Bovespa fecha em queda de 2,41%, pior tombo em mais de 30 dias

Fonte:  EPAMINONDAS NETO – Folha.com

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) amargou o seu pior tombo num mês na rodada desta terça-feira, dia de mau humor global. Às preocupações recorrentes com a Europa, EUA e China somou-se a escalada de tensão nas Coreias.

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O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, recuou 2,41%, aos 67.952 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,5 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York ainda não encerrou suas operações — o índice Dow Jones cai 1,30%.

“Acho que a questão das Coreias serviu mais como um estopim para alguma realização de lucros. Em condições normais, esse tensão deve passar em um ou dois dias, e esse fator deve se dissipar nos mercados”, comenta José Raymundo de Faria Jr., diretor técnico da consultoria Wagner Investimentos. Ele lembra que, enquanto a Coreia do Norte realmente tem pouca expressividade econômica, a contraparte capitalista da península é um dos carros-chefes da economia asiática.

Uma ilha sul-coreana foi alvo da artilharia norte-coreana, o que piorou o já tenso relacionamento entre os dois países da península. O ataque mereceu várias críticas internacionais, e mesmo um tradicional aliado do país comunista, a China, pediu moderação ao regime de Pyongyang.

O dólar comercial foi cotado por R$ 1,735, em alta de 0,28%. A taxa de risco-país marca 186 pontos, número 4,49% acima da pontuação anterior.

Entre as notícias mais importantes do dia, o governo americano apontou uma expansão de 2,5% para o PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Economistas contavam com uma variação pouco menor –de 2,4%. Trata-se uma estimativa preliminar, que deve sofrer nova revisão no próximo mês.

Ainda nos EUA, Os integrantes do Banco Central desse país revisaram para baixo suas projeções para o crescimento da economia americana em 2011, em relação às estimativas divulgadas em junho, ao mesmo tempo em que elevaram suas projeções para a taxa de desemprego neste período.

E a NAR (associação dos corretores) contabilizou uma queda de 2,2% nas vendas de imóveis usados em outubro nos EUA, em um desempenho pior do que o esperado pelo mercado — analistas já esperavam uma contração, em torno de 1%.

No front doméstico, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) apontou uma inflação de 0,86% em novembro ante 0,62% em outubro, pela leitura do IPCA-15, visto como uma estimativa prévia do IPCA, utilizado no regime de metas do governo. No acumulado do ano, o índice está em 5,07% e, nos últimos 12 meses, em 5,47%.

Política industrial do governo Lula fecha o ano sem cumprir as principais metas

Em meio à ameaça de desindustrialização, governo faz um balanço dos erros e acertos e discute novo plano para Dilma Rousseff.

Fonte: Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo.

RIO – Criada em 2008 para coordenar as ações do governo de incentivo à indústria, a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) deve terminar 2010 sem cumprir as quatro principais metas para este ano. Em meio à ameaça de desindustrialização identificada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o governo faz um balanço dos erros e acertos da política industrial da era Lula e discute novo plano para Dilma Rousseff.

Em vez dos 21% do Produto Interno Bruto (PIB) estabelecidos pela principal meta da PDP, a taxa de investimento fixo na economia deverá fechar 2010 perto de 19% do PIB. A elevação do gasto privado com pesquisa em desenvolvimento, que a segunda meta fixava em 0,65% do PIB, deve se manter em 0,5%.

Outro objetivo, o aumento de 10% no número de micro e pequenas empresas exportadoras, foi prejudicado pelo câmbio desfavorável. Em 2009, houve queda de 4%.

A quarta meta, a de elevar a participação das exportações brasileiras a 1,25% do total mundial, pode até ser alcançada, especula Reginaldo Braga Arcuri, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

A fatia do Brasil nas exportações mundiais pode chegar a 1,35%, mas puxada por produtos primários, que tomaram a liderança dos manufaturados na pauta. Mesmo com a previsão de crescimento de 27% das exportações este ano, a conta deve fechar abaixo do nível de US$ 208 bilhões projetados pela PDP em 2008.

“As metas não servem apenas se foram cumpridas. Servem mais para definir de onde se parte e onde se quer chegar, além de aprender com o que acontece no caminho. Guiam as ações, criam parâmetros de avaliação e dão ao setor privado uma visão clara de para onde o governo quer direcionar o País”, diz Arcuri, que participa da secretaria executiva da PDP com representantes de outros órgãos, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Ciência e Tecnologia sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento.

Para o governo, as metas foram frustradas pela crise mundial, desencadeada pouco depois do lançamento da atual política industrial.

Escalada

Foi essa a explicação que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu do BNDES, principal instrumento do plano. A recuperação da taxa de investimento, a principal meta da PDP, foi o motivador da recente escalada de desembolsos do BNDES.

Turbinadas por empréstimos do Tesouro, as liberações do banco saltaram de R$ 92,2 bilhões em 2008 para R$ 137 bilhões em 2009 e devem ultrapassar R$ 146 bilhões este ano, com ênfase no financiamento de bens de capital. Mesmo assim, só foi possível até agora recompor o nível de 2008 do investimento. Segundo projeções do banco, a meta de 21% do PIB só será superada entre 2012 e 2013.

“A crise internacional não é nenhuma desculpa, é um fato concreto. Na formulação da PDP, todas as curvas estavam com vetores para cima e eles caíram perpendicularmente”, diz o presidente da ABDI. “A recuperação em V mostra que os fundamentos da economia estão sólidos. Houve a retomada da trajetória anterior, mesmo que não tenhamos a recuperação em números absolutos.”

O governo ainda não fechou um balanço das metas da política industrial, cujos resultados só devem ser medidos no início de 2011. No entanto, técnicos dos órgãos envolvidos nas ações da PDP trabalham num relatório de avaliação do que foi conseguido até agora. O documento deve ser entregue pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, à presidente eleita, Dilma Rousseff, com sugestões para a formulação de uma política industrial para o novo governo.

Além de reformular as metas, a ideia é intensificar a interação com o empresariado e agregar categorias como a cadeia produtiva do trigo, a indústria de brinquedos e a de eletrônicos de consumo (como televisores, celulares e aparelhos de som) aos setores econômicos definidos como prioritários pela PDP.

Nos últimos dois anos, setores como os de carnes, software, petroquímica e fármacos receberam incentivos do governo para financiar investimentos, internacionalização e operações de consolidação.

Tombini no BC e Miriam Belchior no Planejamento fecham equipe econômica

A presidente eleita, Dilma Rousseff, vai anunciar oficialmente amanhã os primeiros nomes de seu ministério; convites para a área econômica foram deflagrados a partir da permanência do petista Guido Mantega no Ministério da Fazenda.

Fonte: Vera Rosa e Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – Sem ter falado com o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a presidente eleita, Dilma Rousseff, escolheu nesta terça-feira, 23, para o comando do Banco Central (BC) o economista Alexandre Tombini, atual diretor de Normas da instituição. Também foi definido que Miriam Belchior, assessora especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), assumirá o Ministério do Planejamento.

Depois das duas definições desta terça, Dilma decidiu anunciar na quarta-feira os três primeiros nomes da equipe econômica: além de Tombini e Miriam Belchior, que substituirá Paulo Bernardo, fará a confirmação oficial da escolha de Guido Mantega para a pasta da Fazenda. A presidente quis fazer o anúncio antes de participar ao lado de Lula, amanhã, em Georgetown (Guiana), da cúpula da Unasul (União de Nações Sul-americanas).

Histórico

Antes de se tornar funcionário de carreira do Banco Central, Tombini foi coordenador de análise internacional do Ministério da Fazenda e assessor especial da Casa Civil no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Ele já havia sido cotado para a presidência do BC em março deste ano, quando Meirelles cogitou sair do banco para disputar as eleições de outubro passado.

Tombini serviu no governo FHC e Meirelles chegou ao BC no primeiro mandato do governo Lula, em 2003, depois de ser eleito o deputado federal mais votado pelo PSDB de Goiás.

O Estado antecipou em sua edição do dia 6 de novembro que Meirelles não ficaria no BC. No dia 12, Mantega também foi apresentado como o novo ministro da Fazenda.

Fator Mantega

A escolha de Tombini foi dada como certa no início da tarde de terça, depois de uma longa reunião da presidente Dilma com o ministro Mantega na Granja do Torto. Além da presença de Mantega reforçar a condição do ministro como chefe da equipe econômica da presidente eleita, Dilma fez a escolha do novo presidente do Banco Central sem ter feito a prometida reunião com Meirelles.

Dilma havia dito que anunciaria o ministério em blocos e que a equipe econômica seria a primeira a ser escolhida. Ao escolher Mantega, sem definir o futuro de Meirelles, o presidente do BC fez questão de, em conversas reservadas, avaliar que não aceitaria permanecer no cargo se a instituição perdesse a autonomia funcional que ele teve ao longo dos dois mandatos do presidente Lula (2003-2010).

Apesar de ter ficado irritada com as avaliações de Meirelles, Dilma mandou seus assessores da equipe de transição dizer que queria uma conversa, para esta semana, com o presidente do BC. Ficou claro, porém, que Meirelles não ficaria no comando do banco. Alguns assessores admitiam, porém, que ele poderia ser escolhido para um ministério que lhe desse projeção política e eleitoral. Nos bastidores, o próprio Meirelles disse a interlocutores na terça que aguardaria sua conversa com Dilma para avaliar a permanência no futuro governo em uma outra pasta.

Amigos próximos ouviram do presidente do Banco Central que ele deixa o cargo com o sentimento de ter feito um trabalho sólido durante os oito anos do governo Lula, comparando-se a “um bom jogador que deixa o campo em forma”.

Cautela

A presidente eleita chegou a ser aconselhada a não criar nenhum padrão de confronto com Meirelles, evitando assim que houvesse uma rejeição política ao convite. Caso ela aprofundasse a polêmica em torno da autonomia do BC, isso poderia reforçar a ideia de que o substituto de Meirelles aceitaria o cargo e também uma tutela maior de Dilma e Mantega sobre a instituição.