Sobe para 300 número de presos em manifestações em Nova York

Fonte: DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS / FOLHA.COM

Eduardo Munoz/Reuters

Manifestante do "Ocupe Wall Street" mostra bandeira americana de cima da ponte do Brooklyn

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Nova York na quinta-feira celebrando o aniversário de dois meses do movimento “Ocupe Wall Street” com uma passeata próximo à Bolsa de Nova York. Os protestos terminaram com ao menos 300 detidos pelas forças policiais, segundo dados atualizados divulgados pela imprensa americana nesta sexta-feira.

Em diversos Estados americanos, manifestações semelhantes ocorreram em apoio ao movimento “Ocupe”, cujos acampamentos vêm sendo expulsos de parques e praças pelas autoridades locais, que justificam a ação com motivos de segurança.

O prefeito nova-iorquino, Michael Bloomberg, afirmou que cinco policiais ficaram feridos durante o protesto realizado por manifestantes do movimento, que bloquearam o acesso à Bolsa de Nova York.

Vias de acesso ao centro financeiro estavam bloqueadas desde a manhã de ontem, e a situação ficou pior com protestos realizados nas estações de metrô durante o pico da movimentação da população no transporte público.

O protesto fazia parte de uma “Jornada de Ação Global” anunciada no site occupywallst.org, com manifestações previstas em outras cidades dos Estados Unidos, assim como em Bélgica, Alemanha, Itália, Nigéria, Polônia e Espanha.

Em Nova York, a passeata foi iniciada no Zuccotti Park, onde foram montadas inicialmente as barracas do movimento no sul de Manhattan e de onde os manifestantes foram expulsos pela polícia na madrugada de terça-feira. Mais tarde, a marcha foi para a ponte do Brooklyn, onde pessoas ficaram sentadas para interromper a passagem.

Amontoados contra as barreiras policiais em Wall Street, manifestantes chegaram a brigar com homens vestidos de terno que tentavam de abrir passagem para chegar ao trabalho no distrito financeiro. “Wall Street está fechada!”, bradavam os ativistas de braços dados, bloqueando o acesso à bolsa para protestar contra a cobiça e a corrupção.

Segundo estimativas dos organizadores, 30 mil pessoas participaram dos protestos em Nova York, enquanto que a polícia afirma ter contado 15 mil.

Os protestos anteriores do Ocupe Wall Street foram tensos, mas em sua maioria pacíficos, com a polícia utilizando uma extensa rede de barreiras metálicas para encurralar os manifestantes e impedi-los de chegar à sede de Wall Street. Nesta ocasião, a polícia montada também foi mobilizada nas imediações da bolsa.

DESOCUPAÇÃO

Policiais com capacetes e portando escudos expulsaram manifestantes do movimento, na madrugada de terça-feira, de um parque no distrito financeiro de Nova York, onde estavam acampados há quase dois meses.

Autoridades declararam que a ocupação no parque Zuccotti –que se tornou um mar de barracas, lonas e placas de protesto com centenas de manifestantes dormindo no local– era uma ameaça à saúde e à segurança.

O prefeito da cidade de Nova York, Michael Bloomberg, defendeu a medida para expulsar os manifestantes e destruir sua cidade de barracas.

“Infelizmente, o parque estava se tornando um lugar onde muitas pessoas vieram não para protestar, mas para infringir leis, e em alguns casos, prejudicar os outros. Houve relatos de empresas ameaçadas e reclamações sobre o barulho e as condições sanitárias precárias que têm afetado gravemente a qualidade de vida dos moradores e dos comerciantes nesse bairro próspero”, disse Bloomberg em comunicado.

Os manifestantes montaram o acampamento no parque Zuccotti em 17 de setembro para protestar contra o sistema financeiro que, segundo eles, beneficia as corporações e os ricos. O movimento tem inspirado protestos semelhantes contra a desigualdade econômica em outras cidades, e em alguns casos resultaram em violentos confrontos com a polícia.

 

Manifestantes de Wall Street prometem não arrefecer com protestos, apesar de expulsão

Expulsos de acampamento, manifestantes do Ocupe Wall Street afirmam não parar com protestos, pois “a semente do movimento já está plantada”

Por: Redação da Rede Brasil Atual

São Paulo – Manifestantes do movimento Ocupe Wall Street que ocupavam um parque no distrito financeiro de Nova York e que foram expulsos pela polícia, na madrugada de terça-feira (15), prometem não arrefecer nos protestos e na indignação contra o setor financeiro e o modelo ecônomico dos países ricos.

Durante a noite da terça-feira, centenas de manifestantes retornaram à praça para protestar contra a expulsão. Eles dizem que as batidas podem expulsar fisicamente os manifestantes dos acampamentos, mas não podem eliminar uma ideia cuja hora chegou.

(Foto: ©Lucas Jackson / Reuters)

                                 Centenas de policiais desfizeram o acampamento, prendendo 147                                          pessoas, inclusive 12 que se acorrentaram umas às outras em árvores

“A Praça da Liberdade (o parque Zuccotti) era uma metáfora e isso aqui é muito maior”, disse Kyle Depew, 26, garçonete do bairro de Brooklyn. “A semente foi plantada na mente de todos e é disso que trata o movimento”, afirmou.

Os manifestantes se dizem desapontados pelo fato de os bilhões de dólares injetados nos bancos durante a recessão terem permitido que as companhias voltassem a ter lucros enormes e bônus multimilionários, enquanto os norte-americanos comuns não veem alívio no desemprego e melhora nas perspectivas.

A expulsão

A polícia nova iorquina expulsou os manifestantes, tirando-os de do Parque Zucotti, onde estavam acampados desde setembro. Centenas de policiais desfizeram o acampamento, prendendo 147 pessoas, inclusive 12 que se acorrentaram umas às outras em árvores.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e a companhia imobiliária Brookfield Office Properties, dona do parque, concluíram que os manifestantes se tornaram uma ameaça à saúde da comunidade local. O juiz Michael Stalman determinou que os protestos poderiam continuar no local, porém não em acampamentos.

Nos EUA, a expulsão em Nova York foi seguida por ações similares em Atlanta, Portland e Salt Lake City. Ao contrário de Oakland, Califórnia, onde a polícia usou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, a polícia de Nova York disse que a maioria dos manifestantes saiu pacificamente, mas alguns manifestantes relataram o uso da violência pelos policiais.

Com informações da Reuters e Agência Brasil

 

Park Zuccotti, em Nova York, é invadido pela polícia e acampamento ‘Occupy Wall Street’ não existe mais

Havia cerca de 200 pessoas dormindo no parque quando a operação começou

JUSTIN LANE/EFE (Estadão)
Todas as ruas de acesso ao Zuccotti Park e o espaço aéreo da região foram fechados. Manifestantes foram retirados.
A operação policial começou pouco depois de 1 da manhã, 4, hora de São Paulo. Centenas de policiais cercaram a praça, fecharam as ruas de acesso e inundaram o acampamento com a luz de holofotes.

Tea Party e “Ocupe Wall Street” mostram polarização nos EUA

Fonte: DA BBC BRASIL – ESTADÃO.COM 

A um ano da eleição presidencial de 6 de novembro de 2012, o presidente Barack Obama e seus adversários republicanos que buscam a indicação do partido para concorrer à Presidência dos Estados Unidos enfrentam um ambiente cada vez mais polarizado e com profundas divisões ideológicas, no qual movimentos como o Tea Party, à direita, e o “Ocupe Wall Street”, à esquerda, vêm ganhando destaque.

As eleições americanas tradicionalmente concentram todas as atenções nos candidatos democrata e republicano, com suas gigantescas máquinas eleitorais, campanhas publicitárias, debates e batalhas por Estados-chave.

Mas em 2012, o presidente Barack Obama e seu adversário republicano terão ainda de lidar com a maciça presença de protestos organizados por movimentos que nenhum dos dois lados pode controlar.

Tanto o Tea Party, que reúne diversos grupos conservadores, como os protestos contra a desigualdade, o desemprego e as grandes corporações iniciados com o “Ocupe Wall Street”, em Nova York, e espalhados por todo o país, têm em comum o descontentamento com a situação política e econômica do país e devem ter impacto na votação do próximo ano, apesar de ambos recusarem as comparações.

INCÓGNITA

Mas se o Tea Party já mostrou sua força nas eleições legislativas do ano passado, quando elegeu vários de seus candidatos, e há pré-candidatos republicanos abertamente identificados com o movimento, como Michele Bachmann, a força dos protestos inspirados no “Ocupe Wall Street”, surgido há menos de dois meses, ainda precisa ser testada.

Os participantes dos protestos do “Ocupe Wall Street” têm perfil variado e rejeitam qualquer ligação com o Partido Democrata, mas o crescimento do movimento e, principalmente, a simpatia do público americano por sua mensagem de frustração, fazem com que seja observado com atenção por ambos os partidos.

“Enquanto o Tea Party serviu de combustível para o entusiasmo do Partido Republicano nas eleições de 2010, ainda não há prova de que os manifestantes do “Ocupe Wall Street” farão o mesmo pelos democratas”, dizem os analistas Aaron Blake e Chris Cillizza, do jornal “Washington Post”.

“Dito isso, o movimento (“Ocupe Wall Street”) pode favorecer significativamente os democratas”, afirmam, ao observar que ainda é preciso saber se o movimento vai motivar os até agora pouco empolgados eleitores identificados com a esquerda a votar.

INSATISFAÇÃO

Diversas pesquisas mostram que a principal preocupação dos eleitores americanos é a economia, em um momento em que o país cresce em um ritmo considerado lento demais para baixar a taxa de desemprego — atualmente em 9%, patamar mantido há dois anos – e em que há o temor de uma nova recessão.

Uma pesquisa divulgada neste domingo pelo Washington Post e pela rede de TVABC News revela que a insatisfação com o governo atingiu níveis recordes.

Nesse cenário, analistas já afirmam que esta será a reeleição mais difícil de um presidente americano desde 1992, quando Bill Clinton tirou George Bush pai da Casa Branca.

Obama tenta evitar o mesmo destino de Bush, Gerald Ford ou Jimmy Carter, integrantes da temida lista de presidentes americanos de um só mandato, mas os problemas com a economia americana são um desafio em sua campanha.

A mesma pesquisa do “Washington Post” e da ABC, conduzida pelo instituto Langer Research Associates, revela que apenas 13% dos americanos dizem que suas vidas estão melhores agora do que antes de Obama assumir o governo.

REPUBLICANOS

Apesar da popularidade em baixa e dos problemas da economia, Obama ainda aparece com boas chances nas pesquisas, quando confrontado com os principais candidatos à indicação do Partido Republicano para concorrer no pleito de 2012.

No levantamento do Post e da ABC, Obama aparece tecnicamente empatado com o favorito Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e com o azarão Herman Cain, empresário recentemente envolvido em uma polêmica de acusações de assédio sexual, mas ainda assim dividindo a liderança nas pesquisas.

O descontentamento dos americanos se estende também ao Congresso.

De acordo com diferentes pesquisas, tanto Obama e seu Partido Democrata como os republicanos perderam pontos com o público americano depois do embate para aprovar a elevação do teto da dívida pública, que quase levou o país ao calote no meio do ano.

Nesse cenário, muitos analistas afirmam que nenhum dos pré-candidatos republicanos até agora tem demonstrado força suficiente para empolgar os eleitores do partido.

No entanto, a situação ainda pode mudar, já que as primárias para escolher o adversário de Obama na votação de 6 de novembro de 2012 começam apenas em janeiro.

VISÃO GLOBAL: Políticos fartos de democracia, polícia contra o povo

Fonte: Por Naomi Wolf, do Project Syndicate

As forças de segurança vêm reprimindo com violência alguns protestos nos EUA, como no restante do mundo

Ao que parece, os políticos estão fartos da democracia. Por todo os EUA, a polícia, atuando sob as ordens das autoridades locais, vem pondo fim aos acampamentos montados pelos manifestantes do movimento Ocupe Wall Street. Às vezes com uma violência escandalosa e totalmente gratuita.

No pior incidente até agora, tropas de choque cercaram o acampamento dos integrantes do movimento em Oakland e dispararam balas de borracha (que podem ser fatais), bombas de efeito moral e granadas de gás lacrimogêneo, com alguns policiais investindo diretamente contra os manifestantes. No canal do Twitter do Ocupe Oakland surgiu uma notícia como se fosse sobre Praça Tahrir do Cairo “eles estão nos cercando; centenas e centenas de policiais; há veículos blindados e tanques”. Foram presas 170 pessoas.

Minha recente prisão, embora eu tenha obedecido as exigências contidas na autorização e realizado um protesto pacífico numa rua em Manhattan, trouxe a realidade da repressão bem próxima de nós. Os Estados Unidos estão acordando para o que foi criado enquanto dormiam: empresas privadas contrataram sua polícia (a JP Morgan doou US$ 4,6 milhões para a Fundação da Polícia da Cidade de Nova York); e o Departamento Federal de Segurança Interna forneceu às forças policiais municipais armas de padrão militar. Os direitos à liberdade de expressão e de reunião do cidadão foram prejudicados sorrateiramente por critérios opacos para obter as autorizações.

Repentinamente, os EUA assemelham-se ao restante do mundo que não é completamente livre, está furioso e protesta. De fato, muitos comentaristas não conseguiram entender completamente que uma guerra mundial está ocorrendo, mas que esse conflito é diferente de qualquer outro na História da humanidade. Pela primeira vez, as pessoas no mundo todo não estão se identificando e se organizando com base em posições religiosas ou nacionais, mas em termos de consciência global e as demandas são de uma vida pacífica, um futuro sustentável, justiça econômica e democracia. Seu inimigo é a “corporatocracia” que comprou governos e parlamentos, criou suas forças armadas, engajou-se numa fraude econômica sistêmica e saqueou ecossistemas e tesouros.

Em todo o mundo, os manifestantes pacíficos são satanizados como desordeiros. Mas a democracia é desordeira. Martin Luther King afirmou que a desordem pacífica é saudável, pois expõe a injustiça sepultada, que pode, então, ser restaurada. O ideal é que os manifestantes se dediquem a uma desordem disciplinada, não violenta, com esse espírito – especialmente a desordem do trânsito, que serve para manter os provocadores à distância e ao mesmo tempo deixar clara a militarização injusta da resposta policial.

Além disso, movimentos de protesto não têm sucesso em horas ou dias; manifestações geralmente implicam sentar num lugar ou “ocupar” áreas por longos períodos. Esta é uma razão pela qual os manifestantes devem arrecadar seu dinheiro e contratar seus advogados. O mundo corporativo está aterrorizado com a possibilidade de os cidadãos reivindicarem o Estado de direito. Em todos os países os manifestantes devem responder com um exército de advogados.

Comunicação. Eles devem criar a própria mídia, em vez de depender de agências de notícias tradicionais para cobrir seus protestos. Devem manter blogs, tuitar, escrever editoriais e comunicados de imprensa, assim como registrar e documentar casos de abusos da polícia.

Infelizmente, existem muitos casos documentados de provocadores violentos infiltrando-se nas manifestações em locais como Toronto, Pittsburgh, Londres e Atenas – pessoas que, segundo me disse um grego, são “desconhecidos conhecidos”. Os provocadores também devem ser fotografados e registrados e por isso é importante não cobrir o rosto durante um protesto.

Os manifestantes nas democracias têm de criar listas de e-mail locais, combinar suas listas com as nacionais e começar a registrar os eleitores. Devem dizer a seus representantes quantos eleitores registraram em cada distrito e devem se organizar para destituir políticos que são brutais ou agressivos. E precisam apoiar aqueles – como em Albany e Nova York, por exemplo, onde a polícia e o Ministério Público locais recusaram-se a reprimir com brutalidade os manifestantes – que respeitam os direitos de liberdade de expressão e de reunião.

Muitos manifestantes insistem em continuar sem uma liderança, o que é um erro. Um líder não tem de se colocar no topo de uma hierarquia: pode ser um simples representante. Eles devem eleger representantes com um “mandato” limitado, como em qualquer democracia, e treinar essas pessoas para conversar com a imprensa e negociar com políticos.

Os protestos devem ser o modelo da sociedade civil que se pretende criar. No Parque Zuccotti, em Manhattan, por exemplo, há uma biblioteca e uma cozinha; o alimento é doado; as crianças são convidadas a passar a noite ali; e aulas são organizadas. Músicos trazem seus instrumentos e a atmosfera deve ser alegre e positiva. Os manifestantes devem procurar manter a limpeza. A ideia é criar uma nova cidade dentro de uma cidade corrompida e mostrar que ela reflete o desejo da maioria e não de uma camada destrutiva e marginal.

Afinal, o que há de mais profundo no caso dos movimentos de protesto não são as demandas, mas sim a infraestrutura nascente de uma humanidade comum. Por décadas o que se tem dito aos cidadãos é que se deve manter a cabeça baixa – seja num mundo de fantasia consumista ou na pobreza e na labuta – e deixar a liderança para as elites. O protesto é transformador precisamente porque as pessoas emergem, encontram-se face a face e, ao reaprender os hábitos da liberdade, criam novas instituições, relacionamentos e organizações.

Nada disso pode ocorrer num ambiente de violência policial e política contra manifestações democráticas e pacíficas. Como indagou Berthold Brecht, após a brutal repressão dos comunistas alemães orientais, em junho de 1952, “não seria mais fácil…para o governo dissolver o povo e eleger um outro?”. Por toda a parte nos Estados Unidos, e em muitos outros países, líderes supostamente democráticos parecem estar considerando seriamente a irônica pergunta de Brecht.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

‘Ocupar Wall Street’ fecha porto nos EUA

Fonte: Gabriel Bueno, da Agência Estado

 

Pelo Porto de Oakland, passam 59% do comércio entre EUA e Ásia 

OAKLAND – Manifestantes mascarados e policiais entraram em confronto na madrugada desta quinta-feira, 3, em Oakland, na Califórnia, após um dia de protestos que fazem parte do movimento “Ocupar Wall Street” que levaram ao fechamento de um dos mais importantes portos dos Estados Unidos. As manifestações estavam em geral pacíficas até cerca da meia-noite (hora local), quando dezenas de manifestantes no centro da cidade começaram a atirar pedras e garrafas, ocupar prédios vazios e erguer barricadas.

A polícia antidistúrbio avançou e jogou gás lacrimogêneo. Os manifestantes violentos pareciam ser uma dissidência do movimento “Ocupar Wall Street”, que está acampado perto da sede da prefeitura de Oakland. Vários manifestantes foram ao local dos confrontos pedir calma.

Pelo Porto de Oakland, passam 59% do comércio entre EUA e Ásia. O porto mandou os empregados para casa no início da quarta-feira, após centenas de manifestantes cercarem as docas. A operadora do porto informou em comunicado na noite de quarta-feira que as operações estão na prática paralisadas e só serão retomadas quando houver segurança para isso.

Durante o dia, milhares de pessoas marcharam no centro da cidade em apoio a uma greve, convocada após a polícia disparar gás lacrimogêneo para retirar manifestantes de uma área, na semana passada, em uma operação que feriu uma pessoa. A imprensa local informou que dois manifestantes foram atingidos por um carro e hospitalizados.

O porto é responsável por US$ 39 bilhões em importações e exportações por ano e pelo emprego de dezenas de milhares de pessoas na área. Autoridades disseram esperar que o trabalho seja retomado nesta quinta-feira. As informações são da Dow Jones.

 

 

 

Bolsões de pobreza crescem nos EUA, aponta estudo

Fonte: DA REUTERS, EM WASHINGTON  / ESTADÃO.COM

A pobreza se agravou na última década em muitos bairros de cidades do centro-oeste e sul dos Estados Unidos, ameaçando as escolas, a segurança e a saúde pública, e aumentando os gastos dos governos locais, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira.

A Brookings Institution, entidade de pesquisas independente, concluiu que as populações em bairros de pobreza extrema aumentaram em pelo menos um terço nos últimos dez anos.

Pelo menos 40% dos indivíduos nessas áreas vivem abaixo da linha de pobreza definida pelo governo federal dos EUA, o que significa uma renda anual de US$ 22.134 para uma família de quatro pessoas.

O maior crescimento da pobreza aconteceu no centro-oeste. Mas a cidade com a maior concentração de pobres no país é McAllen, no Texas, ao sul, onde mais de um terço dos habitantes são considerados pobres. El Paso, também no Texas, e Memphis, no Tennessee, aparecem em seguida nessa lista.

“Ao invés de se distribuírem de maneira uniforme, os pobres tendem a se agrupar e concentrar em certos bairros ou grupos de bairros dentro de uma comunidade”, disse a Brookings.

“Bairros muito pobres enfrentam todo um conjunto de desafios que advêm da desvantagem concentrada — de taxas de criminalidade mais elevadas e piores resultados na saúde a oportunidades educacionais mais reduzidas e redes de empregos mais fracas.”

Segundo o relatório, que se baseia em dados do Censo de 2000 e de pesquisas domiciliares por amostragem feitas de 2005 a 2009, “o crescimento da pobreza causada pela recessão no final da década de 2000 aumentou ainda mais a concentração de indivíduos pobres em bairros de pobreza extrema”.

Ainda segundo a pesquisa, quase 6,5 milhões de crianças viviam em 2009 em lares com rendimento inferior à metade do limite oficial da pobreza. O sul dos EUA respondeu por quase metade do aumento da pobreza extrema no país.

“Em 2009, as pessoas na pobreza extrema eram o grupo de renda que mais crescia”, disse Steve Suits, vice-presidente da Fundação Sulista da Educação.

Recentemente, o Departamento do Censo informou que o número de pobres cresceu em quase todos os Estados dos EUA em 2010. A Brookings relatou que cerca de 40% dos pobres vivem fora das grandes cidades, o que mostra que a pobreza está se estendendo para os subúrbios, tradicionais redutos da classe média nos EUA.

O negros americanos continuam sendo o grupo mais expressivo nos bairros de pobreza extrema, mas desde 2000 cresceu a presença nessas áreas de anglo-saxões brancos, ao mesmo tempo em que diminuiu o percentual de latinos, segundo a Brookings.