Tesouro Direto foi melhor aplicação dos últimos 10 anos

Levantamento do Instituto Assaf comprova que alta taxa de juros do Brasil coloca renda fixa como a melhor modalidade de investimento, com rendimento de 164%.

Fonte: Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – O Tesouro Direto foi a modalidade que mais deu lucro aos investidores nos últimos dez anos no Brasil. Levantamento feito pelo Instituto Assaf, especializado em investimentos, mostra que as Notas do Tesouro Nacional (NTNs) proporcionaram ganhos reais de 164% aos investidores entre 2001 e 2010. Esses títulos são recomendados para investimentos de longo prazo, com vistas à aposentadoria por exemplo.

Em segundo lugar do ranking que avalia rentabilidades reais obtidas entre 2001 e 2010, está a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), com ganho de 139,3%. Depois vem os fundos DI, com rendimento de 119%. O único investimento que não conseguiu resultados positivos no período avaliado foi o dólar, que demonstrou queda de 56,6%.

“O ranking considera que o investidor aplicou em 2001 e não tirou o dinheiro até o fim do período, em 2010”, detalha Fabiano Guasti Lima, responsável pela elaboração do estudo no Instituto Assaf. “No caso das ações, no entanto, consideramos uma gestão ativa e acertiva entre os papéis que compõem o Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo), o que não é simples de ser feito”, emenda Lima.

Sobre o desempenho ruim verificado no dólar, Lima lembra que entre 2001 e 2010 ocorreram fatores graves que impactaram fortemente nas cotações da moeda. “11 de setembro e crise do subprime, por exemplo”, diz.

Especialistas em investimentos e finanças pessoais salientam, em cima dos dados do estudo e também do desempenho dos investimentos no decorrer de janeiro deste ano (que foram bem semelhantes à avaliação dos últimos dez anos), como a renda fixa é um bom investimento no Brasil. O cenário positivo para os investimentos com baixíssimo risco é impulsionado pelas altas taxas de juros praticadas no País.

“Mas é importante lembrar que, nos últimos 10 anos, a Selic esteve em 20% ao ano, coisa que não se repetirá, portanto, os ganhos na renda fixa serão menores de agora em diante”, lembra Rafael Paschoarelli, professor de finanças da Fipecafi. Hoje a Selic está em 11,25% ao ano.

Paschoarelli tem um site (http://www.comdinheiro.com.br/) que faz simulações parecidas com o ranking elaborado pelo Instituto Assaf. O acesso é gratuito só é necessário montar um login e senha.

“A atratividade da renda fixa no Brasil é inabalável”, diz Willian Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas. Ele chama atenção para os dados de janeiro: a Bovespa, por exemplo, amargou a última colocação no ranking de rentabilidade do mês, com recuo de 3,94%.

A ausência de risco na renda fixa afasta os investidores de alternativas como a bolsa, que além do risco, exigem cuidado e estratégia na administração dos recursos. “A renda fixa está presenteando o investidor no Brasil. Isso também tira o apetite do investidor por risco”, completa Antonio de Julio, educador financeiro da MoneyFit.

Em janeiro, nenhum investimento superou a inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) de 0,79%. No segundo lugar do ranking mensal, aparecem os fundos de renda fixa que tiveram ganhos de 0,71% em janeiro. Na sequência estão os fundos DI e os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs).

Passado versus futuro

Embora a diferença de rentabilidade seja nítida e esteja quase que se repetindo no primeiro mês deste ano, os especialistas salientam que ganho passado não é garantia de lucro no futuro.A avaliação considera, sobretudo, a perspectiva de queda na taxa Selic de agora em diante. “Não é porque o levantamento mostra que o Tesouro rendeu mais que, nos próximos dez anos o cenário irá se repetir”, salienta Lima, do Instituto Assaf.

Eid, da FGV, dá a recomendação básica quando o assunto é investimento: “Não coloque todos os seus ovos na mesma cesta. Dessa forma, você evita perdê-los todos de uma só vez.”

Lima com um cálculo rápido demonstra que, quem diversificou a carteira com os investimentos incluídos em seu levantamento, teve rentabilidade média de 77% nos últimos dez anos.

Voos dentro do Estado de São Paulo crescem 41%

Aumento de voos dentro do Estado e promoções fizeram com que 1,5 milhão de passageiros circulassem nos seis principais aeroportos do interior do Estado em 2010.

Fonte: Agência Estado

SÃO PAULO – Voar de Ribeirão Preto para a capital paulista ficou mais barato do que um café com pão de queijo no Aeroporto de Congonhas, na zona sul, R$ 9. O aumento de voos dentro do Estado e as promoções das companhias aéreas fizeram com que 1,5 milhão de passageiros circulassem nos seis principais aeroportos do interior de São Paulo no ano passado, um número 41% maior que o registrado em 2009. 

A concorrência fez o preço dos bilhetes despencar. E, não raras vezes, a viagem regional por ar ficou mais em conta em percursos de mais de 300 quilômetros que de carro e ônibus – o que já ocorre na Europa e nos Estados Unidos desde a década de 1990. O morador de Presidente Prudente, no extremo oeste paulista, por exemplo, pode vir à capital por R$ 99,40. O avião completa os 556 km entre as duas cidades em uma hora. No ônibus leito, que leva oito horas na estrada, com pelo menos duas paradas, a viagem sai por R$ 103. De carro, sem contar a gasolina, só o pedágio soma R$ 64,55.

O epicentro do boom aéreo no interior é Ribeirão Preto, um próspero centro regional no centro do Estado. Do acanhado aeroporto da cidade partem 12 voos diários para a capital. A maioria das passagens é vendida com um mês de antecedência. Dali também é possível encontrar bilhetes a R$ 9 para três outras capitais do País: Curitiba, Rio e Salvador. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo