Governo admite possibilidade de elevar valor do salário mínimo para R$ 550

Centrais sindicais, pelo menos por enquanto, não aceitam esse aumento e continuarão defendendo R$ 580.

Fonte: Edna Simão – O Estado de S.Paulo

A negociação em torno do salário mínimo para o próximo ano está longe de chegar ao fim. Apesar da proposta orçamentária prever um mínimo de R$ 540, o governo já admite a possibilidade de elevar esse valor para R$ 550. As centrais sindicais, pelo menos por enquanto, não aceitam esse aumento e continuarão defendendo R$ 580. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 510.

Nesta semana, os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Carlos Eduardo Gabas (Previdência) se reúnem para debater com as centrais sindicais, além do relator-geral do Orçamento, o senador Gim Argello (PTB-DF), para tentar desenrolar o debate em torno do reajuste mínimo e das aposentadorias acima de R$ 510 do próximo ano.

O deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, afirmou que o valor de R$ 580 é para ser negociado. “Mas não dá para ser R$ 550. Se tiver dificuldade para negociar um valor maior, vou insistir na minha emenda para que o salário mínimo chegue a R$ 580”, frisou Paulinho. “O governo colocou a pior pessoa para negociar”, reclamou o deputado, referindo-se ao ministro Paulo Bernardo.

O aumento real do salário mínimo é um compromisso da presidente eleita, Dilma Rousseff. Além disso, o presidente Lula não quer deixar o governo sem oferecer um ganho acima da inflação para os trabalhadores. O problema é que quanto mais elevado for o reajuste mais despesas terão que ser cortadas. Para cada R$ 1 a mais concedido ao mínimo, as despesas do governo com o pagamento de benefícios previdenciários e assistenciais vinculados ao piso nacional aumentarão em R$ 286,4 milhões, segundo cálculos do Ministério do Planejamento.

No ano passado, o mínimo foi reajustado com base na inflação e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás. Por esse mecanismo, o valor para 2011 seria R$ 538,15, mas no orçamento esse montante foi arrendado para R$ 540. Mas as centrais sindicais querem o reajuste do próximo ano considere expansão do PIB verificada em 2010. Somente dessa forma, os trabalhadores teriam um ganho acima da inflação. Com o reajuste para R$ 550, o governo, de certa forma, quer antecipar uma elevação mais forte do salário mínimo em 2012. Isso porque, o cálculo incluiria um PIB de mais de 7%.

Equipe de transição. O senador Gim Argello incorporou uma novidade no relatório preliminar de orçamento. Pelo texto, a equipe de transição de Dilma Rousseff poderá apresentar, em caráter oficial, para a peça orçamentária de 2011. “Será um canal direto entre o relator e a equipe de transição para que sejam incluídos propostas prioritárias do próximo governo no orçamento”, disse Argello. A expectativa de Argello é de que o relatório seja aprovado na terça-feira à tarde, mesmo que não haja definição sobre o novo valor do mínimo.

Cresce movimentação de real em casas de câmbio argentinas

Fonte: Folha.com

A valorização do real resultou num crescimento de 35% nas movimentações da moeda em casas de câmbio de Buenos Aires no terceiro trimestre de 2010, ante mesmo período de 2009, segundo o banco central argentino.

A movimentação cresceu de R$ 62 milhões para R$ 84 milhões, e o volume de transações se manteve estável. Entre as moedas estrangeiras, o real foi a única a aumentar sua participação nos negócios, de 3% para 4%.

Segundo os analistas, a circulação cresceu principalmente devido à quantidade de turistas que visitam o país. A estimativa do governo é receber cerca de 1 milhão de brasileiros em 2010, quase 49% a mais do que em 2009.

Estimulados pela cotação do real, que ontem podia ser trocado por até 2,25 pesos no centro da capital, os brasileiros deixaram de viajar com dólares e fazem o câmbio diretamente na Argentina.

A imagem de moeda forte impactou parte do comércio voltado ao turismo, que passou a aceitar o real em vendas cotidianas. “Aceito porque sei que não vai desvalorizar amanhã. Os brasileiros gastam muito e ganhamos ao trocar no câmbio”, diz Ana Machado, dona de uma loja no bairro de Palermo Soho.

Pequenos investidores também impulsionam a movimentação, para o consultor econômico Miguel Kiguel. Segundo ele, parte dos argentinos que guardam dólares está mudando para reais em razão do otimismo para com a economia brasileira e por causa do dólar desvalorizado. Mas Kiguel ressalta que o período de análise é curto para identificar tendência.

Brasileiro é 2º mais insatisfeito com salário e trabalho

Fonte: Folha.com

O desemprego no país pode estar no menor nível em pelo menos oito anos, mas isso não significa que o brasileiro esteja contente com o seu trabalho. Segundo pesquisa em 23 países, o brasileiro é o segundo mais insatisfeito com seu emprego e também com seu salário — em ambos os casos só perde para os japoneses.

A taxa de desemprego (medida pelo IBGE em seis regiões metropolitanas) em setembro era de 6,2%, a menor desde o início da atual pesquisa, em 2002. E o rendimento médio do trabalhador no mês, de R$ 1.499, também foi recorde.

Os números do Brasil contrastam com os dos EUA, onde a taxa de desemprego ronda os 10%, mas a insatisfação com o trabalho é metade da do brasileiro.

Para chegar a essa conclusão, o estudo da holandesa Phillips (com mais de 30 mil pessoas) comparou a diferença entre quão importante é determinado item para o bem-estar da pessoa e quanto ela está satisfeita com este item. A diferença mostra o grau de insatisfação -ou satisfação.

Um exemplo concreto: a média mundial da importância do trabalho é de 74%, mas a satisfação é de 65%. Essa diferença de nove pontos percentuais, portanto, seria o grau de insatisfação.

No caso brasileiro, a insatisfação com o salário é de 45 pontos percentuais, dado que só perde para o do trabalhador japonês (a diferença é de 67 pontos percentuais), que ganha por mês, aproximadamente, R$ 5.600.

Em relação ao trabalho, a insatisfação é de 31 pontos percentuais, enquanto a média mundial é de nove pontos. No Japão, que mais uma vez lidera, esse indicador está em 41 pontos percentuais.

Apesar da crise global e dos anos seguidos de baixo crescimento, o Japão tem uma das menores taxas de desemprego do mundo: 5%.

Mas há muita insatisfação no país, especialmente entre os jovens, que não têm tão forte a cultura de dedicação à empresa, com longas jornadas semanais de trabalho, como na geração de seus pais e avós.

ESTRESSE

Quando o assunto é motivos de estresse, conseguir dormir suficientemente lidera entre os brasileiros. Dois terços dos entrevistados afirmam que esse é um motivo que contribui para o estresse, ante a média global de 42%.

Logo a seguir, vêm custos com saúde (58%) e a perda do emprego (57%). Nesse caso, o cenário brasileiro é similar ao de emergentes, como a Indonésia. Nos ricos, a preocupação é menor.

Vou vender empresas e pagar o que devo, diz Silvio Santos sobre PanAmericano

Fonte: Folha.com

 



O dono do PanAmericano e apresentador de TV, Silvio Santos, afirmou que fará o que for preciso para pagar o empréstimo de R$ 2,5 bilhões que precisou contrair para se livrar de problemas no banco. Ele afirmou que pode vender algumas de suas empresas e até sua participação no banco.

Em entrevista à revista “Veja”, Silvio afirmou ainda que a fraude bilionária em seu banco pode ter sido feita para aumentar os bônus dos executivos.

“O que está me parecendo agora, mas não estou 100% certo, é que a operação era mesmo deficitária e os executivos, também para garantir seus prêmios, falsificaram a contabilidade””, afirmou.

O empresário contou ainda que negociou com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para pagar os R$ 2,5 bilhões emprestados em dez anos, recusando juros, apenas corrigidos pela inflação. A carência é de três anos para começarem a vencer as parcelas semestrais.

O apresentador afirmou que o episódio o fez desistir da aposentadoria programada para o ano que vem e que a TV só venderá em caso extremo.

ENTENDA O CASO

O Grupo Silvio Santos, o acionista principal do PanAmericano, anunciou que deve colocar R$ 2,5 bilhões no banco para cobrir um prejuízo causado por uma fraude contábil. Em seu comunicado oficial, a diretoria do banco menciona “inconsistências contábeis”.

O BC descobriu que o PanAmericano vendeu carteiras de crédito para outras instituições financeiras, mas continuou contabilizando esses recursos como parte do seu patrimônio. O problema foi detectado há poucos meses e houve uma negociação para evitar a quebra da instituição, já que o rombo era bilionário.

A quebra só foi evitada após o Grupo Silvio Santos assumir integralmente a responsabilidade pelo problema e oferecer os seus bens para conseguir um empréstimo nesse valor junto ao Fundo Garantidor de Créditos. Como o fundo é uma entidade privada, não houve utilização de recursos públicos. Além disso, a Caixa Econômica Federal, que também faz parte do bloco de controle, não terá de arcar com a perda.

A Polícia Federal informou que instaurou, nesta sexta-feira, inquérito policial para apurar a eventual prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O Ministério Público Federal informou que também vai investigar as transações do banco.

Plano da Banda Larga não inclui setor privado, critica controlador da Oi

Segundo empresa, uma questão que precisa ser reavaliada é o patamar dos tributos para o setor privado.

Fonte: Ricardo Leopoldo, da Agência Estado

SÃO PAULO – O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, um dos controladores da Oi, reafirmou hoje em São Paulo que o Plano Nacional da Banda Larga não deve ser considerado como tal, pois é uma iniciativa, segundo ele, que contempla apenas os interesses da Telebrás. “O que foi apresentado não é um plano que inclui o setor privado. Portanto, não pode ser chamado de Plano Nacional da Banda Larga. Aquele é o plano da Telebrás e a gente respeita também”, afirmou o executivo.

Azevedo ressaltou que o setor privado é favorável à política de expansão da banda larga no País, pois representa oportunidade. “Nós somos extremamente a favor de uma política nacional de banda larga e veio em boa hora. Esse é o maior exemplo que dá vitalidade ao setor de telecom desde a privatização (desde 1998). É muito importante.”

Azevedo afirmou que o setor privado em telecom no País está presente com grande capilaridade e trabalha em consonância com as regras do setor. “O governo, através da Telebrás, pode muito bem atuar como um poder moderador, no que diz respeito às tarifas, preços. Não vemos problemas quanto a isso”, afirmou. “Agora, a forma de fazer deve considerar a existência do setor privado de maneira substancial. O setor privado quer estar presente, junto (à atuação) do governo”, afirmou. A Oi é concessionária em todos os Estados, menos São Paulo.

Na avaliação de Azevedo, um Plano Nacional da Banda Larga é essencial para que o País se desenvolva nos próximos anos, para a inclusão de conhecimento. Segundo ele, uma questão que precisa ser reavaliada é o patamar dos tributos para o setor privado. Ele ressaltou, contudo, que se o governo fizer um programa nacional bem sucedido, como foi o “Luz Para Todos” e o “Minha Casa, Minha Vida”, as empresas privadas vão participar com determinação. “Temos 15 milhões de conexões fixas de banda larga no Brasil e, se considerarmos a tecnologia 3G como banda larga, temos mais de 30 milhões de conexões. Precisamos, porém, fazer mais”, cobrou.

Na avaliação de Azevedo, quanto à questão tarifária, o governo deve atuar como um indutor para que a sociedade tenha um preço mais adequado na prestação do serviço.

Escândalo ameaça receita do SBT

Agências de publicidade pedem descontos nos anúncios veiculados em emissoras de televisão que enfrentam crise ou estão à venda.

Fonte: Marili Ribeiro, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Se a especulação sobre a venda da rede de televisão SBT persistir, na consideração de diretores de planejamento de mídia das principais agências de publicidade consultadas pelo Estado, a emissora ficará vulnerável. “O SBT pode começar a perder entre 20% e 30% do seu faturamento já no começo do ano”, diz um deles. “Todos vão querer negociar a compra de mídia na emissora com pesados descontos. Nessa hora, não há solidariedade. Há negócio”, diz outro.

A situação, lembram eles, não será diferente do que viveu a Rede Globo, por volta de 2003, quando passou pela reestruturação de sua dívida tendo que vender participação em várias afiliadas. “No momento da negociação do comprometimento anual de pagamento antecipado houve descontos de compra de mídia de até 80% do valor do volume contratado no ano”, relembram.

É prática do mercado de propaganda o uso do ‘comprometimento anual’, um recurso para compra antecipada de espaços de veiculação de anúncios com descontos proporcionais ao volume contratado. É uma forma de a emissora fazer caixa. É feito no começo do ano à medida que os grandes empresas definem suas verbas de marketing. Fora isso, nessa mesma época, as emissoras também negociam os patrocínios para os pacotes de programação anual, como grade de esportes, séries, reality shows tipo BBB, entre outros.

Imagem

Não é à toa que Sílvio Santos se preocupa em preservar sua boa imagem. Ele tomou para si a tarefa de escrever do próprio punho o anúncio que pôs no ar desde sexta-feira. Nenhuma agência de propaganda, como seria usual, foi convocada para a tarefa. No comunicado ele destaca que as empresas do Grupo Sílvio Santos valem mais do que o empréstimo que se viu obrigado a contrair para cobrir a fraude no Banco Panamericano, que pertence ao grupo.

Preservar a imagem trata-se de – mais do que uma vaidade natural para um ídolo popular – uma forma de evitar prejuízos para o SBT. A comercialização dos espaços publicitários em qualquer emissora leva em consideração dois aspectos: audiência e credibilidade. A audiência do SBT tem se mantido estável, em torno dos 6 pontos por dia no último ano. Mas a credibilidade pode ficar abalada com o risco de venda e isso provocar perda de receita a médio prazo.

“Ninguém vai patrocinar uma novela com duração de oito ou dez meses sabendo que a emissora pode ser vendida a qualquer momento”, explica Angelo Frazão, consultor de mídia com mais de 30 anos de experiência. “O veículo só perde relevância para o anunciante quando perde audiência ou quando a credibilidade é afetada”.

A emissora é muito próxima da imagem de Sílvio. Tão próxima que, como avalia Fernando Mazzarolo, presidente da agência de propaganda WMcCann, só não foi atingida ainda porque Sílvio foi ágil na adoção de uma postura pública, com o empenho do próprio patrimônio. Uma atitude rara nessas situações o que repercutiu positivamente tanto nas redes sociais, como entre os profissionais do meio. “Tudo vem sendo bem conduzido”, diz Mazzarolo.

Líderes do G20 pregam esforço contra ‘desvalorizações competitivas’

Comunicado final recomenda que países ‘se abstenham’ de prática.
Desvalorização de moedas está na origem da chamada ‘guerra cambial’.

Fonte: Do G1, com AFP e EFE

Os líderes do G20 reunidos em Seul, na Coreia do Sul, se comprometeram nesta sexta-feira (12) a evitar desvalorizações competitivas de moedas e a recomendar que os países “se abstenham” de tomar esse tipo de medida, uma das origens da chamada “guerra cambial”. A decisão consta do comunicado final da quinta reunião de cúpula do grupo.

Líderes do G20 reunidos em Seul em foto oficial (Foto: Reuters)

Outro ponto acordado foi o fortalecimento da cooperação internacional para reduzir os desequilíbrios globais.

No “Plano de Ação de Seul”, incluído no comunicado, o G20 destaca que se movimentará para um “sistema de taxas de câmbio mais determinado pelo mercado”.

“As economias avançadas, incluindo aquelas com moedas de reserva, permanecerão vigilantes à volatilidade excessiva e aos movimentos desordenados das taxas de câmbio. Estas ações ajudarão a reduzir o risco de excessiva volatilidade nos fluxos de capital que alguns países emergentes enfrentam”, afirma o texto.

Após dois dias de discussões, as 20 maiores economias do planeta alertaram que políticas econômicas não coordenadas podem ter consequências desastrosas para todos.

Por este motivo, o G20 se comprometeu a “fortalecer a cooperação multilateral para reduzir os desequilíbrios excessivos na economia mundial”.

O grupo de países ricos e emergentes também concordou em aplicar mecanismos para manter os níveis de conta corrente em categorias sustentáveis, de acordo com critérios que serão definidos por grupos de trabalho com apoio técnico do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Bancos
Os líderes adotaram o novo marco regulatório “Basileia III”, que exige mais fundos próprios aos bancos considerados importantes para o sistema financeiro mundial, com o objetivo de que resistam de maneira melhor a possíveis futuras crises.

“Aprovamos o acordo alcançado no Comitê de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês) sobre novas regras de capitais nos bancos e liquidez”, afirma o comunicado final do encontro de cúpula do G20.

FMI
Os líderes manifestaram apoio à reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) que deu a economias como China e Brasil maior peso de decisão no organismo.

A diretoria do FMI estabeleceu as mudanças, qualificadas de “históricas” pelo diretor da instituição, Dominique Strauss-Kahn, na reunião da semana passada.

“Esta reforma de resultados ambiciosos é uma etapa importante para um FMI mais legítimo, confiável e eficaz”, destacaram os líderes do G20 no comunicado final.

A reforma aprovada no dia 6 de novembro pela diretoria do Fundo faz com que 110 dos 187 países membros do FMI tenham os direito de voto aumentados.

Os chefes de Estado e de Governo do G20 encarregaram seus ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais a prosseguirem com a análise da reforma do FMI e do Banco Mundial.