Resumo da Semana


Frustração leva americanos comuns a se candidatarem à Presidência

Publicado em 18/11/2011 por portaldaeconomia

Fonte:

Lista com quase 300 nomes traz dezenas desconhecidos, a maioria independentes ou filiados a partidos menores.

Em um momento em que pesquisas de opinião mostram mais e mais americanos frustrados com os rumos do país e com os políticos tradicionais, cidadãos comuns estão se inscrevendo para disputar a Presidência dos Estados Unidos.

 Até a noite desta quinta-feira, 283 pessoas haviam apresentado sua candidatura para a eleição presidencial de 6 de novembro de 2012, segundo a Comissão Eleitoral Federal (FEC, na sigla em inglês).

 Ao lado do presidente Barack Obama, que busca a reeleição, e de políticos tradicionais, como o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, líder das pesquisas de intenção de voto do Partido Republicano até agora, a lista traz os nomes de dezenas de desconhecidos, a maioria independentes ou filiados a partidos menores.

 O número alto de candidatos não é novidade, e a tendência se repete a cada eleição. A maioria não irá adiante na disputa e nunca terá seu nome inscrito na cédula de votação, uma etapa bem mais difícil do que a apresentação da candidatura, com regras diferentes em cada Estado.

 No entanto, analistas afirmam que a atual crise econômica, a alta taxa de desemprego e a desilusão com os dois partidos principais – Democrata e Republicano – foram os fatores que motivaram muitos dos atuais candidatos a tentar a sorte na corrida pela Casa Branca.

 “Essas pessoas estão de alguma maneira frustradas com os políticos tradicionais, ou não teriam decidido concorrer elas próprias à Presidência”, disse à BBC Brasil Richard Kimball, presidente do projeto Vote Smart, que reúne e distribui informações sobre candidatos políticos nos Estados Unidos.

 “Mas também há um grande número de pessoas que resolvem se candidatar apenas por brincadeira”, afirma.

 Perfil

 Uma leitura mais atenta da relação de candidatos revela, entre muita gente que aparentemente entrou na disputa apenas por diversão, vários exemplos de frustração com os grandes partidos e com a crise econômica.

 “Nós não podemos mais ficar parados e acreditar que um homem ou nosso governo vai fazer algo para trazer as coisas de volta ao normal”, escreve o candidato independente Andre Barnett na página de sua campanha.

 Ex-militar, Barnett se define como “um verdadeiro patriota” e diz ter decidido se candidatar após perceber que as divisões políticas não vão ajudar o país. Ele promete “não ficar parado e assistir a esse grande país continuar a ser liderado pela burocracia corporativa”.

 Os perfis de alguns candidatos também mostram influência do movimento Ocupe Wall Street, que começou há dois meses nas ruas de Nova York e se espalhou pelo país em protestos contra as desigualdades, o desemprego e as grandes corporações.

 “Nós precisamos de uma nova política para os outros 99% da América que não ganha salário de executivo-chefe ou assina cheques gordos para os políticos”, diz Jill Stein, candidata pelo Partido Verde.

 A frase é uma referência a um dos slogans do Ocupe Wall Street, que se define como “os 99%”, em referência ao fato de não pertencer à parcela de 1% dos americanos que controlam a maior parte das riquezas do país.

 Partidos

Além dos independentes, e dos candidatos tradicionais ligados aos democratas ou aos republicanos, a lista traz representantes de diversos partidos menores, como o Verde, o Libertário, ou o Reformista, entre outros. 

As dificuldades que candidatos filiados a esses partidos ou os independentes enfrentam para aparecer na cédula da eleição geral é motivo de discussão no país. 

“Os Estados Unidos são o único país que se diz livre e, ao mesmo tempo, faz o possível para intimidar outros partidos políticos (além do Democrata e do Republicano)”, disse à BBC Brasil o especialista em lei eleitoral Richard Winger, editor da publicação mensal Ballot Access News, que trata do acesso à cédula nas eleições americanas. 

Em um levantamento de todas as eleições presidenciais realizadas nos Estados Unidos desde 1856, Winger diz que nunca houve ano em que a cédula tivesse mais de cinco nomes além do republicano e do democrata.

 Para a votação do ano que vem, Winger diz ter esperanças de ver “três ou quatro” candidatos fortes fora dos dois partidos principais. 

Ele cita Ron Paul, que, segundo rumores, poderia concorrer como independente caso não ganhe a indicação do Partido Republicano. Menciona também os esforços do grupo “Americans Elect”, que propõe um “processo alternativo de nomeação” de um terceiro candidato pela internet e já tem mais de 2 milhões de assinaturas, segundo seu site.

 Winger aposta no impacto que o nível de frustração atual dos americanos terá na eleição de 2012.

“Sempre que a economia vai mal, cresce o interesse por novos partidos e candidatos”, afirma. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Sobe para 300 número de presos em manifestações em Nova York

Publicado em 18/11/2011 por portaldaeconomia

Fonte: DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS / FOLHA.COM

Eduardo Munoz/Reuters

Manifestante do "Ocupe Wall Street" mostra bandeira americana de cima da ponte do Brooklyn

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Nova York na quinta-feira celebrando o aniversário de dois meses do movimento “Ocupe Wall Street” com uma passeata próximo à Bolsa de Nova York. Os protestos terminaram com ao menos 300 detidos pelas forças policiais, segundo dados atualizados divulgados pela imprensa americana nesta sexta-feira.

Em diversos Estados americanos, manifestações semelhantes ocorreram em apoio ao movimento “Ocupe”, cujos acampamentos vêm sendo expulsos de parques e praças pelas autoridades locais, que justificam a ação com motivos de segurança.

O prefeito nova-iorquino, Michael Bloomberg, afirmou que cinco policiais ficaram feridos durante o protesto realizado por manifestantes do movimento, que bloquearam o acesso à Bolsa de Nova York.

Vias de acesso ao centro financeiro estavam bloqueadas desde a manhã de ontem, e a situação ficou pior com protestos realizados nas estações de metrô durante o pico da movimentação da população no transporte público.

O protesto fazia parte de uma “Jornada de Ação Global” anunciada no site occupywallst.org, com manifestações previstas em outras cidades dos Estados Unidos, assim como em Bélgica, Alemanha, Itália, Nigéria, Polônia e Espanha.

Em Nova York, a passeata foi iniciada no Zuccotti Park, onde foram montadas inicialmente as barracas do movimento no sul de Manhattan e de onde os manifestantes foram expulsos pela polícia na madrugada de terça-feira. Mais tarde, a marcha foi para a ponte do Brooklyn, onde pessoas ficaram sentadas para interromper a passagem.

Amontoados contra as barreiras policiais em Wall Street, manifestantes chegaram a brigar com homens vestidos de terno que tentavam de abrir passagem para chegar ao trabalho no distrito financeiro. “Wall Street está fechada!”, bradavam os ativistas de braços dados, bloqueando o acesso à bolsa para protestar contra a cobiça e a corrupção.

Segundo estimativas dos organizadores, 30 mil pessoas participaram dos protestos em Nova York, enquanto que a polícia afirma ter contado 15 mil.

Os protestos anteriores do Ocupe Wall Street foram tensos, mas em sua maioria pacíficos, com a polícia utilizando uma extensa rede de barreiras metálicas para encurralar os manifestantes e impedi-los de chegar à sede de Wall Street. Nesta ocasião, a polícia montada também foi mobilizada nas imediações da bolsa.

DESOCUPAÇÃO

Policiais com capacetes e portando escudos expulsaram manifestantes do movimento, na madrugada de terça-feira, de um parque no distrito financeiro de Nova York, onde estavam acampados há quase dois meses.

Autoridades declararam que a ocupação no parque Zuccotti –que se tornou um mar de barracas, lonas e placas de protesto com centenas de manifestantes dormindo no local– era uma ameaça à saúde e à segurança.

O prefeito da cidade de Nova York, Michael Bloomberg, defendeu a medida para expulsar os manifestantes e destruir sua cidade de barracas.

“Infelizmente, o parque estava se tornando um lugar onde muitas pessoas vieram não para protestar, mas para infringir leis, e em alguns casos, prejudicar os outros. Houve relatos de empresas ameaçadas e reclamações sobre o barulho e as condições sanitárias precárias que têm afetado gravemente a qualidade de vida dos moradores e dos comerciantes nesse bairro próspero”, disse Bloomberg em comunicado.

Os manifestantes montaram o acampamento no parque Zuccotti em 17 de setembro para protestar contra o sistema financeiro que, segundo eles, beneficia as corporações e os ricos. O movimento tem inspirado protestos semelhantes contra a desigualdade econômica em outras cidades, e em alguns casos resultaram em violentos confrontos com a polícia.

 

Ocupe Wall Street: violência policial chama atenção para sistema corrupto

Publicado em 16/11/2011 por portaldaeconomia

Fonte: Laurie Penny Do “Guardian”

Às 4h da manhã em Lower Manhattan, enquanto o que restou do acampamento do movimento Ocupe Wall Street é carregado em compactadores de lixo, alguns manifestantes ainda não desistiram de tentar conquistar a adesão da polícia. Kevin Sheneberger procura atrair um policial do NYPD (Departamento de Polícia de Nova York) para uma discussão séria sobre o papel da polícia em protestos públicos. Então ele vê os policiais colocando a barraca de seu amigo em um caminhão de lixo. Atrás dele uma garota adolescente ergue um cartaz improvisado que diz “NYPD, nós confiávamos em vocês. Vocês deveriam nos proteger!”

É um sentimento que se repete em outros lugares. Em toda a Europa, ao longo de um ano de manifestações, ocupações e atos de desobediência civil, os manifestantes anti-austeridade, que tinham começado por declarar solidariedade com os policiais – vistos como trabalhadores, como eles, cujos empregos e pensões também estão ameaçados -, passaram a expressar ultraje e raiva com a violência do Estado contra manifestantes desarmados. Após a brutalidade policial do mês passado em Oakland e do desmonte sumário do acampamento Ocupe Wall Street, hoje, também os ativistas americanos estão chegando à conclusão de que “a polícia protege os 1%” (os 1% mais ricos da população).

A noção de que a polícia existe para proteger uma elite rica contra o resto da população não é novidade para os manifestantes de origem pobre ou de minorias étnicas, muitos dos quais convivem há anos com a intimidação em suas comunidades. Mas, para pessoas de origens mais privilegiadas, o primeiro spray de pimenta no rosto traz uma lição importante sobre a natureza da relação entre o Estado e os cidadãos no Ocidente. “Para quem vocês trabalham?” gritou um manifestante em Manhattan, enquanto a polícia colocava manifestantes detidos em uma viatura. “Vocês trabalham para o banco JP Morgan!”

Em tempos de crise econômica e democrática, faz sentido que governos enfraquecidos recorram à violência policial e à ameaça de prisão para pressionar cidadãos, forçando-os a entrar na linha. No contexto de protestos, contudo, o assédio policial tem três outros efeitos importantes. O primeiro e mais importante deles é a conscientização.

A visão de policiais espancando e tratando com violência civis desarmados cujo crime foi apenas ficar sentados na calçada, reivindicando um mundo mais justo, mostra para o público e para os manifestantes qual é o objetivo da luta. O segundo efeito é a dinamização: os ataques contra manifestantes pacíficos raramente fazem a polícia ou o governo parecerem qualquer coisa senão fracos e covardes, tendendo, portanto, a aumentar o apoio público à desobediência civil. “Agora esta coisa vai explodir”, me diz Katie, 26 anos, enquanto assistimos a manifestantes serem retirados do parque Zuccotti, um a um. “Eles não se deram conta do que desencadearam.”

Combater a polícia pode focalizar a energia de um movimento, mas também pode drenar essa energia. No Reino Unido, um ano de detenções e repressão forte deixaram os manifestantes que protestam contra os cortes governamentais debilitados e reduzidos em número. Para o movimento americano, confrontado com a brutalidade policial, o desafio será lembrar-se de seu objetivo. “Esse é o objetivo todo da resistência violenta”, disse Sheneberger. “Ela expõe a corrupção do poder que está resistindo a você.”

Tradução de Clara Allain

 

  ZUCCOTTI PARK INVADIDO. ACAMPAMENTO OCCUPY WALL STREET NÃO EXISTE MAIS. “MANIFESTANTES PODEM OCUPAR O PARQUE SÓ COM O PODER DE SEUS ARGUMENTOS,” DIZ BLOOMBERG.

Publicado em 15/11/2011 por portaldaeconomia

Nova York/ Reuters – Estadão

Cerca de 200 manifestantes tentam reocupar o parque, munidos de uma ordem judicial, mas as barricadas policiais continuam a isolar o local.

Comandante Ray Kelly: 200 presos dentro e fora do parque, de madrugada.
O Prefeito Michael Bloomberg dá coletiva e afirma que a decisão de desmontar o acampamento foi “minha e só minha.” Ele disse que a reabertura do parque, prevista para esta manhã, foi adiada, por causa de uma moção judicial em curso.

“Infelizmente, o parque de tornou um local não de protesto, mas de violação da lei,” disse Bloomberg, mas ressaltou que a maioria dos manifestantes eram pessoas pacíficas. “Agora, os manifestantes vão ter que ocupar o parque com o poder de seus argumentos,” disse Bloomberg, explicando que barracas e sacos de dormir não serão tolerados.

Operação Surpresa

A operação policial começou pouco depois de 1 da manhã, 4, hora de São Paulo.

Ouça o primeiro boletim da rádio Estadão ESPN sobre a operação.

Centenas de policiais cercaram a praça, fecharam as ruas de acesso e inundaram o acampamento com a luz de holofotes.

O comandante da polícia de Nova York, Ray Kelly, observou a operação. Um policial passou com um megafone dizendo que os manifestantes teriam direito de retirar seus pertences. Tudo o que estivesse no parque seria jogado fora. Havia cerca de 200 pessoas dormindo no parque quando a operação começou. Um grupo saiu carregando sacos de dormir e objetos de valor  mas várias pessoas que tentaram voltar para buscar mais pertences foram impedidas de voltar.

Um grupo de cerca de 100 pessoas se reuniu no centro da praça, onde ficava a cozinha e a despensa de mantimentos. Tentaram erguer uma barreira e se acorrentaram uns aos outros e às árvores. A polícia levou um por um, com algemas de plástico. O porta-voz da polícia nova-iorquina, Paul Browne, disse que 70 pessoas foram presas.

A operação de limpeza demorou um pouco mais de 3 horas. Alertadas pela mídia social durante a noite, centenas de pessoas correram para a área do parque mas não puderam se aproximar. Um helicóptero da rede CBS chegou a sobrevoar o parque com câmeras mas o espaço aéreo sobre a área, no sul de Manhattan, foi fechado.

O Prefeito de Nova York anunciou a operação pelo Twitter à 1:19 da manhã, horário local: “Ocupantes de Zuccotti devem deixar a área temporariamente, remover barracas e coberturas de plástico. Os manifestantes podem retornar depois que o parque estiver limpo.”

Pouco depois das 7 da manhã, centenas de pessoas tentam começar uma nova marcha que pode fechar o tráfego na Brodway, próximo a Wall Street. O parque está completamente vazio e já foi lavado com mangueiras. A empresa imibiliária Brookfield Properties, responsável pela manutenção do Zuccotti Park, cujo terreno é público, pode reabrir o parque às 8 da manhã, 11 em Brasília.

Uma enfermeira que estava na barraca de assistência médica do parque como voluntária, disse a uma estação de rádio nova-iorquina que a ocupação pela policia foi muito abrupta e todos os suprimentos médicos foram destruídos.

 Fim do Acampamento, Protesto Continua

A operação de surpresa que desmontou a pequena cidade de barracas no Zuccotti Park, pouco menos de 2 meses depois do início do protesto que se espalhou por cidades em dezenas de países priva o movimento Ocupem Wall Street de um símbolo poderoso. Afinal, o parque fica próximo ao centro financeiro americano, em Wall Street.

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Imagens ao vivo eram transmitidas do Zuccotti Park (Foto Lúcia Guimarães)

Mas, com a proximidade do inverno, os manifestantes começaram a erguer barracas mais sólidas, como as usadas por militares americanos.  O terreno do parque de 3 mil metros quadrados foi sendo tomado a ponto de dificultar as inúmeras assembleias diárias. Organizadores do acampamento alugaram um escritório na área com linhas de telefone fixo. O Occuppy Wall Street arrecadou mais de meio milhão de dólares em doações e divulgou seu primeiro relatório financeiro em outubro, prometendo manter a transparência sobre o uso dos fundos.

Tea Party e “Ocupe Wall Street” mostram polarização nos EUA

Publicado em 07/11/2011 por portaldaeconomia

Fonte: DA BBC BRASIL – ESTADÃO.COM 

A um ano da eleição presidencial de 6 de novembro de 2012, o presidente Barack Obama e seus adversários republicanos que buscam a indicação do partido para concorrer à Presidência dos Estados Unidos enfrentam um ambiente cada vez mais polarizado e com profundas divisões ideológicas, no qual movimentos como o Tea Party, à direita, e o “Ocupe Wall Street”, à esquerda, vêm ganhando destaque.

As eleições americanas tradicionalmente concentram todas as atenções nos candidatos democrata e republicano, com suas gigantescas máquinas eleitorais, campanhas publicitárias, debates e batalhas por Estados-chave.

Mas em 2012, o presidente Barack Obama e seu adversário republicano terão ainda de lidar com a maciça presença de protestos organizados por movimentos que nenhum dos dois lados pode controlar.

Tanto o Tea Party, que reúne diversos grupos conservadores, como os protestos contra a desigualdade, o desemprego e as grandes corporações iniciados com o “Ocupe Wall Street”, em Nova York, e espalhados por todo o país, têm em comum o descontentamento com a situação política e econômica do país e devem ter impacto na votação do próximo ano, apesar de ambos recusarem as comparações.

INCÓGNITA

Mas se o Tea Party já mostrou sua força nas eleições legislativas do ano passado, quando elegeu vários de seus candidatos, e há pré-candidatos republicanos abertamente identificados com o movimento, como Michele Bachmann, a força dos protestos inspirados no “Ocupe Wall Street”, surgido há menos de dois meses, ainda precisa ser testada.

Os participantes dos protestos do “Ocupe Wall Street” têm perfil variado e rejeitam qualquer ligação com o Partido Democrata, mas o crescimento do movimento e, principalmente, a simpatia do público americano por sua mensagem de frustração, fazem com que seja observado com atenção por ambos os partidos.

“Enquanto o Tea Party serviu de combustível para o entusiasmo do Partido Republicano nas eleições de 2010, ainda não há prova de que os manifestantes do “Ocupe Wall Street” farão o mesmo pelos democratas”, dizem os analistas Aaron Blake e Chris Cillizza, do jornal “Washington Post”.

“Dito isso, o movimento (“Ocupe Wall Street”) pode favorecer significativamente os democratas”, afirmam, ao observar que ainda é preciso saber se o movimento vai motivar os até agora pouco empolgados eleitores identificados com a esquerda a votar.

INSATISFAÇÃO

Diversas pesquisas mostram que a principal preocupação dos eleitores americanos é a economia, em um momento em que o país cresce em um ritmo considerado lento demais para baixar a taxa de desemprego — atualmente em 9%, patamar mantido há dois anos – e em que há o temor de uma nova recessão.

Uma pesquisa divulgada neste domingo pelo Washington Post e pela rede de TVABC News revela que a insatisfação com o governo atingiu níveis recordes.

Nesse cenário, analistas já afirmam que esta será a reeleição mais difícil de um presidente americano desde 1992, quando Bill Clinton tirou George Bush pai da Casa Branca.

Obama tenta evitar o mesmo destino de Bush, Gerald Ford ou Jimmy Carter, integrantes da temida lista de presidentes americanos de um só mandato, mas os problemas com a economia americana são um desafio em sua campanha.

A mesma pesquisa do “Washington Post” e da ABC, conduzida pelo instituto Langer Research Associates, revela que apenas 13% dos americanos dizem que suas vidas estão melhores agora do que antes de Obama assumir o governo.

REPUBLICANOS

Apesar da popularidade em baixa e dos problemas da economia, Obama ainda aparece com boas chances nas pesquisas, quando confrontado com os principais candidatos à indicação do Partido Republicano para concorrer no pleito de 2012.

No levantamento do Post e da ABC, Obama aparece tecnicamente empatado com o favorito Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e com o azarão Herman Cain, empresário recentemente envolvido em uma polêmica de acusações de assédio sexual, mas ainda assim dividindo a liderança nas pesquisas.

O descontentamento dos americanos se estende também ao Congresso.

De acordo com diferentes pesquisas, tanto Obama e seu Partido Democrata como os republicanos perderam pontos com o público americano depois do embate para aprovar a elevação do teto da dívida pública, que quase levou o país ao calote no meio do ano.

Nesse cenário, muitos analistas afirmam que nenhum dos pré-candidatos republicanos até agora tem demonstrado força suficiente para empolgar os eleitores do partido.

No entanto, a situação ainda pode mudar, já que as primárias para escolher o adversário de Obama na votação de 6 de novembro de 2012 começam apenas em janeiro.

VISÃO GLOBAL: Políticos fartos de democracia, polícia contra o povo

Publicado em 04/11/2011 por portaldaeconomia

Fonte: Por Naomi Wolf, do Project Syndicate

As forças de segurança vêm reprimindo com violência alguns protestos nos EUA, como no restante do mundo

Ao que parece, os políticos estão fartos da democracia. Por todo os EUA, a polícia, atuando sob as ordens das autoridades locais, vem pondo fim aos acampamentos montados pelos manifestantes do movimento Ocupe Wall Street. Às vezes com uma violência escandalosa e totalmente gratuita.

No pior incidente até agora, tropas de choque cercaram o acampamento dos integrantes do movimento em Oakland e dispararam balas de borracha (que podem ser fatais), bombas de efeito moral e granadas de gás lacrimogêneo, com alguns policiais investindo diretamente contra os manifestantes. No canal do Twitter do Ocupe Oakland surgiu uma notícia como se fosse sobre Praça Tahrir do Cairo “eles estão nos cercando; centenas e centenas de policiais; há veículos blindados e tanques”. Foram presas 170 pessoas.

Minha recente prisão, embora eu tenha obedecido as exigências contidas na autorização e realizado um protesto pacífico numa rua em Manhattan, trouxe a realidade da repressão bem próxima de nós. Os Estados Unidos estão acordando para o que foi criado enquanto dormiam: empresas privadas contrataram sua polícia (a JP Morgan doou US$ 4,6 milhões para a Fundação da Polícia da Cidade de Nova York); e o Departamento Federal de Segurança Interna forneceu às forças policiais municipais armas de padrão militar. Os direitos à liberdade de expressão e de reunião do cidadão foram prejudicados sorrateiramente por critérios opacos para obter as autorizações.

Repentinamente, os EUA assemelham-se ao restante do mundo que não é completamente livre, está furioso e protesta. De fato, muitos comentaristas não conseguiram entender completamente que uma guerra mundial está ocorrendo, mas que esse conflito é diferente de qualquer outro na História da humanidade. Pela primeira vez, as pessoas no mundo todo não estão se identificando e se organizando com base em posições religiosas ou nacionais, mas em termos de consciência global e as demandas são de uma vida pacífica, um futuro sustentável, justiça econômica e democracia. Seu inimigo é a “corporatocracia” que comprou governos e parlamentos, criou suas forças armadas, engajou-se numa fraude econômica sistêmica e saqueou ecossistemas e tesouros.

Em todo o mundo, os manifestantes pacíficos são satanizados como desordeiros. Mas a democracia é desordeira. Martin Luther King afirmou que a desordem pacífica é saudável, pois expõe a injustiça sepultada, que pode, então, ser restaurada. O ideal é que os manifestantes se dediquem a uma desordem disciplinada, não violenta, com esse espírito – especialmente a desordem do trânsito, que serve para manter os provocadores à distância e ao mesmo tempo deixar clara a militarização injusta da resposta policial.

Além disso, movimentos de protesto não têm sucesso em horas ou dias; manifestações geralmente implicam sentar num lugar ou “ocupar” áreas por longos períodos. Esta é uma razão pela qual os manifestantes devem arrecadar seu dinheiro e contratar seus advogados. O mundo corporativo está aterrorizado com a possibilidade de os cidadãos reivindicarem o Estado de direito. Em todos os países os manifestantes devem responder com um exército de advogados.

Comunicação. Eles devem criar a própria mídia, em vez de depender de agências de notícias tradicionais para cobrir seus protestos. Devem manter blogs, tuitar, escrever editoriais e comunicados de imprensa, assim como registrar e documentar casos de abusos da polícia.

Infelizmente, existem muitos casos documentados de provocadores violentos infiltrando-se nas manifestações em locais como Toronto, Pittsburgh, Londres e Atenas – pessoas que, segundo me disse um grego, são “desconhecidos conhecidos”. Os provocadores também devem ser fotografados e registrados e por isso é importante não cobrir o rosto durante um protesto.

Os manifestantes nas democracias têm de criar listas de e-mail locais, combinar suas listas com as nacionais e começar a registrar os eleitores. Devem dizer a seus representantes quantos eleitores registraram em cada distrito e devem se organizar para destituir políticos que são brutais ou agressivos. E precisam apoiar aqueles – como em Albany e Nova York, por exemplo, onde a polícia e o Ministério Público locais recusaram-se a reprimir com brutalidade os manifestantes – que respeitam os direitos de liberdade de expressão e de reunião.

Muitos manifestantes insistem em continuar sem uma liderança, o que é um erro. Um líder não tem de se colocar no topo de uma hierarquia: pode ser um simples representante. Eles devem eleger representantes com um “mandato” limitado, como em qualquer democracia, e treinar essas pessoas para conversar com a imprensa e negociar com políticos.

Os protestos devem ser o modelo da sociedade civil que se pretende criar. No Parque Zuccotti, em Manhattan, por exemplo, há uma biblioteca e uma cozinha; o alimento é doado; as crianças são convidadas a passar a noite ali; e aulas são organizadas. Músicos trazem seus instrumentos e a atmosfera deve ser alegre e positiva. Os manifestantes devem procurar manter a limpeza. A ideia é criar uma nova cidade dentro de uma cidade corrompida e mostrar que ela reflete o desejo da maioria e não de uma camada destrutiva e marginal.

Afinal, o que há de mais profundo no caso dos movimentos de protesto não são as demandas, mas sim a infraestrutura nascente de uma humanidade comum. Por décadas o que se tem dito aos cidadãos é que se deve manter a cabeça baixa – seja num mundo de fantasia consumista ou na pobreza e na labuta – e deixar a liderança para as elites. O protesto é transformador precisamente porque as pessoas emergem, encontram-se face a face e, ao reaprender os hábitos da liberdade, criam novas instituições, relacionamentos e organizações.

Nada disso pode ocorrer num ambiente de violência policial e política contra manifestações democráticas e pacíficas. Como indagou Berthold Brecht, após a brutal repressão dos comunistas alemães orientais, em junho de 1952, “não seria mais fácil…para o governo dissolver o povo e eleger um outro?”. Por toda a parte nos Estados Unidos, e em muitos outros países, líderes supostamente democráticos parecem estar considerando seriamente a irônica pergunta de Brecht.

Tradução de Terezinha Martino 

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