Só 17,5% dos donos de celular são da classe A/B

Consumidores de baixa renda já são maioria até mesmo nos planos pós-pagos

Fonte: Renato Cruz – Estadão Versao Impressa

A telefonia celular, vista como elitista no seu lançamento no País, há 20 anos, tornou-se o serviço de telecomunicações preferido dos consumidores de baixa renda. Somente 17,5% dos usuários de celular são das classes A e B, segundo o Data Popular. 

Mesmo nos planos pós-pagos, que as operadoras costumam apontar como os que concentram os clientes de renda mais alta, as classes C, D e E são maioria, com 59,7%. “As operadoras não sabem direito qual é o perfil do cliente”, disse Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular. “Normalmente, elas sabem somente se ele usa muito ou pouco o serviço.”

Tanto Ferreira quanto Valéria usam o celular para falar e para mandar mensagens de texto. Eles não acessam a internet no telefone móvel.

 Um grande desafio das operadoras é vender serviços de dados para esse público, principalmente acesso à internet. E o problema está mais na divulgação do serviço e na formatação dos pacotes do que na renda. Quarenta e oito por cento dos usuários das classes C, D e E gastam mais de R$ 100 por mês no celular e 73% gastam entre R$ 40 e R$ 100.

Existe, no entanto, uma confusão muito grande sobre o que seja acesso à internet no celular. Segundo Meirelles, do Data Popular, existem consumidores que falam que acessam a rede no telefone móvel, quando, na verdade, usam serviços em que enviam um torpedo para receber música ou outros conteúdos, o que não tem nada a ver com internet.

Mesmo sem levar em conta a classe social, o desconhecimento sobre os termos usados pelas operadoras é bastante grande. Cinquenta e seis por cento dos brasileiros, segundo a empresa de pesquisas, não fazem a menor ideia do que seja 3G (celular de terceira geração) e 62% não sabem o que é smartphone (celular inteligente, em que o consumidor pode acessar a internet e baixar aplicativos).

“O serviço de dados é visto pelo consumidor como um comedor de créditos”, disse o sócio-diretor do Data Popular..

Patrícia Kastrup, diretora de marketing da Claro, afirmou que o cliente não chega na loja querendo um smartphone. “Ele quer um telefone com teclado, com email e acesso às redes sociais”, disse.

Flávia Bittencourt, diretora de marketing da Oi, disse que o consumidor muitas vezes pensa que o smartphone é o aparelho que não tem teclado.

Ela ressaltou que as classes C, D e E são cada vez mais relevantes. “A parte difícil é explicar os novos serviços para o cliente”, reconheceu.

Crescimento. Em outubro, o total de celulares no País alcançou 194,4 milhões, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O número de telefones móveis ultrapassou o de pessoas, chegando a uma densidade de 100,44 acessos por 100 habitantes. Do total, 82,2% são pré-pagos.

Esse número não é o total de aparelhos, mas o de chips. Inclui os minimodems de acesso à internet, as máquinas leitoras de cartões de crédito e débito e os rastreadores de veículos.

Segundo o Data Popular, 55% dos consumidores das classes A e B possuem mais de um chip. de celular O mesmo acontece com 45% da classe C e 30% das classes D e E.

O celular da classe C

Fonte: Renato Cruz – Estadão.com

A telefonia celular, vista como elitista no seu lançamento no País, há 20 anos, tornou-se o serviço de telecomunicações preferido dos consumidores de baixa renda. Somente 17,5% dos usuários de celular são das classes A e B, segundo o Data Popular.

Mesmo nos planos pós-pagos, que as operadoras costumam apontar como os que concentram os clientes de renda mais alta, as classes C, D e E são maioria, com 59,7%. “As operadoras não sabem direito qual é o perfil do cliente”, disse Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular. “Normalmente, elas sabem somente se ele usa muito ou pouco o serviço.”

O bancário Claudio Vicente Ferreira, de 31 anos, tem um plano pós-pago da Oi. A mensalidade seria de R$ 40, com direito a 60 minutos. Mas ele conseguiu um desconto e o plano sai por R$ 18,90 mensais. “Eu nunca pago só isso”, disse. “Sempre ultrapasso e minha conta é de R$ 40 a R$ 50.” Pelos critérios usados pelo Data Popular, ele é um consumidor de classe C.

“Eu tinha um pré-pago, mas, como uso bastante, não compensava”, afirmou Ferreira. Ele contou que, quando tinha o pré-pago, participava de uma promoção em que carregava R$ 15 e ganhava o triplo do crédito em bônus. Quando essa promoção venceu, ele resolveu migrar para o pós.

A analista de cobrança Valéria Augusto Silva, de 20 anos, tem um plano controle da Vivo de R$ 35. Esse tipo de plano é híbrido. O cliente paga uma mensalidade e, se usar sua franquia de minutos antes do fim do mês, o aparelho deixa de fazer chamadas. Para voltar a falar, é preciso carregar com créditos como um pré-pago. Esses celulares são classificados como pós-pagos pelas operadoras.

“Dificilmente eu carrego meu celular com créditos”, afirmou Valéria. “Dá para controlar bem. O plano dura o mês inteiro.” Roger Solé, diretor de marketing da TIM, afirmou que, no geral, o pré-pago é visto como mais vantajoso pelo cliente que está começando a usar o celular. Depois, existe uma tendência de migração. “Existe um sonho de consumo de ser pós-pago, para não ficar sem falar”, disse Solé.

Tanto Ferreira quanto Valéria usam o celular para falar e para mandar mensagens de texto. Eles não acessam a internet no telefone móvel.

Um grande desafio das operadoras é vender serviços de dados para esse público, principalmente acesso à internet. E o problema está mais na divulgação do serviço e na formatação dos pacotes do que na renda. Quarenta e oito por cento dos que gastam mais de R$ 100 e 73% dos que gastam entre R$ 40 e R$ 100 são das classes C, D e E.

Existe, no entanto, uma confusão muito grande sobre o que seja acesso à internet no celular. Segundo Meirelles, do Data Popular, existem consumidores que falam que acessam a rede no telefone móvel, quando, na verdade, usam serviços em que enviam um torpedo para receber música ou outros conteúdos, o que não tem nada a ver com internet.

Mesmo sem levar em conta a classe social, o desconhecimento sobre os termos usados pelas operadoras é bastante grande. Cinquenta e seis por cento dos brasileiros, segundo a empresa de pesquisas, não fazem a menor ideia do que seja 3G (celular de terceira geração) e 62% não sabem o que é smartphone (celular inteligente, em que o consumidor pode acessar a internet e baixar aplicativos). “O serviço de dados é visto pelo consumidor como um comedor de créditos”, disse o sócio-diretor do Data Popular.

Segmento de albergues se expande no país

Fonte: MAÍRA TEIXEIRA – Folha.com

O setor de albergues da juventude, também conhecidos como “hostels”, tem crescido no Brasil. A estimativa de faturamento do setor no Brasil neste ano é de R$ 35 milhões, diz a FBAJ (Federação Brasileira de Albergues da Juventude).

A rede mundial HI (Hostelling International) faturou 500 milhões libras (R$ 1,33 bilhão) em 2009. Mikael Hansson, presidente da empresa, diz que o Brasil, que tem a maior rede nas Américas, é um dos mercados mais interessantes do mundo.

“Neste ano, temos visto um aumento de 20% no número de pernoites. Os albergues brasileiros oferecem um interessante conjunto de atividades, além de boa qualidade nas acomodações”, afirma Hansson.

Já o setor hoteleiro viu sua taxa de ocupação cair de 65% em 2008 para 63% em 2009, segundo dados do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil). No mesmo período, segundo a FBAJ, a ocupação dos albergues subiu 7,6%, passando de 329.721 para 354.791 pernoites.

O número de brasileiros que se hospedaram em albergues subiu 9,7% de 2008 para 2009 -de 84.020 para 92.346. Já o número de estrangeiros aumentou 4,09%, para 50.808.

“Os ‘hostels’ formam uma rede de intercâmbio social que auxilia os ‘jovens de espírito’ a viajar para conhecer pessoas, culturas e lugares”, diz Maria José Giaretta, vice-presidente da FBAJ.

Para Giaretta, o setor deve crescer de 20% a 25% em 2011. “A democratização da passagem aérea está captando as classes C, D e E para viagens e mudando a maneira de planejar do viajante”, argumenta.

“Essa popularização dá uma margem de gasto maior ao alberguista, que sempre teve o costume de planejar sozinho suas viagens”, afirma a especialista.

“No ano passado havia 90 hostels. Vamos fechar 2010 com cem unidades. A expectativa é que o número cresça 50% até 2014, chegando a 150 unidades”, diz Carlos Augusto Silveira Alves, presidente da FBAJ.

ECONOMIA LOCAL

Existem quatro tipologias de “hostels” hoje no Brasil: convencional, design, boutique e rural.

A tipologia das acomodações, assim como os locais onde estão instalados, mexe com o cotidiano da região, aponta Maria José, da FBAJ.

“O mochileiro cria hábitos no turismo. Cria a possibilidade de convivência e está ligado à cultura do lugar aonde ele vai, tudo isso interagindo e fortalecendo a economia local sempre a procura de shows, dança, artesanato, contato com as coisas locais.”

Para a especialista em turismo faltam albergues em cidades paulistas como: Atibaia, Águas de Lindoia, Serra Negra, Campinas e Piracicaba, Itanhaém e Mongaguá. “Outros locais que são muito interessantes são Maceió (AL) e a Chapada dos Guimarães (MT). Esses são locais de forte apelo cultural e turístico. Nas cidades com grandes universidades também têm grande procura.”

“Há uma proposta de albergue-barco em Presidente Figueiredo (AM). O Pantanal já tem uma nova unidade credenciada, assim como Ribeirão Preto, Paranapiacaba e Guaratinguetá”, relata Maria José.

Palocci é confirmado na Casa Civil

O coordenador da equipe de transição de governo aceitou o convite de Dilma Rousseff após longa conversa com o presidente Lula.

Fonte: Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci será o chefe da Casa Civil do governo de Dilma Rousseff. Coordenador da equipe de transição, Palocci foi convidado pela presidente eleita, na quarta-feira, a assumir a pasta que já foi comandada por ela. Resistiu um pouco, pois preferia um ministério de menor visibilidade, mas aceitou a tarefa após longa conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao assumir a Casa Civil, ministério responsável pela coordenação do governo, Palocci será definitivamente reabilitado na cena política. Fiador do rumo econômico no primeiro mandato de Lula, o então comandante da Fazenda foi abatido em março de 2006, no rastro do escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, revelado pelo Estado. No ano passado, porém, Palocci foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Dilma havia planejado desidratar totalmente a Casa Civil – alvo de sucessivas crises nos últimos anos – mas mudou de ideia. Embora mais enxuta e sem projetos vistosos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que serão transferidos para o Ministério do Planejamento, a Casa Civil continuará forte e seu titular, o capitão do time.

Entre suas várias atribuições, Palocci fará dobradinha com a Secretaria das Relações Institucionais na articulação política e cuidará da interlocução com governadores e prefeitos, além da reforma tributária.

Em conversas reservadas, Dilma já avisou que não quer saber de primeiro-ministro à sua volta. No primeiro mandato de Lula, esse carimbo pertencia a José Dirceu, que caiu na esteira da crise do mensalão, em 2005, e não queria que Palocci sentasse em sua antiga cadeira.

Secretaria geral

O novo núcleo duro do Palácio do Planalto, de perfil “lulista”, também abrigará Gilberto Carvalho, atual chefe de gabinete do presidente Lula, na Secretaria-Geral da Presidência. Carvalho e Luiz Dulci, que hoje ocupa a pasta, são os únicos sobreviventes do antigo grupo de conselheiros do atual governo.

Ao menos por enquanto, a Secretaria-Geral não mudará totalmente de perfil e continuará cuidando da relação com os movimentos sociais.

Convites

Alexandre Padilha, titular da Secretaria de Relações Institucionais, deverá continuar no mesmo posto, mas Dilma ainda não bateu o martelo sobre o destino de Paulo Bernardo, hoje ministro do Planejamento.

A presidente eleita convidou Bernardo, na quarta-feira, para comandar o Ministério da Previdência Social. Disse a ele, no entanto, que pode levá-lo para o Planalto, se tiver de fazer algum arranjo de última hora no xadrez ministerial.

Já o novo chefe de gabinete de da presidente eleita será Giles Carraconde Azevedo, que cuida de sua agenda desde a época em que Dilma era secretária de Energia, Minas e Comunicação do Rio Grande do Sul.

FGV acredita que governo atingirá superávit 3,3%

Fonte: AE – Agencia Estado

SÃO PAULO – Diante do ceticismo generalizado quanto à capacidade de o governo alcançar sem truques o superávit primário do setor público consolidado de 3,3% do PIB em 2011, a postura da Fundação Getulio Vargas se destaca pelo contraste. Segundo as estimativas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV no Rio, a meta fiscal defendida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, pode ser cumprida.

Para isso, no entanto, o governo terá de cortar R$ 40 bilhões em relação ao que consta do Projeto de Lei Orçamentária (PLO) de 2011. “Vai ser duro, um esforço além do normal, mas dá para chegar lá”, diz o economista Samuel Pessôa, do Ibre.

Ele acha que, em relação ao típico contingenciamento orçamentário, o governo terá de avançar cerca de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões a mais em cortes. A projeção do Ibre prevê que o salário mínimo seja reajustado apenas para R$ 540, que haja um aumento real de 3% no Bolsa-Família, e que os gastos com a folha do funcionalismo não subam nada além do que está previsto no PLO. “Tem de segurar todas as demandas no Congresso”, alerta Pessôa.

Pelas estimativas da equipe do economista, a receita líquida do governo em 2011 ficará quase idêntica à prevista no PLO, atingindo R$ 802,3 bilhões (valores de 2010). O Ibre prevê uma receita menor de impostos e contribuições, já que estima crescimento do PIB de 4,6%, ante 5,5% da projeção oficial. Aquela perda, no entanto, é compensada na projeção do instituto por uma receita previdenciária mais alta (com melhor mercado de trabalho) e por recursos de dividendos, concessões e do pré-sal.

No lado dos gastos do governo federal, os maiores cortes terão de ocorrer nas despesas discricionárias, que terão de recuar R$ 34,8 bilhões, ou 17,2%, em relação ao que está no PLO, ficando em R$ 167 bilhões. Esse conjunto de gastos inclui investimentos, custeio de saúde e educação e o custeio da máquina pública propriamente dita. “É preciso colocar o pé no freio no investimento, e segurar novos projetos”, diz Pessôa. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Detalhes do pacote para a Irlanda serão elaborados hoje

Fonte:NALU FERNANDES – Agencia Estado

BRUXELAS – Os detalhes do pacote para Irlanda, estimado em 85 bilhões de euros, ainda vão ter de ser elaborados, disse o ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, neste domingo.

Detalhes do financiamento, como as taxas de juros, serão abordados ao longo do dia, disse ele para repórteres, quando chegava para o encontro de ministros das Finanças da União Europeia.

“É interesse nacional britânico trazer estabilidade para a Irlanda”, disse Osborne, acrescentando que a estabilidade na Irlanda é interesse de toda a Europa. As informações são da Dow Jones.

”O Brasil pode virar um centro financeiro mundial em 20 anos”

Acionista do Itaú, Villela deixa a presidência da Federação Latino-Americana de Bancos com a ambiciosa proposta de atrair para o País as principais operações financeiras da região.

Fonte: Patrícia Cançado e Ricardo Grinbaum – O Estado de S.Paulo

Ricardo Marino Villela, acionista e executivo do Itaú Unibanco, acaba de deixar a presidência da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban). Em 2008, no auge da crise global, ele assumiu o cargo indicado pelos banqueiros brasileiros para conduzir as discussões do sistema financeiro da região. Além de checar a segurança dos bancos, a Felaban preparou estudos de bancarização e manuais de melhores práticas de crédito e de segurança jurídica. Villela, 36 anos, deixou o cargo com um plano ambicioso encaminhado: transformar o Brasil num centro financeiro de porte mundial, atraindo as operações financeiras da América Latina. “A energia de pensar grande é a mesma de pensar pequeno”, diz Villela. Na entrevista a seguir, ele falou sobre a internacionalização do Itaú, que está sob seu comando, sobre sua carreira e sobre as especulações de que pode ser o sucessor de Roberto Setubal na direção do banco.

Outros países da América Latina não têm um sistema financeiro forte como o do Brasil. Vocês tiveram de atuar em algum durante a crise?

Não. E a gente vê que supervisores em geral tiveram grande amadurecimento nos últimos 15/20 anos na região e foram bastante prudentes e conservadores. Apesar de não ser uma região homogênea, todos os países passaram pela crise com razoável tranquilidade.

Depois dessa experiência, como o sr. enxerga os bancos do Brasil?

Eu diria que o Brasil está no primeiro time. Pelo desenvolvimento da economia e pelas dificuldades que passou, precisou se adaptar para sobreviver. E fizemos coisas hoje que são referência no setor, que estão sendo copiadas inclusive pelos EUA. O sistema financeiro tem noções sólidas, com balanços bem capitalizados, pouco alavancados. A banca tradicional tem muita inventividade, há boa regulação e boa supervisão. Isso foram fatores muito importantes, mas não suficientes. Você precisa de uma boa governança – e a maioria dos bancos brasileiros tem – e um bom modelo de gestão de riscos, que a gente aprendeu a desenvolver com as dificuldades e volatilidade que passamos.

Que tipo de projeto o sr. propôs durante a sua gestão na Felaban?

Um dos projetos foi alavancar esse momento positivamente e buscar um protagonismo maior da região. A energia da gente pensar grande é a mesma de pensar pequeno. A gente deveria aumentar o volume de transações entre os países do sistema financeiro da América Latina, para não ter de fazer isso triangulado pelos grandes centros financeiros do mundo, por Nova York, Londres, Cingapura e Xangai, e que essa massa crítica pudesse criar um hub (centro) financeiro na região, aproveitando essas competências, esse aprendizado. E o Brasil, dada a sua liderança, poderia ser um candidato muito forte. Esse projeto, batizado de Brain, é para acontecer em 20 anos.

Na prática, o que seria isso?

Aumentar os fluxos de investimentos e capitais, de derivativos regionais, de processamento de informações, estimular o lançamento de BDRs (ações de empresas estrangeiras negociadas no Brasil) no mercado de capitais.

Como está o projeto hoje?

Essa deve ser uma parceria, que deve envolver todo o sistema.

Com quem vocês já negociaram?

Anbima, BMF&Bovespa, governo, Banco Central, Febraban. Estivemos com Henrique Meirelles, Guido Mantega. Falando em pensar e agir como gigante, uma das preocupações que eu tive foi de aproximar a América Latina da China. A gente estava muito ensimesmado na nossa microrregião. Na assembleia de Miami, no ano passado, pela primeira vez na história da Felaban, convidamos os principais bancos chineses para fazer parte dos painéis. Eles adoraram, começaram a fazer negócios, foram os mais requisitados. Alguns bancos chineses já pediram carta-patente para começar a operar no Brasil, dada a importância que eles dão para o nosso mercado. A gente começa a criar os primeiros vínculos para fazer a região ganhar mais importância.

O sr. agora vai assumir outro posto em alguma instituição?

Creio que minha contribuição foi dada. Tenho muito orgulho de ter participado dessa etapa num período tão crítico. Mas o banco está vivendo um momento muito importante na área de pessoas e na área externa, que vai requerer muito tempo, muita dedicação.

Quais são os planos do Itaú na área internacional?

Temos dois deveres. O primeiro é melhorar a rentabilidade, a eficiência e sedimentar a cultura nos quatro países onde estamos (Chile, Uruguai, Argentina, Paraguai) para conquistar o direito de eventualmente crescer para fora. Na parte não orgânica, o comitê de estratégia do conselho e o comitê internacional consultivo, dirigido pelo Pedro Malan, estão analisando as possibilidades. Posso dizer que nosso pipeline de análise está cheio, os bancos de investimentos batem na nossa porta toda semana. Mas tem uma disciplina para seguir, precisa ter o timing certo.

Que países estão no radar?

Países da América Latina precisam ganhar escala. Mas, sem dúvida, México, Colômbia e Peru são os países que chamam mais atenção – pelo tamanho da economia, pela estabilidade política e de regulação. A aspiração é ser um player global. Mas não se vira um banco global da noite para o dia. Apesar de estarmos entre os dez bancos mais valiosos do mundo, ainda não somos globais. E essa jornada é longa, demora 15 a 20 anos. Tem de ir com muita cautela, muita disciplina, para que não se destrua valor para o acionista e para que a gente não caia em nenhuma soberba, dado o momento em que o Brasil se encontra, que a moeda do Brasil se encontra, que o valor da ação do Itaú Unibanco se encontra. Os analistas de mercado nos cobram muito cuidado. E não adianta você querer comprar um banco. O banco precisa estar à venda.

Mas banco à venda tem, não?

Na América Latina é muito difícil. Tem mais banco à venda onde você não quer, como nos EUA, Europa.

E o que está à venda não é bom.

Comprar banco por um dólar você pode até conseguir. Mas o passivo que você compra é muito grande.

O sr acredita que vai haver concentração bancária na América Latina?

É uma tendência irreversível, ainda mais com esse entorno regulatório. Para os bancos permanecerem rentáveis e ganharem uma certa eficiência, eles vão precisar de escala, de balanços mais fortes.

Falando sobre a sua carreira, quando o sr. fez engenharia, já estava pensando em vir para o banco ou estava seguindo o caminho do Olavo, do Roberto (Setubal)?

Eu nunca tive intenção de trabalhar no Itaú, mas sempre tive vocação para trabalhar no sistema financeiro. Como todo ser humano, tinha pontos fortes e pontos fracos. Os fortes eram a parte de humanas. E tinha alguns gaps na parte de exatas. Quando eu fiz vestibular, meu objetivo foi desenvolver os pontos fracos e alavancar os fortes. Seria muito conveniente fazer administração, arquitetura ou direito. Mas escolhi pegar logo a estrada mais difícil. Porque eu sabia que, quando viesse a trabalhar no sistema financeiro, saberia resolver problemas. Meu sonho era trabalhar no Banco Garantia. Na época, nos anos 90, era o melhor banco de investimentos. E eu não fui aceito na primeira tentativa, fui rechaçado depois de 13 entrevistas.

Quem te rejeitou no Garantia?

Os sócios.

Quem te entrevistou nessa primeira rodada?

Marcelo Barbará, Marcelo Medeiros, José Olympio…

E eles sabiam quem você era?

Sabiam. E eles tinham dúvidas sobre a minha carreira no banco. E eu disse: eu quero ser conhecido pelo meu primeiro nome e não pelo meu sobrenome. Quero construir a carreira pelos meus méritos.

O que eles alegaram?

Que eu não tinha experiência. Posso ter vários defeitos, mas uma das minhas qualidades é a perseverança. Fui buscar um emprego para ganhar a tal experiência, coincidentemente no mesmo prédio do Garantia. Um ano depois, subi na vida (risos), e entrei para o Garantia. Comecei como office boy, na custódia, liquidando cheque, para conhecer o arcabouço todo. Foi uma escola fantástica. Fiquei dois anos, passei por várias áreas. Quando vi que o mercado financeiro mundial estava entrando em crise, decidi fazer um MBA fora. Nesse período, trabalhei no Goldman Sachs em Nova York e Londres.

Por que o sr. não queria o Itaú?

O Itaú, lá atrás, era muito burocrático, tudo muito lento, muito hierárquico, muito militar. O Itaú tinha uma carreira muito fechada, como o Bradesco.

Quando o sr. entrou no banco, deveria ter em mente que poderia fazer carreira até eventualmente assumir o banco. No mercado, o sr. é tido como sucessor natural do Roberto…

Essa especulação com relação a esse assunto de sucessão deve ser tratada com ele, pelo comitê de sucessão e de governança do banco. Cada dia é um dia. O que eu quero é fazer com excelência a minha missão de hoje. A gente não pode prever o futuro. O que me anima muito é estar à frente desse processo de internacionalização do banco.

 

Ricardo Marino Villela, acionista e executivo do Itaú Unibanco, acaba de deixar a presidência da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban). Em 2008, no auge da crise global, ele assumiu o cargo indicado pelos banqueiros brasileiros para conduzir as discussões do sistema financeiro da região. Além de checar a segurança dos bancos, a Felaban preparou estudos de bancarização e manuais de melhores práticas de crédito e de segurança jurídica. Villela, 36 anos, deixou o cargo com um plano ambicioso encaminhado: transformar o Brasil num centro financeiro de porte mundial, atraindo as operações financeiras da América Latina. “A energia de pensar grande é a mesma de pensar pequeno”, diz Villela. Na entrevista a seguir, ele falou sobre a internacionalização do Itaú, que está sob seu comando, sobre sua carreira e sobre as especulações de que pode ser o sucessor de Roberto Setubal na direção do banco.

Outros países da América Latina não têm um sistema financeiro forte como o do Brasil. Vocês tiveram de atuar em algum durante a crise?

Não. E a gente vê que supervisores em geral tiveram grande amadurecimento nos últimos 15/20 anos na região e foram bastante prudentes e conservadores. Apesar de não ser uma região homogênea, todos os países passaram pela crise com razoável tranquilidade.

Depois dessa experiência, como o sr. enxerga os bancos do Brasil?

Eu diria que o Brasil está no primeiro time. Pelo desenvolvimento da economia e pelas dificuldades que passou, precisou se adaptar para sobreviver. E fizemos coisas hoje que são referência no setor, que estão sendo copiadas inclusive pelos EUA. O sistema financeiro tem noções sólidas, com balanços bem capitalizados, pouco alavancados. A banca tradicional tem muita inventividade, há boa regulação e boa supervisão. Isso foram fatores muito importantes, mas não suficientes. Você precisa de uma boa governança – e a maioria dos bancos brasileiros tem – e um bom modelo de gestão de riscos, que a gente aprendeu a desenvolver com as dificuldades e volatilidade que passamos.

Que tipo de projeto o sr. propôs durante a sua gestão na Felaban?

Um dos projetos foi alavancar esse momento positivamente e buscar um protagonismo maior da região. A energia da gente pensar grande é a mesma de pensar pequeno. A gente deveria aumentar o volume de transações entre os países do sistema financeiro da América Latina, para não ter de fazer isso triangulado pelos grandes centros financeiros do mundo, por Nova York, Londres, Cingapura e Xangai, e que essa massa crítica pudesse criar um hub (centro) financeiro na região, aproveitando essas competências, esse aprendizado. E o Brasil, dada a sua liderança, poderia ser um candidato muito forte. Esse projeto, batizado de Brain, é para acontecer em 20 anos.

Na prática, o que seria isso?

Aumentar os fluxos de investimentos e capitais, de derivativos regionais, de processamento de informações, estimular o lançamento de BDRs (ações de empresas estrangeiras negociadas no Brasil) no mercado de capitais.

Como está o projeto hoje?

Essa deve ser uma parceria, que deve envolver todo o sistema.

Com quem vocês já negociaram?

Anbima, BMF&Bovespa, governo, Banco Central, Febraban. Estivemos com Henrique Meirelles, Guido Mantega. Falando em pensar e agir como gigante, uma das preocupações que eu tive foi de aproximar a América Latina da China. A gente estava muito ensimesmado na nossa microrregião. Na assembleia de Miami, no ano passado, pela primeira vez na história da Felaban, convidamos os principais bancos chineses para fazer parte dos painéis. Eles adoraram, começaram a fazer negócios, foram os mais requisitados. Alguns bancos chineses já pediram carta-patente para começar a operar no Brasil, dada a importância que eles dão para o nosso mercado. A gente começa a criar os primeiros vínculos para fazer a região ganhar mais importância.

O sr. agora vai assumir outro posto em alguma instituição?

Creio que minha contribuição foi dada. Tenho muito orgulho de ter participado dessa etapa num período tão crítico. Mas o banco está vivendo um momento muito importante na área de pessoas e na área externa, que vai requerer muito tempo, muita dedicação.

Quais são os planos do Itaú na área internacional?

Temos dois deveres. O primeiro é melhorar a rentabilidade, a eficiência e sedimentar a cultura nos quatro países onde estamos (Chile, Uruguai, Argentina, Paraguai) para conquistar o direito de eventualmente crescer para fora. Na parte não orgânica, o comitê de estratégia do conselho e o comitê internacional consultivo, dirigido pelo Pedro Malan, estão analisando as possibilidades. Posso dizer que nosso pipeline de análise está cheio, os bancos de investimentos batem na nossa porta toda semana. Mas tem uma disciplina para seguir, precisa ter o timing certo.

Que países estão no radar?

Países da América Latina precisam ganhar escala. Mas, sem dúvida, México, Colômbia e Peru são os países que chamam mais atenção – pelo tamanho da economia, pela estabilidade política e de regulação. A aspiração é ser um player global. Mas não se vira um banco global da noite para o dia. Apesar de estarmos entre os dez bancos mais valiosos do mundo, ainda não somos globais. E essa jornada é longa, demora 15 a 20 anos. Tem de ir com muita cautela, muita disciplina, para que não se destrua valor para o acionista e para que a gente não caia em nenhuma soberba, dado o momento em que o Brasil se encontra, que a moeda do Brasil se encontra, que o valor da ação do Itaú Unibanco se encontra. Os analistas de mercado nos cobram muito cuidado. E não adianta você querer comprar um banco. O banco precisa estar à venda.

Mas banco à venda tem, não?

Na América Latina é muito difícil. Tem mais banco à venda onde você não quer, como nos EUA, Europa.

E o que está à venda não é bom.

Comprar banco por um dólar você pode até conseguir. Mas o passivo que você compra é muito grande.

O sr acredita que vai haver concentração bancária na América Latina?

É uma tendência irreversível, ainda mais com esse entorno regulatório. Para os bancos permanecerem rentáveis e ganharem uma certa eficiência, eles vão precisar de escala, de balanços mais fortes.

Falando sobre a sua carreira, quando o sr. fez engenharia, já estava pensando em vir para o banco ou estava seguindo o caminho do Olavo, do Roberto (Setubal)?

Eu nunca tive intenção de trabalhar no Itaú, mas sempre tive vocação para trabalhar no sistema financeiro. Como todo ser humano, tinha pontos fortes e pontos fracos. Os fortes eram a parte de humanas. E tinha alguns gaps na parte de exatas. Quando eu fiz vestibular, meu objetivo foi desenvolver os pontos fracos e alavancar os fortes. Seria muito conveniente fazer administração, arquitetura ou direito. Mas escolhi pegar logo a estrada mais difícil. Porque eu sabia que, quando viesse a trabalhar no sistema financeiro, saberia resolver problemas. Meu sonho era trabalhar no Banco Garantia. Na época, nos anos 90, era o melhor banco de investimentos. E eu não fui aceito na primeira tentativa, fui rechaçado depois de 13 entrevistas.

Quem te rejeitou no Garantia?

Os sócios.

Quem te entrevistou nessa primeira rodada?

Marcelo Barbará, Marcelo Medeiros, José Olympio…

E eles sabiam quem você era?

Sabiam. E eles tinham dúvidas sobre a minha carreira no banco. E eu disse: eu quero ser conhecido pelo meu primeiro nome e não pelo meu sobrenome. Quero construir a carreira pelos meus méritos.

O que eles alegaram?

Que eu não tinha experiência. Posso ter vários defeitos, mas uma das minhas qualidades é a perseverança. Fui buscar um emprego para ganhar a tal experiência, coincidentemente no mesmo prédio do Garantia. Um ano depois, subi na vida (risos), e entrei para o Garantia. Comecei como office boy, na custódia, liquidando cheque, para conhecer o arcabouço todo. Foi uma escola fantástica. Fiquei dois anos, passei por várias áreas. Quando vi que o mercado financeiro mundial estava entrando em crise, decidi fazer um MBA fora. Nesse período, trabalhei no Goldman Sachs em Nova York e Londres.

Por que o sr. não queria o Itaú?

O Itaú, lá atrás, era muito burocrático, tudo muito lento, muito hierárquico, muito militar. O Itaú tinha uma carreira muito fechada, como o Bradesco.

Quando o sr. entrou no banco, deveria ter em mente que poderia fazer carreira até eventualmente assumir o banco. No mercado, o sr. é tido como sucessor natural do Roberto…

Essa especulação com relação a esse assunto de sucessão deve ser tratada com ele, pelo comitê de sucessão e de governança do banco. Cada dia é um dia. O que eu quero é fazer com excelência a minha missão de hoje. A gente não pode prever o futuro. O que me anima muito é estar à frente desse processo de internacionalização do banco.