Lupi defende mínimo de R$ 560 no ano que vem

Fonte:MÁRIO SÉRGIO LIMA – Folha.com

Confirmado pela presidente eleita, Dilma Rousseff, para permanecer no cargo, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu o salário mínimo em R$ 560 em 2011, acima dos R$ 540 pregados pela equipe econômica de Dilma.

Folha – Há conflito com outros ministérios?
Carlos Lupi – Nunca tive briga. A opinião de um ministro é essa, a de outro é aquela, e quem decide é o Lula. Toda vez que tem conflito, o Lula entra para o lado do trabalhador. Em toda discussão de salário mínimo de que participamos, vencemos o Planejamento e a Fazenda.
Como é que o Lula poderia ser favorável a flexibilizar a legislação [trabalhista]? Como é que ele não ia fazer uma política regionalizada?

Como lidar com a necessidade de expansão dos empregos no Nordeste e os fluxos migratórios?
Está começando a mudar. As usinas de cana de açúcar de Pernambuco e Alagoas já estão pegando os trabalhadores de São Paulo. A geração de emprego e o ganho real de salário é que fizeram a diferença. É o ciclo virtuoso da economia. E por isso sou defensor de que o aumento do salário mínimo tem de ser de R$ 560, porque R$ 580, nesse momento, é uma puxada que não dá para suportar. Mas R$ 540 é muito pouco.

R$ 1 bi mais cara, Transnordestina, enfim, avança

Fonte:RENÉE PEREIRA – Agencia Estado

SÃO PAULO – A cortina de poeira que se levanta com o vaivém frenético das máquinas e trabalhadores virou chamariz para os curiosos que passam pelo quilômetro 13,7 da rodovia CE-293, no Ceará. De carro ou a pé, eles não resistem à tentação de espiar a transformação do Cerrado, com toneladas de aço, cimento e pedra. “É a Transnordestina, uma obra bilionária que vai trazer muito dinheiro para a região”, afirma Francisco, um morador de Missão Velha, que tem muitas expectativas com a chegada da ferrovia.

 

Ao lado do amigo Gabriel, ele usou a hora do almoço para conferir o estágio das obras, que seriam inauguradas pelo presidente Lula, no dia 14 de dezembro. Os dois foram ver de perto os primeiros 20 quilômetros prontos da estrada de ferro, concedida à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) durante a privatização, em 1997.

Hoje, o projeto está entre as três maiores obras privadas do Brasil, ao lado das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira (RO). Quando estiver toda concluída, em 2013, a ferrovia terá 1.728 quilômetros de extensão e ligará os portos de Pecém (CE) e Suape (PE) ao sertão do Piauí. Transportará cerca de 25 milhões de toneladas por ano de grãos, minérios e gesso, além de uma série de outros produtos. Até lá serão necessários 3 milhões de dormentes (viga de cimento que sustenta o trilho), 1,5 milhão de metros cúbicos (m³) de concreto e 90 milhões de m³ de escavações. Por enquanto, porém, apenas 1% de toda a obra está concluída, em quatro anos de trabalho.

Hoje, 800 quilômetros da ferrovia estão em construção. Alguns em estágio avançado, com a instalação dos trilhos, caso do trecho de Missão Velha. Mas a maioria ainda está em fase de terraplenagem e construção de pontes e bueiros, a parte mais complicada do projeto.

No total, a Transnordestina custará R$ 5,42 bilhões – quase R$ 1 bilhão a mais que o previsto no orçamento inicial. Da mesma forma, a data de término da obra também foi revista. Era para estar totalmente concluída este ano, mas o primeiro trecho – entre Eliseu Martins (PI) e Suape (PE) – só ficará pronto em outubro de 2012 e a parte do Ceará, em 2013. Segundo o presidente da Transnordestina, Tufi Daher, a lentidão da obra nos primeiros quatro anos foi decorrente de uma série de contratempos, como a dificuldade na desapropriação das áreas e no financiamento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Ex-presidente acusa vice por fraude no Panamericano

Fonte: DAVID FRIEDLANDER E FAUSTO MACEDO – Agencia Estado

SÃO PAULO – Principal executivo do Grupo Silvio Santos até o mês passado, Luiz Sandoval aponta, pela primeira vez, os nomes de dois supostos responsáveis pela fraude bilionária no Panamericano: o ex-vice-presidente financeiro Wilson Roberto de Aro e o contador Marco Antônio Pereira da Silva.

Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S. Paulo, Sandoval conta que, quando o caso foi descoberto pelo Banco Central (BC), em setembro, o contador admitiu ter maquiado os balanços do banco para esconder um rombo de R$ 2,5 bilhões e disse ter agido a mando de Aro. Ao ser confrontado sobre a acusação, afirma Sandoval, o ex-vice admitiu ter dado a ordem “para salvar o banco”.

O ex-vice e o contador podem não ser os únicos responsáveis pela fraude contábil. Mas foram os únicos, na versão de Sandoval, a admitir participação no episódio, durante reunião com a presença de outras pessoas. Procurado, Aro não quis se pronunciar. Pereira da Silva não foi localizado.

Na última quinta feira, antevéspera do Natal, Sandoval depôs na Polícia Federal. Foi espontaneamente, apresentou sua versão e abriu mão dos sigilos bancário e fiscal. Sandoval deixou a presidência do Grupo Silvio Santos, depois de 40 anos, por causa da crise no Panamericano.

Amargurado, diz que não teve como evitar a fraude. “Eu era presidente do conselho do banco. Isso foi um ato de gestão.” O executivo relatou os dias de grande tensão que a cúpula da instituição viveu em setembro, culminando numa reunião extraordinária com o dono do SBT. “Isso é brincadeira, não pode ser verdade”, reagiu Silvio, perplexo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.