Queda das taxas a lojistas pode atingir ações de Redecard e Cielo, diz Ágora

Para analistas, aperto nas taxas deve se intensificar em 2011.

Fonte: Mirela Portugal, de EXAME.com

São Paulo – Os efeitos do acirramento da concorrência no setor de cartões devem continuar afetando as ações de Redecard e Cielo. A conclusão é da corretora Ágora após a análise dos resultados trimestrais das maiores operadoras de cartão do Brasil. As ações de ambas tiveram seu preço-alvo rebaixado: de 22,60 reais para 19,20 (CIEL3) e de 36,10 reais para 30,80 reais (RDCD3).

A revisão de estimativas assume uma tendência já apontada nos resultados recentes: as taxas cobradas a lojistas para uso das máquinas deve cair ainda mais intensamente em 2011. “Nos parece claro que a maior parte das renegociações com clientes se dará no ano que vem“, explica o analista Aloísio Lemos.

Ambas as ações receberam recomendação de manutenção. O analista ressalta a queda maior nas taxas coletadas pela Redecard. “A Redecard deve ter um retorno maior em volume que em receita, uma vez que se concentra em lojistas de grande porte, que cobram taxas menores”. No entanto, “a tendência declinante deve atingir também a Cielo”.

Também na avaliação da Ágora, a competição no setor continuará polarizada entre as duas líderes. “A entrada de outros nomes ainda é incerta”. Num cenário conservador projetado para 2014, os concorrentes devem capturar 15% da fatia de mercado. Os resultados trimestrais apontam divisão de mercado em volume de negócios em 53% para a Cielo e 47% para a Redecard.

Redecard e Cielo caem ao mostrar impacto do fim da exclusividade

Fonte: Exame.com   Crédito: Gustavo Kahil, de EXAME.com

Despesas com marketing e descontos crescem como efeito da briga pelos lojistas e consumidores

Redecard: 40 mil transações mensais no terceiro trimestre.

São Paulo – As ações da Redecard (RDCD3) e Cielo (CIEL3) ocupam hoje a desagradável posição de maior queda desta quinta-feira (28) no Ibovespa. As empresas começaram a revelar o impacto do fim da exclusividade entre a Visa e a Cielo e o consequente aumento da concorrência pela conquista de lojistas e clientes. As despesas com marketing e os descontos cresceram no terceiro trimestre. Os papéis da Rececard caíam, às 12h45, cerca de 4,3%, enquanto as ações da Cielo cediam 2,08%.
 
As despesas de marketing da Redecard, por exemplo, avançaram 44,4% no terceiro trimestre comparação com o mesmo período do ano passado, além do crescimento das despesas operacionais. Com isso, o lucro líquido caiu 2,7%, chegando a 324,1 milhões de reais. “Neste trimestre, a abertura da atividade de credenciamento, desde o dia 1º de julho, marcou o novo ambiente concorrencial para a indústria brasileira de meios de pagamentos”, explica a empresa em relatório.
 
O mercado não gostou dos números da Redecard. “Os resultados da Redecard trouxeram tendência operacional mais fraca”, afirmam os analistas da BofA Merrill Lynch Jorg Friedemann, Jose Barria e Renato Schuetz. Em relatório, o banco rebaixou a recomendação para as ações da empresa de neutral para underperform (desempenho abaixo da média do mercado). O preço-alvo foi reduzido para 24 reais.
 
“Já eram esperados os primeiros efeitos da competição em um ambiente não exclusivo, mas estes vieram potencializados. Da mesma forma, já era imaginada pressão nas despesas operacionais, em função principalmente de aumento de gastos com marketing e necessidade de contratação de pessoal”, destaca a analista Marianna Waltz, da BB Investimentos. Segundo ela, o impacto mais pesado deve vir no início do ano que vem, “com a adição dos novos contratos com os grandes estabelecimentos comerciais”.
 
Daniel Malheiros, analista da Spinelli Corretora, recomenda que os investidores reduzam a exposição aos papéis da Redecard. “Continuamos acreditando que a Cielo é a melhor opção para se expor no setor de cartões. Em resumo, os números virão pouco acima de nossas expectativas. A nossa impressão sobre o resultado da Redecard é negativa”, diz ele em relatório.
 
A Cielo publicou hoje uma prévia dos resultados do terceiro trimestre. A empresa mostrou um lucro líquido de 488,5 milhões de reais no período, o que representa um crescimento de 23,1% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Os custos e despesas operacionais avançaram 26,8%, chegando a 425,9 milhões de reais.