Multinacionais elevam investimentos no País

Brasil vai ficar com 3,4% do fluxo de investimento produtivo global este ano – a maior taxa da década.

Fonte:   Exame.com

Emilian Robert Vicol/Flickr/Creative Commons.

O volume de investimento estrangeiro direto (IED) no País previsto para 2010 supera os US$ 25,9 bilhões de 2009 e recupera o patamar de 2007.

São Paulo – O Brasil vai ficar com 3,4% do fluxo de investimento produtivo global este ano – a maior taxa da década. As multinacionais estão trazendo ao País US$ 38 bilhões para construir novas fábricas e investir em infraestrutura. Só que mesmo isso não compensará o rombo nas contas externas, que pode chegar a US$ 49 bilhões.

O volume de investimento estrangeiro direto (IED) no País previsto para 2010 supera os US$ 25,9 bilhões de 2009 e recupera o patamar de 2007. É inferior apenas ao recorde de US$ 45 bilhões de 2008. Em termos relativos, porém, o desempenho só foi melhor no período das privatizações. Em 1997 e 1998, o País atraiu 3,9% e 4,1% dos investimentos diretos do mundo.

O investimento estrangeiro na produção somou US$ 3,73 bilhões em novembro, o segundo melhor para o mês da história. O ingresso mais forte de capital produtivo nos últimos meses fez o BC elevar a projeção de IED para 2010 de US$ 30 bilhões para US$ 38 bilhões. “Ouso dizer que esse número pode até ser superado”, disse Altamir Lopes, chefe do departamento econômico do BC. Para ele, o desempenho dos últimos meses sinaliza que é “factível” esperar entradas de US$ 45 bilhões em IED no próximo ano, projeção que foi mantida pela autoridade monetária.

O forte ritmo da economia, que foi pouco atingida pela crise, funcionou como um ímã para as múltis. “Com os fluxos de capitais ainda retraídos e as matrizes repatriando recursos, é um excelente resultado”, disse Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).

Outro fator relevante é o fraco desempenho global, provocado pela incipiente recuperação dos EUA e da Europa. Devem circular pelo planeta US$ 1,1 trilhão em investimentos produtivos este ano, mesmo nível de 1999 e muito abaixo do pico de US$ 2,1 trilhão de 2007. Segundo a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), os fluxos globais só vão recuperar o terreno em 2015. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Dilma nomeia mais mulheres mas inova pouco em relação a Lula

Novo governo terá 17 nomes que trabalhavam no primeiro ou segundo escalão de Lula; PT é o partido com maior número de ministros.

Fonte: Jeferson Ribeiro, da  – Exame.com

Roberto Stuckert Filho/Divulgação

A presidente eleita confirmou nesta quarta os últimos nomes de seu ministério.

Brasília – A presidente eleita, Dilma Rousseff, concluiu nesta quarta-feira, 52 dias após a vitória nas eleições, a escolha dos 37 ministros do governo que tem início em 1o de janeiro. Foram anúncios a conta-gotas, por meio de oito notas oficiais, e que apontam para um ministério pouco renovado nos principais postos.

Mesmo isolada na residência da Granja do Torto, em Brasília, Dilma não escapou da pressão de aliados, mas na maior parte das vezes fez prevalecer a sua vontade nas negociações que manteve com PT, PMDB e PSB, os principais partidos da aliança que lhe deu a vitória nas urnas.

Dos 37 auxiliares, 16 são filiados ao PT, seis ao PMDB, dois ao PSB. O PP, o PDT, o PR e o PCdoB ficaram com uma pasta cada um. Outros nove ministros não têm filiação partidária.

Os principais espaços da Esplanada dos Ministérios foram ocupados por ministros que já trabalham no governo Lula ou ocupavam espaços no segundo escalão da atual gestão.

Na equipe econômica, por exemplo, Dilma, ela própria ex-ministra de Lula, não apresentou novidades. Manteve o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nomeou a gestora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sua auxiliar nos tempos da Casa Civil, Miriam Belchior, para o Planejamento, e no Banco Central optou por um diretor com tempo de casa para suceder Henrique Meirelles.

Alguns ministros importantes do governo Lula se mantiveram em outras pastas, caso de Alexandre Padilha, que saiu da Secretaria de Relações Institucionais e foi para a Saúde. E Paulo Bernardo, que deixou o Planejamento para comandar as Comunicações.

Mesmo no caso de outros partidos houve manutenção de nomes em relação ao governo Lula. O Partido da República (PR) continuou à frente dos Transportes e Alfredo Nascimento retorna ao posto. O PMDB também defendeu a manutenção de Nelson Jobim na Defesa, Wagner Rossi na Agricultura e Edison Lobão em Minas e Energia.

O saldo é que dos 37 ministros de Dilma, 17 trabalharam com Lula no primeiro e no segundo escalão.

Ou seja, aqueles que esperavam um ministério renovado nas mãos de Dilma Rousseff se enganaram e viram o anúncio de uma sucessão de nomes conhecidos do governo Lula. Para aliados da petista, isso não foi uma surpresa, já que uma das marcas do discurso dela na campanha foi a continuidade administrativa de seu mentor político.

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), a quem Dilma trata carinhosamente de “Dedinha”, usa a propaganda eleitoral como referência para argumentar que não esperava surpresas no primeiro escalão da primeira mulher a presidir o Brasil.

“Para compreender o perfil (do ministério) precisa ver os últimos programas (da propaganda eleitoral). Ela dizia que representava a continuidade do governo Lula. Ninguém mais que a Dilma conhece a equipe do governo Lula. É um governo que ela defendeu e é natural que ela mantenha pessoas na nova equipe”, afirmou à Reuters.

Mulheres e aliados

No governo da primeira mulher a presidir o Brasil, elas comandarão áreas importantes como Planejamento, Meio Ambiente, Desenvolvimento Social, Cultura e Comunicação Social. As “companheiras” também ficaram com áreas mais periféricas com pesca, direitos humanos, igualdade racial e a políticas de gênero, num total de nove pastas.

A principal barreira enfrentada por Dilma para nomear mais mulheres foi a falta de quadros entre os partidos aliados. Apenas mulheres filiadas ao PT ou da cota pessoal da presidente foram escolhidas.

“É dificílimo, porque elas não pertencem às cúpulas partidárias. Eu tive experiência própria com os partidos. Você pede mulher e eles indicam homem. E eu vi que com a Dilma acontece a mesma coisa”, disse a senadora eleita Marta Suplicy (PT-SP), ex-prefeita de São Paulo.

Desde que venceu as eleições, Dilma adotou uma postura discreta e praticamente se isolou na Granja do Torto. Ela apareceu poucas vezes em público e decidiu anunciar seus ministros por meio de notas à imprensa, sem dar chance para questionamentos às escolhas.

Na avaliação de assessores próximos, essa estratégia foi adotada para criar um clima de tranquilidade e impedir que reivindicações de aliados por espaço no novo governo tivessem potencial para se transformar em crise política.

Nesse sentido, a Granja do Torto se tornou o refúgio perfeito para Dilma, que só recebeu pessoas previamente convidadas e que podiam driblar facilmente a imprensa, já que a residência tem duas portarias e apenas uma delas é permanentemente vigiada pelos repórteres.

Se tivesse optado por despachos diários no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede oficial do governo de transição, as reuniões da presidente com aliados ficariam expostas e ela ficaria mais vulnerável à pressões dos aliados, já que o acesso ao prédio é praticamente livre.

Mas os aliados exigiram dedicação da presidente eleita. Nas primeiras semanas, logo após anunciar os ministros da área econômica e aqueles que terão gabinetes no Palácio do Planalto, o PMDB deu o primeiro recado a Dilma e tentou se aliar ao PP e ao PR para formar um bloco partidário na Câmara e, com isso, formar uma bancada maior que a do PT.

O ambiente estava contaminado pela disputa entre PT e PMDB para presidir a Câmara e pela expectativa dos peemedebistas em relação ao seu espaço no ministério. O bloco não prosperou e apesar de um aparente descontentamento inicial, o PMDB se contentou em manter o número de pastas que já tinha no governo Lula –seis.

Contornado esse incêndio, Dilma teve mais trabalho para contentar o PSB e o próprio PT. Os socialistas tentaram até o último dia de negociação indicar nomes para três pastas, mas não conseguiram.

E os petistas chegaram a fazer a presidente mudar uma de suas indicações para atender as correntes internas da legenda. Dilma tendia a nomear Maria Lúcia Falcón para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas depois da insistência dos petistas ligados à corrente Democracia Socialista (DS), escolheu o deputado Afonso Florence (PT-BA) para a pasta, que vem sendo ocupada pela ala de esquerda do partido durante todo o governo Lula.

Dilma também deixou de criar ao menos uma nova pasta que havia prometido durante a campanha eleitoral, o ministério da Micro e Pequena Empresa. Ela ainda deve criar a estrutura, mais adiante. A presidente também desistiu, momentaneamente, de separar a Secretaria de Aviação Civil do Ministério da Defesa.

A ameaça de greve dos trabalhadores do setor aeronáutico e a preocupação com o setor no período de férias adiou, por ora, essa mudança.

BC projeta crescimento de 4,5% para o PIB em 2011

Inflação prevista para o ano que vem subiu para 5%

Fonte: Exame.com –

 Img Stock Exchange

Para o IPCA no ano de 2012, o BC divulgou hoje a primeira estimativa, que está em 4,8%.

São Paulo – O Banco Central projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% no primeiro ano do governo de Dilma Rousseff. A previsão consta do Relatório Trimestral de Inflação relativo ao quarto trimestre divulgado hoje. No documento, a estimativa para o crescimento da economia em 2010 manteve-se em 7,3%, exatamente como estimado na edição do relatório do terceiro trimestre.

O BC explica que parte do forte crescimento de 2010 é reflexo, ainda, do “efeito do carregamento estatístico decorrente das taxas de crescimento verificadas no segundo semestre de 2009”. Sobre a taxa mais fraca em 2011, o “comitê avalia que a economia tem se deslocado para uma trajetória mais condizente com o equilíbrio de longo prazo”.

Inflação

A previsão oficial do BC para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011 subiu no relatório divulgado hoje. A estimativa central no cenário de referência subiu de 4,6% para 5%. Para o IPCA no ano de 2012, o BC divulgou hoje a primeira estimativa, que está em 4,8%.

As estimativas foram construídas pelo BC no cenário de referência que prevê manutenção da taxa de câmbio constante em R$ 1,70 por dólar e a taxa Selic em 10,75% ao ano. No relatório anterior, de setembro, as estimativas haviam sido construídas com câmbio de R$ 1,75 por dólar e juro básico de 10,75%.

Também subiu a previsão do BC para a inflação que leva em conta as previsões dos analistas para uma série de indicadores, no chamado cenário de mercado. Para 2011, o IPCA avançou de 4,6% para 4,8%. Para 2012, foi construída pela primeira vez a estimativa para o índice, de exatos 4,5%. Nesse cenário, o BC constrói as estimativas de aumento de preço conforme as estimativas para o dólar e juro no horizonte das previsões. O câmbio esperado para o fim de 2011, por exemplo, é de R$ 1,75 por dólar e para o fim de 2012, de R$ 1,80.

Economia dos EUA cresce 2,6% no 3º trimestre de 2010 após revisão

Fonte: Juliana Cardoso | Valor)

SÃO PAULO – A economia americana avançou a uma taxa anualizada de 2,6% no terceiro trimestre de 2010, conforme nova estimativa do Departamento do Comércio do país. Entre abril e junho, o Produto Interno Bruto (PIB) teve expansão de 1,7%.

Vale notar que, na segunda estimativa para o desempenho econômico dos EUA nos três meses até setembro, o PIB tinha tido expansão de 2,5%.

O levantamento do governo mostrou que tiveram impacto na atividade no trimestre o gasto com consumo pessoal, investimento em estoque privado, investimento fixo não residencial, exportações e gasto do governo federal.

Depois do boi, sobe o preço do frango

Fonte: O Estado de S. Paulo.

SÃO PAULO – Às vésperas de preparar a ceia das festas de fim de ano, o consumidor terá poucas opções para escapar da alta de preços da carne bovina. A disparada da arroba do boi gordo, que começou em junho, arrastou as cotações do frango e dos suínos, porque são as carnes substitutas.

Os preços de frangos e suínos no atacado subiram 11,16% e 6,03%, respectivamente, na segunda quadrissemana deste mês, aponta o Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, apurado pelo Instituto de Economia Agrícola. Esse resultado indica tendência de alta dos preços ao consumidor do frango e do suíno. De 20 produtos pesquisados, o preço do frango liderou o ranking de alta e o da carne suína ficou na terceira posição. Já o preço da arroba do boi, que atingiu R$ 105,32 na primeira quadrissemana, praticamente ficou estável na última apuração.

“Com o grande poder de compra que existe hoje no mercado, com o pagamento do 13.º salário e aumento da massa de salários, os preços da carne ao consumidor devem começar a recuar só no ano que vem”, prevê o técnico responsável pelo índice, Danton Bini. Com o começo das chuvas e a redução dos custos para engordar o gado, a tendência é de preços menores do boi gordo.

Apesar de a arroba ter atingido níveis recordes, com valorização de 43,56% em um ano e de 28,32% em seis meses, os produtores reclamam que a boa cotação não é repassada para o criador. Sem margem para repor as matrizes que foram abatidas no período de crise, entre 2006 e 2008, o pecuarista mantém o plantel reduzido. O preço alto, porém, pode afugentar o consumidor. “Quem quiser comer carne de primeira, vai ter de pagar o preço de bacalhau”, afirma o pecuarista José Lopez Fernandez Neto, de Itapeva, sudoeste paulista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Entre jovens e em cidades médias, país está longe do pleno emprego, diz economista

Fonte: Por Anselmo Massad, da Rede Brasil Atual

O nível de emprego no Brasil aproxima-se do pleno emprego apenas em metrópoles do Sul e Sudeste, mas permanece distante desse nível em alguns segmentos sociais e em cidades médias. Na análise de Anselmo Santos, professor do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit), da Universidade de Campinas (Unicamp), entre os jovens e em municípios sem uma estrutura industrial,  o nível de desemprego é maior.

Na semana passada, após a divulgação da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o país estaria em um cenário de “quase pleno emprego”. O índice divulgado de 5,7% é a média de seis regiões metropolitanas, mas chega perto de 4% em Porto Alegre e em São Paulo. Trata-se do percentual mais baixo já registrado na série histórica, iniciada em 2002.

Conceitualmente, segundo explica o professor da Unicamp, pleno emprego seria uma situação em que houvesse de 3,5% a 4% de pessoas desocupadas. Essa parcela corresponderia à troca de funcionários – ou rotatividade de mão-de-obra –, com uma relativa facilidade para que as pessoas dispensadas consiguissem se realocar. O Brasil viveu esse tipo de conjuntura nas grandes cidades durante as décadas de 1950 e 1960, períodos de forte expansão industrial.

“Na média das metrópoles, a taxa está acima de 5%, por isso o ‘quase’. Para haver pleno emprego, precisaria de uma taxa abaixo de 4%”, explica Santos. “Isso está ocorrendo na região metropolitana de São Paulo e de Porto Alegre. Mas em muitas capitais no Norte e Nordeste e em cidades médias – no interior, onde não há indústrias – a taxa ainda é alta”, analisa.

Além disso, ele lembra que os dados do IBGE referem-se apenas a capitais. Levantamentos como a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), que incluem municípios menores, são divulgados mais de um ano depois de realizada a coleta de dados. As informações mais recentes disponíveis, de setembro de 2009, mostram um cenário anterior ao forte crescimento deste ano.

Outro sinal de que o Brasil ainda não está em uma situação tão favorável do ponto de vista do emprego é que, em alguns segmentos sociais, a parcela que não consegue encontrar emprego ou outras opções de trabalho é maior. “É sinal de que não há pleno emprego a taxa de desemprego entre jovens maior de 20%, por exemplo. Como ainda é alta para alguns segmentos, uma boa parte da população não tem tanta facilidade para conseguir um novo emprego”, alerta o pesquisador.

Comparação
Ainda assim, Santos lembra que o nível de desemprego no país era muito alto há oito anos. “O que vale a pena destacar é que a situação do emprego mudou muito em relação ao que era. A taxa de desemprego foi recorde em 2002 e 2003, era muito alta e demora para cair”, pondera. “Em oito anos, ainda perdemos 2003, quando (a economia) não cresceu, e 2009, quando caiu um pouco. São seis anos de crescimento só”, calcula.

Santos lembra que o Brasil cresceu 3,5% ao ano em média nos quatro primeiros anos do governo Lula. No segundo mandato, a média foi de 4,5%, incluindo 2010. Por ser significativamente mais do que o registrado no governo Fernando Henrique Cardoso, abaixo de 2,5%, o economista atribui a isso o resultado de emprego.

“A relação entre crescimento da economia e desemprego era mais forte quando o país crescia menos; cada ponto representava mais empregos gerados. Depois, continuou avançando e a relação caiu. Mas quando o país passou a crescer mais, o efeito também foi grande”, avalia.
Para o economista, o emprego é um ponto-chave para o país, ainda mais com a recuperação do salário e da renda. Como o cenário internacional ainda é de crise em países europeus e nos Estados Unidos, Santos considera que o quadro de “quase pleno emprego” é favorável.