Vendas artificiais ajudam montadoras a bater recorde em dezembro

Fonte: Eduardo Laguna | Valor Online

SÃO PAULO – A corrida de montadoras e concessionárias para melhorar seus resultados – o que inclui vendas artificiais de carros – inflou os números do mercado de veículos em dezembro, quando foram negociados 361,197 mil automóveis e comerciais leves.

O volume, divulgado hoje pela Fenabrave (entidade que representa as revendas de carros), corresponde ao melhor desempenho em um mês na história.

No entanto, aproximadamente 45 mil unidades são decorrentes de uma antecipação no emplacamento de veículos, conforme informou hoje o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze.

A prática é comum em encerramentos de exercícios como forma de incrementar ou preservar as participações de mercados das montadoras. Também reflete o esforço final dos agentes para o cumprimento de metas, o que garante a eles bonificações.

Os carros são emplacados e entram nos balanços como vendas efetuadas, embora sigam nos estoques das revendas, sendo vendidos apenas posteriormente como carros usados, explicou Reze durante a divulgação dos números de 2010.

O resultado de dezembro ficou quase 100 mil unidades acima das previsões da entidade. Uma consequência da antecipação dos emplacamentos deve ser uma forte redução nas vendas de carros zero quilômetro em janeiro. Na indústria, fala-se em um tombo de 30% na comparação com dezembro, disse Reze.

O executivo disse que as medidas de restrição de crédito adotadas pelo governo no fim de 2010 e a tendência de aumento na taxa básica de juros não terão grande impacto no mercado, que deverá renovar seus recordes neste ano. “O consumidor continua tendo condições de compra”, afirmou Reze durante entrevista coletiva.

Contudo, espera-se que, em linha com o comportamento da economia, o setor perca fôlego. Em automóveis e comerciais leves, por exemplo, a estimativa é de um incremento de 4,2% neste ano, abaixo dos 10,63% de 2010.

As previsões levam em conta um crescimento de 4% a 4,5% no Produto Interno Bruto (PIB) e uma elevação de 2 pontos percentuais da taxa Selic até dezembro.

“Saindo de um ano em que o crescimento chegou a quase 8%, ainda será um belo resultado”, disse Tereza Fernandez, diretora da MB Associados, empresa de consultoria que presta serviços na área de análise macroeconômica para a Fenabrave.

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