Economia fica estagnada no terceiro trimestre, aponta IBGE

FONTE: DENISE LUNA, PEDRO SOARES – FOLHA  – RIO


Os juros maiores em vigor até agosto e o agravamento da crise global ditaram os rumos da economia brasileira no terceiro trimestre, período no qual o PIB (Produto Interno Bruto) ficou estagnado frente ao segundo trimestre, na comparação livre de influências sazonais, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística).

O PIB, em valores correntes, chegou a R$ 1,05 trilhão no período.

Na comparação com terceiro trimestre de 2010, porém, a economia cresceu 2,1% em relação ao mesmo período de 2010.

Com o resultado, o PIB do país acumula alta de 3,2% nos três primeiros trimestres do ano e de 3,7% nos últimos 12 meses (quatro trimestres).

Setor mais sujeito a oscilações e com maior conexão com o exterior, a indústria sofreu mais o baque da crise e registrou queda de 0,9% na comparação com o segundo trimestre. Já o setor de serviços teve queda de 0,3%, e agropecuária subiu 3,2%.

O consumo das famílias, por sua vez, caiu pela primeira vez desde o quarto trimestre de 2008, segundo a economista do IBGE, Rebeca Palis. “O índice cedeu 0,1% na comparação de um trimestre para outro, mas cresceu 2,8% na comparação anual (contra o terceiro trimestre de 2010) e acumula no ano alta de 4,8%”, relata Rebeca.

Os investimentos (medidos pela formação bruta de capital fixo), por sua vez, caíram 0,2% na esteira da menor confiança de empresários diante da crise. Já o consumo do governo registro queda de 0,7%.

As exportações subiram 1,8%, e as importações declinaram 0,4%.

O setor que mais cresceu foi a agropecuária, com a queda de produção do trigo, cana de açucar e café mais do que compensados pela expectativa de alta das safras da mandicoca, feijão e laranja, de 7,3%, 6,1% e 3,1%, respectivamente, na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. A agropecuária subiu 6,9% no terceiro trimestre ante igual período de 2010.

A construção civil teve incremento de 3,8% no terceiro trimestre na comparação anual, impoulsionada pelos programas do governo como “Minha Casa, Minha Vida”, Copa e PAC (Programa de Aceleação do Crescimento), ajudando a manter positivo o PIB da indústria, que cresceu apenas 1% no mesmo período.

A indústria de transformação contribuiu negativamente e teve queda de 0,6%, com destaque para o fraco desempenho na fabricação de automóveis, têxteis, vestuário e calçados e produtos químicos.

De janeiro a setembro, indústria, serviços e agropecuária acumulam altas de 2,3%, 3,2% e 2,8%, respectivamente. Já o consumo das famílias, os investimentos e o consumo do governo registram alta de 4,8%, 5,7% e 2,2%, respectivamente.

REVISÕES 2010

Rebeca Palis, economista do IBGE, afirma que os dados do PIB de 2010 praticamente não mudaram. A economia no ano cresceu 7,5%, agropecuária sofreu leve revisão de 6,5% para 6,3%, a indústria subiu de 10,1% para 10,4% e serviços de 5,4% para 5,5%.

A despesa de consumo de famílias era 7% agora 6,9%; despesa e consumo do governo subiu de 3,2% para 4,2%

 

ESTÍMULO

Na semana passada, o ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou um pacote de medidas para estimular o crescimento da economia brasileira, fortalecendo a demanda interna e tentando descolar a atividade econômica das influências internacionais.

Entre as ações está a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industralizados) sobre os chamados produtos de linha branca, como fogão e geladeira.

Outra medida anunciada pelo ministro foi o aumento do teto de financiamentos de casas do “Minha Casa, Minha Vida” com pagamento de tributo menor. Atualmente, casas de até R$ 75 mil pagam apenas 1% relativo a Imposto de Renda e PIS/Cofins. Agora, o teto passará para R$ 85 mil.

“Este ano tivemos alguma desaceleração e estamos dando uma aquecida na economia, agora que a inflação esta sob controle, de modo que possamos entrar 2012 com a economia acelerando, com crescimento alto, de 4,5% a 5%”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista coletiva. “Vamos continuar estimulando o investimento.”

Foi reduzida ainda a alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incidente sobre operações de crédito para pessoa física, como financiamentos de automóveis e cheque especial. A alíquota passou de 3% para 2,5% ao ano.

Foram zeradas também alíquotas que incidiam sobre o investimento externo em ações. Era cobrado 2% sobre as compras de ações por estrangeiros, que agora não pagarão mais o IOF. Em títulos privados com mais de 4 anos os estrangeiros também pagavam 6%, e agora não haverá mais a cobrança.

As medidas também têm como objetivo facilitar, por meio do mercado de capitais interno, o financiamento de empresas brasileiras que estão com dificuldade para captar no exterior. Mantega disse ainda o governo pode decidir por novos estímulos para evitar que a economia desaqueça.


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