Apesar da alta dos juros, mercado eleva novamente inflação em 2011

Foi a sétima semana consecutiva de piora nas expectativas inflacionárias; nem 2012 escapou do pessimismo

Fonte: Luís Artur Nogueira | Exame.com

                                                                                                                             Agência Brasil1ª Reunião do Copom do governo Dilma

Decisão do Copom não foi suficiente para melhorar as expectativas inflacionárias

São Paulo – O boletim Focus do Banco Central, que colhe semanalmente as previsões de analistas de cerca de 100 instituições financeiras, elevou de 5,42% para 5,53% a estimativa para a inflação oficial neste ano. Foi a sétima alta consecutiva do IPCA, que está se distanciando do centro da meta (4,5%). No ano passado, o índice foi de 5,91%, o maior desde 2004.

Na quarta-feira passada (19), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, de 10,75% para 11,25% ao ano. A maioria dos economistas prevê a elevação da Selic em mais 1 ponto percentual ao longo do semestre.

As previsões para a cotação do dólar seguiram inalteradas (R$ 1,75), assim como as estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (4,5%). 

O mercado elevou de US$ 9 bilhões para US$ 9,27 bilhões a projeção para a balança comercial nesse ano. Se concretizado, o resultado será bem inferior aos US$ 20,2 bilhões registrados em 2010.

Bola de cristal para 2012

O boletim Focus desta segunda-feira (24) traz ainda estimativas para a economia brasileira no ano que vem. A principal surpresa é que as projeções não cravam mais o centro da meta para a inflação (4,50%). – pela primeira vez, elas indicam aceleração (4,54%). Já o crescimento do PIB  de 2011 ficou em 4,50% e dólar, em R$1,80.

Fonte: Banco Central
Previsões – Mediana 2011 2012
IPCA 5,53% 4,50%
IGP-DI 5,85% 4,50%
IGP-M 5,77% 4,50%
IPC-Fipe 4,90% 4,50%
Câmbio – fim de período (R$/US$) 1,75 1,80
Câmbio – média do ano (R$/US$) 1,72 1,79
Meta Taxa Selic – fim de período (ao ano) 12,25% 11%
Meta Taxa Selic – média de período (a.a.) 12,06% 11,42%
Dívida Líquida do Setor Público (% do PIB) 39,30% 37,80%
PIB 4,50% 4,50%
Produção Industrial 5,02% 5,00%
Conta Corrente (US$) -67,00 bilhões -68,76 bilhões
Balança Comercial (US$) 9,27 bilhões 5,20 bilhões
Inv. Estrang. Direto (US$) 40,00 bilhões 41,00 bilhões
Preços Administrados 4,40% 4,50%
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País não sabe enfrentar mudanças no mundo, diz FHC

Fonte: Assis Moreira | De Genebra – Valor Online                  

Claudio Belli/Valor

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que a presidente Dilma Rousseff não tem estratégia sobre como desenvolver o Brasil num contexto de mudanças no cenário internacional e considerou a situação “muito, muito preocupante”. FHC avisou que a oposição não está adormecida, mas esperando o governo começar a agir. Disse estar aliviado de não ter de ouvir mais o ex-presidente Lula falando todo dia no rádio e TV e foi     irônico sobre o que achava do ministério de Dilma: “Acho que ela estápreocupada.”

 “Vamos falar português claro: o Brasil vai recomeçar daqui a pouco, quando o Congresso começar a funcionar”, afirmou em Genebra, à margem de reunião de comissão internacional sobre drogas, que preside. Em termos de estilo entre Lula e a nova presidente, ele parece visivelmente aliviado com Dilma, “mais tecnocrática, mais discreta”.

FHC disse, porém, que o mais importante é o que ela vai fazer e confessa que ainda não entendeu os seus planos. “O Brasil está sem estratégia, o mundo mudou muito. A China produz efeito positivo e negativo ao mesmo tempo sobre a economia brasileira, entusiasma a exportação de commodities e dificulta a de manufaturas e a valorização do real não é só do real e sim a desvalorização do dólar.” Para ele, o país tem de inventar uma nova estratégia “e não estou vendo que isso tenha sido definido”. Ajuste fiscal é algo que “a situação obriga, mas [o governo] tem que ir além e escolher nosso caminho.”

“Não podemos nos transformar puramente em exportadores de commodities. No momento, isso dá recursos, mas o que vamos fazer com esses recursos, qual a estratégia de desenvolvimento fora de commodities que vamos ter quando os preços caírem, no que vamos apostar?”, indagou.

Ele considera também que o Brasil deveria ser agora mais prudente na política externa “para não fazer tanta excitação protagônica e ser mais eficaz”. Diz que o país perdeu muito a presença em vários órgãos internacionais e na própria América Latina, deixando espaço para “o [Hugo] Chávez (presidente da Venezuela)”.

FHC sugere que Dilma “não esqueça” que é possível fazer política pragmática sem ignorar os direitos humanos, numa crítica a declarações do ex-presidente Lula em Cuba, por exemplo. Sobre a relação com o Irã, nota que por princípio o Brasil é favorável ao desenvolvimento autônomo na área nuclear e em qualquer outra área científica. Mas o ponto negativo “foi a tentativa de fazer uma mediação que não funcionou, sem ter os instrumentos efetivos para jogar o papel desse tipo”.

FHC lançará amanhã a Comissão Global sobre Políticas de Drogas. E criticou Dilma por não querer discutir penas alternativas para pequenos traficantes.

BG investe US$ 10 bi para ser a 2ª em petróleo no país

Fonte: Cláudia Schüffner | Valor Online

A britânica BG, companhia estrangeira com maior presença na exploração de petróleo no Brasil, adotou um plano agressivo para o país. Principal sócia da Petrobras na bacia de Santos, ela definiu um programa estratégico de investimentos de US$ 10 bilhões para os próximos dez anos. O novo presidente da BG Brasil, Nelson Silva, ex-executivo da Vale, disse que o objetivo da petroleira é fincar de vez sua marca no Brasil, onde montou seu primeiro escritório 16 anos atrás.

Com esse pacote de investimento, a companhia inglesa, que no Brasil também é dona da Comgás, fará sua contrapartida na encomenda de 13 plataformas previstas para o início de produção do pré-sal de Santos. Serão cinco plataformas flutuantes de armazenagem e transferência afretadas para os projetos piloto dos campos de Lula, Guará, Lula Nordeste, Guará Norte e Cernambi. Além disso, serão adquiridos oito cascos de futuras plataformas construídos no estaleiro Rio Grande, no Sul, por US$ 3,5 bilhões. Nesse caso, a parte correspondente à BG é de US$ 911 milhões.

O programa de US$ 10 bilhões vai se somar a outros US$ 5 bilhões já investidos desde sua chegada ao país. Esses recursos foram usados nas últimas duas décadas para a aquisição de 60% da Comgás, em 1999, e de uma fatia de 9,67% na Transportadora Brasileira do Gasoduto Bolívia Brasil (TBG). Esses ativos foram comprados antes da Segunda Rodada de Licitações da ANP, em 2000, quando a empresa adquiriu os blocos do pré-sal que hoje são considerados estratégicos.

Os leilões da ANP – a empresa participou do primeiro, mas não fez ofertas vencedoras – permitiram à BG ser sócia das maiores descobertas de petróleo do Brasil no pré-sal de Santos. A BG tem o maior número de parcerias com a Petrobras, com mais presença do que a Repsol e a Galp. A companhia tem 30% do bloco BMS-9 (Guará, onde é sócia da Petrobras e Repsol), 25% do BM-S-10 (Parati) e 25% do BM-S-11, onde a Petrobras recentemente declarou comerciais os campos Lula e Cernambi e onde também foi descoberto o campo de Iara, ainda em avaliação.

Atualmente, a BG tem participação acionária em sete blocos, apenas um em terra, na bacia do São Francisco. Os demais estão na bacia de Santos. Ela será a segunda maior produtora do Brasil em 2020, quando terá 400 mil barris/dia de óleo equivalente.

Dilma precisa economizar R$ 60 bi para conseguir superávit de 3,1% do PIB

Cálculo tem base na receita prevista pelo Executivo para 2011 e embute projeções de indicadores.

Fonte: Raquel Landim, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Para cumprir a promessa de fazer um superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o governo Dilma vai precisar economizar cerca de R$ 60 bilhões, avaliam economistas ouvidos pelo ‘Estado’. O valor é superior às apostas do mercado financeiro, que variam de R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões. O governo ainda não anunciou o contingenciamento deste ano.

No orçamento público, o superávit primário é obtido quando o governo gasta menos que arrecada, descontado o pagamento dos juros da dívida. Um superávit “cheio e limpo” – como prometido por Dilma Rousseff – significa cumprir a meta estabelecida integralmente, sem descontar os investimentos ou utilizar “manobras criativas”.

O mercado aguarda com ansiedade a divulgação de quanto Dilma pretende contingenciar do Orçamento em 2011. O valor será uma indicação importante do compromisso da nova presidente com a redução dos gastos públicos. Com uma política fiscal menos expansionista, o governo ajudaria a esfriar a economia e permitia que o Banco Central (BC) subisse menos os juros básicos (taxa Selic).

A Corretora Convenção estima que o contingenciamento necessário para cumprir a meta de superávit de 3,1% do PIB chega a R$ 64 bilhões. Pelas contas da LCA Consultores, o corte de gastos teria de atingir R$ 54 bilhões. A Tendências Consultoria Integrada também avalia que seria necessário um corte de mais de R$ 50 bilhões.

Todas essas contas foram feitas com base na receita prevista pelo próprio Executivo para 2011. Se surgirem receitas extraordinárias, a conta muda. Os cálculos também embutem projeções para PIB, saldo líquido de geração de empregos, resultado fiscal de Estados e municípios, entre outras variáveis.

Para chegar a mais de R$ 60 bilhões de contingenciamento, é preciso somar os investimentos que deixariam de ser abatidos (R$ 32 bilhões), as despesas que foram acrescentadas pelo Congresso ao aprovar o Orçamento (R$ 20 bilhões) e o corte de gastos que o Executivo pediu aos deputados, sem ser atendido (R$ 8 bilhões). Ainda seria preciso economia adicional de R$ 4 bilhões para completar a meta de superávit de 3,1% do PIB.

“Não acredito que seja factível um contingenciamento de R$ 60 bilhões. É um terço dos R$ 200 bilhões que são passíveis de corte no Orçamento. Daí se conclui que a meta de superávit também não é factível”, disse Fernando Montero, economista-chefe da Convenção. O Orçamento de 2011 é de R$ 1,94 trilhão, mas boa parte é usada para pagar o funcionalismo e a Previdência.

Corte histórico

Um contingenciamento acima de R$ 40 bilhões já seria o mais alto da história do País. A média dos anos anteriores foi de R$ 20 bilhões e atingiu R$ 30 bilhões em 2010, embora a maior parte tenha sido liberada durante o ano. Se o governo decidir cumprir a “meta abatida”, o que significa descontar os gastos com investimentos, o esforço seria menor. Sem os investimentos, a meta de superávit cai para 2,18% do PIB, possível de ser atingida com um corte de R$ 35 bilhões de despesas.

Para a LCA Consultores, um contingenciamento de R$ 40 bilhões já seria suficiente para o governo atingir o seu principal objetivo, que é contribuir para desaquecer o consumo e evitar uma alta forte dos juros pelo BC.

“Antes, o objetivo de fazer um superávit primário era garantir que o Brasil não daria calote. Essa preocupação foi superada desde que o País foi considerado grau de investimento”, disse Fernando Sampaio, sócio-diretor da LCA Consultores. “Um corte de R$ 40 bilhões representa uma desaceleração significativa do gasto público”, completou.

Com um contingenciamento de R$ 40 bilhões, a LCA Consultores calcula que a despesa primária real (antes do pagamento dos juros e descontada a inflação) do governo central cresceria 3% em 2011. Em 2010, um ano de eleições e de gastos desenfreados, a despesa subiu 10%. Se forem contingenciados R$ 54 bilhões, o crescimento das despesas seria de apenas 1%.

Longo prazo

A avaliação de boa parte do mercado, no entanto, é que não basta o governo anunciar um contingenciamento recorde. “É necessário indicar desde já qual vai ser a conduta fiscal dos próximos quatro anos”, disse Felipe Salto, economista da Tendências. Ele afirma que uma excelente sinalização seria o governo se comprometer com um ritmo de aumento do gasto corrente (para o pagamento do funcionalismo) inferior ao avanço do PIB. Ao longo do tempo, isso significaria gastar menos com funcionários públicos e investir mais em infraestrutura.