Tea Party e “Ocupe Wall Street” mostram polarização nos EUA

Fonte: DA BBC BRASIL – ESTADÃO.COM 

A um ano da eleição presidencial de 6 de novembro de 2012, o presidente Barack Obama e seus adversários republicanos que buscam a indicação do partido para concorrer à Presidência dos Estados Unidos enfrentam um ambiente cada vez mais polarizado e com profundas divisões ideológicas, no qual movimentos como o Tea Party, à direita, e o “Ocupe Wall Street”, à esquerda, vêm ganhando destaque.

As eleições americanas tradicionalmente concentram todas as atenções nos candidatos democrata e republicano, com suas gigantescas máquinas eleitorais, campanhas publicitárias, debates e batalhas por Estados-chave.

Mas em 2012, o presidente Barack Obama e seu adversário republicano terão ainda de lidar com a maciça presença de protestos organizados por movimentos que nenhum dos dois lados pode controlar.

Tanto o Tea Party, que reúne diversos grupos conservadores, como os protestos contra a desigualdade, o desemprego e as grandes corporações iniciados com o “Ocupe Wall Street”, em Nova York, e espalhados por todo o país, têm em comum o descontentamento com a situação política e econômica do país e devem ter impacto na votação do próximo ano, apesar de ambos recusarem as comparações.

INCÓGNITA

Mas se o Tea Party já mostrou sua força nas eleições legislativas do ano passado, quando elegeu vários de seus candidatos, e há pré-candidatos republicanos abertamente identificados com o movimento, como Michele Bachmann, a força dos protestos inspirados no “Ocupe Wall Street”, surgido há menos de dois meses, ainda precisa ser testada.

Os participantes dos protestos do “Ocupe Wall Street” têm perfil variado e rejeitam qualquer ligação com o Partido Democrata, mas o crescimento do movimento e, principalmente, a simpatia do público americano por sua mensagem de frustração, fazem com que seja observado com atenção por ambos os partidos.

“Enquanto o Tea Party serviu de combustível para o entusiasmo do Partido Republicano nas eleições de 2010, ainda não há prova de que os manifestantes do “Ocupe Wall Street” farão o mesmo pelos democratas”, dizem os analistas Aaron Blake e Chris Cillizza, do jornal “Washington Post”.

“Dito isso, o movimento (“Ocupe Wall Street”) pode favorecer significativamente os democratas”, afirmam, ao observar que ainda é preciso saber se o movimento vai motivar os até agora pouco empolgados eleitores identificados com a esquerda a votar.

INSATISFAÇÃO

Diversas pesquisas mostram que a principal preocupação dos eleitores americanos é a economia, em um momento em que o país cresce em um ritmo considerado lento demais para baixar a taxa de desemprego — atualmente em 9%, patamar mantido há dois anos – e em que há o temor de uma nova recessão.

Uma pesquisa divulgada neste domingo pelo Washington Post e pela rede de TVABC News revela que a insatisfação com o governo atingiu níveis recordes.

Nesse cenário, analistas já afirmam que esta será a reeleição mais difícil de um presidente americano desde 1992, quando Bill Clinton tirou George Bush pai da Casa Branca.

Obama tenta evitar o mesmo destino de Bush, Gerald Ford ou Jimmy Carter, integrantes da temida lista de presidentes americanos de um só mandato, mas os problemas com a economia americana são um desafio em sua campanha.

A mesma pesquisa do “Washington Post” e da ABC, conduzida pelo instituto Langer Research Associates, revela que apenas 13% dos americanos dizem que suas vidas estão melhores agora do que antes de Obama assumir o governo.

REPUBLICANOS

Apesar da popularidade em baixa e dos problemas da economia, Obama ainda aparece com boas chances nas pesquisas, quando confrontado com os principais candidatos à indicação do Partido Republicano para concorrer no pleito de 2012.

No levantamento do Post e da ABC, Obama aparece tecnicamente empatado com o favorito Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e com o azarão Herman Cain, empresário recentemente envolvido em uma polêmica de acusações de assédio sexual, mas ainda assim dividindo a liderança nas pesquisas.

O descontentamento dos americanos se estende também ao Congresso.

De acordo com diferentes pesquisas, tanto Obama e seu Partido Democrata como os republicanos perderam pontos com o público americano depois do embate para aprovar a elevação do teto da dívida pública, que quase levou o país ao calote no meio do ano.

Nesse cenário, muitos analistas afirmam que nenhum dos pré-candidatos republicanos até agora tem demonstrado força suficiente para empolgar os eleitores do partido.

No entanto, a situação ainda pode mudar, já que as primárias para escolher o adversário de Obama na votação de 6 de novembro de 2012 começam apenas em janeiro.

Objeto de desejo e muito caro

Preço alto não impede o crescimento das vendas do iPhone no Brasil, que agora deve ser produzido no País.

Fonte: Filipe Serrano – ESTADÃO.COM / LINK

Menos de um mês após a apresentação do iPhone 4S, o mais recente modelo do smartphone da Apple foi homologado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Agora, o início das vendas no Brasil depende dos detalhes da negociação entre empresa e operadoras. Nenhuma delas disse quando pretende iniciar a venda do telefone ou se ele chega ainda neste ano.
Pela primeira vez, o iPhone deve ter produção local aqui no Brasil. O certificado de homologação cita a unidade brasileira da Foxconn, em Jundiaí (a 60 quilômetros de São Paulo), como um dos dois lugares onde o aparelho é fabricado, além da unidade de Shenzen, na China.

Mas, enquanto as operadoras dos Estados Unidos vendem o telefone da Apple por a partir de US$ 199 (R$ 348) – e o 3GS gratuitamente (leia mais na reportagem abaixo) –, por aqui as empresas ainda não deram sinais de que vão adotar a mesma estratégia de preço baixo ou como a produção local vai reduzir o valor final do aparelho.

iPhone 4S 
EUA: US$ 199
Brasil: sem preço definido

O iPhone 4 é oferecido pelas operadoras brasileiras por preços que variam atualmente entre R$ 899 e R$ 2.159 conforme o plano, o que faz dele um dos aparelhos mais caros da categoria mesmo nos planos pós-pagos, em que as empresas costumam subsidiar o valor dos aparelhos. No caso da Vivo, há um plano especial só para o iPhone – com mensalidade maior – em que o celular tem um preço entre R$ 549 e R$ 1.449.

Na média, o preço do iPhone no Brasil está distante do valor gasto pelos brasileiros por um smartphone. Segundo a Nielsen, os consumidores pagaram em média R$ 569 por um aparelho do tipo no primeiro semestre, 17% a menos do que um ano antes (R$ 687).

Isso não impediu o aumento das vendas. O iPhone representa 10% dos smartphones vendidos no Brasil. Há um ano, ele tinha 5,8%. Seu principal concorrente, o Android, disparou, passando 2,8% para 39.4% e puxou os preços dos smartphones para baixo, com modelos mais em conta.

Para Thiago Moreira, diretor de Telecom da Nielsen Brasil, o impacto da carga tributária no País e os contratos com as operadoras são alguns dos responsáveis pelo preço alto. “A realidade dos mercados é diferente”, diz. “Lá nos EUA eles fizeram um preço agressivo porque têm os contratos com as operadoras. Aqui o iPhone sai nesse valor, mas ainda assim é um objeto de desejo. Você encontra aparelhos Android mais baratos, mas a Apple ainda é uma marca premium.”

Moda no mundo corporativo, coaching chega à periferia

Fonte: G.C. – Estadão.com
Segunda, 06 de Novembro de 2011, 03h08

Cheia de vontade de ajudar, a consultora de carreiras Anna Zaharov chegou em 2009 à ONG Casa do Zezinho, no Capão Redondo. E lá, diante do desafio de inserir jovens de baixa renda no mercado de trabalho, ela fez o que parecia improvável: aproximou o coaching – treinamento comportamental voltado ao sucesso e bem-estar profissional – da periferia.

Há um ano e cinco meses, a especialista (foto) aplica o processo na ONG. “Vi que a referência de profissões dos jovens era pequena. E precisava trabalhar a autoconfiança deles.”

A consultora utilizou, então, o coaching em grupo, diferentemente do que faz em empresas, onde o atendimento é individualizado. “Depois de seis meses, vi que era o mesmo método que usava com executivos”, avalia.

O trabalho, segundo ela, é baseado no psicodrama: Anna propõe vivências aos participantes. “Tenho o objetivo de provocá-los.” A maneira de agir em uma entrevista de emprego é, por exemplo, uma das situações trabalhadas. “A pessoa faz ali o que faria no dia a dia.” A consultora utiliza os exercícios para demonstrar e explicar condutas, além de textos para complementar as atividades.

O jovem Dalton de Assis Pinto, 24 anos, frequentou por seis meses as aulas e diz ter compreendido melhor suas características: “Às vezes, me acomodava demais”. Atrair aos jovens, no entanto, não é fácil. “Eles vão muito para cursos de capoeira e dança de rua. Coaching é mais pesado”, diz Anna, que não desiste: “Tenho que semear isso por muito tempo”.