Murilo Portugal assume a Febraban e quer integrar bancos e setor produtivo

Novo gestor da federação já sinalizou que redução dos juros seria benéfica no futuro.

Fonte: Exame.comIvanir José Bortot, da AGÊNCIA BRASIL

Divulgação/FMI

Murilo Portugal, novo presidente da Febraban, era diretor-geral adjunto do FMI

Brasília – O economista Murilo Portugal assume a presidência da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) a partir da terceira semana de março – deixando o terceiro mais importante posto ocupado por um brasileiro na hierarquia do Fundo Monetário Internacional (FMI), o de diretor-geral adjunto – com planos de ampliar a integração dos bancos com o setor produtivo.

No último dia 19, a Febraban anunciou a escolha de Portugal para ocupar a presidência executiva da entidade, em substituição a Fábio Barbosa, cujo mandato termina daqui a dois meses.

Portugal – que também já foi secretário do Tesouro Nacional no governo Fernando Henrique Cardoso e secretário executivo do ex-ministro da Fazenda do governo Lula, Antônio Palocci – quer ampliar a integração da área bancária com o segmento produtivo, dentro do esforço do país de alcançar um maior desenvolvimento econômico e social.

Por telefone, em entrevista à Agência Brasil, da sede do FMI em Washington, nos Estados Unidos, o economista destacou três papéis do sistema bancário que podem contribuir nesse processo: o que garante o pagamento de obrigações de todos os agentes econômicos com precisão; o que protege e faz crescer a poupança de milhões de brasileiros e o que financia pessoas que têm projetos para executar, mas lhes faltam recursos.

A redução das taxas de juros no futuro é vista como positiva para o setor bancário, segundo ele, uma vez que contribuirá para elevar o número de tomadores de crédito, assim como a inclusão de novas parcelas de brasileiros que tiveram aumento de renda, mas não têm conta bancária.

O processo de seleção do substituto de Murilo Portugal no FMI foi iniciado ontem (21). O cargo não deverá ficar com outro brasileiro já que a terceira função de comando do fundo sempre fica com um país emergente. O cargo de diretor-geral é reservado sempre para um dos países europeus e o segundo posto é ocupado por um representante dos Estados Unidos. Portugal não quis dar opinião sobre esse processo de escolha.

O Brasil estará representado no FMI por Nogueira Batista Júnior, em diretoria que já foi ocupada por Murilo Portugal e, antes dele, por Alexandre Kafka, que morreu em 2007, tendo se aposentado em 1998, depois de representar o Brasil no FMI por 32 anos. Portugal deixou a Secretaria do Tesouro Nacional em dezembro de 1996 para assumir a diretoria executiva do Banco Mundial (Bird) e acumulou a função com a de diretor executivo do FMI até maio 2005.

De 2005 a 2006, Portugal foi secretário executivo do Ministério da Fazenda, último cargo antes de ser nomeado diretor-geral adjunto do FMI. Ele foi o primeiro brasileiro a ocupar o terceiro principal posto do órgão. Formado em direito com pós-graduação em economia pela Universidade de Manchester, Portugal é considerado um dos melhores técnicos em macroeconomia do país.

Para o presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, Portugal foi responsável por um trabalho duradouro na entidade, conforme declarou em nota. O brasileiro tinha sob sua responsabilidade as áreas de estatística e de base de dados e a supervisão das políticas do fundo em relação a um grupo de 81 países-membros.

BNDES cria programa de até R$655 mi para recuperar cidades do RJ

O programa inclui financiamento para a retomada da economia local, fornecimento de capital de giro às empresas e refinanciamento de dívidas.

Fonte: Exame.com –  

Rio de Janeiro – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou nesta sexta-feira um programa que pode chegar a até 655 milhões de reais em apoio a empreendedores das cidades da região serrana do Rio de Janeiro castigadas pelo temporal da semana passada.

O programa inclui financiamento para a retomada da economia local, fornecimento de capital de giro às empresas e refinanciamento de dívidas de empreendedores, segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

“É um programa emergencial de recuperação da região serrana e terá condições semelhantes às do PSI (Programa de Investimento Sustentável, lançado no ano passado por conta da crise financeira mundial)”, disse Coutinho, acrescentando que o os empréstimos terão juro de 5,5 por cento ao ano, o menor das linhas de crédito do banco de fomento.

O foco, segundo o presidente do BNDES, serão micro e pequenos empreendedores das cidades, onde ao menos 767 pessoas morreram e cerca de 14 mil ficaram desalojadas ou desabrigadas devido às fortes chuvas.

O limite de crédito de cada operação será de 1 milhão de reais, de acordo com Coutinho. O prazo de quitação será de 10 anos, com 2 anos de carência.

Simultaneamente, o banco vai fornecer aos micro e pequenos empreendedores uma linha de capital de giro de 50 mil reais. “Essa linha simplificada é rápida e já foi testada no Nordeste em 2010 quando das chuvas e se mostrou bem-sucedida”, declarou o presidente do BNDES.

O BNDES vai também refinanciar as dívidas com os bancos das empresas dos municípios prejudicados pelo temporal. As dívidas, que somam cerca de 255 milhões de reais, serão “congeladas” por 12 meses e poderão ser pagas ao longo dos 24 meses seguintes.

“São 400 milhões de um programa e um potencial de 255 milhões de reais, perfazendo 655 milhões”, explicou Coutinho. Ele disse que o banco tem cerca de 3 mil operações com empresas da região serrana do Estado.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, destacou a importância da região serrana na economia do Estado. Lá estão concentrados segmentos de moda íntima, confecções, um pólo metal-mecânico e uma forte atividade agrícola.

“Só a agricultura da região tem 270 milhões de reais de prejuízo entre perda física, lavoura e infraestrutura. São mais de 17 mil produtores na região, sendo que mais de 3 mil tiveram um impacto grande”, afirmou Cabral.

O forte temporal da semana passada deixou locais destruídos e muitos ainda estão inacessíveis. Equipes de resgate trabalham em busca de pessoas soterradas, enquanto os municípios tentam contar os prejuízos financeiros da tragédia.

Tesouro fará emissão em real no exterior este ano, diz Augustin

Governo tenta conter valorização de 38% do real, que vem subindo desde o início de 2009.

 Arnaldo Galvão e André Soliani, da – Exame.com

 Marcello Casal Jr./AGÊNCIA BRASIL

 Arno Augustin: Tesouro também deve tentar aumentar a liquidez dos títulos em dólar

Brasília – O governo brasileiro vai emitir títulos denominados em real no mercado internacional este ano e estuda novas ofertas desses papéis com prazos de 10 e 30 anos, disse o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

As emissões em moeda brasileira no exterior são parte dos esforços do governo para conter a valorização de 38 por cento do real desde o início de 2009, disse Augustin em entrevista hoje em Brasília. Para aumentar a liquidez dos papéis, o Tesouro pode incluir títulos em reais antigos no programa de recompra.

“Objetivo qualitativo relevante no nosso plano de 2011 é que o nosso programa externo auxilie nossa política cambial”, disse Augustin. “Estaremos voltados para dar liquidez aos títulos em reais.”

O Tesouro também planeja emitir mais títulos em dólares no exterior este ano, disse ele.

“Temos estratégia de aumentar a liquidez, tanto em reais quanto em dólar, mas principalmente em reais”, disse Augustin.

Os títulos do Tesouro denominados em reais, com vencimento em 2028, caíram desde sua reabertura em 20 de outubro.

Segundo Siobhan Morden, estrategista-chefe para América Latina do RBS Securities Inc., essa foi a resposta dos investidores à perspectiva de o governo aumentar a emissão de títulos em reais no exterior após dificultar a entrada de investidores estrangeiros no mercado doméstico ao elevar o Imposto sobre Operações Financeiras.

“O Tesouro percebeu que muitos investidores não querem investir em reais no Brasil por causa do IOF”, disse Morden, em entrevista por telefone, de Stamford, Connecticut. “Só vale a pena investir em títulos no Brasil, com vencimento de dez anos, se o estrangeiro ficar pelo menos três anos com o papel.”

A taxa de retorno para o investidor no Global 2028 elevou- se 106 pontos-base, ou 1,06 ponto percentual, desde que o governo fez a reabertura desse título em 20 de outubro de 2010. A comparação é com o lançamento do papel, em 2007. A yield estava em 9,82 por cento ao ano às 16h49, de acordo com dados da Bloomberg.

Dólar fechou a R$ 1,67 com atuação intensa do BC; Bovespa perde 0,40%

Fonte: Folha.com

A taxa de câmbio brasileira estabilizou em R$ 1,67 nesta sexta-feira, após desvalorizar por quatro dias consecutivos, num dia de atuação intensa do Banco Central.

A autoridade monetária marcou presença tanto no mercado à vista quanto no mercado futuro. No primeiro segmento, realizou dois leilões para compra de dólares — por das 11h (hora de Brasília) e após as 15h30. Como de praxe, o BC não informa imediatamente o volume financeiro dessas operações, que somente são conhecidas com uma semana de atraso.

Entre 12h e 12h30, a autoridade monetária vendeu 20 mil contratos de “swap” cambial reverso, repetindo a iniciativa da semana passada, após um hiato de quase dois anos. Esse título é equivalente uma operação de compra de dólar no mercado futuro. O montante foi inteiramente absorvido pelos agentes financeiros.

Com esse contexto, o dólar comercial oscilou entre as cotações de R$ 1,676 e R$ 1,669, para encerrar o expediente desta sexta em R$ 1,675, em leve alta de 0,05% sobre o fechamento de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,780 para venda e por R$ 1,620 para compra.

Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) perde 0,40%, aos 69.283 pontos. O giro financeiro é de R$ 4,2 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York avança 0,44%.

Nesta semana, o Comitê de Política Monetária elevou a taxa básica de juros para 11,25% ao ano e sinalizou que deve fazer o mesmo pelos próximos meses, para conter a alta dos preços. Analistas citam como um dos fatores que deprimem a taxa de câmbio o diferencial entre os juros domésticos (muito altos) e os juros externos (mais baixos), o que tende a se ampliar.

Além disso, as empresas brasileiras continuam a acessar o mercado externo, aproveitando o custo de capital mais baixo lá fora. Ontem à noite, a Petrobras anunciou a captação de US$ 6 bilhões, por meio da oferta de títulos com prazo de cinco, dez e 30 anos.

JUROS FUTUROS

No mercado futuro de juros, que serve de referência para o custo dos empréstimos nos bancos, as taxas previstas recuaram nos contratos de curto prazo.

No contrato para julho de 2011, a taxa projetada cedeu de 11,88% ao ano para 11,87%; para janeiro de 2012, a taxa prevista caiu de 12,38% para 12,37%. E no contrato para janeiro de 2013, a taxa projetada passou de 12,74% para 12,70%. Esses números são preliminares e estão sujeitos a ajustes

Brasileiros são os mais confiantes sobre a economia, diz estudo

Segundo Ipsos, 78% dos brasileiros estão confiantes sobre a força da economia nos próximos seis meses.

Fonte: Reuters / Estadão.com

ZURIQUE – Os habitantes de economias emergentes são muito mais confiantes sobre suas perspectivas financeiras do que os habitantes de economias avançadas, com 78% dos brasileiros otimistas em comparação a apenas 4% da população francesa.

Dos 24 países pesquisados pelo Ipsos, os cidadãos do Brasil foram claramente os mais confiantes sobre a força da economia nos próximos seis meses.

A Índia ficou em segundo lugar, com 61% de otimismo, seguida pela Arábia Saudita, com 47%, de acordo com a sondagem “Pulso Econômico do Mundo”, conduzida em dezembro.

Depois de França, os países menos otimistas foram Japão, Hungria e Grã-Bretanha, alimentando questionamentos sobre os hábitos de consumo de longo prazo de seus cidadãos.

“As pessoas não estão pessimistas como estavam em 2009. Mas há apenas uma confiança morna neste momento”, disse Cliff Young, analista do Ipsos Public Affairs, em referência à confiança global.

O panorama da economia global será o principal tema na agenda do Fórum Econômico Mundial em Davos, que acontece entre 26 e 30 de janeiro.

A Alemanha, cuja economia teve, em 2010, o maior crescimento desde a reunificação, foi a nação mais otimista da Europa. Mesmo assim, apenas 27 por cento dos alemães acredita que a economia irá se fortalecer mais. Apesar da recuperação econômica, o gasto dos consumidores alemães continua baixo.

A pesquisa do Ipsos, realizada mensalmente, também mostrou que o otimismo alemão caiu 8 pontos em dezembro. A Rússia viu uma queda semelhante.

No agrupamento por regiões, a mais otimista foi a América Latina, com 52%. As nações do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) registraram 50% de otimismo, enquanto Oriente Médio e África viram uma taxa de 32%. A Europa foi a região mais pessimista, com 16%.

A pesquisa foi realizada entre 10 e 20 de dezembro, com cerca de 19 mil pessoas.

(Reportagem de Catherine Bosley)