BNDESPar emite R$ 2,025 bilhões em debêntures

Fonte:  Téo Takar | Valor

SÃO PAULO – A BNDESPar, empresa de investimentos do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), levantou R$ 2,025 bilhões em sua oferta de debêntures simples. A operação previa, inicialmente, a colocação de R$ 1,5 bilhão. Foram emitidas 2,025 milhões de papéis, com valor nominal de R$ 1 mil, divididos em três séries.

A primeira série terá 500 mil debêntures e pagará juros prefixados de 12,51% ao ano, com vencimento em janeiro de 2014. A segunda série será composta por 1 milhão de papéis, com remuneração corresponde a 0,30% ao ano além da variação dos contratos futuros do DI de três meses, e vencimento em janeiro de 2014.

A terceira série, de 525 mil debêntures, pagará juros equivalentes ao IPCA acrescido de de 6,2991% ao ano. O pagamento dos juros dessa série será anual a partir de 2013 e os papéis vencerão em janeiro de 2017.

Copom não deve alterar juros nesta 4ª feira, prevê Tendências

Porém, o economista André Sacconato projeta alta da Selic em janeiro.

Fonte:Luís Artur Nogueira, de EXAME.com

São Paulo – A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que começa na terça (7) e termina na quarta (8), não deve alterar a taxa básica de juros, atualmente em 10,75% ao ano. Porém, uma alta da Selic é provável em janeiro.

A avaliação é do economista da Tendências Consultoria André Sacconato, que participou nesta segunda-feira (6) do programa “Momento da Economia”, na Rádio EXAME.

As medidas de restrição ao crédito anunciadas na sexta-feira passada (3) tiraram a pressão por um aperto de juros imediato, mas não eliminaram os riscos inflacionários. “Nós temos um estudo aqui na Tendências que mostra que esse tipo de política monetária (elevação de compulsório) não substitui a taxa de juros. Certamente o Banco Central elevará a Selic em janeiro, pois a inflação está pressionada principalmente em serviços”, diz Sacconato. 

O economista diz que o Banco Central tem se baseado em três argumentos para não elevar os juros: crescimento mundial menor, meta fiscal cheia e um salário mínimo com aumento real zero. “Até janeiro, só teremos a confirmação do valor do salário mínimo. Se o governo conseguir o valor de R$ 540 (aumento real zero), o Copom poderá até adiar novamente a alta dos juros. Porém, nós, aqui na Tendências, não acreditamos no cumprimento da meta cheia do superávit primário.”

Na entrevista, André Sacconato comenta o efeito que o IGP-M acima de 10% terá na inflação em 2011 e avalia o impacto na taxa de juros da decisão “precipitada” do Banco Central de interromper o aperto monetário.

Mais de 40% dos beneficiários do Bolsa-Família continuam miseráveis

Número de pobres apesar de benefício aparece em estudo do ministério a pedido do ‘Estado’.

BRASÍLIA – A presidente eleita, Dilma Rousseff, não terá dificuldade para encontrar a pobreza absoluta que ela prometeu erradicar até o fim do mandato, como um dos principais compromissos da campanha. Quase 5,3 milhões de famílias – a grande maioria dos brasileiros que permanecem na condição de miseráveis – já são beneficiárias do programa Bolsa-Família, de transferência de renda.

O valor pago mensalmente pelo Bolsa-Família, que varia de R$ 68 a R$ 200 para as famílias que vivem em pobreza mais aguda, não é suficiente para pouco mais de 40% dos atendidos pelo programa superarem a miséria. A condição de pobreza extrema é definida pela renda de até R$ 70 mensais por pessoa da família, segundo as regras do programa; miseráveis são pessoas que vivem com renda de até R$ 2,30 por dia.

O número de famílias que permanecem na extrema pobreza apesar de receberem o benefício do Bolsa-Família aparece em levantamento inédito do Ministério do Desenvolvimento Social, feito a pedido do Estado. Nos últimos anos, o ministério vinha se recusando a divulgar esse tipo de informação.

Entre as 12,7 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa-Família, 7,4 milhões (58%) encontram-se na faixa de renda entre R$ 70 e R$ 140 mensais por pessoa da família. Dessas, 4,4 milhões (35% do total dos beneficiários) superaram a condição de extrema pobreza com o pagamento do benefício. Mas ainda restam 5,3 milhões (42%) de miseráveis no programa.

Gasto extra

Acabar com a extrema pobreza entre os beneficiários do Bolsa-Família significaria ter de mais do que dobrar o valor do benefício básico, de R$ 68, pago apenas às famílias que têm renda per capita de até R$ 70. “O piso do benefício teria de ir para R$ 138”, calcula Lúcia Modesto, secretária de Renda de Cidadania do ministério, responsável pelo programa.

A média dos pagamentos, hoje em R$ 96 mensais, também teria de aumentar. O impacto nas contas públicas seria um gasto extra de R$ 8 bilhões, segundo estimativa preliminar. “Está muito acima das nossas possibilidades”, disse a secretária. A presidente eleita recorrerá a uma medida provisória, no início do mandato, para fixar reajuste nos pagamentos do Bolsa-Família. Um reajuste acima da inflação acumulada, de cerca de 9%, está em estudo, conforme antecipou o Estado. Mas a possibilidade de pagar um benefício que elimine imediatamente a extrema pobreza entre os beneficiários nem sequer é considerada.

Política de reajuste

Uma das ideias em estudo é estabelecer uma política de reajustes para o Bolsa-Família, como acontece com o salário mínimo. Atualmente, eventuais reajustes dependem da vontade do presidente da República.

O último reajuste do Bolsa-Família se deu em maio de 2009. Desde então o programa paga entre R$ 22 e R$ 200. O valor varia de acordo com o grau de pobreza e o número de crianças e jovens em idade escolar das famílias. Nada recebem aquelas que não são consideradas extremamente pobres nem têm filhos até 17 anos. O Orçamento de 2011, enviado ao Congresso sem previsão de reajuste, autoriza gastos de R$ 13,4 bilhões com o programa.

Receita óbvia

Embora não sejam suficientes para fazer com que 40% dos beneficiários superem a extrema pobreza, os pagamentos do Bolsa-Família são responsáveis por um crescimento médio de 49% da renda das famílias atendidas. Nas regiões Norte e Nordeste, o impacto é ainda maior, mas a renda média após o pagamento do benefício não alcança a linha que separa a extrema pobreza da pobreza.

Aumentar o valor do benefício do Bolsa-Família é uma receita óbvia para erradicar a extrema pobreza no País. Outra medida apontada como inevitável é garantir o acesso ao programa das cerca de 230 mil famílias pobres ainda não cadastradas, de acordo com estimativa do Desenvolvimento Social.

No documento lançado no segundo turno das eleições presidenciais, com os “compromissos programáticos”, a então candidata Dilma Rousseff prometeu erradicar a pobreza absoluta. Esse é o compromisso número 5, de uma lista de 13.

O texto petista não detalha a estratégia a ser adotada, mas destaca o crescimento econômico, a expansão do emprego e da renda e a valorização do salário mínimo, antes de falar do Bolsa-Família.

Bancos aguardam pacote de estímulo para crédito de longo prazo

Para Febraban, medidas anunciadas para incentivar a emissão de letras financeiras podem não ser suficientes para estimular o mercado.

Fonte: Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado

SÃO PAULO – Após anunciar medidas para conter a expansão do crédito à pessoa física, os bancos esperam que o governo anuncie nos próximos dias um pacote de medidas para estimular o crédito de longo prazo na economia, afirma o presidente do Santander e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fábio Barbosa.

As medidas anunciadas na última sexta-feira para incentivar a emissão de letras financeiras pelos bancos podem não ser suficientes para estimular esse mercado, avalia o executivo. “É preciso desenvolver um mercado secundário para essas letras”, disse em rápida entrevista à Agência Estado após participar de evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

As letras financeiras são uma espécie de debêntures criadas pelo governo no final de 2009 para os bancos captarem recursos de longo prazo. Na sexta-feira, o Banco Central isentou as letras do recolhimento do depósito compulsório. A taxa sobre esses títulos era a mesma dos depósitos a prazo.

Segundo Barbosa, os bancos, por meio da Febraban, vêm conversando com o governo há alguns meses para discutir formas de alongar o prazo dos empréstimos. Com o crescimento da economia e os novos projetos de investimento, ele avalia que os bancos serão atores importantes no financiamento da expansão do País. Mas com o modelo atual de captação, destaca o executivo, não é possível os bancos darem um empréstimo de prazo longo para uma empresa investir quando a maioria dos recursos aplicados nas instituições financeiras tem liquidez diária.

Por isso, avalia Barbosa, é essencial criar mecanismos de captação também de prazo maior e incentivar um mercado secundário para esses papéis.

Sobre as medidas anunciadas na última sexta-feira pelo Banco Central para conter a expansão do crédito na pessoa física, Barbosa espera impacto maior nas linhas de empréstimo de maior prazo, como financiamento a compra de veículos.

Dólar fecha a R$ 1,679, menor valor desde 4 de novembro

 Foi a sexta sessão consecutiva de baixa da moeda norte-americana ante o real, período em que acumula desvalorização de 2,82%.

Fonte:Silvana Rocha, da Agência Estado

SÃO PAULO – O dólar comercial caiu 0,36% hoje para R$ 1,679 e fechou no menor valor desde 4 de novembro deste ano, quando estava cotado a R$ 1,676. Foi a sexta sessão consecutiva de baixa do dólar ante o real, período em que acumula uma desvalorização de 2,82%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado à vista também recuou 0,36% hoje para R$ 1,679. O euro comercial registrou queda de 0,93% no dia, para R$ 2,234.

A desaceleração das perdas do euro ante o dólar à tarde justificou a virada para queda do dólar em relação ao real no mercado doméstico, segundo operadores de câmbio de bancos e corretoras consultados pela Agência Estado. “Sem dados relevantes na agenda econômica hoje e diante da fraca cotação de fechamento do dólar na sexta-feira (a R$ 1,6850), os agentes iniciaram o dia ajustando posições compradas, que ampararam a alta inicial da moeda. Contudo, a perda de força do euro à tarde estimulou um aumento da oferta e os preços do dólar aqui retomaram a tendência de queda”, disse o gerente da mesa de derivativos da CM Capital Markets, Eduardo Barros. A taxa máxima registrada hoje para o dólar durante as negociações foi de R$ 1,693.

“Além de o euro ter sido debilitado pela desconfiança dos investidores sobre as discussões relacionadas aos planos para dar sustentabilidade a países problemáticos da zona do euro, o dólar ganhou suporte no começo do dia da entrevista ontem à noite do presidente do Fed, Ben Bernanke, ao programa 60 minutos, da rede CBS. Bernanke manifestou seu compromisso de estimular a economia dos EUA. Ele sugeriu que o Fed poderia ampliar o atual programa de flexibilização quantitativa, comprando mais do que os US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro previstos, se for necessário. Normalmente, essas compras exercerem pressão de venda no dólar. No entanto, os investidores aprovaram o fato de o Fed mostrar que não deixará a economia norte-americana fraquejar ainda mais.

No leilão de hoje, o Banco Central fixou a taxa de corte das propostas em R$ 1,682. A operação, no entanto, não conteve a baixa e as cotações recuaram mais depois. “Com o fluxo cambial pequeno, o BC deve ter adquirido um volume baixo de moeda, que não foi suficiente para limitar as perdas finais”, disse um operador de tesouraria de um banco nacional.

Câmbio turismo

Nas operações de câmbio turismo, o dólar ficou estável nesta segunda-feira, negociado em média a R$ 1,797 na ponta de venda e R$ 1,693 para compra. O euro turismo subiu 0,55% para R$ 2,38 (venda) e R$ 2,247 (compra).