Entidade pede a Obama fim de visto para Brasil

Fonte: SILVIO CIOFFI, EDITOR DE TURISMO | Folha.com

O fim da obrigatoriedade de visto para brasileiros que viajam aos Estados Unidos está em pauta. Em visita ao Brasil, entre os dias 19 e 20, o presidente Barack Obama pode anunciar tal dispensa, que beneficiaria também os norte-americanos.

Em geral, se a rejeição de vistos recua a níveis inferiores a 5%, o país emissor de turistas para os Estados Unidos entra no Visa Waiver Program, programa que dispensa a necessidade de carimbo no passaporte.

De acordo com números divulgados pela U.S. Travel Association no evento Pow Wow, em maio de 2010, a rejeição de vistos para brasileiros já estava em patamares compatíveis com a dispensa.

E a questão é, antes de tudo, econômica: turistas provenientes do Brasil (890 mil em 2009) gastaram US$ 4,4 bilhões nos EUA. No mesmo período, 13 milhões de mexicanos foram ao país e gastaram um total estimado em US$ 8 bilhões.

Em 2009, ainda segundo dados da U.S. Travel Association, que reúne a indústria do turismo norte-americana, os EUA receberam 54,9 milhões de visitantes estrangeiros.

A lista dos 20 maiores mercados de 2009, incluindo os fronteiriços México e Canadá, colocou o Brasil em 7º lugar. Novos números mostram que, em 2010, 1,2 milhão de brasileiros foi aos EUA (aumento de 35% em relação a 2009).

O que chama a atenção não é o número absoluto de brasileiros nos EUA, mas, sim, o montante dos gastos e o crescimento.

RECIPROCIDADE

Para Luiz de Moura Jr., vice-presidente internacional da U.S. Travel Association, o crescimento do número de turistas brasileiros nos EUA poderia até dobrar se o visto viesse a ser abolido.

Diante da divulgação dos números no Pow Wow, ele disse à Folha que “o caminho deve ser o do entendimento” e que, “graças à reciprocidade, norte-americanos, que enfrentam dificuldades semelhantes para obter visto de entrada no Brasil, seriam beneficiados”.

Moura Jr. divulgou ontem estimativa para 2011, que projeta 17% mais turistas brasileiros nos Estados Unidos (totalizando 1,4 milhão de viajantes).

Os EUA viveram queda de visitantes no período 2008/ 2009. No geral, as cidades norte-americanas mais usadas como portas de entrada foram Nova York, Miami, Los Angeles, Newark (ao lado de Nova York) e Honolulu.

Entre brasileiros, em 2009, as cidades mais visitadas foram Miami, Orlando e Nova York.

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Elevar os juros é um crime contra o Brasil,

Empresário Luiz Aubert Neto afirma que o dólar barato está acabando com a indústria nacional

Luís Artur Nogueira, de

                                                                                                                     Divulgação/Abimaq

Luiz Aubert Neto, da Abimaq: “Eu também queria ter a concessão do minério de ferro”

São Paulo – Uma eventual elevação dos juros pelo Banco Central nesta quarta-feira (3) vai valorizar ainda mais o câmbio e piorar o déficit comercial de vários setores da indústria de transformação. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, que participou do programa “Momento da Economia”, na Rádio EXAME.

“É um crime contra o Brasil. Esse ano, nós vamos gastar R$ 230 bilhões só com os juros da dívida enquanto os gastos com educação e saúde serão apenas um quinto desse valor. Sem falar nos investimentos necessários em infraestrutura. Se o Brasil quiser crescer 5% ao ano, precisa subir a taxa de investimento de 18% para algo entre 23% a 25% do PIB. (…) Nós, no Brasil, estamos dentro de um grande Titanic. O pessoal curte a festa dentro do navio com o dólar barato. Uma hora esse conta chega e a proa desse Titanic está apontada para o iceberg. Se a gente não mudar essa política financeira, esse navio vai bater e afundar.”

Segundo o empresário, o Brasil “está primarizando a economia, pois 80% das exportações são produtos primários”. “Em 2004, 60% das máquinas utilizadas no Brasil eram nacionais. Atualmente, nem 40%. (…) Não é aumentando a taxa Selic em meio ponto que você vai segurar o preço de commodities. É um jogo de interesse muito forte do setor financeiro, que não gera nenhum emprego. Se taxa elevada de juros fosse sinal para segurar inflação, nós já devíamos estar com deflação.”

O presidente da Abimaq afirma que não há inflação de demanda no Brasil. “Você não tem fila para comprar nada. Não há aumento nos preços dos automóveis e das geladeiras. Os eletroeletrônicos estão com preço em queda.” Luiz Auberto Neto sugere que, no lugar da elevação dos juros, o governo aperto o crédito via aumento de compulsórios. “Outra medida é limitar o prazo de financiamentos de carros a 36 meses e com 30% de entrada, e o de eletroeletrônicos a 24 meses. Em 60 dias, dá deflação nesse país sem elevar os juros.”

O ajuste fiscal do governo foi bem recebido pelo setor produtivo como forma de combater a inflação. Em relação ao câmbio valorizado, o empresário diz que “não há ganho de produtividade que compense um câmbio na casa de R$ 1,65.”

“Isso é um crime contra a indústria de transformação. Agora, a indústria ligada à mineração vai bem. A Vale, por exemplo, tem lucro de R$ 30 bilhões em cima de um faturamento de R$ 86 bilhões. Qual é o negócio que dá uma margem dessa? Eu também queria ter a concessão do minério de ferro.”

Na entrevista (para ouvi-la na íntegra, clique na imagem ao lado), Luiz Aubert Neto explica quais medidas deveriam ser adotadas pelo governo para proteger a indústria brasileira e comenta a possibilidade de recriação da CPMF.

Mercado europeu fecha em queda por conflitos na Líbia

Fonte: REUTERS

LONDRES, 2 DE MARÇO – As bolsas de valores da Europa fecharam em baixa nesta quarta-feira, com o aprofundamento dos conflitos na Líbia e tensões crescentes em outros países do mundo árabe fazendo o petróleo alcançar máximas recordes e incentivando o nervosismo entre os investidores de ações.

Temores de que a alta do petróleo possa prejudicar o crescimento econômico fizeram o índice das principais ações europeias FTSEurofirst 300 cair 0,58 por cento, aos 1.155 pontos. O fluxo de capital migrou para ativos de menor risco, como o ouro e o franco suíço. 

A divulgação de dados positivos sobre a geração de emprego nos Estados Unidos ajudou a limitar o declínio após Wall Street abrir em alta, mas preocupações geopolíticas com o Oriente Médio e o norte da África continuavam no foco dos europeus. 

“Os investidores da Europa ainda estão um pouco céticos sobre o mercado, considerando a alta do petróleo, e não estão, portanto, seguindo os EUA”, disse Daron Anyangwe, operador de ações do IG Index. “Você não verá muitos compradores com pressa em meio à persistência das preocupações políticas.” 

Contudo, o mercado pode avançar na quinta-feira se as bolsas norte-americanas fecharem no azul, acrescentou Anyangwe.

O setor automobilístico teve um dos piores desempenhos, perdendo 1,8 por cento. BMW e Daimler caíram mais de 2,7 por cento por receios sobre as vendas na Ásia e a demanda em geral em meio aos preços elevados de petróleo.

 Em LONDRES, o índice Financial Times fechou em baixa de 0,35 por cento, a 5.914 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 0,58 por cento, para 7.181 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 0,81 por cento, para 4.034 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve valorização de 0,05 por cento, para 22.238 pontos. 

Em MADRI, o índice Ibex-35 retrocedeu 1,1 por cento, para 10.643 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 encerrou em queda de 0,18 por cento, para 7.974 pontos.

Petróleo em NY tem alta de mais de 2% e passa novamente dos US$ 100

Por volta das 14h, barril de petróleo comercializado em Londres subia 1,10%, a US$ 117,58

Fonte: Cynthia Decloedt – Agência Estado

LONDRES – Os contratos futuros do petróleo estão sujeitos a grandes variações nesta quarta-feira, 2, devido à incerteza dos investidores sobre os desdobramentos da crise na Líbia. O mercado ainda busca informações mais claras sobre o impacto real das turbulências sobre a exportação do país. Às 14h18 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em abril do petróleo tipo WTI, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), subia 2,49% para US$ 102,10 o barril. Já o contrato com vencimento em abril do petróleo tipo brent avançava 1,10% para US$ 117,58 o barril na plataforma ICE de Londres.

A Agência Internacional de Energia (AIE) aumentou hoje a estimativa sobre a quantidade de petróleo bruto da Líbia que está fora do mercado. Segundo a AIE, esse número varia entre 850 mil e 1 milhão de barris por dia. No entanto, a agência reiterou que as refinarias europeias parecem ter petróleo suficiente. Normalmente a Líbia produz cerca de 1,6 milhão de barris de petróleo por dia, pouco menos de 2% da produção global. Na semana passada, a AIE havia calculado que entre 500 mil e 750 mil barris por dia estavam fora do mercado.

Ao mesmo tempo, as grandes companhias de petróleo que operam na Líbia anunciaram novos cortes de produção. A Total informou que fechará progressivamente as operações em seu campo de Mabrouk, enquanto a ConocoPhilips anunciou ontem que parou de exportar petróleo em razão das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

Diante da falta de clareza e da constante mudança na situação na Líbia, a volatilidade deve continuar alta, disseram analistas. “Movimentos de US$ 1,00 nos preços no intervalo de uma hora ou duas não parecem muito. Refletem o nervosismo do mercado e a dificuldade em se saber o que realmente está acontecendo”, afirmou o analista de petróleo do DnB NOR, Torbjorn Kjus.

Os temores de que os protestos cheguem a outros produtores também continua perturbando os investidores, diante do risco de não ser possível substituir as exportações de outros países além da Líbia. As informações são da Dow Jones.

Kadafi convida Brasil para ser observador da crise na Líbia

Ditador diz que vai substituir empresas ocidentais por outras chinesas, russas e brasileiras

02 de março de 2011 | 10h 19

Fonte: Andrei Netto, enviado especial do Estado, a oeste de Trípoli

O governo de Muamar Kadafi convidou nesta quarta-feira, 2, o Brasil, a União Africana (UA) e os países da conferência islâmica a assumir o papel de observadores da crise política no país. A informação foi revelada há instantes pelo embaixador do Brasil na Líbia, George Fernandes.  

O diplomata participou de um encontro promovido pela cúpula do regime de Kadafi, no qual o ditador fez um discurso transmitido pela TV estatal.

 No pronunciamento, o coronel disse também que iria substituir bancos e empresas ocidentais que atuam na Líbia por outras de China, Rússia e Brasil.