‘Chuva’ de dólares faz investidores globais correrem para o risco

Ativos como ações, commodities e moedas de países emergentes têm fortes ganhos; no Brasil, Ibovespa se aproxima de recorde.

Fonte:Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo / Agências Internacionais

SÃO PAULO – No dia seguinte ao anúncio de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai usar mais US$ 600 bilhões para tentar reanimar a economia dos Estados Unidos, o mercado global viveu uma espécie de ‘flight to risk’, ou seja, voo para o risco. É um movimento oposto ao conhecido ‘flight to quality’, que ocorre quando os investidores, em meio à tensão, se refugiam em ativos considerados seguros.

Commodities, ações e moedas de países emergentes, entre outros ativos, valorizaram-se mundo afora. Aqui, o maior efeito foi sentido no câmbio, onde o dólar apurou a maior queda diária (1,35%) em cinco meses. A moeda americana fechou cotada por R$ 1,676.

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) avançou 1,52%, para 72.995 pontos. Para muitos analistas, o principal termômetro da bolsa brasileira tem tudo para superar, nos próximos dias, seu nível recorde de 73.516 pontos, registrado em 20 de maio de 2008.

No exterior, o índice MSCI global, que sintetiza uma série de indicadores de bolsa no mundo, atingiu a maior cotação em dois anos. O barril de petróleo para entrega em dezembro subiu 2,13%, para US$ 86,49. Durante a sessão, chegou a ser negociado no maior nível em seis meses.

Segundo analistas, o que explica todo esse movimento é a certeza de que a superoferta de dólares derrubará o valor da moeda e, no futuro, elevará a inflação mundo afora. Para se proteger do aumento dos preços, investidores buscam ativos como as commodities (como cobre, prata, ouro – que ontem fechou na máxima histórica – e petróleo).

Apesar do ceticismo de vários analistas quanto ao impacto da nova injeção de dinheiro na economia americana, há também apostas de que alguma recuperação ocorrerá – o que eleva o consumo e, por tabela, a demanda por vários produtos, como as commodities.

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O estrategista-chefe da Corretora SLW, Pedro Galdi, e o analista de renda variável da Infinity Asset George Sanders acreditam que o fluxo de capitais para o Brasil vai crescer ainda mais. Ambos observaram, por exemplo, que o volume negociado diariamente na Bovespa (quinta-feira foram quase R$ 8 bilhões) vem aumentando.

Por isso, cresce no mercado o temor de que o governo volte a adotar medidas para conter a provável nova onda de valorização do real que se deve formar. “O problema é que o arsenal está acabando”, ponderou Sanders. Segundo ele, uma das possibilidades comentadas nas mesas de operação é o aumento do IOF para a compra de ações – até agora, o governo manteve a taxa de 2% instituída em outubro de 2009.

Se no mercado financeiro a reação ao Fed beirou a euforia, no meio político houve muita reclamação. A começar pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Quando essa moeda se desvaloriza (dólar), o que acontece? Valoriza o euro, atrapalha os países europeus, atrapalha os países latino-americanos, atrapalha o Brasil, atrapalha a própria China”, ponderou.

Um importante conselheiro do Banco da China, o banco central do país, fez dura crítica à nova injeção de recursos pelo Fed.

“Na medida em que o mundo não restringe a emissão de moedas, como o dólar, a ocorrência de uma outra crise é inevitável, conforme alguns poucos sábios ocidentais já vêm alertando”, escreveu Xia Bin, em artigo publicado em um jornal do governo chinês. Autoridades da Alemanha e da Tailândia também se queixaram do afrouxamento quantitativo do Fed.

Estúdio MGM pede concordata nos EUA

Afundada em dívidas, empresa vinha tentando se fundir com a rival Lions Gate.

Fonte: Agências Internacionais / Estadão.com

NOVA YORK – O lendário estúdio cinematográfico Metro-Goldwyn-Mayer pediu concordata ontem, seguindo um plano que colocará um dos mais tradicionais ícones de Hollywood sob controle de seus principais credores.

O pedido segue as regras do Capítulo 11 da Lei de Falências americana e só foi possível graças à decisão dos credores em apoiar uma recuperação da empresa sob a batuta dos executivos Gary Barber e Roger Birnbaum, da produtora Spyglass Entertainment.

A Metro concordou também com as condições propostas por Carl Icahn, um dos principais detentores de sua dívida, para conquistar o apoio do bilionário ao plano de reestruturação. Antes, Icahn preferia uma proposta rival, que previa a fusão da MGM com outro estúdio, o Lions Gate – empresa independente que obteve sucesso com filmes de prestígio, como Preciosa, e boas bilheterias comerciais, como a série de horror Jogos Mortais.

A concordata da MGM permitirá que credores como o Credit Suisse e o JP Morgan troquem mais de US$ 4 bilhões da dívida da MGM pela maior parte da participação patrimonial numa empresa reorganizada.

Capital novo. Stephen Cooper, codiretor executivo da MGM, disse em pronunciamento que a reorganização vai melhorar a situação financeira da empresa ao “reduzir drasticamente” o endividamento e proporcionar acesso a novo capital. A administração tem a meta de captar US$ 500 milhões em recursos para novas produções em cinema e TV. A MGM disse esperar que a decisão de um tribunal federal de falências relativa à reestruturação da empresa seja proferida em cerca de 30 dias.

Desde 2005, quando a empresa foi comprada por um grupo de fundos de private equity e pela rival Sony por US$ 2,85 bilhões, a situação financeira da MGM foi se deteriorando. A empresa também é dona da marca United Artists, sob a qual são produzidas os filmes do agente 007.

Nos últimos cinco anos, o estúdio tentou se reinventar de várias formas: buscou ressuscitar velhas franquias, como A Pantera Cor-de-Rosa, distribuiu filmes de orçamento médio em parceria com a The Weinstein Co. e promoveu refilmagens de sucessos antigos, como Fama. Entretanto, apenas a aposta nos filmes de James Bond, com Daniel Craig no papel central, revelou-se lucrativa. Neste ano, o único filme lançado pela MGM nos EUA foi a comédia A Ressaca, com John Cusack, que teve performance razoável, arrecadando US$ 50 milhões para um custo de US$ 36 milhões.

O portfólio de projetos futuros da empresa inclui, entretanto, O Hobbit, que será dirigido pelo vencedor do Oscar Peter Jackson, o mesmo da trilogia O Senhor dos Anéis, também baseada na obra de J.R.R. Tolkien. Em Hollywood, o envolvimento de Birnbaum e Barber, que produziram vários sucessos recentes para a Spyglass – entre eles Vestida para Casar, com Katherine Heigl, e O Procurado, com Angelina Jolie e Morgan Freeman -, é visto como fundamental para a continuidade do envolvimento da Metro em seu mais ambicioso projeto dos últimos anos.

Ao apostar na dupla de produtores, Carl Icahn acabou processado pela Lions Gate, sob a alegação de que ele teria interferido na tentativa do estúdio em promover uma fusão com a MGM. Ao optar pelos donos da Spyglass, Icahn exigiu também uma série de mudanças corporativas na Metro.