Lula será recebido em São Bernardo com fogos e o ‘Tema da Vitória’

Fonte:  FLÁVIO FERREIRA – Folha.com

Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Festa será na frente do edifício de Lula, em São Bernardo (ABC)

O ex-presidente Lula será recebido com o “Tema da Vitória” de Ayrton Senna e uma queima de fogos na festa preparada para ele em São Bernardo do Campo (ABC).

O evento, organizado pelo diretório municipal do PT, contará com um palco montado na frente do prédio em que Lula tem uma cobertura, na avenida Prestes Maia. Um trecho de cerca de 100 metros da avenida foi interditado para a festa.

Nas ruas de acesso ao local já foram espalhadas várias faixas e cartazes saudando o ex-presidente. “Presidente Lula, seja bem-vindo a São Bernardo. Sua cidade lhe recebe de braços abertos” e ” Você não pode parar, o mundo precisa de você” são alguns dos dizeres dos impressos.

Até agora cerca de 30 pessoas chegaram ao local e enfrentam um chuva fina.

Estão previstas apresentações do cantor Sérgio Reis e da Orquestra de Violas de São Bernardo.

Dilma defende liberdade de imprensa e diz não sentir ‘ressentimento ou rancor’

Fonte: Folha.com

A presidente Dilma Rousseff, 63, defendeu a liberdade de imprensa e, com a voz embargada, afirmou que não tem qualquer “arrependimento, ressentimento ou rancor”.

“Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais; da liberdade de culto e de religião; da liberdade de imprensa e de opinião”, disse.

“Reafirmo que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra o arbítrio e a censura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos, no nosso país e como bandeira sagrada de todos os povos”, completou, muito aplaudida.

Emocionada, afirmou que entregou sua juventude “ao sonho de um país justo e democrático”, referindo-se à militância política durante os anos da ditadura militar (1964-1985), quando foi presa e torturada.

“Dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor”, afirmou.

Dilma promete ampliar Prouni e ‘consolidar’ SUS

Fonte: Folha.com

A presidente Dilma Rousseff, 63, prometeu, em seu discurso de posse, estender o Prouni para o ensino médio e tornar o SUS (Sistema Único de Saúde) “um dos maiores e melhores sistemas de saúde pública do mundo”.

O Prouni é um programa criado pelo governo Lula que oferece bolsas de estudo em universidades particulares para estudantes de baixa renda. Dilma afirmou que pretende fazer o mesmo para que adolescentes possam estudar em escolas particulares de ensino médio.

“Além do aumento do investimento publico vamos estender a vitoriosa experiência do Prouni para o ensino médio profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade”, disse.

Ela afirmou, no entanto, que o ensino de qualidade só existirá no Brasil quando “o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens”.

Sobre o SUS, ela disse que quer consolidá-lo.

“Quero ser a presidenta que consolidou o SUS, tornando-o um dos maiores e melhores sistemas de saúde pública do mundo”, disse. “O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura, com uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde”.

Durante o discurso, a palavra mulher foi citada 12 vezes por Dilma, enquanto ela falou miséria seis vezes. Já Lula foi lembrado cinco vezes durante o discurso.

Na posse, Dilma Rousseff projeta país de classe média sólida

Fonte: Folha.com

Img Evaristo Sá/AFP

Dilma Vana Rousseff, 63, foi empossada neste sábado a primeira mulher presidente da República do Brasil.

Num longo discurso de posse no Congresso Nacional, em que citou o escritor mineiro Guimarães Rosa (1908-1967), Dilma fez várias menções à questão de gênero, louvou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e prometeu erradicar a miséria e transformar o Brasil num país de “classe média sólida e empreendedora”

A presidente chorou no final da fala, ao falar sobre sua participação na luta armada contra a ditadura e homenagear os que “tombaram pelo caminho”. Ela fez menção à tortura ao dizer que suportou as “adversidades mais extremas” infligidas a quem “ousou” “enfrentar o arbítrio”. “Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor”.

Tendo na plateia ministros de Lula afastados sob acusação de envolvimento em escândalos, como José Dirceu e Erenice Guerra, Dilma prometeu ser “rígida” no combate à corrupção. “Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito.”

A forte chuva em Brasília impediu o desfile em carro aberto que a presidente faria da catedral até o Congresso, mas cessou no momento em que ela subiu a rampa para receber a faixa presidencial das mãos de Lula. O público que foi à Esplanada dos Ministérios era estimado em 30 mil pessoas pela Polícia Militar.

Amanhã, Dilma comanda a primeira reunião de coordenação de governo. Sete ministros tomam posse hoje. A primeira preocupação da presidente é definir o corte nas despesas do Orçamento, estimado em estudos preliminares em pelo menos R$ 20 bilhões.

PARLATÓRIO

No discurso que fez ao povo reunido na Praça dos Três Poderes, a presidente focou em elogiar o seu antecessor a quem chamou de “o maior líder popular que este país já teve”.

Ela disse que o presidente Lula deverá contribuindo com o governo, mesmo após deixar o cargo. “Lula estará conosco. Sei que a distancia de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade”, afirmou.

“Ter a honra de seu apoio, privilegio de sua convivência, aprendido com sua imensa sabedoria são coisas que se guarda para a vida toda.

Ela disse estar feliz — “como raras vezes estive”– e fez uma homenagem aos “companheiros que tombaram na caminhada”, referindo-se à resistência política durante o período da ditadura militar (1964-1985), quando foi presa e torturada.

No parlatório do Palácio do Planalto, ela repetiu pontos do discurso feito no Congresso Nacional e disse que irá governar “para todos os brasileiros”. “Cuidarei com muito carinho dos mais frágeis”.

Emocionada, Dilma finalizou sua fala, dizendo que o Brasil tem condições de se tornar o “maior e o melhor país para se viver”.

DESPEDIDA DE LULA

Após passar a faixa para Dilma, Lula saiu do parlatório. Depois do discurso, a presidente e o vice acompanharam o ex-presidente na descida da rampa do Planalto.

Lula ainda abraçou as pessoas que estavam próximas ao palácio. O corpo a corpo também aconteceu na Base Aérea de Brasília.

Antes de embarcar no Aerolula para São Paulo, o ex-presidente ainda ouviu uma banda tocar, entre outros, o “Tema da Vitória” e o hino do Corinthians.

“Lula estará conosco”, diz Dilma, em segundo discurso como presidente

Fonte: Maurício Savarese Do UOL Notícias Em Brasília

Em seu primeiro discurso já com a faixa presidencial, e o segundo após ser empossada, Dilma Rousseff citou várias vezes o mentor e antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, repetiu acenos à oposição e lembrou dos companheiros de guerrilha que conviveram com ela durante a ditadura militar (1964-1985). Durante a cerimônia no escritório do governo neste sábado (1º), a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente no país se emocionou ao discursar.

Depois de subir a rampa do Palácio do Planalto e abraçar demoradamente o homem que a projetou, Dilma afirmou que, mesmo não ocupando cargos políticos, o ex-presidente continuará contribuindo com o governo. “Lula estará conosco. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza”, afirmou, após receber a faixa no parlatório do Palácio do Planalto, ao lado do vice, Michel Temer. “A tarefa de suceder Lula é desafiadora. Saberei honrá-la e irei avançar.”

“Estou feliz como raras vezes estive na vida, com a oportunidade que a história me deu de ser a primeira mulher na história a governar o Brasil. Mas estou mais feliz pela honra de seu apoio, de ter o privilégio de sua convivência e ter apreendido com sua imensa sabedoria”, disse Dilma, referindo-se a Lula.

Dilma creditou sua eleição ao ex-presidente. “A vontade do nosso povo levou um operário à Presidência. Seu esforço, sua dedicação e seu nome já estão gravados no coração do povo, o lugar mais sagrado que existe”, disse. “Lula liderou as principais transformações na história do país. Permitiu que o povo tivesse uma nova ousadia: colocar uma mulher na presidência do Brasil.”

Tom informal
O segundo discurso da presidente, sem ter ao lado aquele que chamou de “maior líder popular que este país já teve”, durou menos de 13 minutos e teve um tom mais informal do que o primeiro pronunciamento (assista ao lado), feito na Câmara dos Deputados. O tom utilizado lembrou o do texto lido por ela após sua vitória nas eleições de outubro. O vice de Lula, José Alencar, internado em São Paulo, foi lembrado.

“Uma mulher, importante líder indiana, diz que não se pode dar um aperto de mão com os punhos fechados. Meus braços estarão abertos desde os nossos aliados mais próximos até aqueles que não estiveram conosco no processo eleitoral”, disse.

Menção especial também mereceram os companheiros de Dilma durante a luta contra a ditadura. “Não carrego hoje nenhum ressentimento, nem espécie de rancor. A minha geração veio para a política em busca da liberdade, num tempo de escuridão e medo. Pagamos o preço da nossa ousadia. Aos companheiros meus que tombaram nessa caminhada, a minha eterna lembrança”, afirmou ela, que ficou presa por três anos na década de 70 e que foi torturada na prisão. Colegas de cela daquele período estiveram presentes na cerimônia no Palácio do Planalto, assim como a mãe e a tia da petista.

No final do discurso, Dilma citou Deus: “Que Deus abençoe o brasil e o povo brasileiro. Que todos nós juntos possamos construir um mundo de paz. Eu darei todo meu empenho para fazer com que as transformações dos últimos oito anos continuem, prossigam e se expandam”.

Coro, só para Lula

Momentos antes de passar a faixa presidencial a Dilma, Lula chegou ao saguão do Palácio do Planalto risonho. Cumprimentou ministros com tom debochado: “Juízo, meninos”, repetiu. A mulher dele, Marisa Letícia, chorou ao abraçar amigas. Por pelo menos um minuto, os convidados entoaram o nome do agora ex-presidente. A nova ocupante do cargo não teve o nome gritado dentro do palácio nenhuma vez.

Entre os convidados, estavam os ex-ministros-chefes da Casa Civil, Erenice Guerra e José Dirceu – ambos excluídos do governo anterior em escândalos de corrupção. Erenice é suspeita de tráfico de influência e nepotismo, enquanto Dirceu deixou o cargo ao ser indicado como articulador do mensalão.

Em primeira fala, Dilma promete erradicar a pobreza extrema, chora e lembra Lula

Fonte: Carlos Bencke  Do UOL Notícias Em Brasília

Em seu primeiro discurso já empossada como a primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Rousseff prometeu erradicar a pobreza extrema. Referindo-se o tempo todo “às queridas brasileiras e aos queridos brasileiros”, Dilma afirmou que “a luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos”.

“Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do presidente Lula, mas ainda existe pobreza no Brasil”, disse a presidente. “Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. E este é o sonho que vou perseguir.”

Choro
Dilma chorou em dois momentos. Primeiro, ao dizer que a partir de agora tinha se tornado “a presidenta de todos os brasileiros” e, depois, ao recordar os companheiros da sua geração que “tombaram pelo caminho”. Em um discurso de 40 minutos no plenário da Câmara, a petista lembrou ainda o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se comprometeu a erradicar a miséria.

Dilma se emocionou pela primeira vez ao dizer que havia se tornado a presidente de todos os brasileiros já próximo do fim do discurso. Em seguida, fez menção à época em que combateu a ditadura. “Não tenho ressentimento ou rancor”, disse. E completou, já com lágrimas nos olhos novamente: “Muitos dos meus companheiros da minha geração que tombaram pelo caminho não podem compartilhar deste momento”.

Antes do discurso, Dilma leu e assinou, juntamente com o vice-presidente Michel Temer, o compromisso constitucional de posse, quando se tornou oficialmente a primeira presidente do Brasil.

Mulheres
Dilma reforçou, logo no início do pronunciamento, o fato de, pela primeira vez na história do Brasil, uma mulher assumir a presidência. “É a primeira vez que uma faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher”, afirmou.

“Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres também possam, no futuro, serem presidentas; e para que -no dia de hoje- todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher.”

Lula
A pupila do ex-presidente Lula não esqueceu de mencionar seu mentor. “Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida”, disse.

Segundo Dilma, Lula “levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro de seu país”. Ela prometeu dar continuidade ao que chamou de “maior processo de afirmação que o Brasil já viveu”.

“Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixou para todos nós”, completou.

Alencar
Dilma também homenageou José Alencar. “Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do presidente Lula nestes oito anos: nosso querido vice José Alencar”. O ex-vice-presidente não pôde participar da cerimônia de posse por estar internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

“Que exemplo de coragem e de amor à vida nos dá este homem! E que parceria fizeram o presidente Lula e o vice-presidente José Alencar, pelo Brasil e pelo nosso povo”, afirmou, arrancando aplausos dos presentes.

Dilma também prometeu a manutenção do combate à inflação e disse que fará um trabalho permanente de controle dos gastos públicos.

La présidente “Dilma”, son héritage et ses défis

Source: LEMONDE | 30.12.10 | 15h50  •  Mis à jour le 30.12.10 | 15h53

Un ouvrier, une femme. Pour la deuxième fois, la démocratie brésilienne, naguère violentée, aujourd’hui vibrante, innove avec bonheur. Samedi 1er janvier, l’ancien “métallo” Luiz Inacio Lula da Silva cédera son fauteuil à sa dauphine, Dilma Rousseff, l’ex-guérillera, devenue économiste et technocrate, élue il y a deux mois première femme présidente du Brésil.

“Dilma”, comme chacun l’appelle, accède à la fonction suprême dans un contexte bien plus enviable que celui de 2002. Nul besoin, comme alors, de rassurer les milieux d’affaires qu’effrayait encore, malgré ses promesses apaisantes, le syndicaliste barbu. Grâce au pragmatisme de Lula, jamais démenti en huit ans, les capitaux affluent désormais à la Bourse de Sao Paulo, pour s’investir ou spéculer.

La nouvelle présidente bénéficie de l’héritage de son prédécesseur. Une démocratie consolidée, délivrée de l’inflation, à la richesse décuplée par l’envol du cours des matières premières. Croissance, emploi, consommation, monnaie : les grands indicateurs du Brésil sont au vert. Avec, en prime, un fabuleux trésor pétrolier qui dort au large de ses côtes.

Au réalisme économique s’ajoute une relative audace sociale. Grâce au dynamisme ambiant et à une gamme d’aides familiales, quinze millions de Brésiliens ont, depuis huit ans, échappé au chômage, intégré l’économie formelle et cessé d’être pauvres ou très pauvres. Ils ont rejoint l’armée grandissante des classes moyennes, avides de posséder, de consommer et de mieux vivre.

Comme toute entreprise inachevée, celle de Lula comporte sa part d’ombre, où Dilma Rousseff affrontera ses plus grands défis. L’enseignement reste médiocre et inégalitaire. Le système de santé fonctionne à deux vitesses. La violence et l’insécurité gangrènent les métropoles. La corruption et le népotisme rongent la vie publique dans un pays où la politique est souvent perçue comme un simple moyen de s’enrichir. Les infrastructures exigent d’être rapidement développées pour relever notamment le défi du Mondial de football (2014) et des Jeux olympiques (2016).

Lula lègue à la nouvelle présidente un pays écouté et respecté dans l’arène internationale. Le Brésil y est devenu un acteur majeur qui s’attire beaucoup de louanges et déjà quelques reproches, par exemple à propos de son rapprochement avec le régime de Téhéran. Dans ce domaine, “Dilma” a commencé à faire entendre sa différence en exprimant avec force son souci des droits humains, en particulier ceux des femmes, en Iran et ailleurs.

Mme Rousseff doit son glorieux destin au soutien inflexible de son mentor, dont elle ne possède ni le charisme ni les dons de tribun, il est vrai hors de pair. Elle aura sans doute à coeur de s’émanciper peu à peu de cette tutelle bienveillante. Professeur d’optimisme, Lula a dopé le moral de la nation. Cette confiance collective profite à sa protégée. Plus de quatre Brésiliens sur cinq prédisent qu’elle gouvernera aussi bien, voire mieux, que le président le plus populaire de l’histoire du Brésil. A elle de ne pas les décevoir.

Brésil : les défis qui attendent Dilma Rousseff

Source: LEMONDE pour Le Monde.fr | 01.11.10 | 16h11  •  Mis à jour le 01.01.11 | 15h48

Rio de Janeiro, correspondant – Brillamment élue dimanche 31 octobre, première présidente de l’histoire du Brésil, Dilma Rousseff prendra ses fonctions pour quatre ans le 1er janvier 2011. Elle prêtera serment au Parlement sur la Constitution brésilienne en début d’éprès-midi, heure locale, devenant officiellement la 40e présidente du Brésil et la première femme à diriger le géant sud-américain de 191 millions d’habitants

Choisie par le président Luiz Inacio Lula da Silva pour lui succéder, “Dilma”, comme l’appellent les Brésiliens, a promis de garantir la “continuité” politique, diplomatique, économique et sociale de l’actuel gouvernement. C’est même cette promesse qui fut la clé de sa victoire.

Lula lui a légué, reconnaît-elle, un “héritage béni”. Une croissance économique de plus de 7% cette année. Une pauvreté et un chômage en baisse. Des revenus à l’exportation, agricoles et miniers, en forte expansion, grâce notamment à la bonne tenue des cours mondiaux. Un épais coussin de devises de 250 milliards de dollars. Des promesses de richesse avec le pétrole et le gaz découverts dans les eaux très profondes de l’Atlantique. Un sentiment de bien-être d’une grande partie de la population qui peut dépenser et consommer plus. Et sur le plan politique, une forte majorité pro-gouvernementale au Parlement, qui lui permettra, si elle le souhaite, de réformer la Constitution.

Pays émergent doté de la huitième économie du monde, le Brésil reste aussi, par bien des aspects, une nation du tiers-monde. Lors de son premier discours de présidente-élue, dimanche soir, à Brasilia, Dilma Rousseff a réaffirmé son engagement fondamental : “éradiquer la misère”, “en finir avec la faim”.

Sous les huit ans de règne de Lula, la pauvreté a nettement reculé. Mais le pays compte encore 30 millions de personnes dans la misère, sur une population de 190 millions. Il manque 5 millions de logements. Un tiers des Brésiliens ne disposent pas du tout-à-l’égout et des conditions d’hygiène minimale. Les services de santé restent déficients et souvent trop chers.

ÉDUCATION MÉDIOCRE

L’éducation, véritable talon d’Achille du Brésil, demeure médiocre, notamment dans le primaire et le secondaire, et empêche de former la main d’œuvre qualifiée dont le pays a besoin en cette période de croissance. La violence urbaine est un fléau nourri par les trafics de drogue. De manière plus générale, le Brésil est, malgré Lula, l’une des sociétés les plus inégalitaires de la planète.

Lula a amélioré le sort des plus pauvres. Mais, contraint, pour gouverner, de conclure des compromis permanents avec les partis d’opposition, il n’a jamais eu les moyens ni la volonté de s’attaquer à la corruption, de combattre la bureaucratie, ou d’entamer une réforme politique du système passant notamment par le financement public des partis. Dilma pourra-t-elle faire mieux ?

Pendant son règne, la présidente devra aussi moderniser les infrastructures vétustes et saturées du pays (routes, aéroports, ports) pour accueillir le Mondial de football en 2014 et les jeux Olympiques de 2016.

Avant de prendre ses fonctions, Dilma espère que Lula règlera certains dossiers en souffrance dont l’un concerne directement la France : la modernisation de l’armée de l’air brésilienne. Lula confirmera-t-il son choix en faveur de l’avion Rafale, que fabrique le groupe Dassault ? En tout cas, Nicolas Sarkozy a été dimanche soir le premier chef d’Etat à féliciter “très chaleureusement” la nouvelle présidente en se réjouissant que la France et le Brésil soient des “partenaires privilégiés”.

Jean-Pierre Langellier

Brazil’s New Leader Begins in Shadow of Predecessor

Source: By ALEXEI BARRIONUEVO – The New York Times

SÃO PAULO, Brazil — When Dilma Rousseff assumes the presidency of Brazil on Saturday, she will do so at a time when her country is thriving economically and full of swagger, eager to flex more of its newfound wealth and influence at home and abroad.

But Ms. Rousseff, the first woman to be elected president of Latin America’s biggest country, will have especially big shoes to fill, having to succeed the nation’s most popular leader in history, Luiz Inácio Lula da Silva.

While Ms. Rousseff has been eager to show that she is not a political puppet of Mr. da Silva, analysts say the challenge before her is one that her predecessor managed fairly well: balancing an ambitious domestic agenda with securing Brazil’s global position.

Since being elected in October, Ms. Rousseff has mostly reassured investors that she is not looking to steer the country further to the left than under Mr. da Silva, who faced those same concerns when he was elected in 2002, before he adopted a pragmatic approach.

“As Lula’s handpicked successor, Dilma will have to deal with high expectations for continued gains,” said Michael Shifter, president of the policy research and advocacy group Inter-American Dialogue. “Her appointments, decisions and comments to date have been reassuring for those who were nervous that she would be tempted to pursue a radically different course from Lula.”

While many expect her to mostly follow the economic course paved by Mr. da Silva, she has already signaled that she will adopt a tougher stance on some issues, including Iran, a subject that deeply divided Brazil and the United States last year.

On his final day in office, Mr. da Silva left his successor with a still brewing international dispute to grapple with. On Friday, Mr. da Silva decided not to extradite a former Italian guerrilla, Cesare Battisti, despite a decision by Brazil’s Supreme Court in 2009 that he should be extradited to Italy on murder convictions in Italy from the 1970s.

“I consider this situation is anything but closed,” Prime Minister Silvio Berlusconi of Italy said in a statement on Friday.

Strong-willed and short-tempered, Ms. Rousseff, 63, is viewed as more of an ideologue than Mr. da Silva, for whom she worked as chief of staff. She favors more state control over industries, including Brazil’s rapidly expanding oil sector. But she also has a reputation as a pragmatic deal maker.

She will have the support of two-thirds of Congress, and analysts see Mr. da Silva working behind the scenes with the leaders of the 10 parties that form her presidential coalition.

Ms. Rousseff filled about half of her 37-member cabinet with ministers already serving under Mr. da Silva, including Finance Minister Guido Mantega. She appointed some well-respected professionals for other key posts.

Ms. Rousseff takes over at a time when Brazil is still in the midst of a domestic consumption boom and has record-low unemployment of 5.7 percent. The economy is projected to grow by 4.5 percent in 2011.

She inherits a country that is in significantly better economic shape than the one Mr. da Silva took over in 2003. By expanding cash-transfer programs for the poor, subsidizing housing loans and raising the minimum wage, his government pulled more than 20 million people out of poverty. The middle class has grown by 29 million people since 2002.

The country, which received a record $30 billion bailout from the International Monetary Fund when it was close to economic collapse in 2002, now lends money to the I.M.F.

“When President Lula came to office, Brazil was a regional power with global ambitions,” said Thomas A. Shannon Jr., the American ambassador to Brazil. “Today, Brazil is an aspiring global power with regional interests and international responsibilities. That is a significant change from eight years ago.”

Global ambitions led Mr. da Silva and the departing foreign minister, Celso Amorim, to try to broker a compromise on Iran’s nuclear program. Secretary of State Hillary Rodham Clinton discounted the deal that Brazil and Turkey had brokered as a “ploy” by Iran to delay sanctions, and friction worsened when Brazil voted against the sanctions sought by the United States at the United Nations Security Council.

Antôniode Aguiar Patriota, who served as ambassador to Washington under Mr. da Silva, will be charged as Ms. Rousseff’s new foreign minister with rebuilding mutual trust between the countries, “which was badly damaged by the Iranian episode,” said Paulo Sotero, director of the Brazil Institute at the Woodrow Wilson International Center for Scholars.

Mr. Shannon said the countries had put the issue behind them. “We got the resolution we wanted, and the Brazilians have committed themselves to implementing that resolution, so that’s it,” he said.

Still, Ms. Rousseff declined an invitation by President Obama to visit the White House before her inauguration, saying she was too occupied with forming her new government, but hoped to visit soon. Mrs. Clinton is scheduled to attend Saturday’s inauguration in Brasília.

Mr. Shannon said Ms. Rousseff’s recent comments in The Washington Post were reassuring on the question of human rights, an area where the da Silva government drew criticism from Washington and which Ms. Rousseff feels deeply about, having been brutally tortured during Brazil’s dictatorship.

She said in the Washington Post interview that Brazil’s abstention in a recent United Nations vote condemning stoning as a method of execution was “an error,” and she signaled her misgivings, shared by many Brazilians, about Mr. da Silva’s failed Iran mediation effort.

“She differentiated herself rapidly with respect to Iran,” said Julia Sweig, director of the Global Brazil Initiative at the Council on Foreign Relations.

On the domestic front, Brazil faces significant challenges in infrastructure development, education and health, as well as with regulatory and tax barriers that are limiting high-end economic growth, analysts said. Ms. Rousseff has said her principal goal is to fight poverty, and she also will oversee the preparations for the 2014 World Cup and for the 2016 Olympics in Rio de Janiero.

Mr. da Silva, the 65-year-old former metalworker with a fourth-grade education, leaves office with an approval rating of more than an 80 percent.

In his final days, Mr. da Silva sent some parting shots to the United States, saying American policies toward Latin America had changed “little or not at all” since Mr. Obama took office. And he seemed to express personal satisfaction about the American economic crisis. Mr. Shannon declined to comment on the statements.

Still, in his waning hours in office Mr. da Silva was able to inspire Brazilians in a way that Ms. Rousseff will be hard-pressed to duplicate. In his final nationally televised address last week, he underscored what many analysts see as his singular accomplishment.

“Today, all Brazilian men and women believe more in their country and themselves,” he said. “This is a shared victory for all of us.”

Baixa renda garante expansão do mercado de cartões

Brasil deve chegar à marca recorde de 700 milhões de cartões em 2011.

Claudio Rossi/EXAME.com

Expansão da baixa renda vai impulsionar mercado de cartões em 2011.

São Paulo – O mercado brasileiro de cartões de crédito e débito deve atingir a marca de 700 milhões de unidades em 2011. O número recorde deve ser puxado principalmente pela expansão do produto nas classes de baixa renda e pela contínua migração de outros meios de pagamento, como cheque ou dinheiro, para os cartões.

A expectativa é que esses cartões façam mais de 8 bilhões de transações ao longo de todo o ano, movimentando mais de R$ 650 bilhões em pagamentos, uma expansão de 20% na comparação com 2010, conforme estimativas preliminares da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Segundo analistas, o mercado de cartões deve ganhar dinamismo extra em 2011 por conta da chegada da bandeira Elo, criada pelo Banco do Brasil e pelo Bradesco. A Caixa Econômica Federal também já anunciou que vai emitir o cartão Elo, voltado basicamente para a baixa renda.

Por isso mesmo, alguns especialistas já argumentam que as projeções para este ano devem ser revistas para cima logo no primeiro trimestre, para incorporar o desempenho da nova bandeira, que deve ganhar mercado rapidamente em razão da força dos três bancos nas classes de menor renda. O objetivo da Elo é ter uma fatia de 15% do mercado brasileiro de cartões de crédito em um período de cinco anos.

O diretor da Abecs e do Bradesco, Marcelo Noronha, destaca que os pagamentos com cartões devem atingir a marca de 25,7% do consumo das famílias este ano, ante 24% em 2010. Em 2008, esse número era de 20,7%. Apesar do crescimento, esse índice ainda é pequeno quando comparado a países desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde os pagamentos com cartões correspondem a 44% do consumo das famílias, e na França, onde esse número atinge 38%. Por isso, o executivo acredita que o setor de cartões deve continuar crescendo com taxas expressivas nos próximos anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.