País não sabe enfrentar mudanças no mundo, diz FHC

Fonte: Assis Moreira | De Genebra – Valor Online                  

Claudio Belli/Valor

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que a presidente Dilma Rousseff não tem estratégia sobre como desenvolver o Brasil num contexto de mudanças no cenário internacional e considerou a situação “muito, muito preocupante”. FHC avisou que a oposição não está adormecida, mas esperando o governo começar a agir. Disse estar aliviado de não ter de ouvir mais o ex-presidente Lula falando todo dia no rádio e TV e foi     irônico sobre o que achava do ministério de Dilma: “Acho que ela estápreocupada.”

 “Vamos falar português claro: o Brasil vai recomeçar daqui a pouco, quando o Congresso começar a funcionar”, afirmou em Genebra, à margem de reunião de comissão internacional sobre drogas, que preside. Em termos de estilo entre Lula e a nova presidente, ele parece visivelmente aliviado com Dilma, “mais tecnocrática, mais discreta”.

FHC disse, porém, que o mais importante é o que ela vai fazer e confessa que ainda não entendeu os seus planos. “O Brasil está sem estratégia, o mundo mudou muito. A China produz efeito positivo e negativo ao mesmo tempo sobre a economia brasileira, entusiasma a exportação de commodities e dificulta a de manufaturas e a valorização do real não é só do real e sim a desvalorização do dólar.” Para ele, o país tem de inventar uma nova estratégia “e não estou vendo que isso tenha sido definido”. Ajuste fiscal é algo que “a situação obriga, mas [o governo] tem que ir além e escolher nosso caminho.”

“Não podemos nos transformar puramente em exportadores de commodities. No momento, isso dá recursos, mas o que vamos fazer com esses recursos, qual a estratégia de desenvolvimento fora de commodities que vamos ter quando os preços caírem, no que vamos apostar?”, indagou.

Ele considera também que o Brasil deveria ser agora mais prudente na política externa “para não fazer tanta excitação protagônica e ser mais eficaz”. Diz que o país perdeu muito a presença em vários órgãos internacionais e na própria América Latina, deixando espaço para “o [Hugo] Chávez (presidente da Venezuela)”.

FHC sugere que Dilma “não esqueça” que é possível fazer política pragmática sem ignorar os direitos humanos, numa crítica a declarações do ex-presidente Lula em Cuba, por exemplo. Sobre a relação com o Irã, nota que por princípio o Brasil é favorável ao desenvolvimento autônomo na área nuclear e em qualquer outra área científica. Mas o ponto negativo “foi a tentativa de fazer uma mediação que não funcionou, sem ter os instrumentos efetivos para jogar o papel desse tipo”.

FHC lançará amanhã a Comissão Global sobre Políticas de Drogas. E criticou Dilma por não querer discutir penas alternativas para pequenos traficantes.

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