Setor automobilístico aposta na “paixão” do consumidor por carros para manter faturamento em 2011

Por Dalton Assis, Malena Oliveira e Paula Alves, de portaldaeconomia.agência

Segundo pesquisa da Jato Dynamics – empresa do ramo de inteligência no setor automotivo –, em janeiro de 2011 o Brasil ficou em 5° lugar nas vendas de automóveis entre 22 países do mundo. Porém, a queda nas vendas do setor ameaça o saldo positivo desse mercado. Segundo a Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores –, em dezembro de 2010 as vendas somaram 381,55 mil unidades, caindo para 244,87 mil unidades em janeiro deste ano, uma diferença de 35,8%. “Elas baixaram porque os bancos não estão facilitando o crédito. Muitas vezes preparamos toda a papelada, mas dependemos deles para fechar o negócio. Desde o início do ano foi raro ver algum vendedor bater as metas impostas pela diretoria”, diz Valdir, 58, vendedor da concessionária Fiat Sinal, localizada na região de Santo Amaro.

Medidas tomadas pelo Banco Central do Brasil para conter a valorização do real em relação ao dólar, assim se refletiram nesse setor. O BC restringiu os financiamentos acima de 24 parcelas e aumentou a taxa de juros. Até o início deste mês, a taxa Selic fixou-se em 1,27%. Na prática, isso inibe os consumidores das classes C e D, fazendo com que as vendas de bens e serviços caiam. 

Porém, segundo a Agência Estado, nos últimos quatro anos as vendas de carros novos cresceram 15% somente em São Paulo. Atualmente, a cidade é considerada a maior consumidora de veículos novos do país. Apostando na tendência do crescimento do setor, montadoras e concessionárias investem em promoções e descontos de até R$ 2.000 em modelos fabricados neste ano para atrair o cliente. O modelo Prisma 2011 da Chevrolet, por exemplo, custa em média R$ 29,9 mil – custava cerca de R$ 31,8 mil em dezembro do ano passado. O modelo 2012 custa R$ 31,5 mil.

                                                                                   http://www.folha.com.br/1106016

 

Tensão no direcionamento dos fluxos 

O Detran – Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo –, estima que até o final deste mês o número de veículos que circulam na cidade de São Paulo atinja a marca dos 7 milhões. O aumento do número de veículos nas ruas influi diretamente no índice de congestionamentos. De acordo com a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego –, em janeiro deste ano a média foi de 70 km de congestionamento nos horários de pico da tarde (compreendidos entre 17h e 21h) e 47 km nos horários de pico da manhã (entre 07h e 11h). Já no mês de fevereiro, esse número aumentou para 97 km à tarde e 94 km na parte da manhã.

Uma pesquisa realizada em agosto de 2010 pelo IBOPE, em parceira com a ONG Rede Nossa São Paulo, afirma que o paulistano perde em média 2 horas e 40 minutos por dia no trânsito. Isso para realizar os deslocamentos de rotina, como trabalhar ou estudar. Para o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, 83, autor do livro São Paulo: uma interpretação, o crescimento vertiginoso da cidade nas últimas décadas impôs ao paulistano um estilo de vida com muitos interesses conflitantes: “O problema do crescimento da cidade não reside tanto no adensamento de pessoas, mas no de veículos. Se essas pessoas tivessem um transporte público à altura das necessidades, o número de veículos poderia ser menor. Então existe um problema de padrão na divisão dos transportes”.