Lula foi o avô rico e Dilma pode ser a neta pobre da economia, diz MB Associados

Consultoria diz que retomada das reformas microeconômicas deveria ser prioridade em 2011

Fonte:Luís Artur Nogueira, de EXAME.com

  

 

 

 

 

 

 MB Associados diz que a Argentina é o exemplo a não ser seguido pelo governo brasileiro.

São Paulo – Um relatório da consultoria MB Associados, que tem à frente o economista José Roberto Mendonça de Barros, diz que o governo Dilma poderá ser a sequência de uma história que teve o avô rico (primeiro mandato de Lula), o filho classe média (segundo mandato) e a neta pobra (Dilma).

“Não apenas as condições macroeconômicas estão mais frágeis do que a média dos oito anos do governo que se encerra, como também perdeu-se o principal motor de crescimento de longo prazo, que é a realização de reformas microeconômicas”, diz o texto assinado pelo economista-chefe da MB, Sérgio Vale.

A fase “avô rico” teve importantes reformas microeconômicas, como a criação do crédito consignado e a Lei de Falências. Além disso, “o cenário macroeconômico internacional foi extremamente favorável, ajudando a manter um forte superávit em conta corrente ao mesmo tempo que o superávit primário se fortaleceu.”

O período “filho classe média” é classificado pela consultoria como mais heterodoxo, com as presenças de Guido Mantega na Fazenda e de Luciano Coutinho no BNDES. A crise internacional foi estopim para essa guinada, com o crescimento de gastos públicos. Os estímulos econômicos, o cenário internacional fraco e o câmbio valorizado estão piorando o deficit em conta corrente. “O governo Lula entrega seu governo mais frágil do lado macro, mas também institucionalmente mais fraco, com aparelhamento do Estado pelo PT e partidos coligados e perda relativa de poder do Legislativo e do Judiciário.”

Governo Dilma

E agora, com o governo Dilma, pode começar a fase “neta pobre”. Embora ressalte que não haverá turbulência importante no primeiro ano de mandato, a MB Associados alerta para a urgência de um ajuste fiscal relevante e de outras medidas. “Será necessário retomar o caráter propositivo das reformas micro que diminuíram sensivelmente nos últimos anos do governo Lula”, diz Sérgio Vale.

A consultoria cita a Argentina como exemplo de um país que tem a agenda macro equilibrada, com ajuste fiscal em vigor e sem problemas graves na conta corrente. Porém, são pontos insuficientes para um crescimento saudável no longo prazo. “A desinstitucionalização e a falta de reformas microeconômicas do país são garantias de um crescimento muito frágil e volátil para os próximos anos.”

O relatório conclui: “Cair na falsa ideia de que fazer um ajuste fiscal apenas será suficiente para o país é postergar os problemas e mascarar as verdadeiras necessidades. Fica parecendo mais uma manobra de última hora para agradar o mercado internacional e doméstico. Voltar ao padrão de pequenas micro reformas que existia anteriormente é o maior desafio do governo Dilma.”

Itaú Unibanco tem lucro líquido de R$3 bi no 3o trimestre

Resultado representa aumento de 33,77 por cento em relação ao apurado em igual etapa de 2009.

Fonte:

São Paulo – Gastos maiores com integração de agências e o conservadorismo no provisionamento para perdas fizeram o Itaú Unibanco reportar um lucro levemente menor do que o esperado no terceiro trimestre, mesmo com a expansão e a melhora de sua carteira de crédito.

O banco informou nesta quarta-feira que teve lucro líquido de 3,03 bilhões de reais no terceiro trimestre, um aumento de 33,8 por cento em relação ao apurado em igual etapa de 2009.

Em termos recorrentes, o lucro da instituição no período foi de 3,158 bilhões de reais. A previsão média de 11 analistas consultados pela Reuters apontava para um lucro recorrente de 3,3 bilhões de reais no período.

Ainda assim, em números totais a instituição superou os 2,5 bilhões de reais do Bradesco, reportados na semana passada e que foram apontados pela Economatica como o maior lucro já registrado por um banco brasileiro de capital aberto no período de julho a setembro .

No trimestre, a carteira de crédito do Itaú Unibanco, incluindo avais e fianças, era de 313,19 bilhões de reais, um alta de 16,6 por cento em doze meses. O avanço foi puxado pelo segmento de micro, pequenas e médias empresas, que cresceu 30 por cento no período. A carteira de varejo avançou 15,9 por cento na base anual, para 118,8 bilhões de reais.

O índice de inadimplência, medido pelo saldo de operações vencidas com prazo superior a 90 dias, ficou em 4,3 por cento, ante 4,6 por cento no final de junho e dos 5,9 por cento no terceiro quarto do ano anterior. Foi o menor índice desde o quarto trimestre de 2008.

As despesas com provisões para perdas com crédito alcançaram 4,069 bilhões de reais, montante 5,3 por cento menor em doze meses, porém levemente superior aos 4,02 bilhões de reais do segundo trimestre deste ano. O índice de cobertura de 90 dias subiu de 187 para 196 por cento em três meses.

Além disso, as receitas com serviços somaram 4,45 bilhões de reais no trimestre, 15,5 por cento maiores em um ano.

Por outro lado, as despesas não decorrentes de juros do banco subiram a 7,975 bilhões de reais, 15,7 por cento a mais na comparação anual, devido aos gastos com migração e abertura de agências e com ao aumento de salários devido ao dissídio coletivo.

O retorno líquido sobre patrimônio líquido anualizado do banco ficou em 21,6 por cento no trimestre, abaixo dos 23,4 por cento do trimestre anterior, mas acima dos 18,9 por cento de um ano antes. O índice recorrente ficou em 22,5 por cento.

Os ativos totais do banco em 30 de setembro somavam 686,248 bilhões de reais, um avanço anual de 12,06 por cento.

Mercado de renda fixa aposta em inflação maior no novo governo

Especialistas não acreditam que novo presidente vá apertar a política monetária para impedir um aumento da inflação.

Fonte: Ye Xie e Tal Barak Harif, da / Revista Exame

Nova York – Para o mercado de renda fixa, o sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ter dificuldades em manter a inflação na meta.

A taxa implícita de inflação, medida pela diferença entre os rendimentos dos títulos prefixados do Tesouro Nacional com prazo de dois anos e aqueles atrelados à inflação, subiu para 648 pontos-base, 6,48 pontos porcentuais, nível mais alto desde novembro de 2008.

Em 28 de junho, a diferença era de 541 pontos- base. Essa mesma taxa implícita de inflação é de 388 pontos no México, segunda maior economia da América Latina.

Enquanto países como Estados Unidos e Japão estão adotando medidas para evitar a deflação causada pela desaceleração econômica, no Brasil a aposta é de que os preços ao consumidor devem subir mais do que a meta de 4,5 por cento, a menos que as autoridades limitem gastos públicos ou subam os juros. Dilma Rousseff, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial no domingo, disse em entrevista à televisão em agosto que reduzir gastos é um “crime”.

“O mercado não acredita muito que o próximo governo vá agir no lado fiscal para conter o gasto público”, disse Marcelo Schmitt, gestor de fundos de renda fixa da SulAmérica Investimentos em São Paulo, que comprou títulos atrelados à inflação três meses atrás. “O mercado está esperando mais pressão inflacionária por períodos mais longos, se estendendo ao longo de 2011.”

O rendimento da Nota do Tesouro Nacional série B, que oferece proteção contra inflação, com cupom de 6 por cento e vencimento em agosto de 2012 caiu 41 pontos-base este mês para 5,52 por cento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Já o rendimento da Letra do Tesouro Nacional prefixada em 10 por cento com vencimento em janeiro de 2013 baixou 4 pontos-base para 11,97 por cento.

Desemprego, salários

Economistas projetam crescimento de 7,55 por cento este ano, o maior em duas décadas, de acordo com a pesquisa do Banco Central com cerca de 100 instituições financeiras publicada esta semana. O desemprego caiu em setembro para uma mínima histórica e o salário médio ajustado pela inflação subiu 6,2 por cento nos últimos 12 meses para R$ 1.499, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na semana passada.

A inflação acumulada em 12 meses vai se acelerar para 5,3 por cento até dezembro, em relação aos 5 por cento até a primeira quinzena de outubro e 4,3 por cento do final de 2009, de acordo com a pesquisa do Banco Central com o mercado. A projeção mediana uma semana antes era de 5,2 por cento.

O Comitê de Política Monetária liderado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, manteve a Selic em 10,75 por cento pela segunda reunião seguida em 20 de outubro, após elevar o juro básico da economia em 200 pontos-base no início do ano.

A autoridade monetária afirmou na ata do encontro divulgada ontem que “prevalece o entendimento” de que a inflação vai convergir em direção ao centro da meta de 4,5 por cento. Segundo o Copom, essa previsão “está condicionada à materialização das trajetórias com as quais o comitê trabalha para variáveis fiscais e creditícias, entre outras”.

Gastos em alta

Investidores agora temem que as autoridades não estejam fazendo o suficiente, disse Nick Chamie, que comanda a área de mercados emergentes da RBC Capital Markets em Toronto.

“A maioria acha que o Banco Central deveria estar apertando a política monetária e não está fazendo isso, e essa é a preocupação da maior parte das pessoas, de que Meirelles não quer desagradar seus novos chefes”, disse Chamie numa entrevista por telefone. “Estamos começando a ver uma alta do prêmio de inflação localmente.”

O governo Lula aumentou os gastos públicos em 18,2 por cento em julho em relação a um ano antes, o que ajudou a elevar o déficit nominal para o equivalente a 3,4 por cento do Produto Interno Bruto. Em outubro de 2008, o déficit era equivalente a 1,3 por cento do PIB.
Num comunicado por e-mail, o Banco Central se recusou a fazer comentários para esta reportagem.

Republicanos devem assumir controle da Câmara nos EUA, segundo projeções

Fonte: Reuters em Washington / Folha.com

Com as urnas fechadas na maioria dos Estados americanos, as projeções das redes americanas indicam que os republicanos vão ganhar assentos o suficiente para assumir o controle da Câmara dos Representantes, além de conquistar ganhos significativos também no Senado –confirmando as pesquisas de intenção de voto. As eleições legislativas de meio de mandato nos EUA simbolizam uma forte como crítica ao governo do presidente Barack Obama.

Nestas eleições legislativas de meio de mandato, os americanos renovam por completo a Câmara de Representantes (435 cadeiras) e 37 ocupantes do Senado (de um total de cem), assim como 37 governadores dos 50 Estados do país.

Com todos os 435 assentos em jogo na Câmara dos Representantes, os republicanos precisam tomar 39 assentos dos democratas para garantir a maioria de 218 deputados. Devem conseguir ao menos 50, projeta a rede CNN. Já o MSNBC estima que os republicanos vão assumir 237 vagas, contra 198 dos democratas. A Fox News fala em ganhos significativos na casa.

Às 23h50 desta terça-feira, as projeções da CNN indicavam que de 21 vagas em disputa no Senado, 14 iriam para republicanos e sete para democratas. Já na Câmara dos Representantes, de 177 vagas, 113 iriam para os republicanos e 64 para os democratas, segundo projeção da CNN.

A ansiedade criada com a crise econômica e o descontentamento com o presidente Barack Obama levaram os republicanos a conquistar enormes vitórias que lhes daria uma maioria na Câmara dos Representantes, tirando a porta-voz democrata Nancy Pelosi do cargo e pisando no freio na agenda legislativa de Obama.

A vitória do democrata Joe Manchin na corrida pelo Senado em Virgínia Ocidental pode assegurar que os democratas mantenham ao menos uma estreita maioria no Senado. Para ganhar o controle, os republicanos têm a difícil tarefa de vencer seis disputas cruciais ao Senado, incluindo na Califórnia e em Washington, de tendência democrata.

Para a Câmara, três redes americanas projetaram que os republicanos vão conquistar mais do que os 39 assentos necessários para comandar a casa e promover o líder John Boehner a porta-voz da casa.

A vitória dos republicanos em ao menos uma das casas do Poder Legislativo enfraquece o poder de Obama sobre medidas como a prorrogação dos cortes no imposto de renda e a aprovação de leis de imigração, por exemplo.

Obama assumiu o governo há dois anos, com a esperança de que poderia tirar os EUA da profunda crise econômica. Mas os persistentes altos níveis de desemprego e um deficit de orçamento cada vez maior colocou muitos eleitores contra ele e seus colegas democratas, após eles terem aprovado um custoso pacote de estímulo econômico, doações para as indústrias e reforma dos sistemas financeiro e de saúde.

Os republicanos da Flórida (Marco Rubio) e do Kentucky (Rand Paul) tornaram-se os primeiros candidatos apoiados pelo Tea Party a ganhar cadeiras no Senado, garantindo a entrada de visões mais conservadoras na casa. Outra queridinha do Tea Party, a republicana Christine O’Donnell, perdeu a corrida pelo Senado em Delaware.

O Tea Party é um movimento populista de extrema-direita, motivado pela oposição aos impostos, à elevação do gasto público e à reforma migratória.

DIA DE VOTAÇÃO

A votação começou às 8h (de Brasília) e desde as 13h, quando Alasca e Havaí abriram as urnas, todos os 50 Estados americanos participavam das eleições. As primeiras urnas começaram a fechar às 20h (de Brasília) e a última, no Alasca, deve fechar às 2h desta quarta-feira.

Pesquisas preliminares de boca de urna mostraram o eleitorado bastante preocupado com a economia, e uma ampla maioria dizendo que o país está seriamente no caminho errado, informa o “New York Times”. A maioria também disse desaprovar o modo como Obama e os membros do Congresso cumpriram seus papeis. A pesquisa foi feita pelo Edison Research, um grupo independente.

Dos entrevistados, oito em cada dez se disseram preocupados com o rumo da economia no ano que vem, e mais de quatro em cada dez disseram que a situação financeira de sua própria família piorou nos últimos dois anos, informa o jornal.

Às 15h (de Brasília) de amanhã, depois portanto do fechamento das urnas e com a maioria dos resultados das eleições conhecidos –embora em alguns casos a definição dos vencedores possa levar dias–, o presidente Barack Obama deverá conceder uma entrevista coletiva na Casa Branca. O jornal americano “The New York Times” chamou o evento de “post mortem”, considerando a esperada derrota dos democratas nas urnas.

A participação do eleitor é tipicamente baixa em eleições não-presidenciais. Nas eleições legislativas de 2006, foi de apenas 47,8% –o melhor resultado registrado desde 1994, quando 48,3% dos eleitores foram às urnas. Já nas presidenciais de 2008, 63,6% dos eleitores inscritos emitiram seu voto, segundo a agência de recesseamento.

Campanha de Serra deve R$ 30 milhões

Fonte: Jornal da Tarde

Na tentativa de cobrir o rombo financeiro da campanha à Presidência, a cúpula do PSDB decidiu manter a arrecadação de recursos até o final de novembro. O presidente da sigla, senador Sérgio Guerra, e Márcio Fortes, responsável pelo fluxo de arrecadação e despesa da campanha de José Serra, se debruçaram sobre as planilhas para fazer o diagnóstico e traçar estratégia para evitar que fiquem dívidas para o diretório nacional do PSDB.

De acordo com o quadro analisado, o partido está com mais de R$ 30 milhões no vermelho – chegou a fechar o primeiro turno da eleição presidencial com R$ 22 milhões a menos do que precisava, diante de uma arrecadação de R$ 62 milhões.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos que disputaram o segundo turno devem apresentar as contas consolidadas até 30 de novembro. A Corte que haja arrecadação de recursos depois de terminada a disputa, mas em casos excepcionais, como “para quitação de despesas já contraídas e não pagas, as quais deverão estar quitadas até a data da entrega da prestação de contas à Justiça Eleitoral, sob pena de desaprovação das contas”.

Dívidas

Integrantes do comitê financeiro dizem que o PSDB não deixará dívidas para o diretório nacional porque há promessas da entrada de recursos para honrar compromissos assumidos com fornecedores.

A avaliação é que a campanha arrecade, no máximo, R$ 40 milhões no segundo turno. Algumas empresas dividiram a contribuição em parcelas e a expectativa dos tucanos é que os empresários honrem com o “compromisso”, mesmo com a derrota.

A perspectiva de vitória de Serra, com a ida ao segundo turno, chegou a animar empresários a doarem. Mas a queda nas pesquisas e suposta pressão de petistas junto ao empresariado, segundo tucanos, dificultaram a entrada de recursos no caixa de campanha.