Ibovespa teve 1ª queda na semana ontem; dólar recuou para R$ 1,669

Fonte: Beatriz Cutait | Valor

SÃO PAULO – Os mercados de câmbio e de ações caminharam para o mesmo sentido na quinta-feira, com a queda das bolsas no Brasil e nos Estados Unidos, e do dólar em escala global.

Após Portugal, foi a vez de Espanha e Itália passarem por um teste de confiança no mercado. Os países foram bem sucedidos em seus leilões de dívida, mas pagaram um preço alto para se financiar.

No mercado cambial, a moeda americana encerrou o pregão brasileiro no território negativo, acompanhando o front externo.

O dólar comercial teve queda de 0,47%, cotado a R$ 1,667 na compra e a R$ 1,669 na venda. O giro interbancário somou US$ 800 milhões.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar pronto fechou a R$ 1,6682, queda de 0,48% em relação à quarta-feira. O volume caiu de US$ 266,250 milhões para US$ 71,205 milhões.

“O movimento no câmbio foi bem arbitrado com o mercado internacional. A queda do dólar não foi mais forte por conta do receio de que, a qualquer momento, o governo anuncie mais medidas para conter a valorização do real. Esse receio se transformou num temor constante”, explicou o diretor da Global Hedging, Wolfgang Walter.

Já na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), um movimento de realização de lucros pesou sobre os negócios e o Ibovespa teve a primeira baixa da semana.

O índice caiu 1,27%, aos 70.721 pontos, e teve volume financeiro de R$ 6,558 bilhões. Na semana, no entanto, o Ibovespa segue com alta, de 0,95%.

No mercado americano, o índice Dow Jones recuou 0,20%, enquanto o Nasdaq cedeu 0,07% e o S&P 500 perdeu 0,17%.

“Na quarta-feira, o mercado exagerou no otimismo com Portugal, foi incoerente. Os leilões ainda não sinalizam a confiança do investidor, os recursos obtidos têm sido pequenos perto do endividamento dos países. Há um alento imediato que logo passa”, afirmou o assessor de investimentos da corretora Souza Barros Luiz Roberto Monteiro.

Mais dados do mercado de trabalho americano ainda impulsionaram a trajetória das bolsas na última sessão. Os novos pedidos de seguro-desemprego no país aumentaram em 35 mil na semana passada, em relação à anterior, quando era esperada uma leve queda para o período.

No cenário corporativo doméstico, a trajetória das chamadas “blue chips’ foi determinante para o rumo do Ibovespa. Os papéis PN da Petrobras caíram 2,11%, a R$ 27,31, enquanto as ações PNA da Vale perderam 0,32%, a R$ 52,25. Os ativos ON da OGX Petróleo ainda cederam 1,52%, a R$ 20.

No mercado de juros futuros, os contratos tiveram nova sessão de alta. O estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, apontou que a formação de preços foi motivada pela expectativa dos investidores de alta da inflação, no primeiro trimestre deste ano, e pelos leilões de títulos realizados pelo Tesouro Nacional.

Segundo ele, o mercado segue apostando em uma alta da Selic de meio ponto percentual na próxima semana, porém a curva de juros indica que os agentes estão reavaliando as projeções para os próximos meses.

“Antes, a curva mostrava uma aposta em quatro reajustes consecutivos de 0,5 ponto. Agora, os preços dos contratos revelam aumentos mais acentuados da Selic, a partir da segunda reunião do Copom deste ano”, disse.

Para Nepomuceno, o mercado está “mais nervoso com relação ao avanço da atividade econômica do país” e também está pedindo mais prêmio de risco, devido às incertezas quanto à postura do novo governo.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro teve venda integral de 6,75 milhões de títulos ofertados no leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN), com giro financeiro de R$ 5,119 bilhões. Além disso, no leilão de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) – foram vendidas todas as 900 milhões de notas ofertadas, com movimento de R$ 812,7 milhões.

 “O governo promoveu uma rolagem grande da dívida pública e os investidores puxaram um pouco os preços para comprar os títulos do Tesouro em um patamar melhor”, explicou o gestor da Coinvalores.

Antes do ajuste final das posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em fevereiro de 2011 tinha alta de 0,05 ponto, a 10,95%, enquanto o de março de 2011 subia 0,02 ponto, a 11,06%. Já o contrato com vencimento em abril de 2011 tinha alta de 0,02 ponto, para 11,30%. O DI de julho deste ano, por sua vez, registrava valorização de 0,02 ponto percentual, para 11,80%.

Entre os DIs de prazos mais dilatados, o do início de 2012 registrava acréscimo de 0,01 ponto, a 12,29%. Por outro lado, o contrato de abertura de 2013 apresentava queda de 0,04 ponto, a 12,57%. Já o de janeiro de 2014 tinha estabilidade, a 12,45%. O contrato de início de 2015, por sua vez, subia 0,03 ponto, para 12,40%. Por fim, o DI de abertura de 2016 tinha alta de 0,03 ponto, para 12,25%, enquanto o contrato de janeiro de 2017 subia 0,01 ponto, também a 12,21%. 

Até as 16h10 de ontem, foram negociados 1,087 milhão de contratos, equivalentes a R$ 95,22 bilhões (US$ 56,7 bilhões). O contrato com vencimento em janeiro de 2012 foi novamente o mais negociado, com 280.150 contratos, equivalentes a R$ 25,049 bilhões (US$ 14,93 bilhões).

(Beatriz Cutait | Valor)

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