Para Dieese, mínimo deveria ficar entre R$ 550 e R$ 560

Segundo a instituição, aumento para R$ 540 corresponde a uma queda real de 0,55% no valor

Fonte:  – Exame.com

                                                                                                Beatriz Albuquerque /Cláudia

Segundo o Dieese, cada R$ 1 a mais no mínimo traz impacto de R$ 249,3 mi na Previdência

O diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, afirmou hoje, de Montevidéu, ser contrário à decisão do governo de elevar o salário mínimo para R$ 540 em janeiro, como manifestou ontem o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. O reajuste, segundo o Dieese, interrompe a política de valorização do piso nacional, pois representaria uma queda real de 0,55% ao levar em consideração a variação do indexador oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). “Seria mais adequado um aumento real ao redor de 4%, que significaria levar o mínimo para um patamar entre R$ 550 a R$ 560 no ano que vem”, comentou.

De acordo com a nota técnica “Política de Valorização do Salário Mínimo: considerações sobre o valor a vigorar a partir de primeiro de janeiro de 2011”, divulgada hoje pelo Dieese, um aumento de R$ 1 do salário mínimo representa um impacto de R$ 249,3 milhões na folha de benefícios da Previdência Social. A instituição estima que a elevação do mínimo de R$ 510 para R$ 540 representará uma despesa adicional de R$ 7,5 bilhões.

Segundo Lúcio, é “compreensível” a posição do governo, segundo a qual a presidente eleita Dilma Rousseff pretende melhorar a gestão fiscal e sinalizar para os agentes econômicos que sua administração será austera na área fiscal e conseguirá economizar 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Orçamento em 2011, o que é a meta de superávit primário. A nova administração federal quer harmonizar as políticas fiscal e monetária a fim de reduzir ao máximo o ciclo de alta de juros em 2011, que poderá ser iniciado no dia 19 de janeiro pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC)

O diretor-técnico do Dieese reconheceu que uma variação do mínimo de R$ 540 para a marca que defende, entre R$ 550 e R$ 560 representaria um gasto adicional para as contas da Previdência Social entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões. “Esse é um valor expressivo, mas é preciso lembrar que, quando o Banco Central eleva os juros numa canetada, essa despesa é quatro vezes maior” comentou.

Dívida pública

De acordo com o economista da consultoria Tendências André Sacconato, o governo deve gastar R$ 188 bilhões com juros da dívida pública federal neste ano, quando a Selic média no ano será de 10%. Segundo ele, como a taxa deve subir em 2011 e atingir a média de 12%, tais despesas devem atingir R$ 225 bilhões.

“Talvez o governo esteja sendo prudente demais ao não conceder aumento real do salário mínimo no próximo ano, que se tornou um dos principais instrumentos que viabilizaram a melhoria da distribuição de renda no País no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, comentou o diretor-técnico do Dieese. De acordo com a nota técnica divulgada pela instituição, com a alta do mínimo para R$ 540, o vencimento nacional deve registrar um aumento real de 52,83% desde 2003.

Segundo Lúcio, seria melhor que o Poder Executivo adotasse uma agenda conjunta de apreciação do mínimo ao redor de 4% com estímulo a investimentos, sobretudo do setor privado. “Seria fundamental, por exemplo, implementar a reforma tributária, desonerar as exportações e também a aplicação de recursos pelas empresas no aumento da Formação Bruta de Capital Fixo”, destacou.

Para Lúcio, também seria fundamental que o governo se dedicasse com grande vigor à desindexação da economia. De acordo com o BC, 29,5% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) são compostos por preços administrados, que são insensíveis às condições de oferta e de demanda porque são estabelecidos por contratos ou por órgãos públicos. Entre tais preços, fazem parte tarifas de serviços telefônicos, eletricidade, planos de saúde e derivados de petróleo, como gasolina, gás de cozinha e óleo para motores.

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Economist destaca desafios de Dilma ao assumir o país

Segundo a revista britânica, a futura presidente começa a sair da sombra de Lula, mas pode ser encoberta por uma ainda maior

Fonte: Eduardo Tavares, de EXAME.com

Dilma vai assumir um país com inflação crescente, juros elevados e infraestrutura insuficiente

Paulo – Matéria da revista britânica The Economist, que vai às bancas nesta quinta-feira (30/12), mostra que, a dois dias da posse, Dilma Rousseff pode ficar satisfeita com seu desempenho até aqui, mas com reservas. A parte boa é que ela fez um trabalho razoável ao selecionar seus 37 ministros, satisfazendo a demanda de seu próprio partido e da coligação. Por outro lado, a partir do próximo sábado (1/01), a presidente terá sob seu comando um país cuja economia cresce de forma explosiva, mas que também ostenta uma inflação em ascensão, altas taxas de juros, infraestrutura insuficiente e uma situação fiscal preocupante.

Das escolhas bem sucedidas que Dilma fez para escalar sua equipe, a Economist destaca o chamado de Palocci para a Casa Civil e de Alexandre Tombini para o Banco Central (BC). No primeiro caso, a presidente eleita mostrou auto-confiança ao dar um papel menor do que o esperado a um nome forte da política, ex-ministro da Fazenda. Já a nomeação de Tombini, um funcionário de carreira do BC, para a presidência do banco é vista como um sinal positivo de Dilma ao mercado, que espera alguma ortodoxia na condução da política econômica.

Os acertos de Dilma na transição entre governos fizeram a revista britânica afirmar que ela “começa a sair da sombra de Lula”. Mas ao assumir o país, a nova presidente pode ser encoberta por uma sombra ainda maior. Embora o atual estado da economia brasileira garanta ao presidente Lula um fim de mandato tranqüilo, ainda há muitos problemas a serem resolvidos, e o tempo para isso é exíguo.

A Economist enfatiza que alguns dos maiores desafios são também os mais urgentes. Boa parte deles se concentra na infraestrutura. A quatro anos de sediar a Copa do Mundo e a seis de receber as Olimpíadas, o país tenta resolver questões como a insuficiência de seu transporte aéreo. Segundo a revista, a administração dos aeroportos do país permanece nas mãos de uma empresa – a Infraero – que é “sinônimo de obstrução burocrática e incompetência. Dos mais de 5 bilhões de reais que a empresa recebeu para investir até 2014, mais da metade foi destinado a projetos que estão atrasados.”

Dilma tem pela frente a tarefa de aumentar a eficiência da administração do sistema aeroportuário em um momento de pressão sobre o setor: “em 2009 o número de passageiros aumentou 13%, e é esperado um crescimento ainda mais forte”, lembra a revista.

De acordo com o texto, os maiores obstáculos ao sucesso da futura presidente no que se refere aos investimentos em infraestrutura, serão seus próprios companheiros políticos. “Se ela ainda não sabia disso, recebeu um aviso no dia 15 de dezembro, quando os membros do Congresso votaram para si mesmos um aumento de 62% nos salários. Muitos governos estaduais e municipais já seguiram o exemplo. Se todos o fizerem, o custo total será de 2,2 bilhões de reais por ano”, diz a Economist. Esta é justamente a direção oposta àquela em que o governo deveria caminhar para atingir seus objetivos. A revista lembra que apenas com um programa consistente de reajustes fiscais o governo terá sucesso no controle da inflação e do câmbio.

Governo precisa economizar R$ 20 bilhões para alcançar a meta fiscal do ano

Desde 2001, apenas um mês de dezembro em que o setor público conseguiu terminar com dinheiro em caixa para abater os juros da dívida

Fonte: Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da  – Exame.com

 

Segundo Arno Augustin, secretário do Tesouro, resultado em dezembro deve ser forte

Brasília – Para o governo cumprir a meta fiscal do ano sem lançar mão de abatimentos, promessa que ontem começou a ser abandonada, será preciso economizar cerca de R$ 20 bilhões em dezembro – o equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas os números dos últimos anos mostram que esse objetivo é bastante ousado: desde 2001, houve apenas um mês de dezembro em que o setor público conseguiu terminar com dinheiro em caixa para abater os juros da dívida, o chamado superávit primário. Isso ocorreu em 2009, quando o saldo somou apenas R$ 156 milhões ou menos de 1% do esforço necessário para cumprir a meta de 2010. Nos demais anos, dezembro terminou no vermelho.

De acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC), o setor público (composto por União, Estados, municípios e suas empresas estatais) registrou superávit primário de R$ 4,17 bilhões em novembro. Com isso, o esforço fiscal acumulado nos 12 meses encerrados em novembro atingiu R$ 90,99 bilhões, o equivalente a 2,51% do Produto Interno Bruto (PIB). A meta fiscal, sem os abatimentos permitidos, é de 3,1% do PIB, o que em valores nominais, considerando-se o PIB estimado pelo BC, seria algo em torno de R$ 112 bilhões.

Pagamentos

Tradicionalmente, as contas públicas ficam no negativo em dezembro, graças ao pagamento da segunda parcela do 13.º salário de servidores e aposentados e férias de muitos funcionários públicos. Além disso, há aumento no ritmo de obras para que sejam executados pagamentos previstos no Orçamento do ano.

Isso explica por que o último mês do ano termina sem dinheiro para pagamento de juros da dívida. Em dezembro de 2008, por exemplo, o setor público apresentou déficit de R$ 20,9 bilhões. A despeito do histórico negativo, o discurso do governo é otimista. Na terça-feira, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse que o governo central deve ter um “resultado forte”, provavelmente com superávit primário de dois dígitos. Augustin explica que o resultado virá com aumento da arrecadação, que contará com receitas de cobranças e dividendos de estatais.

“É praticamente impossível realizar primário de R$ 20 bilhões em dezembro. Se o resultado vier positivo, já será motivo para comemoração. Se vier forte, deve ser fruto de alguma manobra”, disse o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Apesar do discurso de que o governo central dever ter um resultado forte em dezembro, os integrantes da equipe econômica já admitem que o resultado não deverá ser suficiente para cumprir a meta do setor público.

Ontem, o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, aderiu ao coro e também jogou a conta do descumprimento da meta para Estados e municípios. “O governo central tem situação mais confortável que os governos regionais”, disse Maciel. Diante da situação, ele ressaltou que, se outras instâncias não conseguirem cumprir a meta, “o governo tem a prerrogativa de abater investimento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”.

Apesar dos dados negativos, Bráulio Borges observou que há sinais de que o gasto do governo tem desacelerado. Segundo o economista, as despesas públicas cresceram, na média, 1,2% ao mês entre outubro de 2008 e junho de 2010. Desde julho, o ritmo caiu para 0,3%. “Uma desaceleração bastante expressiva em relação ao ritmo que vigorou nos dois anos anteriores”, avalia. Túlio Maciel anunciou ontem o aumento da projeção oficial para a dívida líquida do setor público em relação ao PIB em 2010, de 40% para 40,3%.

Petrobras fecha 2010 com média diária recorde de 2,003 mi de barris

Fonte: Rafael Rosas | Valor Online

RIO – A Petrobras vai encerrar 2010 com produção média diária de 2,003 milhões de barris de petróleo produzidos no Brasil, novo recorde para a companhia. O resultado foi possível graças aos bons resultados de dezembro, quando a média diária ficou em 2,120 milhões de barris por dia, superando o recorde anterior de 2,033 milhões de barris de óleo por dia produzidos em abril de 2010.
 
Com isso, a produção média diária de petróleo em dezembro ficou 4,4% acima dos 2,030 milhões de barris produzidos em novembro. Além do recorde na média mensal, a estatal produziu no dia 27 de dezembro 2,256 milhões de barris nos campos brasileiros, seu novo recorde para um único dia.
 
Em comunicado enviado ao mercado, a empresa ressalta que o bom desempenho em dezembro foi consequência da entrada em operação de cinco novos poços na bacia de Campos. Nos campos de Cachalote e Baleia Franca, interligados à plataforma FPSO-Capixaba foram conectados o CHT-9 e o BFR-3; em Jubarte, ligados à plataforma P-57, iniciaram a produção dos poços JUB-9 e JUB-14; enquanto no campo de Caratinga, conectado à P-48, entrou em produção o CRT-43, batizado provisoriamente de Carimbé, situado na camada pré-sal.
 
“Com a contribuição agregada desses cinco poços, foi possível acrescentar mais de 100 mil barris por dia à produção da Petrobras no Brasil”, diz a nota distribuída pela Petrobras.
 
A companhia também frisou que o “bom desempenho” dos campos localizados em áreas maduras das regiões Norte, Nordeste e no Estado do Espírito Santo contribuiu para os resultados de dezembro. Essas áreas vinham em trajetória declinante de produção, mas em 2010 mantiveram uma produção média em torno de 123 mil barris de petróleo por dia.
 
A empresa destacou ainda a entrada em produção do poço SPS-55, que deu início ao Teste de Longa Duração da área de Guará, no pré-sal da bacia de Santos.