As ações que devem pagar mais dividendos em 2011

Estudo do HSBC mostra que as empresas que vão distribuir maiores lucros entre os acionistas são do setor de energia elétrica.

Fonte:Marcela Ayres, de EXAME.com

São Paulo – Se em 2009 o Ibovespa subiu mais de 80%, o investidor não deve terminar 2010 com o mesmo êxito. Até agora, o principal índice da Bolsa sequer repôs a inflação: de janeiro a novembro, a queda foi de 1,29%, contra uma escalada de preços de 4,38% pelo IPCA. Enquanto analistas já traçam estratégias para ganhar dinheiro em 2011, as empresas que pagam bons dividendos surgem como uma alternativa viável para os que pretendem engordar o cofre na renda variável não ficarem tão dependentes de uma oscilação positiva da cotação dos papéis.

Um estudo do HSBC mostra que a maioria das empresas que devem pagar bons dividendos são do setor elétrico. Sem mercadoria física ou estoque, essas companhias cobram à vista o que entregam ao longo do mês. Como a infraestrutura já montada para a distribuição do serviço tampouco demanda grandes injeções financeiras, a necessidade de reinvestir não se equipara à de empresas que dependem de constante aperfeiçoamento tecnológico. “As margens operacionais são fortes e praticamente toda a geração de caixa vai resultar na repartição dos lucros”, explica Carlos Nunes, estrategista do HSBC.

As apostas do banco para 2011 refletem esse pensamento. A partir do acompanhamento de 155 empresas listadas na Bolsa, o HSBC destacou nove companhias com maior expectativa de “dividend yield” para o ano que vem. Esse indicador mede o quanto o investidor deve embolsar com a distribuição dos proventos ainda que o papel não registre nenhuma valorização na bolsa, levando em conta o retorno esperado com o pagamento de dividendos em relação ao preço de cada ação. Ou seja, se uma empresa tem um “dividend yield” de 10% e o preço da ação é de 30 reais, o acionista deverá receber 3 reais em um ano apenas como dividendos e juros sobre o capital próprio.

No ranking das maiores pagadoras de dividendos, a campeã é a Eletropaulo, com “yield” estimado em 18%. Para se ter uma ideia, apenas 14 dentre as 470 empresas listadas na Bolsa brasileira apresentaram ações com rendimento maior do que esse até novembro deste ano. Por sua vez, a média de rentabilidade entregue pelos títulos públicos ficou em 12,42%.

Confira os maiores “yields” estimados pelo HSBC para 2011:

 Estratégia defensiva

Normalmente, uma distribuição generosa de dividendos indica que a companhia pisou no freio do crescimento, mas apresenta uma capacidade sustentável de gerar renda. Por isso, quem apostar nessas empresas não deve ver uma explosão meteórica no preço das ações.

“É uma questão de escolha: esses papéis são menos suscetíveis à desvalorização, mas em um momento de rally de alta, são os que menos vão se beneficiar”, pondera Carlos Nunes, do HSBC. Na prática, o acionista troca a expectativa de crescimento por um retorno mais seguro.

É justamente por isso que a escolha de companhias que pagam dividendos polpudos costuma ser indicada para os que não têm tempo – ou estômago – para aguardar os papéis subirem em um ambiente tão afeito à oscilações como a Bolsa.
 
“Essa é a melhor porta de entrada para quem quer começar no mercado de ações. O investidor não deixa de ganhar quando a bolsa sobe, mas se protege muito quando a bolsa cai”, diz Wagner Salaverry, sócio-diretor do banco de investimentos Geração Futuro.

Com o intuito de atrair os investidores mais conservadores, o banco lançou um fundo com empresas que pagam bons dividendos em junho deste ano. Até agora, a valorização bate em 23,5%. “O Ibovespa é muito pesado em empresas de commodities e do setor financeiro. A aposta em setores de concessões, saneamento e energia vão na linha contrária, já que nesses casos o consumo é mais resistente às crises”, afirma Salaverry.

De qualquer forma, vale lembrar que “dividend yields” significativos não traçam por si só perspectivas otimistas para o investidor. Às vezes, uma relação muito alta denota apenas uma desvalorização desses papéis. A ação da Redecard – cujo retorno em dividendos estimado para 2011 beira os 10% – já caiu mais de 14% neste ano.

Queda das taxas a lojistas pode atingir ações de Redecard e Cielo, diz Ágora

Para analistas, aperto nas taxas deve se intensificar em 2011.

Fonte: Mirela Portugal, de EXAME.com

São Paulo – Os efeitos do acirramento da concorrência no setor de cartões devem continuar afetando as ações de Redecard e Cielo. A conclusão é da corretora Ágora após a análise dos resultados trimestrais das maiores operadoras de cartão do Brasil. As ações de ambas tiveram seu preço-alvo rebaixado: de 22,60 reais para 19,20 (CIEL3) e de 36,10 reais para 30,80 reais (RDCD3).

A revisão de estimativas assume uma tendência já apontada nos resultados recentes: as taxas cobradas a lojistas para uso das máquinas deve cair ainda mais intensamente em 2011. “Nos parece claro que a maior parte das renegociações com clientes se dará no ano que vem“, explica o analista Aloísio Lemos.

Ambas as ações receberam recomendação de manutenção. O analista ressalta a queda maior nas taxas coletadas pela Redecard. “A Redecard deve ter um retorno maior em volume que em receita, uma vez que se concentra em lojistas de grande porte, que cobram taxas menores”. No entanto, “a tendência declinante deve atingir também a Cielo”.

Também na avaliação da Ágora, a competição no setor continuará polarizada entre as duas líderes. “A entrada de outros nomes ainda é incerta”. Num cenário conservador projetado para 2014, os concorrentes devem capturar 15% da fatia de mercado. Os resultados trimestrais apontam divisão de mercado em volume de negócios em 53% para a Cielo e 47% para a Redecard.

Microsoft, Intel e General Eletric estreiam segunda-feira na BM&FBovespa

Segundo lote de BDRs de blue chips estrangeiras chegam à bolsa brasileira, mas ainda sem acesso ao investidor individual.

Fonte:Mirela Portugal, de EXAME.com

Oli Scarff/Getty Images

Microsoft será uma das grandes companhias internacionais com BDRs na BM&FBovespa

São Paulo – Mais dez empresas estrangeiras, entre elas Microsoft, Intel, General Electric e Citigroup, serão listadas na BM&FBovespa a partir da segunda-feira (29). A instituição emissora dos papéis é o Citibank.

As companhias serão negociadas via BDRs, recibos de ações de empresas não brasileiras custodiadas por um banco. O lote completo inclui ainda Alcoa, Cisco Systems, Freeport-McMoran Copper & Gold, Merck & Co, Procter & Gamble e Wells Fargo & Company.

Os novos BDRs nível 1 (ou não patrocinados) só podem ser adquiridos por instituições financeiras e fundos de investimentos, além de administradores de carteira e consultores de valores mobiliários autorizados pela CVM.

Em outubro foi lançado o primeiro lote das BDRs não patrocinadas na Bovespa, entre elas Apple, Google, Bank of America, Arcelor Mittal, Goldman Sachs, BHP Billiton, Wal Mart, Exxon Mobil, Mc Donald’s e Pfizer. A instituição emissora desses papéis é o Deutsche Bank.

Registados por uma instituição depositária no Brasil, os BDRs não têm participação das companhias originais e são considerados investimento no exterior. Após quase dois meses de negociação, no entanto, ainda não há dados concretos sobre a liquidez dos papéis ou interesse dos investidores institucionais.

A estreia dos papéis contará com toque simbólico da campainha na abertura do pregão, às 11 horas.