Venda de materiais de construção cresce 13,39% no acumulado até outubro

No mês de outubro, as vendas no mercado interno registraram alta de 0,63%, de acordo com a Abramat.

Fonte: Fabiana Holtz, da Agênica Estado

SÃO PAULO – As vendas de materiais de construção no mercado doméstico registraram expansão de 13,39% no acumulado do ano até outubro, em relação a igual período de 2009, de acordo com levantamento divulgado há pouco pela Associação Brasileira de Materiais de Construção (Abramat). Na mesma base de comparação, as vendas de materiais básicos subiram 12,54%, enquanto as de empresas de acabamento aumentaram 15,08%. No acumulado dos últimos 12 meses foi apurado acréscimo de 11,53% no faturamento.

No mês de outubro, as vendas no mercado interno registraram alta de 0,63% ante o mesmo período do ano anterior e retração de 0,47% em relação a setembro. Nas mesmas bases de comparação, as vendas de materiais básicos recuaram 5,89% e 3,27%, respectivamente, enquanto as de acabamento aumentaram 13,85% e 4,60%. O nível de emprego da indústria de materiais, por sua vez, cresceu 11,35% no mês passado em relação a um ano antes, mas se manteve praticamente estável (-0,17%) na comparação com setembro.

Segundo comunicado da entidade, o resultado mensal aponta para uma tendência de redução de ritmo de crescimento em relação aos mesmos meses de 2009, o que tem ocorrido neste semestre. O resultado acumulado do ano, por sua vez, ficou abaixo das previsões realizadas anteriormente para 2010, de crescimento próximo de 15%, e ainda está 3,36% abaixo da performance de vendas informada nos primeiros dez meses de 2008.

Dilema do juro desafia a nova equipe

De um lado, governo Dilma quer baixar fortemente a taxa básica da economia; de outro, eleva os gastos públicos, que pressionam a inflação.

Fonte: Fabio Graner e Fernando Nakagawa, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – Quem ocupar a presidência do Banco Central (BC) no próximo governo terá de administrar o dilema básico da política econômica do governo de Dilma Rousseff: como cortar o juro num País em que o governo insiste em elevar gastos e injetar dinheiro na economia via crédito. São ações contraditórias, pois as despesas do governo e o consumo elevado tendem a puxar a inflação para cima. Dessa forma, torna-se necessário aumentar os juros.

A presidente eleita já disse que pretende chegar ao final de seu governo com os juros reais (taxa que desconta a inflação) em 2% ao ano e indicou que gostaria de um corte na taxa já no início de 2011. Técnicos do BC achavam que era possível cortar a taxa no segundo semestre, caso o setor público fizesse uma economia extra de um ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB).

Assim, seria cumprida a meta já fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de obter um superávit primário (diferença entre receitas e despesas, exceto gastos com juros) de 3,3% do PIB, sem a necessidade de recorrer às manobras contábeis que estão sendo utilizadas este ano.

Essa perspectiva otimista, porém, foi por água abaixo na sexta-feira, quando o Ministério do Planejamento divulgou as novas projeções econômicas para 2010 e 2011. Os números indicam que, em vez de fazer uma aperto fiscal adicional, o governo vai gastar mais em 2011.

Na prática, a meta de superávit primário foi reduzida de 3,3% PIB para 3% do PIB. Esse corte ocorreu porque a meta fiscal é de R$ 117,9 bilhões, o que representava 3,3% do PIB. Mas, como o PIB de 2011 foi corrigido para cima, os R$ 117,9 bilhões agora representam 3% do PIB.

Os números contrastam com o discurso mais recente de Dilma, que falou em “apertar o cinto”. Ela autorizou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, a detalhar estudos sobre uma política de longo prazo pela qual as despesas correntes passariam a crescer menos do que o PIB, de forma a abrir espaço nas contas públicas para mais investimentos. O próprio Bernardo patrocinou outro ato contrário ao ajuste fiscal: na sexta-feira, liberou R$ 18,6 bilhões extras para serem gastos ainda neste ano.

A definição do novo salário mínimo, que terá nova rodada de negociações entre governo e centrais sindicais esta semana, também tem impacto direto na previsão de gastos públicos em 2011.

Além do impacto fiscal, o salário mínimo interfere na inflação de serviços, lembra uma fonte do governo. O piso do País atua diretamente nos custos de alimentação fora de casa, cabeleireiros e empregados domésticos. Ou seja, o tamanho do reajuste do mínimo determinará o tamanho da inflação de serviços e o nível do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de forma geral, por meio da transferência de renda.

Risco

Fora do BC, porém, a visão é diferente. Técnicos do governo ponderam que o ritmo da atividade econômica já está em nível que não pressiona a inflação. E assim deve seguir em 2011, abrindo espaço para o juro cair. Na visão desse grupo, o real valorizado e a “guerra cambial” no mundo, cuja consequência tem sido notada na estagnação da indústria, demandariam um corte na Selic o mais rápido possível.

A redução no diferencial entre o juro interno e externo diminuiria o apetite dos estrangeiros pela renda fixa no Brasil e a tendência de valorização do real. O juro menor também estimularia a indústria nacional voltar a crescer.

É por causa desse cenário que o atual presidente do BC, Henrique Meirelles, teria imposto como condição para permanecer no cargo a preservação da autonomia na definição do juro. O recado desagradou a Dilma. Eles têm agendada uma conversa esta semana. / COLABOROU LU AIKO OTTA

Dilma se irrita com atitude de Meirelles para se manter no BC

Fonte: VALDO CRUZ / KENNEDY ALENCAR – Folha.com

A presidente eleita, Dilma Rousseff, se irritou com Henrique Meirelles por ele ter divulgado que impõe condições para ficar no Banco Central, mas não descarta negociar sua permanência por um período tampão.

De acordo com auxiliares de Dilma, Meirelles perdeu “muitos pontos” e deve “baixar o tom” para que os dois possam negociar sua posição no futuro governo.

A presidente eleita disse a petistas que não convidou Meirelles a ficar, mas autorizou uma sondagem. A conversa definitiva deverá acontecer na próxima semana.

Segundo a Folha apurou, a intenção de Dilma era negociar com Meirelles sua permanência por um período de “três, seis ou oito meses”, até que ela reorganize sua equipe econômica.

Ontem Dilma ficou contrariada ao ser informada de que Meirelles teria dito à imprensa que fora convidado por ela para ficar no BC, mas condicionou isso à manutenção da autonomia que desfrutou na gestão Lula.

A futura presidente, segundo assessores, disse que desde sua eleição não havia conversado nem pessoalmente nem por telefone com Meirelles. Logo, afirmou, não foi feito convite.

INCÔMODO

A avaliação da equipe de Dilma é que Meirelles teria criado uma situação incômoda para ela ao dizer que só ficaria com autonomia. Ou seja, não ficando, ele é quem teria decidido sair por não receber as garantias de liberdade de trabalho.

Segundo um auxiliar, Meirelles “deu vários passos para trás” na definição do seu futuro dentro do governo Dilma. Além do BC, ele poderia ser aproveitado em outro ministério ou ser indicado para a embaixada brasileira em Washington.

Acionado por Dilma, o coordenador da transição, Antonio Palocci, entrou em contato com Meirelles, que estava em Frankfurt, para pedir esclarecimentos sobre as informações na imprensa.

O presidente do BC disse que não havia dado nenhuma entrevista com aquele conteúdo e que falaria com jornalistas sobre o assunto.

Em seguida, disse à imprensa que havia sido convidado pela eleita para discutir a “extensão de seu mandato”, fazendo questão de destacar que ela sempre defendeu a autonomia do BC.
“Recebi uma mensagem através da equipe da presidente Dilma me convidando para termos uma conversa na semana que vem.”

Disse que “tem havido muitas perguntas sobre a autonomia do BC” e que ele tem respondido “sistematicamente que a presidente eleita se mostrou, inclusive na campanha, ser a favor da autonomia”.

O principal defensor da permanência de Meirelles sempre foi o presidente Lula, que fez essa sugestão a Dilma mais de uma vez. Mas confidenciou a auxiliares que já fez o que podia e que não se intrometeria mais e que agora “a bola está com ela”.

Lula também recomendou à petista a manutenção de Guido Mantega. Nesse caso, ela concordou.

Ela passou a cogitar a hipótese de manter o atual presidente do BC depois de avaliar o cenário econômico internacional, que tende a piorar em 2011.

Governo impõe aos fundos de pensão participação no trem-bala

Fonte: LEILA COIMBRA /DIMMI AMORA – Folha.com

Por determinação do Planalto, a estratégia de participação dos fundos de pensão de estatais no projeto do trem-bala mudou. A ordem é que Previ (BB), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa) negociem parceria nos consórcios separadamente para o leilão.

Até a semana passada os fundos só entrariam no projeto após a escolha do vencedor. Essa participação, de cerca de 20% do capital da nova empresa, seria por meio da Invepar (associação entre Petros, Previ e Funcef mais a construtora OAS) e o aporte seria de R$ 1,5 bilhão.

O presidente da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Bernardo Figueiredo, anunciou o plano em setembro para evitar desequilíbrio de forças entre as tecnologias estrangeiras que disputam o projeto.

Mas os planos mudaram devido à dificuldade de formar outros consórcios que garantam a disputa na licitação. Até ontem só um grupo, o liderado por empresas da Coreia do Sul, havia sido formado e diz que apresentar proposta no leilão do dia 29.

Ao menos 15 empresas já procuraram escritórios de advocacia e consultorias demonstrando interesse no leilão. Mas, a menos de uma semana do prazo para a entrega das propostas, não foram fechadas novas parcerias.

Anteontem, 20 empreiteiras pediram formalmente o adiamento do leilão. O grupo negocia com chineses e espanhóis e ainda aguarda resposta dos detentores da tecnologia para saber se aceitam entrar no projeto.

Nos últimos dias houve reuniões entre representantes dos fundos e da ANTT e da Casa Civil, em os fundos foram informados de que precisariam entrar já no leilão.

A associação posterior ao leilão via Invepar não foi descartada. A opção é tornar o projeto atraente aos investidores. Mas o prazo é curto. O projeto tem que passar pela área técnica dos fundos e, após a aprovação desses setores, pela diretoria.

Pelos altos valores, eles têm que passar também pelos conselhos. Na Previ, o conselho reúne-se uma vez por mês, e a diretoria, uma por semana.

Outro problema é aumentar mais a vulnerabilidade dos planos. Os fundos têm sido usados pelo governo para viabilizar fusões e aquisições de empresas e com isso elevaram suas participações em investimentos de risco.

Via assessoria, a Previ disse que considera o trem-bala importante para o país e que vem analisando os estudos feitos sobre o projeto, mas ainda não tomou decisão. O Funcef também informou que não há nada decidido e o Petros disse que irá investir por meio da Invepar.

O governo vem articulando medidas para viabilizar a licitação, a maior do governo Lula: de um investimento estimado em R$ 33,1 bilhões, o capital privado deverá entrar com R$ 7 bilhões -só 20% do valor global. Além disso, o BNDES vai financiar em até R$ 20 bilhões a obra.

MEMÓRIA

O uso do dinheiro dos fundos ligados às estatais para viabilizar grandes projetos não é exclusividade do governo Lula.

No processo de privatização das grandes estatais na década de 1990, em especial o do Sistema Telebrás, houve uma manobra governamental para que a Previ participasse do consórcio encabeçado pelo Opportunity e pela Telecom Italia.

Na usina hidrelétrica de Belo Monte, licitada no governo Lula, a participação de Previ, Funcef e Petros chega a 27,5% do total do empreendimento.

 

Após receber prêmio, Lula critica guerra cambial promovida pelos EUA

Fonte:  PEDRO SOARES – Folha.com

 Presidente da Câmara de Comércio França Brasil  François Dossa entrega prêmio de  personalidade França-Brasil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

Ao receber o prêmio de personalidade França-Brasil de 2010, na noite desta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à guerra cambial promovida pelos EUA, que, segundo ele, não pode contar com a concordância do Brasil.

“Nós não podemos concordar com a guerra cambial que os Estados Unidos estão fazendo para resolver seus problemas de déficit fiscal, sem se importarem com o que está acontecendo em outros países do mundo que dependem do dólar [moeda internacional que lastreia as reservas cambiais de quase todos os países]”, disse Lula, que recebeu o prêmio em jantar no  Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo do Rio.

Em clara referência aos EUA, Lula afirmou que conhece um “país no mundo que não estava habituado a ser contestado”. Segundo o presidente, esse país queria apenas que o Brasil e outras nações em desenvolvimento participassem de fóruns internacionais “apenas para dizerem amém.”

“Esses temas [como o da guerra cambial] eram proibidos e nós queremos discuti-los.”

Para Lula, o Conselho de Segurança da ONU é um “clube fechado” que reúne os cinco maiores exportadores de armas do planeta.

“Nós sabemos que é um clube fechado: são cinco países. E, por coincidência, os cinco países que mais exportam armas no mundo e os cinco países, portanto, responsáveis pela paz no mundo. Há uma contradição histórica. É só a gente assistir ao filme ‘O Senhor das Guerras’ [na verdade, o título, em português, é ‘O Senhor das Armas’] para a gente entender o que acontece no mundo.”

O presidente disse ainda que a representação dos países no Conselho de Segurança da ONU não reflete a realidade atual. “Tudo mundo sabe que o Conselho de Segurança da ONU está ainda com a representação de 60 anos atrás, quando a geopolítica não tinha nada a ver com a geopolítica atual.”

Lula criticou ainda a postura de países contrários à entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU e ressaltou que a França defendeu, desde o primeiro momento, o pleito brasileiro.

“A partir de uma relação forte que nós estabelecemos com a França é que a gente pode ouvir do governo francês o primeiro discurso que o Brasil tinha de participar do Conselho de Segurança da ONU como membro permanente.”

Lula recebeu a premiação da Câmara de Comércio França Brasil. A cerimônia contou com a presença da ministra da Fazenda da França, Christine Lagarde. O presidente francês, Nicolas Sarkoky, gravou uma mensagem para Lula, apresentada em um telão.