Anúncio de ministros europeus acalma Irlanda e Portugal

Fonte:  -Estadão.com

O comunicado fez juros de papéis irlandeses e portugueses caíremOs mercados de ações tiveram mais um dia tenso na Europa nesta sexta-feira, em meio a preocupações sobre as dívidas dos governos da Irlanda e de Portugal, duas das mais fracas economias que adotam o euro como moeda.

O preço das ações caiu no início do dia, mas se recuperou após as cinco maiores economias da União Europeia (Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália e Espanha) anunciarem conjuntamente que investidores não teriam grandes perdas se algum país da Eurozona não for capaz de pagar suas dívidas. 

Os ministros das Finanças desses países disseram, após a reunião do G20 na Coreia do Sul, que as novas regras de resgate de países à beira da insolvência, que farão com que investidores dividam uma parte maior dos prejuízos, só serão aplicadas depois de 2013.

O anúncio fez os juros atrelados à dívida irlandesa caírem a 8%, refletindo a percepção de que o risco de quebra do país diminuiu. Na quinta-feira, os juros dos papéis irlandeses chegaram a 9%.

Em Portugal, os juros atrelados à dívida do governo também caíram.

Resgate

Os juros nos dois países vinham aumentando ao longo da semana à medida que crescia a percepção, entre investidores, de que os governos europeus não interviriam para evitar uma eventual quebra irlandesa.Acreditava-se que a Alemanha, particularmente, pressionava para que os governos não tivessem de arcar com os gastos de um possível resgate, ao contrário do que ocorreu no caso da crise grega.

Mas o ministro das Finanças alemão, em conjunto com seus colegas da França, Itália, Grã-Bretanha e Espanha, anunciou que o novo mecanismo de resgate em discussão não se aplicaria a todas as dívidas existentes.”Qualquer novo mecanismo só entraria em efeito após o meio de 2013, sem impacto algum nos arranjos correntes”, eles afirmaram em comunicado conjunto.

 Com o anúncio, o euro se valorizou, após seis semanas de queda em relação ao dólar.

Elogios

 O ministro das Finanças irlandês, Brian Lenihan, elogiou a declaração. “Nossos parceiros da UE reiteraram sua total confiança na estratégia orçamentária sendo executada pelo governo”, disse ele.Ele acrescentou que a Irlanda não pretende realizar capitalizações no mercado financeiro até o início do próximo ano. Segundo Lenihan, o país não pediu ajuda nem à UE nem ao FMI.

 No entanto, um economista baseado na capital irlandesa, Dublin, diz que o país pode ser forçado a buscar ajuda.”A realidade é que as pressões que estamos vendo nos juros irlandeses, as pressões que estamos vendo nos portugueses e, em alguma medida, nos espanhóis e nos italianos, nos diz que (o problema) vai além da Irlanda”, disse à BBC World Business News Austin Hughes, economista chefe da KBC Ireland. 

“Nesse sentido, algum resgate pode ter de ser acordado, não porque a Irlanda particularmente enfrente dificuldades, mas porque é um sintoma de um problema muito mais amplo na Eurozona.”

 Desaceleração

 Dados oficiais divulgados nesta sexta-feira indicam que a recuperação das maiores economias europeias desacelerou. Alemanha, maior economia do continente, cresceu 0,7% no último trimestre – no anterior, crescera 2,3%.Na França, o PIB cresceu 0,4% entre julho e setembro, comparado com um crescimento de 0,7% no trimestre anterior. 

Os 16 países da Eurozona cresceram 0,4% em média no período, valor 0,6 ponto percentual inferior ao crescimento registrado entre abril e junho. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC

G20 foi um conflito de interesses próprios, diz professor do IMD

Arturo Bris, da escola de negócios suíça, diz que o mundo pode esperar mais do mesmo após encontro dos poderosos.

Fonte: Eduardo Tavares, de EXAME.com

Bris afirma que EUA e China vão se ater a seus planos e não haverá mudanças

São Paulo – Apesar do relatório final do G20 falar em um possível acordo entre as maiores economias mundiais, o tal consenso entre elas é visto com ceticismo por especialistas. Um deles é o professor de finanças Arturo Bris, da escola de negócios IMD, na Suíça. Em entrevista a EXAME.com, ele afirmou que o encontro foi mais um conflito de interesses do que um fórum para buscar soluções.

“Os países participantes estão naturalmente interessados em seus próprios assuntos, e lá eles preservam estes interesses. Diante disso, não há possibilidade de que se entendam”, disse o professor.

Bris garante que conhecia o resultado da reunião do G20 antes dela começar. Para ele, as discussões foram genéricas, mesmo aquelas sobre as tensões que a questão cambial lança sobre o mercado. Depois de dois dias de caminhada, não se chegou a lugar algum.

“O único jeito de se chegar a um acordo com relação ao câmbio seria se os Estados Unidos ou a China desistissem de seus próprios interesses, e isso não vai acontecer”, diz. Segundo o professor, a questão cambial está apoiada em três pilares, que são os interesses dos Estados Unidos, da União Europeia e da China. E a menos que haja um evento dramático que os obrigue a uma conversa mais profunda, não haverá mudanças.

Na falta de impactos mais relevantes da reunião, o mundo deve contemplar ao menos um alívio na volatilidade dos mercados de câmbio. “É provável que eles se acomodem um pouco, com alguma valorização do dólar”, afirma Bris. Mas nem a durabilidade deste efeito é garantida.

Portanto, após o G20, o mundo pode esperar mais do mesmo, de acordo com o especialista. “Na Europa, não há possibilidade de reação. Na verdade, acho que a situação atual beneficia a União Europeia, principalmente as exportações alemãs. Os Estados Unidos vão se ater estritamente ao seu plano. A China poderia ameaçar os EUA, mas não vai. Não vejo nenhuma ação.”

Bris também comentou sobre o Brasil neste cenário. Ele disse que o país desempenha um papel de máxima importância na arena internacional. “Vocês não são mais vistos como um país exótico. Falamos do Brasil com a mesma freqüência com que falamos da China. Dos países do BRIC, Brasil e China são os mais poderosos, cujas opiniões se de levar em conta”,

 

Indústria americana e inflação no Brasil de volta à mira dos mercados

Produção industrial nos EUA e índices de preços ganham destaque em semana de calendário fraco

São Paulo – Com o fim de uma semana que começou animada pela aproximação do recorde histórico do Ibovespa e terminou abatida com o anúncio de medidas de controle do crédito na China e a reunião sem resultados do G-20, é vez dos investidores voltarem a regular seus relógios pelo compasso da economia americana. O destaque da próxima semana fica com a produção industrial do país em outubro, divulgada na próxima terça-feira (16) às 12h30 de Brasília.

“Os mercados começarão a semana absorvendo ainda os resultados do G-20, o que potencializa a atenção sobre o dólar e os Estados Unidos”, aponta João Luiz Piccioni, analista de investimento da Petra Corretora. Para a indústria do país, Piccioni desenha uma expectativa de aceleração para o setor, que deve voltar para o campo positivo após queda de 0,3% na produção industrial de setembro.

O calendário nacional vem pontuado pelos índices de preços, com o IPC-S da segunda quadrissemana de outubro às 8 horas da terça-feira (16) e IGP-10 às 8 horas da quarta-feira (17). Mas o ponto alto da agenda fica com a segunda prévia do IGP-M de novembro às 8 horas da sexta-feira (19). “O mercado espera, no geral, níveis mais elevados de inflação, principalmente apoiados pela alta do setor de alimentos”, explica Marcelo Nascimento, economista da corretora Renascença.

No entanto, os possíveis catalisadores para o Ibovespa estão fora da agenda de índices: é a temporada de resultados do terceiro trimestre quem deve continuar a orientar os investidores, diz Piccioni. O analista pede também especial atenção ao setor de bancos, abatidos pela suspeita de fraude do Panamericano. “Uma vez que fique comprovado que o problema da empresa é isolado, os bancos médios que mostrarem maior força depois desse escrutínio devem ser beneficiados ao longo da semana”, aponta.

Fora do radar americano, a agenda reserva ainda espaço para o PIB do Japão na segunda-feira (15), cuja expectativa é de crescimento de 1,5 bilhão no segundo trimestre para 2,6 bilhões no terceiro trimestre. Nascimento destaca ainda a taxa de desemprego do Reino Unido,  na quarta-feira (17) às 7h30 de Brasília e a Balança Comercial da Zona do Euro, às 8 horas da segunda-feira (15).

  

 

 

 

 

Fonte: Mirela Portugal, de EXAME.com