Chamando Lula de “perdulário”, FT elogia o “pequeno terremoto” de Dilma



Para o Financial Times, a presidente Dilma Rousseff tem rompido com as políticas de seu antecessor em uma série de medidas corajosas

Fonte: Diogo Max, de

                                                                                                                     Antônio Cruz/ABr

A presidente Dilma Rousseff e Lula: diferenças são salientadas pelo FT

São Paulo –  O primeiro mês de trabalho da presidente Dilma Rousseff foi alvo de um editorial do Financial Times, um dos mais influentes jornais na economia e nos negócios. A publicação elogia as primeiras medidas tomadas pelo novo governo, que, segundo os ingleses, não representa uma continuação da administração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Dilma Rousseff tem rompido com as políticas de seu antecessor em uma série de medidas corajosas”, diz o Financial Times, em artigo intitulado “O pequeno terremoto no Planalto do Brasil”. Um desses “caminhos” a que se refere o jornal britânico está na política externa. Mais precisamente nas relações com o Irã.

“Ela [Dilma Rousseff] criticou justamente a recusa do governo de seu antecessor para participar de uma resolução da ONU, que condena o apedrejamento no Irã”, explica o editorial, que afirma terem os Estados Unidos se aproximado do Brasil por conta dessa medida.

O jornal contrapõe, no entanto, que a redefinição das relações com Washington vai depender de o Brasil reconhecer que o programa nuclear iraniano não tem fins pacíficos.

Economia

Outra medida que ressalta a diferença entre os governos de Dilma Rousseff e Lula está na economia. Chamando o ex-presidente de “preocupante perdulário”, o Financial Times afirma que o governo anterior prolongou, antes das eleições, um “estímulo fiscal” que beneficiou o Brasil no auge da crise econômica.

“Para seu crédito, Dilma Rousseff reconheceu o problema”, diz o jornal britânico.  “Em recente acordo para definir o salário mínimo, ela garantiu o aumento mais baixo possível e reduziu em um terço os fundos estaduais provisórios, até a definição do orçamento deste ano. Essa medida deverá incluir cortes de custo de até 2% da produção nacional”, afirma o Financial Times.

O jornal salienta o que o excesso fiscal é “um dos pecados originais do modelo econômico do Brasil”, que contribui para taxas de juros mais altas e uma valorização da moeda, prejudicando os exportadores, além de uma carga tributária que permite o aumento da economia informal. “Quanto mais cedo Dilma Rousseff começa a cortar, melhor”, adverte o Financial Times.

Definição no Egito é vital para Israel, diz especialista

Pesquisador da USP diz que o melhor cenário para Israel é o de uma transição no Egito que mantenha militares que respaldem tratado de paz entre os países

Fonte: Eduardo Tavares, de

                                                                                        Peter Macdiarmid/Getty Images

Protestos no Cairo: futuro do Egito afeta diretamente situação de Israel no Oriente Médio

São Paulo – Na complexa teia de relacionamento entre os países do Oriente Médio e do norte da África, Israel é um dos mais interessados no futuro político do Egito. Segundo o pesquisador Samuel Feldberg, membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (Gacint) da Universidade de São Paulo, cada cenário possível caso o governo do presidente egípcio Hosni Mubarak caia, implica em mudanças vitais para Israel. “O Egito é o principal país do ponto de vista estratégico israelense”, afirma.

A importância da relação entre os dois países vêm do fato do Egito ser, além da Jordânia, o único país árabe que reconhece o Estado de Israel. Além disso, há tempos que a nação do norte da África exerce considerável influência sobre as demais do mundo árabe. Portanto, Israel tem muito a perder se as alterações no Egito mudarem a base da estrutura atual do governo.

Segundo Feldberg, o Egito tem conseguido manter boas relações com quem quer que esteja no controle da Faixa de Gaza, região de especial interesse israelense. Outra área que evidencia a dependência de Israel do rumo a ser tomado pelo Egito é a energética. “A matriz de energia de Israel depende muito do Egito. Apesar de ter campos de gás natural em seu território na costa do Mediterrâneo, os israelenses ainda importam muito dos egípcios”, explica.

O pesquisador acredita que o melhor cenário para garantir a estabilidade nas relações entre o país árabe e Israel seja uma transição com um mínimo de continuidade. Ele defende a participação no governo de militares que deem respaldo ao tratado de paz entre as duas nações. “É isto que os israelenses esperam, e não uma reviravolta, como seria se a Irmandade Muçulmana tomasse o poder.”

Relações Públicas

Enquanto o governo de Mubarak não cai, o principal grupo de oposição, a Irmandade Muçulmana, segue pleiteando um espaço no poder se houver uma transição. Embora a possibilidade seja pequena, o sucesso do grupo representaria um grande risco para os israelenses.

“Se você analisa os discursos da irmandade, vê que não houve modernização alguma. Eles apenas reconheceram que não é produtivo propagar suas ideias como faziam antigamente. Mas se você analisa os discursos que eles dirigem a seu público, permanece tudo igual. Houve um bom trabalho de relações públicas, é verdade. Mas é o mesmo que aconteceu com outros grupos radicais, como o Hamas, o Hezbollah, e a liderança no Irã. Apesar da aparente mudança, se a Irmandade chegar ao governo, ainda é o pior cenário para o Egito.”