Crescimento econômico impulsiona inovação tecnológica no País, diz IBGE

Uso da Internet como ‘fonte do processo inovativo’ foi citado por 68,8% dos estabelecimentos no setor industrial.

Fonte: Jacqueline Farid, da Agência Estado

RIO – A inovação tecnológica aumentou no Brasil nos últimos anos, inclusive na indústria. Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) relativa ao período 2006-2008 divulgada pelo IBGE mostra que a taxa de inovação – porcentual de empresas investigadas na pesquisa que são inovadoras em processos ou produtos – chegou a 38,6% em 2008, ante 34,4% na pesquisa anterior, relativa a 2005.

Na indústria, segundo a Pintec, houve um forte incremento da inovação tecnológica nesta década. Se em 2000 a taxa de inovação no setor era de 31,5%, em 2005 atingia 33,5% e em 2008, subiu para 38,1%. A gerente da pesquisa, Fernanda Vilhena, atribui o crescimento a “um momento econômico muito favorável”.

Segundo ela, os indicadores macroeconômicos relativos a Produto Interno Bruto (PIB), investimentos, consumo das famílias, importações e exportações registraram bons resultados no período pesquisado, o que tem efeitos positivos sobre a inovação.

Fernanda explica que as inovações estão diretamente relacionadas ao desempenho da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). “Hoje no Brasil permanece o padrão de fazer inovação modernizando o parque industrial, com compra de máquinas e equipamentos, ou lançamento de novos produtos que também dependem da compra de novas máquinas, daí a ligação estreita entre investimentos e inovação”, disse ela.

Internet 

A Pintec revelou que o uso da Internet como “fonte do processo inovativo” foi citado por 68,8% dos estabelecimentos no setor industrial entrevistados, “caracterizando-se como o principal instrumento de inovação”. Nos serviços , o porcentual foi ainda maior, de 78,7%. Os técnicos da pesquisa destacam que a Internet não havia sido apontada como principal fonte de inovação em nenhuma das três edições anteriores da Pintec, ocupando no máximo a quinta posição em 2005.

A pesquisa mostrou também que crescimento do porcentual de empresas inovadoras que utilizaram pelo menos um instrumento de apoio governamental, passando de 18,8% em 2005 para 22,3% em 2008. Ainda segundo a Pintec, o crescimento da taxa de inovação não evitou que o número de empresas com dificuldades ou obstáculos tenha aumentado de 35,2% do total de empresas investigadas em 2005 para 49,8% em 2008. A falta de pessoal qualificado é apontada por 57,8% das empresas como um dos principais obstáculos à inovação.

De acordo com a Pintec, em 2008 as oito atividades que apresentaram maiores taxas de inovação foram automóveis, camionetas, utilitários, caminhões e ônibus (83,2%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (63,7%), outros produtos eletrônicos e ópticos (63,5%), produtos químicos (58,1%), equipamentos de comunicação (54,6%), equipamentos de informática e periféricos (53,8%), máquinas e equipamentos (51,0%) e componentes eletrônicos (49,0%).

Segundo a pesquisa, as taxas de inovação alcançadas pelos serviços entre 2006 e 2008 “estão entre as mais elevadas”, incluindo desenvolvimento e licenciamento de programas de computador (58,2%), telecomunicações (46,6%), outros serviços de tecnologia da informação (46,1%), edição e gravação e edição de música (40,3%) e tratamento de dados, hospedagem na internet e outras atividades relacionadas (40,3%).

Destaques

A Pintec investigou 106 mil empresas e, dessas, 100 mil são empresas industriais. A pesquisa aborda empresas do setor industrial e de serviços (incluindo edição, telecomunicações, informática). Fernanda disse que os destaques de inovação nas indústrias em 2008 ficaram com o setor farmacêutico (por causa da fabricação de medicamentos genéricos), indústria química (com inovação de processos, inclusive em meio ambiente), além de produtos com “alto componente tecnológico) como TV Digital e produtos de informática, como notebooks.

Outro segmento industrial destacado por Fernanda é o de alimentos que, segundo ela, não tem alta intensidade tecnológica, mas inovou com a fabricação de produtos light e diet e também funcionais (iogurte com fibras, maionese sem colesterol).  Ela citou ainda a indústria automobilística, tanto pelo desenvolvimento de novos modelos como peças e acessórios.

A Pintec também mostra os gastos com inovação, em relação ao faturamento das empresas, permaneceu estável em quatro anos, o que, segundo Fernanda, mostra que o patamar de despesas nessa área aumentou. Em 2005, as atividades inovadoras foram foco de gastos equivalentes a 2,8% % do faturamento das empresas. Em 2008, a fatia era praticamente similar, de 2,85%.

“Os dados apontam uma estabilidade, mas é importante ressaltar que, como esse foi um período de crescimento econômico e elevação do faturamento das empresas, o gasto inovativo cresceu no mesmo ritmo da expansão da receita, o que não é pouco”, disse a gerente da pesquisa.  O investimento total das empresas em atividades inovativas alcançou R$ 54,1 bilhões em 2008, R$ 12,8 bilhões a mais que em 2005.

Segundo o IBGE, a Pintec tem o objetivo de fornecer dados para a construção de indicadores das atividades de inovação tecnológica das empresas brasileiras nos setores industrial, de serviços selecionados (edição, telecomunicações e inofrmática) e de pesquisa e desenvolvimento. A série da pesquisa teve início no ano 2000 e o levantamento sempre aborda um período de três anos.

Tarifa de celular varia até 800 % em São Paulo

Estudo da ProTeste mostra que, apesar de o Brasil ter a tarifa mais alta do mundo, é possível pesquisar para encontrar um plano mais em conta.

Fonte: Roberta Scrivano – O Estado de S.Paulo

 Não há outro lugar no mundo com tarifa de celular tão cara quanto o Brasil. Os preços, no entanto, variam drasticamente de um plano para outro e de uma operadora para outra. A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor Pro Teste identificou em um estudo, por exemplo, que esses custos variam até 814%.

Com tamanha discrepância entre os preços, o consumidor que procurar bem conseguirá “desperdiçar” menos recursos ao mês com o celular, segundo os institutos de defesa do consumidor.

Para começar, é preciso optar entre o celular pré ou pós-pago. O estudo da Pro Teste, assim como um outro material produzido pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) sobre esse tema, detectam de cara que o custo do minuto do pré-pago é mais alto. Por outro lado, com o pré-pago é mais fácil ter controle de quanto será gasto no mês com o celular, evitando surpresas no fim do mês.

O Idec encontrou nos sites das principais operadoras do País tarifas de R$ 1,39 a R$ 1,49 por minuto para pré-pagos. Em alguns casos, há tarifas mais baratas para as ligações feitas entre aparelhos da mesma operadora.

Nos planos pós-pagos, o preço por minuto varia de R$ 0,88 a R$ 1,10 e as mensalidades, de R$ 35,90 a R$ 58,90.

“Hoje, 82% das ligações são feitas de telefones pré-pagos, que são uma importante opção para o consumidor que não pode arcar com o alto custo mensal dos planos pós-pagos”, diz Guilherme Varella, do Idec. “Para alguns perfis, como por exemplo aqueles que recebem mais ligações do que fazem, o pré-pago pode ser mais vantajoso”, completa.

Para fazer a comparação entre os planos de pré e de pós-pagos, a Pro Teste elaborou um perfil de usuário que fala por 300 minutos em 150 ligações locais de dois minutos, ao longo de um mês. No perfil, não há ligações DDD e 80% das chamadas são feitas no horário reduzido, metade para números da mesma operadora, 25% para telefones fixos e os outros 25% para celulares de outras operadoras.

“Aplicando essa situação ao Estado de São Paulo, os planos pós-pagos são sempre as melhores opções”, diz Maria Inês Dolci, da Pro Teste.

Ela diz ainda que, entre os planos 2G, a melhor opção é o Vivo Você 100 minutos + Noites e Fins de Semana, por R$ 89. A melhor opção da Claro é o plano Sob Medida, por R$ 150. Já a melhor opção da Tim é o Tim Liberty, por R$ 172,29. A melhor opção da Oi é o Oi 220, por R$ 188,50.

Fidelização. O lado negativo do pós-pago, segundo os especialistas, é a fidelização imposta pelas operadoras. Normalmente, quanto é contratado um plano, o cliente precisa manter-se na mesma operadora por pelo menos 12 meses. Outro ponto crítico é o estouro do plano, ou seja, quando o cliente usa mais minutos ou manda mais torpedos que o contratado. “Aí pode ficar muito caro. No pré-pago, esse risco não existe”, destaca Varella, do Idec.

Maria Inês reforça que esse é o motivo da necessidade de se fazer pesquisa e se detectar muito bem qual o perfil de consumo. “Ou será contratado um plano errado.”

De pós para pré. A professora Eliane Mancini decidiu fazer a troca de um celular pré-pago para um pós depois de realizar uma pesquisa. “Eu dou aula o dia todo e falo muito pouco ao telefone. Depois que furtaram o meu celular, um pós-pago, fiz as contas e percebi que era mais vantajoso utilizar um pré-pago”, diz a professora, que gasta entre R$ 30 e R$ 40 para fazer a recarga do celular.

O primeiro celular adquirido por ela era pós-pago. “Eu pagava uma conta exorbitante. Na época, não utilizava tanto o telefone para ter uma fatura tão alta”, considera.

A jornalista Valéria Leite também desistiu de um celular pós-pago porque achava a conta cara demais para o baixo uso do plano contratado. “Eu sou de Manaus e me mudei para São Paulo por causa do meu trabalho. Não conheço muita gente e, por isso, uso muito pouco o celular”, afirma ela, que trocou de plano há seis anos.

Em média, o gasto mensal de Valéria com a conta de telefone consome, no máximo, R$ 50 do orçamento dela. / COLABOROU LUIZ GUILHERME GERBELLI

Dilma Rousseff, première femme présidente du Brésil

Fonte: Le Figaro – Par Lamia Oualalou

La dauphine de Lula l’emporte avec près de 56% des suffrages.

Le pari fou du président sortant Luiz Inacio Lula da Silva vient d’être gagné : Dilma Rousseff est devenue ce dimanche la première femme présidente du Brésil, une performance d’autant plus remarquable que l’ex-chef de la Maison Civile – équivalent de premier ministre – n’avait jamais auparavant brigué le moindre mandat. La candidate du Parti des Travailleurs (PT) l’emporte avec 55,59% des suffrages – à partir de 94% des bulletins dépouillés – contre 44,41% pour son adversaire José Serra, du Parti de la Sociale Démocratie Brésilienne (PSDB), soit plus de 10 millions de votes de différence.

Les Brésiliens, dans leur ensemble, ont délivré un message de continuité, résultat de la popularité du gouvernement de Lula, qui quitte le pouvoir avec 82% d’opinions positives. L’élection de Dilma Rousseff marque toutefois une nette polarisation, entre les plus pauvres et les plus riches. «Il suffit d’entrer dans un restaurant fréquenté par la classe moyenne pour voir palper ce phénomène : ceux qui sont assis votent Serra, ceux qui sont debout et font le service votent Dilma », résume André Singer, politologue à l’université de Sao Paulo.

Géographiquement, le clivage est net. Le Brésil est littéralement coupé en deux, rouge au nord (la couleur du PT) et bleu au sud (couleur du PSDB). Dilma Rousseff l’emporte avec des scores de maréchaux dans les Etats du Nordeste, les plus pauvres du pays. Les habitants de Bahia ont voté à plus de 70% pour elle, ceux du Pernambuco, l’Etat natal de Lula, à 75%, alors que dans le Maranhao, cette proportion grimpe à 78%. C’est le Nordeste qui a le plus profité des politiques sociales du président sortant, Luiz Inacio Lula da Silva. La coïncidence est frappante avec Bolsa Familia, l’allocation versée aux douze millions de foyers les plus démunis. Dans l’Etat du Maranhao, ce transfert de revenu concerne 54% de la population.

Bolsa familia 

Inversement, José Serra s’impose dans l’Etat de Sao Paulo, ainsi que dans les Etats du Sud, les plus riches. A Santa Catarina, où moins de 10% des habitants sont éligibles à Bolsa Familia, plus de 56% des Brésiliens ont choisi le candidat de l’opposition. «Cette corrélation ne suffit pas à affirmer que ces personnes ont voté Dilma seulement parce qu’elles ont reçu Bolsa Familia», alerte Marcelo Neri, économiste à la Fondation Getulio Vargas, en soulignant qu’il s’agit d’un programme structurel, installé depuis des années, et non plus d’un «cadeau électoral» comme les gouvernements avaient l’habitude d’en faire. « Par ailleurs, le Nordeste a connu un taux de croissance à la chinoise, et une hausse du revenu par tête de 7,3 % par an, contre 5,3 % par an dans le reste du pays», dit-il.

Le clivage nord/sud et pauvres/riches est récent dans le paysage électoral brésilien. En 1989, 1994 et 1998, Lula a perdu en partie parce qu’il ne parvenait pas à séduire les plus défavorisés. Il symbolisait l’aventurisme et le conflit social, dont ils se percevaient comme les principales victimes, notamment à travers l’inflation «C’est en 2006 que cela bascule, après que la question sociale est devenue un des axes du gouvernement de Lula», analyse André Singer. Depuis, les pauvres en général, et notamment dans le Nordeste, votent pour lui, par affection, reconnaissance et identification. Aujourd’hui, pour ces mêmes raisons, ils ont suivi ses recommandations en votant massivement Dilma. Cette identification a des effets pervers. Les médias ont tellement répété que Lula et Dilma étaient en tête dans le Nordeste que les électeurs du Sud, dont le niveau de revenu et d’instruction est plus élevé, ne se reconnaissent pas dans cet électorat et «choisissent son adversaire, accentuant plus encore le clivage entre classes sociales», estime Stéphane Monclaire, politologue spécialiste du Brésil à la Sorbonne-Paris I. Même si le Sud et le Sud-Est ont profité de la croissance des huit dernières années – Rio de Janeiro, Belo Horizonte et Porto Alegre se trouvent dans une situation de plein-emploi – leurs références culturelles, parfois non dénuées de préjugés racistes à l’égard des Nordestins, les éloignent du discours de Lula et Dilma.

Dimanche soir, la nouvelle présidente élue – elle ne prendra ses fonctions que le 1er janvier – devait faire un discours consensuel rappelant qu’elle compte gouverner pour tous les Brésiliens. Bien que son score soit inférieur à ceux enregistrés par Lula en 2002 et 2006 (plus de 60%), Dilma Rousseff bénéficiera d’une franche majorité au Sénat et à l’Assemblée, qui devrait l’aider à compenser, en partie, le charisme du président sortant

 

Destaque da imprensa internacional sobre a vitoria de Dilma

‘Peso’ de Lula no resultado das eleições é ressaltado.
Publicações dizem que a petista é mais austera e dura que antecessor.

Fonte G1.com

 A vitória da candidata petista Dilma Rousseff nas eleições brasileiras neste domingo (31) é destaque nos sites de jornais internacionais. As publicações ressaltam o passado guerrilheiro da petista e o peso do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no resultado.

A eleição de Dilma é manchete no site da rede de TV árabe “Al-Jazeera”, que aponta que ela assumirá o poder “de um país em ascensão”, e uma das economias “mais quentes” do mundo. A Al-Jazeera também aponta que o presidente Lula “usou seus 80% de aprovação para fazer campanha por Rousseff”.

A notícia também é manchete no site do argentino “La Nación”, que aponta o “triunfo” de Dilma. “Os brasileiros apoiaram a continuidade do modelo exitoso atual construído por Lula da Silva”, afirma a publicação.

Na Bulgária, a agência de notícias “Novinite” diz que a popularidade de Dilma é resultado, principalmente, de sua “promoção pelo extremamente popular presidente Lula da Silva“. “Acredita-se que Dilma Rousseff tenha ganho o segundo turno das eleições presidenciais graças aos votos dos mais pobres e da classe média da sociedade brasileira.

Na Espanha, o “El País” destaca a eleição da primeira mulher e “herdeira de Lula” à Presidência do Brasil. O jornal ressalta a importância de Lula – a quem chama de “formidável figura política latino-americana” – para o resultado deste domingo. “Rousseff necessitará, no entanto, assentar sua força e poder na presidência, com um governo próprio e sua própria forma de trabalhar que é, sem dúvida, muito mais austera que a de seu antecessor”, afirma o jornal.

O norte-americano “New York Times” dá destaque às diferenças entre Dilma e Lula: “Rousseff não tem o carisma de Lula nem sua influência sobre o congresso”. O jornal afirma ainda que os investidores temem que ela não consiga aprovar reformas econômicas “que poderiam reduzir o alto custo de fazer negócios no Brasil”.

O português “Jornal de Notícias” destacou a eleição da primeira mulher à Presidência do Brasil e ressaltou o discurso de Dilma Rousseff após a divulgação do resultado, em que se comprometeu a acabar com a miséria no país.

No México, o “El Universal” lembrou o passado guerrilheiro de Dilma, e afirmou que ela “ganhou reputação de uma líder dura e até grosseira com seus subalternos, capaz até de gritar com outros ministros”.

Na França, o “Le Monde” disse que Dilma, “sucessora do popular presidente Lula” é a primeira mulher eleita ao cargo de presidente. O jornal destaca que Dilma foi guerrilheira e sobreviveu ao câncer e teve como principal trunfo da campanha o balanço econômico dos anos do governo Lula, com um “crescimento espetacular” que permitiu que mais de 10% da população saísse da pobreza.

O jornal ainda afirma que Dilma não era muito conhecida antes da campanha e Lula participou ativamente de todo o processo, convencendo os eleitores a votarem na “herdeira”. Ainda de acordo com o Le Monde, Dilma, que não é carismática como o antecessor, deve seguir a política de Lula e ainda investir em infraestrutura e nas melhorias do sistema educacional.

Também na França, o “Le Figaro” dedica a manchete de sua página na internet à eleição brasileira. A reportagem diz que a ex-chefe da Casa Civil não havia concorrido em nenhuma outra eleição e que os brasileiros deram uma “mensagem de continuidade”, como resultado da popularidade do Lula.