Avaliação de Tupi exige mais tempo

Fonte: Claudia Schüffner | Do Rio – Valor Online

Na sexta-feira, a Petrobras vai tornar oficial a maior descoberta já feita desde sua criação, em 1953. A estatal entregará à Agência Nacional de Petróleo (ANP) a declaração de comercialidade de Tupi e Iracema, o que significa que a extração é economicamente viável nos dois reservatórios. A estimativa de que, juntos, eles tenham de 5 a 8 bilhões de barris de óleo equivalente para exploração comercial não será confirmada, pelo menos inicialmente. Pode ser uma frustração para quem esperava o acréscimo de até 8 bilhões de barris às reservas da Petrobras, já que até o presidente Lula vinha citando volumes dessa ordem. Mas isso não significa necessariamente que todo esse volume de petróleo e gás não esteja lá. Apenas que não será incorporado totalmente às reservas provadas da companhia no primeiro momento.

José Formigli, gerente-executivo de Exploração e Produção da Petrobras para o pré-sal, explica que a companhia não fará a declaração comercial de todos os barris economicamente recuperáveis das duas áreas. Inicialmente se acreditava haver um único campo, mas agora descobriu-se que são dois na mesma área de concessão. Ele só não cita números.

“No dia da declaração de comercialidade, as reservas provadas não estarão, obrigatoriamente, entre 5 a 8 bilhões de barris”, diz Formigli. Ele explica que esse volume é um número associado a reservas totais na área, que serão paulatinamente provadas ao longo dos anos. “Até hoje provamos reservas em Marlim, que produz há uma década”, explica.

O prazo anual estipulado pela ANP para todas as concessionárias divulgarem suas reservas é 15 de janeiro. Só nessa data será possível saber em quanto a Petrobras vai aumentar suas reservas provadas, que em 2009 eram de 12,143 bilhões de barris equivalentes pelo critério da SEC e de 14,865 bilhões pelo da SPE.

O conservadorismo da Petrobras no tratamento de suas reservadas provadas é conhecido e até vem sendo alvo de discussões públicas entre a estatal e a BG, que estima reservas maiores para as áreas do pré-sal onde é sócia da estatal. Para provar reservas, segundo os dois critérios adotados pela Petrobras, é preciso calcular um raio de drenagem ao redor de cada poço, por exemplo. E no complexo Tupi-Iracema só foram perfurados até agora 11 poços em uma área que tem mais de mil quilômetros quadrados.

“Ainda estamos longe de conseguir ter tudo [total de reservas economicamente recuperáveis] na classificação de provadas. Isso aí os bons analistas estão carecas de saber. Não é nas 24 horas do dia 31 de dezembro que aquilo tudo se transformará em reserva provada”, diz o executivo.

Mercado mantém estimativa de crescimento em 2010 e 2011

Segundo a pesquisa Focus, PIB deve apresentar alta de 7,61% neste ano e de 4,5% no ano que vem Segundo a pesquisa Focus, PIB deve apresentar alta de 7,61% neste ano e de 4,5% no ano que vem

Fonte: Pedro Peduzzi, da AGÊNCIA BRASIL / Exame.com

Sede do BC, em Brasília: dívida do setor público deve chegar a 40,95% do PIB em 2010

Brasília – Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) mantiveram as projeções para o crescimento da economia. A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – soma de todos os bens e serviços produzidos no país – permanece em 7,61% para 2010, e em 4,5% para 2011. As informações constam do boletim Focus, publicação semanal elaborada pelo BC com base em estimativas de analistas do mercado financeiro para os principais indicadores da economia.

A expectativa para a expansão da produção industrial este ano também não sofreu mudança, mantendo-se em em 10,66%. Para 2011, a projeção caiu de 5,40% para 5,31%.

A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2010 subiu de 40,88%, na semana passada, para 40,95%. Na projeção para 2011, foi registrada uma variação de 39,55% para 39,80%.

A expectativa para a cotação do dólar se manteve em R$ 1,70, ao final de 2010, e em US$ 1,75, ao fim de 2011. Também ficou estável a estimativa do déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), em US$ 50 bilhões, este ano, e em US$ 69,05 bilhões, em 2011.

A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) subiu de US$ 16,4 bilhões para US$ 16,63 bilhões, este ano, e permaneceu em US$ 8 bilhões, em 2011.

A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) passou de US$ 32 bilhões para US$ 32,20 bilhões, este ano. Para 2011, a projeção caiu de US$ 38,5 bilhões para US$ 38 bilhões.

Em mês sem trabalho, cada suplente vai custar até R$ 114 mil à Câmara

Congresso. Grupo pode assumir vagas abertas com renúncia dos deputados federais que se tornarão ministros do governo Dilma, se elegeram para cargos no Executivo ou vão para secretarias de Estado e, por isso, terão de deixar o mandato na reta final

Fonte: Denise Madueño / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Por um mês sem trabalho, um grupo de suplentes de deputado federal terá o que comemorar. Na reta final do mandato, pelo menos 12 suplentes terão direito de assumir o cargo, receber o salário de janeiro, usar verba indenizatória, contratar assessores sem concurso público e usufruir de auxílio moradia. Um detalhe: nenhum precisará trabalhar.

Na ponta do lápis, haverá um gasto de R$ 103 mil a R$ 114 mil com as “férias” de cada um dos suplentes se eles usarem todo o pacote de benefícios a que têm direito. Desde quinta-feira, a Câmara está em recesso, voltando no dia 1º de fevereiro já com a posse dos deputados eleitos em outubro passado.

Mesmo no recesso, os suplentes poderão assumir as vagas que serão abertas com a renúncia de deputados eleitos vice-governadores ou licenciados que assumirão cargos no ministério de Dilma Rousseff ou secretarias de governos nos Estados, além da vaga que será deixada pelo deputado Michel Temer (PMDB-SP), eleito vice-presidente.

A previsão é que as renúncias aos mandatos e os afastamentos aconteçam na próxima sexta-feira, último dia, de acordo com a legislação, para o deputado que for tomar posse em Executivos estaduais ou no federal.

O pacote de fim de ano traz um salário de R$ 16.512,09, verba indenizatória que varia de acordo com o Estado de origem do parlamentar – máximo de R$ 34.258,50, para deputados de Roraima, e mínimo de R$ 23.033,13, do Distrito Federal – e uma verba de gabinete de R$ 60 mil para contratar de 5 a 25 funcionários sem concurso público. O suplente que não usar o apartamento funcional terá ainda o direito a um auxílio-moradia de R$ 3 mil.

Na montagem do futuro ministério, a presidente eleita, Dilma Rousseff, escolheu quatro deputados que terão de se afastar da Câmara para tomar posse no dia 1º: Mário Negromonte (PP-BA), para o Ministério das Cidades, Maria do Rosário, para a Secretaria de Direitos Humanos, Pedro Novais (PMDB-MA), para o Ministério do Turismo, e Iriny Lopes (PT-ES), para a Secretaria das Mulheres.

São Paulo. Na bancada dos que vão se afastar do Legislativo, há ainda o deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP), que assumirá a Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo e, provavelmente, um entre outros três deputados tucanos comandará a Secretaria de Gestão Metropolitana do governador eleito, Geraldo Alckmin. O deputado Geraldo Magela (PT-DF) será o Secretário de Habitação do Distrito Federal. Em pelo menos outro Estado, um deputado será chamado a ocupar secretaria. É dada como certa a ida de Beto Albuquerque (PSB-RS) para o time do governador eleito Tarso Genro.

Quatro deputados se elegeram vice-governadores. Terão de renunciar aos mandatos para a posse no dia 1º. Tadeu Filippelli (PMDB), no Distrito Federal; Jackson Barreto (PMDB), em Sergipe; Washington Luiz (PT), no Maranhão, e Rômulo Gouveia (PSDB), na Paraíba.

Assim que os deputados renunciarem ou se licenciarem, a Mesa da Câmara terá 48 horas, segundo o regimento interno, para convocar os suplentes, o que deverá acontecer em 3 de janeiro. Os convocados terão 30 dias, prorrogáveis com justificativa, para atender ao chamado. Ou seja, se quiserem, poderão usar o prazo e permitir uma economia ao não assumir os mandatos.

Mercado eleva estimativa de inflação em 2010 e 2011

A expectativa para a inflação neste ano subiu de 5,88% para 5,90%, conforme a pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central

Fonte: Agência Estado / Estadão

SÃO PAULO – O mercado financeiro voltou a elevar a previsão da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), para o acumulado de 2010 e 2011, conforme a pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira, 27, pelo Banco Central (BC). A expectativa para a inflação neste ano subiu de 5,88% para 5,90%, em um patamar ainda mais distante do centro da meta de inflação, que é de 4,50%. A estimativa para o IPCA em 2011 passou de 5,29% para 5,31%, sendo que o centro da meta de inflação para o próximo ano também é de 4,50%. A meta tem margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.

No caso da inflação de curto prazo, o mercado elevou de 0,60% para 0,62% a previsão para o IPCA de dezembro. Para a inflação de janeiro, a taxa prevista seguiu em 0,60%, de acordo com a Focus.

A previsão para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, segundo a pesquisa semanal Focus, foi mantida em 7,61% e, em 2011, em 4,50%. A estimativa para o crescimento da produção industrial em 2010 permaneceu em 10,66%. Para o ano que vem, a projeção para a expansão da indústria caiu de 5,40% para 5,31%.

Juros e dólar

De acordo com a pesquisa Focus, os analistas mantiveram a previsão para a Selic (a taxa básica de juros da economia) para o fim de 2011 em 12,25% ao ano. Hoje a taxa está em 10,75% ao ano.

Para o mercado de câmbio, os analistas preveem que o dólar encerre 2010 em R$ 1,70. Para o fim de 2011, a expectativa para a moeda americana permaneceu em R$ 1,75. A previsão do câmbio médio no decorrer de 2010 seguiu em R$ 1,76 e do câmbio médio em 2011 ficou em R$ 1,73.

Contas externas

O mercado financeiro manteve as previsões para o déficit nas contas externas em 2010 e 2011. A previsão para o déficit em conta corrente neste ano é de US$ 50 bilhões e para 2011 o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos é estimado em US$ 69,05 bilhões.

Já a previsão de superávit comercial em 2010 subiu de US$ 16,40 bilhões para US$ 16,63 bilhões. Para 2011, a estimativa para o saldo da balança comercial permaneceu em US$ 8 bilhões. Analistas alteraram a estimativa de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2010, que subiu de US$ 32,00 bilhões para US$ 32,20 bilhões. Para 2011, a previsão caiu de US$ 38,50 bilhões para US$ 38,00 bilhões.

Educação financeira será obrigatória em escolas públicas a partir de 2012

Fonte: TONI SCIARRETTA – Folha.com

Orçamento doméstico, poupança, aposentadoria, seguros e financiamentos farão parte oficialmente do currículo das escolas públicas a partir de 2012.

O governo federal editou, na semana passada, um decreto que instituiu a Estratégia Nacional de Educação Financeira, uma série de iniciativas pedagógicas voltadas às escolas e a adultos com o objetivo de erradicar o analfabetismo financeiro no país.

Neste ano, 450 escolas públicas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Tocantins e Distrito Federal iniciaram aulas de um projeto-piloto de educação financeira, que deverá chegar a mais de 200 mil instituições de ensino oficial.

Em 2011, o projeto-piloto testará uma metodologia de educação financeira voltada para escolas públicas do ensino fundamental.

Os educadores desenvolveram conteúdos adaptados de educação financeira para todas as nove séries do ensino fundamental e as três do ensino médio.

O conteúdo de educação financeira será distribuído nas aulas de matemática, história, ciências sociais e até português. Não haverá uma disciplina específica para educação financeira.

A educação financeira nas escolas é incentivada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e faz parte do currículo escolar de mais de 60 países.

As diretrizes são resultantes do trabalho conjunto de entidades do mercado de capitais -como Febraban (bancos), Anbima (bancos e gestores) e BM&FBovespa e dos reguladores CVM (ações e títulos de dívida), BC (bancos), Susep (seguros) e Previc (previdência).

CURSOS PARA ADULTOS

Além da educação formal nas escolas, também estão previstas a modulação de cursos à distância e iniciativas de treinamento em finanças pessoais voltadas para adultos.

Segundo José Linaldo Gomes de Aguiar, secretário de relações institucionais do Banco Central, serão criados cursos a distância voltados para adultos, que ensinem a organizar o orçamento doméstico, a planejar a aposentadoria e a utilizar bem os financiamentos.

O BC tem um curso presencial modulado de 20 horas, que leva a universidades e a organizações.

“O importante é que as pessoas sejam bem informadas e tenham consciência de suas decisões. São assuntos simples, que fazem muita diferença para algumas pessoas”, disse Aguiar.

Uma pesquisa nacional realizada em 2008 com apoio da BM&FBovespa mostrou que é muito baixo o grau de educação financeira da população brasileira.

Na pesquisa, três em cada dez entrevistados declararam pagar apenas o valor mínimo da fatura do cartão de crédito quando a situação aperta. Já algum tipo de restrição cadastral por falta de pagamento na praça foi a situação observada em 25% dos entrevistados.

Por outro lado, 69% dos pesquisados afirmaram fazer algum tipo de planilha para acompanhar os gastos da família, e 66% disseram que guardam os comprovantes de suas compras.

Falta mão de obra no “chão de fábrica” no Brasil

Fonte: Folha.com

Primeiro faltavam engenheiros, profissionais de finanças e executivos multilíngues com MBA no exterior. A escassez de mão de obra agora chegou ao chão de fábrica, informa reportagem de Toni Sciarretta para a Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Com o desemprego em 5,7%, o menor já registrado pelo IBGE, serviços “intensivos em mão de obra” –construção, supermercados, restaurantes, telemarketing, bancos– têm dificuldade para selecionar pessoal até nos níveis iniciais de carreira.

Em São Paulo, faltam mestres de obra, eletricistas, operadores de call center, caixas de supermercado, atendentes de redes de fast food, vendedores de lojas de shoppings, entre outros profissionais até então abundantes.

Neste ano, 97% das categorias profissionais que negociaram salários tiveram reajuste acima da inflação no país, segundo o Dieese.

Preços da construção avançam em dezembro, mostra FGV

Fonte: Ana Luísa Westphalen | Valor Online

SÃO PAULO – Os custos da construção fecharam o ano com avanço nos preços, segundo dado divulgado nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice Nacional de Custo da Construção ao Mercado (INCC-M) registrou avanço de 0,59% em dezembro, superior à alta verificada no mês anterior, de 0,36%. Durante todo o ano, o indicador acumulou variação de 7,58%.

O índice correspondente a Materiais e Equipamentos registrou elevação de 0,09%, ante avanço de 0,07% na leitura anterior. Entre os subgrupos pesquisados, apenas materiais para estrutura apresentou crescimento, de  menos 0,35% para menos 0,07%.

O avanço dos preços do grupo Serviços perdeu força, passando de uma alta de 0,48% em novembro, para incremento de 0,25%, em dezembro, com destaque para a desaceleração do subgrupo aluguéis e taxas, cuja taxa passou de 0,33% para 0,03% na mesma base de comparação.

No grupo Mão de Obra, reajustes salariais promovidos em algumas capitais levaram o indicador a uma alta de 1,08% em dezembro.  No mês anterior, a taxa havia sido de 0,59%. Em Belo Horizonte, este grupo registrou variação de 8,54% em função da data base.

Em Brasília, a taxa, que havia se elevado para 1,28% em novembro, em função de termo aditivo, recuou para 0,84% em dezembro. Com o fim do efeito do reajuste salarial, a taxa de variação em Recife passou de 9,13% para 1,06%.

Das sete capitais brasileiras analisadas pela FGV, quatro apresentaram aceleração dos preços da construção: Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo. Já em Brasília, Recife e Rio de Janeiro, a alta dos preços perdeu força no último mês do ano.