Poder do dólar no Brasil é o menor da história

Segundo estudo da Economatica, são necessários US$ 155,20 para comprar uma cesta básica no país.

Fonte:   – Exame.com

O poder aquisitivo do dólar no Brasil, ajustado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é o menor já registrado na história, segundo aponta estudo realizado pela Economatica. O levantamento mostra que, em 30 de junho de 2010, com US$ 100 era possível comprar uma cesta básica e, ontem, dia 13 de janeiro, esse mesmo valor permitia comprar apenas 44,8% da cesta.

“Para adquirir a mesma cesta básica de 30 de junho de 1994, precisaríamos colocar mais US$ 55,20 do próprio bolso”, diz a pesquisa. O estudo deflacionou a paridade do dólar pelo IPCA até 31 de dezembro de 2010, utilizando o dólar ptax de venda de R$ 1 6701. Ainda segundo o levantamento, em 22 de outubro de 2002, por exemplo, conseguia-se comprar 1,77 cesta básica com os mesmos US$ 100.

Mensalidade escolar deve pesar no orçamento doméstico, diz economista

Um dos coordenadores da FGV acredita que aumento acima da inflação nos custos escolares devem se refletir ao longo de 2011.

Fonte:Alana Gandra, da AGÊNCIA BRASIL

Roberto Chacur/Exame.com

O economista acredita em aumento da inflação em janeiro de 2011.

Rio de Janeiro – O mês de janeiro traz impactos importantes no orçamento dos brasileiros que poderão, em alguns casos, continuar ao longo do ano. De acordo com o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S Brasil) da Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Picchetti, o grande aumento em janeiro são as mensalidades escolares.

Embora ainda não tenha um valor médio, “pelas informações preliminares, a gente sabe que são aumentos substantivos, na maior parte, inclusive, acima da inflação acumulada em 2010”, disse o economista à Agência Brasil. A inflação medida pelo IPC-S no ano passado ficou em 6,24%.

Ele explicou que a variação de preço das escolas influi no orçamento doméstico em janeiro, mas “a mensalidade, a gente paga no resto do ano. Então, eu diria que esse é o item mais expressivo que está variando agora e a gente vai sentir ao longo de 2011”.

Picchetti acredita que, em janeiro, a inflação pelo IPC-S ficará acima da variação de dezembro (0,72%). Destacou que o item alimentação, de forte peso no orçamento do consumidor, embora se mostre em desaceleração, “ainda está em aumento”.

A trajetória até agora sinaliza que a tendência é de aumento. “Então, eu acredito que o mês de janeiro vai ser ainda superior a dezembro mas, felizmente, não estabelecendo uma tendência para o resto do ano”.

Segundo Picchetti, alguns aumentos, como os do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) não têm grande peso, “porque os índices de preços ao consumidor pegam os consumidores mais comuns, mais representativos, de até 33 salários mínimos, caso do IPC-S”.

Na capital paulista, em especial, o aumento de 11,11% nas tarifas dos ônibus, autorizado pela prefeitura, terá um grande peso no orçamento doméstico, representando dois terços da inflação de dezembro. “É muita coisa se considerar que o índice de dezembro foi de 0,72%”, ponderou o economista da FGV.

Estendendo para o nível Brasil, o impacto do reajuste de ônibus em São Paulo no IPC-S ainda é significativo, passando de 0,56 ponto percentual para 0,23 ponto percentual, disse Picchetti.

O economista admitiu, contudo, que se por um lado o custo da passagem de ônibus tem um peso grande no orçamento do consumidor, o carro e os tributos associados a esses veículos têm um peso muito menor no começo do ano, em especial entre os consumidores de mais baixa renda.

Baixa renda garante expansão do mercado de cartões

Brasil deve chegar à marca recorde de 700 milhões de cartões em 2011.

Claudio Rossi/EXAME.com

Expansão da baixa renda vai impulsionar mercado de cartões em 2011.

São Paulo – O mercado brasileiro de cartões de crédito e débito deve atingir a marca de 700 milhões de unidades em 2011. O número recorde deve ser puxado principalmente pela expansão do produto nas classes de baixa renda e pela contínua migração de outros meios de pagamento, como cheque ou dinheiro, para os cartões.

A expectativa é que esses cartões façam mais de 8 bilhões de transações ao longo de todo o ano, movimentando mais de R$ 650 bilhões em pagamentos, uma expansão de 20% na comparação com 2010, conforme estimativas preliminares da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Segundo analistas, o mercado de cartões deve ganhar dinamismo extra em 2011 por conta da chegada da bandeira Elo, criada pelo Banco do Brasil e pelo Bradesco. A Caixa Econômica Federal também já anunciou que vai emitir o cartão Elo, voltado basicamente para a baixa renda.

Por isso mesmo, alguns especialistas já argumentam que as projeções para este ano devem ser revistas para cima logo no primeiro trimestre, para incorporar o desempenho da nova bandeira, que deve ganhar mercado rapidamente em razão da força dos três bancos nas classes de menor renda. O objetivo da Elo é ter uma fatia de 15% do mercado brasileiro de cartões de crédito em um período de cinco anos.

O diretor da Abecs e do Bradesco, Marcelo Noronha, destaca que os pagamentos com cartões devem atingir a marca de 25,7% do consumo das famílias este ano, ante 24% em 2010. Em 2008, esse número era de 20,7%. Apesar do crescimento, esse índice ainda é pequeno quando comparado a países desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde os pagamentos com cartões correspondem a 44% do consumo das famílias, e na França, onde esse número atinge 38%. Por isso, o executivo acredita que o setor de cartões deve continuar crescendo com taxas expressivas nos próximos anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Lula deixa para Dilma reajuste de aposentados

Sem acordo entre sindicalistas e governo, correção deve apenas acompanhar a inflação de 2010.

Fonte:  , Revista Exame

Bia Parreiras/EXAME

Atendimento da Previdência: INSS ainda pode recorrer da decisão da justiça de SP

O governo federal deixou para a próxima semana a publicação da medida provisória que define o reajuste dos aposentados e pensionistas que recebem mais que o salário mínimo. Como não houve negociação e acordo entre centrais sindicais, representantes dos aposentados e do Executivo, os benefícios deverão ser corrigidos apenas pela inflação, ou seja, com base na estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 5,5%.

A expectativa do presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), Warley Martins Gonçalles, no entanto, é de que os aposentados ganhem um pouco mais que isso. O índice oficial da inflação de 2010 só será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 20 de janeiro e, na avaliação do presidente da Cobap, ele pode ser maior do que os 5,5% projetados. Se o índice for maior do que previsto atualmente, os aposentados podem ter um complemento do valor em março, de acordo com Gonçalles.

Ontem, foi editada uma MP estabelecendo que, a partir de hoje, o salário mínimo passará de R$ 510 para R$ 540. Com esse aumento de 5,88%, o teto de aposentadoria do INSS sobe dos atuais R$ 3.467,40 para R$ 3.671,28. O cálculo do reajuste do mínimo deste ano considerou a inflação do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás. Como o PIB foi negativo em 2009, os trabalhadores estão recebendo apenas a variação da inflação.

Descontentes, as centrais sindicais prometem fazer muito barulho no Congresso Nacional para conseguir elevar o mínimo para R$ 580. Surfando na mesma onda, os aposentados e pensionistas vão reivindicar uma correção igual a que foi concedida para quem recebe o salário mínimo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Dilma toma posse e foca a erradicação da miséria

Fonte: NATUZA NERY, VALDO CRUZ DE BRASÍLIA, ANA FLOR ENVIADA ESPECIAL A BRASÍLIA – Folha.com

Dilma Vana Rousseff, 63, torna-se hoje a primeira mulher a ocupar a Presidência da República. Quadragésima presidente do país, sua prioridade já foi definida: lançar um plano nacional de erradicação da miséria.

O plano fará parte de seu discurso de posse, que vai enfatizar a necessidade de aprofundar as mudanças iniciadas por Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor e mentor político. A ideia será sintetizada no mote “um Brasil que apenas começou”.

Sob o carimbo da continuidade, Dilma quer cravar seu próprio selo social, a exemplo do Fome Zero e do Bolsa Família, arrimo da alta aprovação lulista.

Ela já marcou reunião com sete ministros para discutir um plano que elimine a pobreza extrema em quatro anos -uma das principais promessas de campanha da petista.

A ideia é reunir os programas existentes no governo e lançar novos, como iniciativas específicas de financiamento e capacitação profissional, portas de saída do Bolsa Família.

O programa tem o desafio de retirar da miséria 18 milhões de pessoas.

Sucessora do presidente mais popular da história recente, a petista quer deixar marcas também nas áreas de saúde e segurança pública, dois setores que ficaram aquém do esperado nos oito anos de governo Lula.

Na primeira semana de trabalho, pretende agendar reunião com governadores para debater e traçar planos nessas duas áreas.

Ex-guerrilheira ligada a grupos que combateram a ditadura, Dilma prometerá manter a política econômica ortodoxa, mas com medidas para acelerar investimentos e reduzir os juros.

Mineira radicada no Rio Grande do Sul, ela tem sua posse marcada para as 14h30, em cerimônia no Congresso. Ali fará seu principal discurso, destacando que promoverá um governo de “continuidade, mas aprofundando e avançando”.

Depois, já como presidente, segue para o Palácio do Planalto, onde receberá a faixa presidencial de Lula e receberá os cumprimentos de 23 chefes de Estado.

Ao lado do vice, o peemedebista Michel Temer, Dilma faz um pronunciamento no parlatório. Às 18h30, participa de recepção a autoridades estrangeiras no Itamaraty.

DESAFIOS

Dilma assume o governo com um cenário econômico desafiador: inflação em alta, gastos públicos acima do desejável e uma situação cambial pouco confortável.

Uma de suas primeiras medidas será anunciar um corte no Orçamento, superior a R$ 20 bilhões. Editará, ainda, projetos para controlar o crescimento dos gastos.

Com isso, espera auxiliar o Banco Central na tarefa de conter a inflação, abrindo espaço para amenizar a rigidez da política monetária.

No discurso do Congresso, Dilma pontuará o símbolo histórico de sua eleição: a chegada de uma mulher ao cargo máximo do país. Assumem com ela nove ministras, o maior time feminino já admitido no primeiro escalão.

Multinacionais elevam investimentos no País

Brasil vai ficar com 3,4% do fluxo de investimento produtivo global este ano – a maior taxa da década.

Fonte:   Exame.com

Emilian Robert Vicol/Flickr/Creative Commons.

O volume de investimento estrangeiro direto (IED) no País previsto para 2010 supera os US$ 25,9 bilhões de 2009 e recupera o patamar de 2007.

São Paulo – O Brasil vai ficar com 3,4% do fluxo de investimento produtivo global este ano – a maior taxa da década. As multinacionais estão trazendo ao País US$ 38 bilhões para construir novas fábricas e investir em infraestrutura. Só que mesmo isso não compensará o rombo nas contas externas, que pode chegar a US$ 49 bilhões.

O volume de investimento estrangeiro direto (IED) no País previsto para 2010 supera os US$ 25,9 bilhões de 2009 e recupera o patamar de 2007. É inferior apenas ao recorde de US$ 45 bilhões de 2008. Em termos relativos, porém, o desempenho só foi melhor no período das privatizações. Em 1997 e 1998, o País atraiu 3,9% e 4,1% dos investimentos diretos do mundo.

O investimento estrangeiro na produção somou US$ 3,73 bilhões em novembro, o segundo melhor para o mês da história. O ingresso mais forte de capital produtivo nos últimos meses fez o BC elevar a projeção de IED para 2010 de US$ 30 bilhões para US$ 38 bilhões. “Ouso dizer que esse número pode até ser superado”, disse Altamir Lopes, chefe do departamento econômico do BC. Para ele, o desempenho dos últimos meses sinaliza que é “factível” esperar entradas de US$ 45 bilhões em IED no próximo ano, projeção que foi mantida pela autoridade monetária.

O forte ritmo da economia, que foi pouco atingida pela crise, funcionou como um ímã para as múltis. “Com os fluxos de capitais ainda retraídos e as matrizes repatriando recursos, é um excelente resultado”, disse Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).

Outro fator relevante é o fraco desempenho global, provocado pela incipiente recuperação dos EUA e da Europa. Devem circular pelo planeta US$ 1,1 trilhão em investimentos produtivos este ano, mesmo nível de 1999 e muito abaixo do pico de US$ 2,1 trilhão de 2007. Segundo a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), os fluxos globais só vão recuperar o terreno em 2015. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Dilma nomeia mais mulheres mas inova pouco em relação a Lula

Novo governo terá 17 nomes que trabalhavam no primeiro ou segundo escalão de Lula; PT é o partido com maior número de ministros.

Fonte: Jeferson Ribeiro, da  – Exame.com

Roberto Stuckert Filho/Divulgação

A presidente eleita confirmou nesta quarta os últimos nomes de seu ministério.

Brasília – A presidente eleita, Dilma Rousseff, concluiu nesta quarta-feira, 52 dias após a vitória nas eleições, a escolha dos 37 ministros do governo que tem início em 1o de janeiro. Foram anúncios a conta-gotas, por meio de oito notas oficiais, e que apontam para um ministério pouco renovado nos principais postos.

Mesmo isolada na residência da Granja do Torto, em Brasília, Dilma não escapou da pressão de aliados, mas na maior parte das vezes fez prevalecer a sua vontade nas negociações que manteve com PT, PMDB e PSB, os principais partidos da aliança que lhe deu a vitória nas urnas.

Dos 37 auxiliares, 16 são filiados ao PT, seis ao PMDB, dois ao PSB. O PP, o PDT, o PR e o PCdoB ficaram com uma pasta cada um. Outros nove ministros não têm filiação partidária.

Os principais espaços da Esplanada dos Ministérios foram ocupados por ministros que já trabalham no governo Lula ou ocupavam espaços no segundo escalão da atual gestão.

Na equipe econômica, por exemplo, Dilma, ela própria ex-ministra de Lula, não apresentou novidades. Manteve o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nomeou a gestora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sua auxiliar nos tempos da Casa Civil, Miriam Belchior, para o Planejamento, e no Banco Central optou por um diretor com tempo de casa para suceder Henrique Meirelles.

Alguns ministros importantes do governo Lula se mantiveram em outras pastas, caso de Alexandre Padilha, que saiu da Secretaria de Relações Institucionais e foi para a Saúde. E Paulo Bernardo, que deixou o Planejamento para comandar as Comunicações.

Mesmo no caso de outros partidos houve manutenção de nomes em relação ao governo Lula. O Partido da República (PR) continuou à frente dos Transportes e Alfredo Nascimento retorna ao posto. O PMDB também defendeu a manutenção de Nelson Jobim na Defesa, Wagner Rossi na Agricultura e Edison Lobão em Minas e Energia.

O saldo é que dos 37 ministros de Dilma, 17 trabalharam com Lula no primeiro e no segundo escalão.

Ou seja, aqueles que esperavam um ministério renovado nas mãos de Dilma Rousseff se enganaram e viram o anúncio de uma sucessão de nomes conhecidos do governo Lula. Para aliados da petista, isso não foi uma surpresa, já que uma das marcas do discurso dela na campanha foi a continuidade administrativa de seu mentor político.

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), a quem Dilma trata carinhosamente de “Dedinha”, usa a propaganda eleitoral como referência para argumentar que não esperava surpresas no primeiro escalão da primeira mulher a presidir o Brasil.

“Para compreender o perfil (do ministério) precisa ver os últimos programas (da propaganda eleitoral). Ela dizia que representava a continuidade do governo Lula. Ninguém mais que a Dilma conhece a equipe do governo Lula. É um governo que ela defendeu e é natural que ela mantenha pessoas na nova equipe”, afirmou à Reuters.

Mulheres e aliados

No governo da primeira mulher a presidir o Brasil, elas comandarão áreas importantes como Planejamento, Meio Ambiente, Desenvolvimento Social, Cultura e Comunicação Social. As “companheiras” também ficaram com áreas mais periféricas com pesca, direitos humanos, igualdade racial e a políticas de gênero, num total de nove pastas.

A principal barreira enfrentada por Dilma para nomear mais mulheres foi a falta de quadros entre os partidos aliados. Apenas mulheres filiadas ao PT ou da cota pessoal da presidente foram escolhidas.

“É dificílimo, porque elas não pertencem às cúpulas partidárias. Eu tive experiência própria com os partidos. Você pede mulher e eles indicam homem. E eu vi que com a Dilma acontece a mesma coisa”, disse a senadora eleita Marta Suplicy (PT-SP), ex-prefeita de São Paulo.

Desde que venceu as eleições, Dilma adotou uma postura discreta e praticamente se isolou na Granja do Torto. Ela apareceu poucas vezes em público e decidiu anunciar seus ministros por meio de notas à imprensa, sem dar chance para questionamentos às escolhas.

Na avaliação de assessores próximos, essa estratégia foi adotada para criar um clima de tranquilidade e impedir que reivindicações de aliados por espaço no novo governo tivessem potencial para se transformar em crise política.

Nesse sentido, a Granja do Torto se tornou o refúgio perfeito para Dilma, que só recebeu pessoas previamente convidadas e que podiam driblar facilmente a imprensa, já que a residência tem duas portarias e apenas uma delas é permanentemente vigiada pelos repórteres.

Se tivesse optado por despachos diários no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede oficial do governo de transição, as reuniões da presidente com aliados ficariam expostas e ela ficaria mais vulnerável à pressões dos aliados, já que o acesso ao prédio é praticamente livre.

Mas os aliados exigiram dedicação da presidente eleita. Nas primeiras semanas, logo após anunciar os ministros da área econômica e aqueles que terão gabinetes no Palácio do Planalto, o PMDB deu o primeiro recado a Dilma e tentou se aliar ao PP e ao PR para formar um bloco partidário na Câmara e, com isso, formar uma bancada maior que a do PT.

O ambiente estava contaminado pela disputa entre PT e PMDB para presidir a Câmara e pela expectativa dos peemedebistas em relação ao seu espaço no ministério. O bloco não prosperou e apesar de um aparente descontentamento inicial, o PMDB se contentou em manter o número de pastas que já tinha no governo Lula –seis.

Contornado esse incêndio, Dilma teve mais trabalho para contentar o PSB e o próprio PT. Os socialistas tentaram até o último dia de negociação indicar nomes para três pastas, mas não conseguiram.

E os petistas chegaram a fazer a presidente mudar uma de suas indicações para atender as correntes internas da legenda. Dilma tendia a nomear Maria Lúcia Falcón para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas depois da insistência dos petistas ligados à corrente Democracia Socialista (DS), escolheu o deputado Afonso Florence (PT-BA) para a pasta, que vem sendo ocupada pela ala de esquerda do partido durante todo o governo Lula.

Dilma também deixou de criar ao menos uma nova pasta que havia prometido durante a campanha eleitoral, o ministério da Micro e Pequena Empresa. Ela ainda deve criar a estrutura, mais adiante. A presidente também desistiu, momentaneamente, de separar a Secretaria de Aviação Civil do Ministério da Defesa.

A ameaça de greve dos trabalhadores do setor aeronáutico e a preocupação com o setor no período de férias adiou, por ora, essa mudança.