relatórios do PAC.

No setor portuário, as principais inaugurações devem ficar para o segundo semestre. Entre os projetos mais importantes estão as obras no Porto de Itaqui, que hoje não consegue atender à demanda crescente de grãos de novas fronteiras agrícolas como Tocantins, Piauí e oeste da Bahia. A dragagem dos berços 100 a 103 e a construção dos berços 100 a 101 (iniciada em 2006) estão dois anos atrasados. Seriam concluídos em março de 2008, mas as obras só devem terminar em julho de 2011.

Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, o Programa Nacional de Dragagem é uma das iniciativas mais elogiáveis do governo federal, mas demorou a pegar. Lançado em dezembro de 2007, o programa enfrentou problemas para o lançamento dos editais e só começou a engrenar a partir de 2009. “Resolvida essa questão, o entrave ficará com os acessos terrestres, por rodovia e ferrovia, que continuam estrangulados”, avalia Manteli.

Ele explica que o programa de dragagem permitirá a entrada de grandes navios nos portos brasileiros, além de dar mais segurança na movimentação das embarcações. Na prática, isso significa melhorar a produtividade, já que os navios podem sair mais carregados dos portos. Até outubro, dez obras de dragagem estavam em andamento nos terminais, quatro haviam sido concluídas e uma ainda precisava ser licitada.

Dilma toma posse e foca a erradicação da miséria

Fonte: NATUZA NERY, VALDO CRUZ DE BRASÍLIA, ANA FLOR ENVIADA ESPECIAL A BRASÍLIA – Folha.com

Dilma Vana Rousseff, 63, torna-se hoje a primeira mulher a ocupar a Presidência da República. Quadragésima presidente do país, sua prioridade já foi definida: lançar um plano nacional de erradicação da miséria.

O plano fará parte de seu discurso de posse, que vai enfatizar a necessidade de aprofundar as mudanças iniciadas por Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor e mentor político. A ideia será sintetizada no mote “um Brasil que apenas começou”.

Sob o carimbo da continuidade, Dilma quer cravar seu próprio selo social, a exemplo do Fome Zero e do Bolsa Família, arrimo da alta aprovação lulista.

Ela já marcou reunião com sete ministros para discutir um plano que elimine a pobreza extrema em quatro anos -uma das principais promessas de campanha da petista.

A ideia é reunir os programas existentes no governo e lançar novos, como iniciativas específicas de financiamento e capacitação profissional, portas de saída do Bolsa Família.

O programa tem o desafio de retirar da miséria 18 milhões de pessoas.

Sucessora do presidente mais popular da história recente, a petista quer deixar marcas também nas áreas de saúde e segurança pública, dois setores que ficaram aquém do esperado nos oito anos de governo Lula.

Na primeira semana de trabalho, pretende agendar reunião com governadores para debater e traçar planos nessas duas áreas.

Ex-guerrilheira ligada a grupos que combateram a ditadura, Dilma prometerá manter a política econômica ortodoxa, mas com medidas para acelerar investimentos e reduzir os juros.

Mineira radicada no Rio Grande do Sul, ela tem sua posse marcada para as 14h30, em cerimônia no Congresso. Ali fará seu principal discurso, destacando que promoverá um governo de “continuidade, mas aprofundando e avançando”.

Depois, já como presidente, segue para o Palácio do Planalto, onde receberá a faixa presidencial de Lula e receberá os cumprimentos de 23 chefes de Estado.

Ao lado do vice, o peemedebista Michel Temer, Dilma faz um pronunciamento no parlatório. Às 18h30, participa de recepção a autoridades estrangeiras no Itamaraty.

DESAFIOS

Dilma assume o governo com um cenário econômico desafiador: inflação em alta, gastos públicos acima do desejável e uma situação cambial pouco confortável.

Uma de suas primeiras medidas será anunciar um corte no Orçamento, superior a R$ 20 bilhões. Editará, ainda, projetos para controlar o crescimento dos gastos.

Com isso, espera auxiliar o Banco Central na tarefa de conter a inflação, abrindo espaço para amenizar a rigidez da política monetária.

No discurso do Congresso, Dilma pontuará o símbolo histórico de sua eleição: a chegada de uma mulher ao cargo máximo do país. Assumem com ela nove ministras, o maior time feminino já admitido no primeiro escalão.

Presidente abre mandato com a maior base de apoio após redemocratização

Primeiro desafio de Dilma no Legislativo será administrar anseios e conflitos de seus 366 deputados e 52 senadores aliados.

Fonte:Marcelo de Moraes / BRASÍLIA – O Estado S. Paulo

Dilma Rousseff assume a Presidência da República com a maior base de apoio já formada em torno de um chefe do Poder Executivo desde a redemocratização do Brasil. O problema é que ter 366 deputados e 52 senadores aliados não significa garantia de lealdade. Se, de fato, a coalizão é grande, essa bancada de apoiadores também tem a característica de cobrar favores, através da liberação de emendas parlamentares e de outros tipos de recursos federais, para garantir sua fidelidade ao Planalto.

Já foi assim durante os oito anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num processo que teve seu pior momento em 2005, durante o chamado escândalo do mensalão. O caso revelou a existência de um esquema de repasse de verbas públicas em troca do apoio de políticos da base. Seus efeitos derrubaram poderosos integrantes do governo, como o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e atingiram a cúpula de partidos como PT, PR, PP e PTB.

Se hoje não existe mais o esquema do mensalão, a pressão por liberações continua sendo uma regra dentro do Congresso e o governo não tem se incomodado em ceder quando julga necessário. Não será diferente no governo de Dilma. A questão será estabelecer os termos dessa relação.

Teste de resistência. Segundo um de seus principais interlocutores dentro do Congresso, existe a expectativa por uma espécie de “teste de resistência” do novo governo. Na prática, isso significa que, na primeira votação importante de interesse de Dilma, setores influentes da base aliada deverão pressionar o governo para medir o quanto ele aceita ceder.

Além disso, alguns partidos acham que não foram contemplados adequadamente na formação da nova equipe de governo. O PMDB, dono da maior bancada do Senado e segunda maior da Câmara, reclama por maior espaço no controle de estatais. O PSB achou pouco ocupar dois ministérios, já que elegeu seis governadores.

Em compensação, o governo já conseguiu aplacar um foco importante de insatisfação. Para atender a bancada do PP, que tem 41 deputados e cinco senadores, Dilma aceitou substituir o ministro Márcio Fortes, de perfil técnico, e nomeou o líder da bancada do partido, o deputado federal Mário Negromonte (BA), para o comando do Ministério das Cidades. Parlamentares do PP reclamavam que Fortes não atendia os pedidos do partido.

A troca produziu ainda outro efeito. Fortes era muito próximo do presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), parente do tucano Aécio Neves. Assim, além de ganhar o apoio da bancada do partido, a nomeação enfraqueceu a ala próxima de um importante adversário da oposição.

Mais senadores. Se conseguir ajustar sua sintonia com a base de apoio, Dilma terá uma situação francamente favorável dentro do Congresso. Terá votos suficientes para aprovar, por exemplo, propostas que alteram a Constituição, prerrogativa que nem Lula teve durante os seus dois mandatos.

Se na Câmara, Lula sempre teve maioria clara, no Senado essa hegemonia não se repetiu. Em dezembro de 2007, o governo foi derrotado na votação da proposta que estabelecia a prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que garantia recursos extras para a Saúde.

Agora, Dilma ampliou sua base de apoio na Câmara e larga com um patamar de 52 senadores aliados, mais do que os três quintos (ou 60%) de votos necessários para aprovar qualquer modificação constitucional.

Essa vantagem poderá até se tornar mais confortável ainda se o governo receber a provável adesão dos seis senadores do PTB. Na campanha presidencial, o partido apoiou a candidatura do tucano José Serra. Mas a maioria dos seus parlamentares deseja compor um acordo com o governo. Com isso, o futuro governo teria votos para aprovar propostas polêmicas, como a própria volta da CPMF ou alterar até mesmo o número de mandatos de um mesmo presidente.