Alta de alimentos põe 44 milhões de pessoas na pobreza

FILIPE DOMINGUES – Agencia Estado

WASHINGTON – Os preços internacionais dos alimentos continuaram subindo com força nos últimos meses, aumentando a pobreza e as preocupações com a economia, informou hoje o Banco Mundial. O índice de preços do banco subiu 15% entre outubro do ano passado e janeiro de 2011, o que significa elevação de 30% em relação ao mesmo período do ano passado e apenas 3% abaixo do pico de 2008. O Banco Mundial relatou que esse aumento, que inclui alta significativa dos preços do trigo e do milho, colocou cerca de 44 milhões de pessoas em situação de pobreza desde junho.

“Os preços globais dos alimentos estão subindo para níveis perigosos e ameaçam dezenas de milhões de pessoas pobres no mundo”, disse o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, em comunicado.

A alta dos alimentos tem sido uma grande preocupação para as autoridades internacionais. O Banco Mundial alertou que a elevação dos preços pode causar “macro vulnerabilidades”, especialmente nos países menos sólidos em âmbito fiscal, que são forçados a importar grandes volumes de alimentos.

No entanto, o Banco Mundial ponderou que boas colheitas em muitos países africanos ajudaram a conter a elevação dos preços de alguns itens. Além disso, o banco observou que os preços internacionais do arroz subiram moderadamente e que o cenário desse mercado permanece estável.

O Banco Mundial avisou, ainda, que as mudanças climáticas devem causar mais impacto nos preços dos alimentos do que ocorreu no passado. “A frequência de eventos relacionados ao clima durante o último ano e seu impacto nos preços da comida ressaltam a vulnerabilidade dos pobres diante das mudanças climáticas”, afirmou o banco. As informações são da Dow Jones.

Mínimo de R$ 600 custaria mais R$ 16,5 bi no Orçamento, diz Mantega

Segundo o ministro da Fazenda, governo não tem condições do ponto de vista fiscal de reajustar o valor do salário mínimo acima dos R$ 545 propostos.

Fonte: Renata Veríssimo e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado

BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira, 15, que o governo não tem condições do ponto de vista fiscal de reajustar o valor do salário mínimo acima dos R$ 545 propostos. Segundo ele, o governo não pode aumentar o nível das despesas. Ele lembrou que a folha de pagamento dos aposentados cresce R$ 300 milhões para cada R$ 1 de reajuste do mínimo.

Ele disse que se o salário mínimo chegasse a R$ 600, o impacto seria de R$ 16,5 bilhões no Orçamento de 2011, além do custo que já terá para reajustar de R$ 510 para R$ 545. Caso o mínimo fosse para R$ 580, o custo seria de R$ 10,5 bilhões este ano.

“Temos uma limitação de ordem orçamentária”, disse o ministro no plenário da Câmara. Ele disse que o governo também tem uma limitação do ponto de vista da confiança. Mantega disse que a sociedade espera que o governo cumpra os acordos feitos.

Ele lembrou que já está sendo colocado em dúvida a capacidade do governo de realizar o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento. “Nós vamos cumprir”, garantiu. No entanto, segundo ele, se o governo concordar com o reajuste do mínimo acima de R$ 545, será colocada em dúvida a capacidade de o governo alcançar os resultados fiscais esperados. Mantega disse que o compromisso do governo é com todos os trabalhadores e não somente com aqueles que ganham salário mínimo.

O ministro argumentou ainda que a proposta que ele veio defender é a manutenção da atual fórmula de reajuste do salário mínimo, acordada pelo governo com as centrais sindicais ainda no fim de 2006.

“Mesmo com a queda na arrecadação em 2009, o governo cumpriu o acordo”, disse Mantega aos parlamentares. “Acho desaconselhável que em 2011 mudemos uma regra acordada em 2006”, acrescentou.

O ministro também citou que durante a crise o governo abriu mão de receitas concedendo desonerações, desde que os empresários se comprometessem a não demitir. Além disso, alegou, a correção da tabela do IR gerou uma renúncia fiscal de R$ 5 bilhões por ano, desde 2009.

Reajuste maior pode gerar ‘desconfiança’ sobre as despesas

Segundo o ministro, o governo não pode dar um aumento maior para o mínimo, porque isso fará com que “haja desconfiança sobre o rumo das despesas do Estado brasileiro”. Por isso, Mantega propôs aos deputados a prorrogação por mais quatro anos da atual fórmula de reajuste, que aumenta o valor do piso salarial segundo a inflação do ano anterior mais o crescimento do PIB de dois anos antes.

Mantega pediu que um novo acordo seja firmado, contemplando também a correção da tabela do Imposto de Renda, como o acordo anterior previu para os anos de 2007 a 2010. “A implantação de uma política de longo prazo é importante. Propomos que a mesma fórmula seja usada de 2011 a 2015”, disse.

O ministro lembrou que se houver a manutenção da regra atual, o mínimo deve ter um grande reajuste em 2012, de 13% a 14%, chegando a cerca de R$ 616.

Fran’s Café terá rede de lojas populares

Lojas com nova bandeira serão voltadas a áreas com alta circulação de pessoas e terão preços mais populares.

Fonte: Daniela Moreira, de

São Paulo – A rede Fran’s Café deve inaugurar até o final deste ano um novo modelo de loja, voltado a áreas com alta circulação de pessoas e com preços mais populares.

Segundo Henrique Ribeiro, sócio da rede, a nova bandeira terá um cardápio mais enxuto – com até 50% menos itens que os vendidos hoje nas lojas da rede – e os preços devem ser até 15% menores que os praticados hoje pela marca. O ticket médio da rede hoje é de aproximadamente 15 reais.

O objetivo é atrair um publico maior para a rede, que hoje tem 139 lojas em funcionamento no país. As lojas da nova bandeira, cujo nome provisório é Fran’s Especial (Fran’s Express também é uma alternativa considerada pelos donos da marca), serão menores, ocupando entre 40 m2 e 60 m2 – metade do espaço utilizado nas lojas atuais.

O investimento inicial para abertura também será mais modesto, variando entre 180 mil reais e 200 mil reais – uma loja tradicional da marca custa entre 300 mil e 400 mil reais hoje.

“São lojas voltadas a um publico que está de passagem, em locais movimentados”, explica Ribeiro. Segundo o executivo, o objetivo não é só atrair o consumidor de classe C – que já tem naturalmente procurado mais a marca -, mas também oferecer uma cobertura maior para o cliente atual da rede – ele estima que 50% do publico das novas lojas será de frequentadores tradicionais do Fran’s Café.

Estratégia de crescimento

O movimento de abertura da marca, tradicionalmente voltada a consumidores de classe A/B, a um publico de menor renda já vem acontecendo ao longo dos últimos anos.

Desde 2009, a rede vem remodelando seu cardápio e incluindo itens com preços mais acessíveis no seu mix de produtos para atrair uma faixa mais ampla de consumidores.

Segundo Ribeiro, houve uma redução de cerca de 40% nos itens do cardápio ao longo dos últimos dois anos. “Com isso conseguimos aumentar o volume e negociar preços menores”, justifica o empresário.

Para este ano, a rede prevê a inauguração de cerca de 20 novas lojas no modelo tradicional, com investimento de mais de 8 milhões de reais por parte dos franqueados para ampliar a rede. O foco principal são as regiões Norte e Nordeste, onde devem se concentrar 50% das novas unidades. O processo de expansão já começou, com novas lojas inauguradas em São Caetano do Sul e Campinas, no estado de São Paulo, e Salvador, na Bahia.

Com a expansão, a rede projeta um crescimento de até 40% sobre o faturamento médio de 120 milhões de reais registrado em 2010.

As lojas tradicionais da marca faturam em média 60 mil reais por mês e oferecem margem de lucro entre 18% a 22%. O prazo de retorno sobre o investimento é estimado em 24 a 36 meses.

Além das lojas tradicionais, a marca já trabalha com um modelo mais enxuto de franquia, os quiosques Station, para prédios comerciais. Com 13 unidades abertas, este formato também tem potencial para crescer, já que a rede negocia com mais 1 mil pontos comerciais para obter o aval para instalar lojas no modelo. O custo para instalação de um quiosque é de cerca de 100 mil reais.

O primeiro Fran’s Café foi inaugurado em 1972 na cidade de Bauru, interior de São Paulo. Em 1992, a rede começou a expansão via franquias. Das 139 lojas em atividade hoje, apenas quatro são próprias.

O segmento de cafeterias cresce à taxa de 20% ao ano no Brasil, movimentando 800 milhões de reais anualmente, de acordo com a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café).