Zona do euro poderá ter década perdida, diz Lagarde

Diretora-gerente do FMI defendeu ação rápida e coletiva contra crise.  Christine Lagarde falou à Globo News nesta sexta-feira.

Fonte:  Ligia Guimarães G1.COM- São Paulo

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em entrevista à Globo News nesta sexta (Foto: Reprodução)

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse nesta sexta-feira (2) que a zona do euro poderá ter uma década perdida caso não seja tomada uma ação rápida e coletiva para combater a crise da dívida.

Lagarde esteve na sede paulista da Rede Globo nesta sexta, em São Paulo, onde gravou participação no programa “Globo News Painel”, e falou a uma plateia de convidados.

A entrevista da diretora do FMI vai ao ar na Globo News, no programa Globo News Painel, neste sábado (3), às 23h.

Pressão dos mercados
Na visão de Lagarde, a demora para se chegar a uma solução é parte do processo democrático, mas já há forte pressão dos mercados, para quem, na avaliação de Lagarde, “não faz diferença emprestar à Grécia ou à Alemanha.

“Se não houver uma solução rápida e abrangente e coletiva, logo a zona do euro e não sou eu a dizer isso, corre o risco de ter uma década perdida. (…)que a avaliação do mercado é de que a zona do euro e uma zona economia também, não faz diferença emprestar à Grécia e à Alemanha.

‘Não vimos a crise se formando’
Lagarde disse que, assim como “praticamente todos” os órgãos internacionais do mundo, o FMI falhou em prever a crise de 2008, cujo marco inicial foi a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers.

“Nós, assim como muitos outros, falhamos em reconhecer a crise precocemente. Não me conforta o fato de que praticamente todos não anteciparam, apenas um ou outro economista no mundo. (…) Nós não vimos a crise que estava se formando”, disse a diretora.

Lagarde destacou pontos positivos da postura do FMI no reconhecimento, ainda que tardio, da crise. “Fomos honestos o suficiente para reconhecer, e buscamos pessoas que têm a tendência a criticar para que dissessem a nós o que fizemos de errado, pedimos que nos apontassem por que não vimos a crise chegar. Fizemos um relatório que ‘levantou a pele’ do FMI e o levamos a público, nos arriscamos. Muitos outros não fizeram isso”.

Risco de contágio é uma coisa concreta
Lagarde destacou a posição atuante do FMI no combate à crise citando os exemplos de Itália, Portugal e Grécia, que atualmente estão sob programas do Fundo.

“Dois desses três estão procedendo conforme o plano; o caso da Grécia é muito mais complicado do que pensávamos inicialmente. O risco de contágio (para outros países europeus) que todos temiam agora é uma coisa concreta”. Para Lagarde, a dificuldade que países como a Alemanha têm enfrentado nos leilões de títulos é uma evidência de como a crise se estendeu.

Sobre a situação do Brasil na crise, Lagarde elogiou as políticas tomadas pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e citou o alto volume das reservas brasileiras como um dos pontos fortes do país contra a crise.

“Não acho que qualquer país possa ficar imune se a crise crescer e não for tratada, mas acredito que o Brasil está em situação melhor do que outros”, na opinião de Lagarde, o país já enfrentou uma crise de forma bem-sucedida e está habilitado a resistir a choques.

Questionada sobre se os líderes europeus não deveriam se preocupar mais em resolver a crise da dívida imediata do que em discutir como evitar que o problema volte a ocorrer no futuro, Lagarde disse acreditar que é importante tratar das três questões.

“Não se pode concentrar energia em um dos pontos. Concordo que a dívida deva ser a prioridade, mas depende também do que se faz em termos de consolidação fiscal e estimulo à economia (…). E também medidas que permitam o crescimento, porque sem crescimento é muito difícil resolver a dívida”, afirmou.

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