Os pontos altos e baixos da economia brasileira em 2010 na visão do Santander

Os cinco marcos elencados pelo economista Cristiano Souza são desemprego, crédito, blindagem contra a crise, contabilidade fiscal e inflação

Fonte: Luís Artur Nogueira – EXAME.com

Cristiano Souza, do Santander: “Governo poderia ajudar BC cortando gastos”

São Paulo – O ano termina com grandes conquistas para a economia brasileira e muitos desafios pela frente. Em uma espécie de Retrospectiva 2010, o Departamento Econômico do Santander listou os cinco principais acontecimentos.

1) Queda expressiva da taxa desemprego simultaneamente ao aumento da formalização no mercado de trabalho.

2) Avanço da relação Crédito/PIB, em especial, do crédito imobiliário.

3) Baixa contaminação do risco-país em face à crise fiscal europeia, resultando em grande influxo de capitais e aumento das reservas internacionais até quase US$ 300 bilhões.

4) Mudanças nos critério de contabilidade fiscal

5) Expectativa para inflação um ano à frente (2011) consistentemente acima da meta, fato inédito desde o início do sistema de metas no Brasil.

O economista da instituição Cristiano Souza analisou cada uma das escolhas na edição desta sexta-feira (24) do programa “Momento da Economia”, na Rádio EXAME. Para ouvir a íntegra, basta clicar na imagem ao lado.

Desemprego em 2010: “Esse foi um ano em que a gente viu, a cada mês, o desemprego bater recordes sucessivos de baixa até chegar a novembro com 5,7%. Em dezembro, o índice será ainda menor. Tirando os efeitos sazonais de fim de ano, o desemprego está rodando a 6%, o que é muito baixo. Esse desemprego baixo garante, além da estabilidade das pessoas no trabalho, pressões por aumento de salários, o que provoca aceleração do consumo das famílias.”

Perspectivas para o desemprego 2011: “Provavelmente a gente vai continuar com o desemprego baixo. O mercado de trabalho se move lentamente. A não ser que haja  um grande choque negativo na economia, a gente não terá mudanças abruptas em 2011.”

Crédito em 2010: “Esse avanço do crédito vem na esteira do mercado de trabalho robusto. As pessoas, confiantes na manutenção do emprego e vendo os salários crescendo, começam a pensar em bens que demandam crédito de mais longo prazo, como casa, carro, móveis e computador. Além disso, a oferta de crédito é bem expressiva no Brasil, pois os bancos são sólidos e saudáveis, e têm interesse em emprestar. As pessoas confundem, às vezes, achando que bancos só gostam de juros altos, mas bancos também gostam de juros baixos porque o negócio muda e passa a ser dar crédito, que é o grande foco atual das instituições. Os bancos observam a queda da inadimplência, que é música para os ouvidos deles. A relação crédito/PIB, que começou 2009 em 40%, está atualmente em 46%.

Perspectivas para o crédito em 2011: “Não acredito que a relação crédito/PIB chegue a 50% no ano que vem, pois a gente precisa pensar que a política monetária estará mais apertada e haverá desaceleração de crescimento, impactando na velocidade de expansão do crédito.”

Blindagem contra a crise em 2010: “Na Europa, vimos países com problemas de caixa, à beira de dar calotes na divida, e precisando recorrer ao FMI. Parecia a America Latina nos anos 80, 90 e começo de 2000. O risco de alguns países, como Irlanda, Grécia e Portugal, é maior do que o do Brasil, que nunca foi colocado como a bola da vez nessa crise. Os fundamentos da economia brasileira são muito bem vistos, como as reservas superando a dívida externa. Em 2002, as nossas reservas só pagavam um terço da dívida externa. Hoje o Brasil é muito atrativo e, por isso, vimos a grande entrada de investimentos estrangeiros em 2010.”

Perspectivas para o rating do Brasil em 2011: “É um muito imprevisível se as agências de classificação de risco vão elevar a nota do Brasil no ano que vem, mas eu acho um pouco difícil ainda, pois elas vão olhar de perto a condução fiscal do País, a condução da política monetária e a desaceleração da economia.

Contabilidade fiscal em 2010: “O governo vai atingir a meta com uma receita extraordinária da capitalização da Petrobras e outras operações financeiras. A grande discussão é que o governo ainda não desacelerou o o ritmo de crescimento dos gastos, que avançam mais que o PIB. O governo hoje impulsiona a demanda doméstica numa época em que a economia não precisa mais de ajuda. Mantendo a demanda doméstica muito aquecida, o governa impulsiona as importações e deteriora o quadro de inflação. Essas mudanças de critérios na condução fiscal têm encoberto um superávit primário menor.”

Perspectivas de ajuste fiscal em 2011: “O governo Dilma e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disseram que vão cumprir a meta fiscal em 2011 sem que se busquem essas receitas extraordinárias. O importante é que isso aconteça com controle de gastos e não com aumento de receitas. As primeiras indicações são positivas, mas agora a questão é entregar o que foi prometido.”

Inflação um ano à frente acima do centro da meta: “A gente não tinha visto até agora (desde a criação do sistema de metas de inflação) a expectativa ficar acima da meta. Normalmente havia uma convergência para a meta alguns meses à frente, o que significava que havia uma grande credibilidade de que o Banco Central alteraria a política monetária rapidamente. Agora, muita gente, inclusive o Santander, achava que havia espaço para o Banco Central apertar um pouco a política monetária no fim desse ano porque havia sinalização de inflação em alta. Como isso não foi feito, houve deterioração das expectativas inflacionárias.”

Perspectivas para os juros em 2011: “Expectativas de inflação acima da meta exigem atuação muito forte e contundente do Banco Central, ou seja, ele tem de mostrar para o mercado que vai tomar a quantidade de remédio necessária para reduzir a inflação. O Banco Central poderia ser ajudado pelo Tesouro Nacional se houvesse redução de gastos públicos. Hoje, ao que parece, o Banco Central tem a necessidade de elevar os juros de 10,75% para 13% ao longo do primeiro semestre para controlar as expectativas de inflação em 2012, pois é difícil falar que a inflação do ano que vem vai convergir para a meta.”

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Petróleo acima de US$ 90 o barril não preocupa a Opep

Alta teria sido provocada por fatores sazonais

Fonte: Danielle Chaves, Agência Estado/Estadão

CAIRO – A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não está preocupada com o aumento dos preços da commodity para mais de US$ 90 por barril, já que eles são em grande parte movidos por fatores sazonais, afirmou Abdullah bin Hamad Al Attiyah, ministro do petróleo do Catar. “Eles estão sendo afetados pelo forte frio na Europa e em algumas regiões da América do Norte”, disse.

Hoje o petróleo negociado na plataforma ICE opera acima de US$ 90 por barril, porém com pouca oscilação devido ao feriado de Natal. Às 10h10 (de Brasília), o contrato para fevereiro subia 0,05%, para US$ 94,30 por barril. A Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), assim como outros mercados dos EUA, não abre hoje.

“Os estoques estão no seu maior nível, mais de 60 dias de cobertura da demanda. O mercado está em uma condição muito boa e não há pânico ou necessidade de um aumento na produção”, afirmou Al Attiyah. A Opep manteve o limite de produção de petróleo em 24,85 milhões de barris diários na reunião realizada neste mês, embora os sinais recentes de recuperação da economia mundial sugerissem que o cartel deveria elevar a produção em 2011.

A Opep, que fará sua próxima reunião em junho, em Viena, Áustria, tem mantido a cota de produção no mesmo nível desde o fim de 2008. “A Opep ainda acha que não será necessária outra reunião antes de junho e vê que não há queixas de consumidores ou produtores”, disse Al Attiyah.

Os ministros de petróleo árabes estão no Cairo, Egito, para uma reunião da Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo, ou OAPEC, marcada para sábado. Sete membros da OAPEC também integram a Opep: Argélia, Iraque, Kuwait, Líbia, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

As informações são da Dow Jones.

Pacote do governo já eleva taxa de juro de empréstimos

Custo de captação para as instituições financeiras alcança o maior nível desde o auge da crise global e pressiona custo dos empréstimos

Fonte: Fernando Nakagawa, Agência Estado/Estadão

BRASÍLIA – As medidas anunciadas no início do mês para conter o ritmo do crédito começam a surtir efeito. Dados preliminares divulgados ontem pelo Banco Central mostram que instituições financeiras já pagam mais para conseguir dinheiro junto aos investidores. Nos nove primeiros dias de dezembro, o custo dessa captação subiu para 11,6% ao ano, o maior patamar desde janeiro de 2009 – ainda no auge da crise.

Bancos também começam a elevar a margem cobrada nos financiamentos, o chamado spread. O resultado é que o juro, que havia caído para o menor patamar da série em novembro, começa a subir.

Anunciadas em 3 de dezembro, as medidas do BC agem em pelo menos três frentes no crédito. Na primeira, com a retirada de R$ 61 bilhões de circulação por meio de depósitos compulsórios – dinheiro dos bancos que fica retido no BC – o custo de captação de recursos aumentou para os bancos. Isso acontece porque a oferta da moeda diminui e, diante disso, quem tem dinheiro passa a cobrar mais.

Outro reflexo acontece pelo spread bancário – que é a diferença entre a taxa de captação paga pelo banco e o juro cobrado no empréstimo. Por essa via, começa a ser notado o efeito da exigência de capital feita aos bancos, especialmente para operações de longo prazo. “A necessidade de maior capital para operar no crédito se reflete no spread porque eleva as despesas da operação”, explica o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao comentar que a nova regra exige que bancos reservem mais capital para essas operações. Isso aumenta o custo, já que agora o banco precisa reservar mais dinheiro para emprestar o mesmo volume.

Esse aumento de custo do banco é repassado aos clientes por meio de uma alta no spread. Os dados do BC, porém, não permitem avaliar se a margem maior vai engordar os lucros dos bancos ou será usada integralmente para cobrir o encarecimento do empréstimo para o banco.

Entre as várias operações afetadas, o crédito pessoal apresentou forte aumento do spread. Nos nove primeiros dias de dezembro – apenas quatro úteis com as novas regras – a margem cobrada nessa operação subiu 0,8 ponto, para 30,9 pontos porcentuais. “Pode ser o início do efeito”, diz Altamir. Essa elevação respondeu por boa parte da alta do juro cobrado na operação, que subiu 1,2 ponto em apenas nove dias, para 43,2% ao ano. Na média de todas as operações para pessoas físicas, o juro subiu para 39,2% em 9 de dezembro.

Vendas nos shoppings avançam 13% em dezembro até dia 23

Fonte: Vanessa Dezem | Valor Online

SÃO PAULO – As vendas no varejo de shopping cresceram 13% de 1º de dezembro até ontem, em relação ao mesmo período de 2009, impulsionadas pelos setores de Óculos, bijuterias e acessórios, Perfumaria e cosméticos e Eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

Os dados foram revelados nesta sexta-feira pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que ouviu 150 empresas de varejo, que representam 6,3 mil lojas.

O setor que mais cresceu entre o dia 1º e 23 de dezembro foi o de Óculos, bijuterias e acessórios, com avanço nominal de 18% nas vendas frente ao período de Natal de 2009. Em seguida, apareceram Perfumaria e cosméticos e Eletroeletrônicos e eletrodomésticos – ambos tiveram expansão nominal de 17%.

O segmento de Livros, DVDs e CDs registrou alta de 14% nas vendas. Vestuário masculino e feminino e Brinquedos apresentaram elevação de 13% nas vendas cada um. Calçados e Jóias e relógios verificaram crescimento de 12% e 9%, respectivamente.

A Alshop divulgou ainda que os lojistas de shopping contrataram no último mês de 2010 cerca de 130 mil pessoas, o que representou aumento de 13% frente aos contratados no Natal do ano passado.

A Semana na Bolsa

Fonte: LinkTrade

O grande destaque no ambiente doméstico foi o movimento dos juros (DI). O Relatório Trimestral de Inflação, divulgado, na última quarta-feira, pelo Banco central, sugeriu alta da taxa Selic em 0,5 ponto percentual na primeira reunião do Copom do ano, calibrando as apostas do mercado. Os anúncios das projeções para o IPCA em 2011 e 2012 apontam para inflação acima da meta do Banco Central de 4,5%. Além disso, o BC afirmou que “no regime de metas para a inflação, desvios em relação à meta, na magnitude dos implícitos nessas projeções, sugerem necessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básica de juros”, não deixando mais dúvidas sobre qual será a atitude do BC no próximo ano.

Em relação aos dados econômicos no Brasil, o dado de maior relevância foi o IPCA-15 de dezembro que registrou alta de 0,69%, valor bastante abaixo da mediana de mercado (0,78%). Com este resultado, o IPCA-15 encerra o ano com alta de 5,79%, valor bastante acima do ano passado (4,19%) e da meta do Banco Central. Esta leitura do IPCA-15, apesar de ter ficado abaixo da mediana de mercado, ainda se situa em níveis bastante elevados, evidenciando os sinais de pressão de demanda que se mostram muito presentes no índice.

No ambiente externo, os dados econômicos dos EUA mostraram expansão do PIB norte-americano de +2,6% no terceiro trimestre, ante 1,7% no segundo trimestre, reforçando que a velocidade da recuperação da economia americana ainda parece bastante lenta. A crise da dívida europeia também foi ponto de preocupação nesta semana, quando a Moody´s colocou o rating da dívida soberana de Portugal em revisão. No entanto, as preocupações foram minimizadas com as declarações de um dos vice-primeiros-ministros da China, Wang Qishan, que garantiu que seu país estava em condições de socorrer os europeus. Na Ásia, a continuidade das tensões entre as Coreias também foram motivos para preocupação.

Ibovespa

Mercado teve uma semana com volume e liquidez baixa, mas após deixar sinal de fundo e respeitar o principal suporte em 67.000, está inclinado a seguir na melhora. Temos res em 69.200 e a principal em 70.000 que é onde espero que possa ir testar semana que vem. Lá fora muito forte e com resistências rompidas e tudo para ajudar, só entrando quedas por lá que vejo o mercado piorando por aqui. Esse 67.000, principal suporte, que é onde daria venda se perdesse, mas como disse, acredito que a probabilidade maior é buscar as resistências citadas.

Por Fernando Góes 

O que vem por aí

A última semana do ano trás uma agenda leve de divulgações econômicas. No ambiente doméstico o destaque da semana recai sobre o IGP-M de dezembro. Nos Estados Unidos indicadores regionais de atividade traçam o fim do ano de 2011.

No Brasil, o maior destaque da semana é a divulgação do IGP-M de dezembro, em nossas estimativas, o índice terá alta de 0,74%; em sua abertura, esperamos alta de 0,61% no industrial, influenciada, por um lado, pela desaceleração dos alimentos processados e por outro, pela alta no minério de ferro. No lado agrícola, a alta estimada é de 0,95%, com as commodities agrícolas (carne, soja e feijão) influenciando o movimento de desaceleração no grupo. Por outro lado, a inflação ao consumidor (IPC) projetamos alta de 0,93%. Vale citar que teremos as divulgações da notas à imprensa do Banco Central de Política Fiscal (resultado do setor público consolidado)e da Sondagem da Indústria da FGV de novembro.

Nos EUA, no lado dos indicadores divulgados na semana passada, confirmou que a economia norte-americana cresceu levemente no terceiro trimestre. Com as exportações sustentando o resultado do deste PIB, diante do enfraquecimento do dólar. Para a próxima semana os dados de atividade de maior destaque são: confiança do consumidor, o índice de gerente de compras de Chicago, os índices de atividade regionais do Fed de Dallas e Richmond e as vendas de casa pendentes de novembro.

Na Europa , não teremos divulgações relevantes na Zona do Euro. Na Ásia, o Japão divulgará a produção industrial e as vendas no varejo de novembro.

Pausa para Relaxar

PASSEIO/SP -Natal Iluminado

Este ano, a tradicional decoração natalina em São Paulo está ainda mais sofisticada. Mais de 100 km de vias iluminadas e decoradas fazem parte da iniciativa da prefeitura e muitas empresas, shoppings e comércios de rua compõem o cenário, inclusive, com diversas apresentações artísticas e tecnológicas ao longo do dia e da noite. saiba mais

CINEMA – 72 HORAS

O professor universitário John Brennan (Russell Crowe) levava uma vida perfeita até sua esposa, ser presa acusada de um crime que ela alega não ter cometido. Após 3 anos de vários recursos negados pela justiça, John percebe que só há uma saída: elaborar um plano para tirá-la da prisão. E eles terão apenas 72 horas para fugir.

GASTRONOMIA – Ceia fora de casa

Apesar de ser difícil encontrar algo aberto em São Paulo nas festas de fim de ano, há restaurantes que oferecerão almoço e jantar nos dias 24 e 25 de dezembro. Algumas sugestões são: famosa Cantina Gigio, Casa da Fazenda, Don Carlini. Para ver a lista completa